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Ivanka Trump e o Banco Mundial

por jpt, em 18.04.19

Isto de Donald Trump ter oferecido à sua filha a presidência do Banco Mundial dirá muito sobre como estão os EUA e o mundo em geral. Mas diz também sobre o estado do jardim à beira plantado e dos seus habitantes. Dei uma volta pelas "redes sociais", secções portuguesas. Nas quais, desde há anos, Trump é visceralmente criticado. E não serei eu quem virá contestar a pertinência de muitas dessas críticas. Mas agora? Encontro, naquilo que vejo, na "rede" egocentrada que me é disponível, um silêncio total. As vozes e teclas mais anti-trumpianas, sempre tão activas na crítica ao presidente americano, distraíram-se e não estão frenéticos nas "partilhas" e "denúncias" desta escandalosa deriva nepotista. Decerto que não por estarem ocupados nas bichas das bombas de gasolina: poderiam ter usado os telemóveis durante as esperas para "denunciar", com redobrado ímpeto, este episódio.

Mas agora não. Convém nem referir o assunto, já basta de falar de redes familiares nos cargos de nomeação política. Mesmo que tão mais importante seja a possibilidade da nomeação da filha de Trump para o Banco Mundial do que mais um primo de Carlos César ser colocado num qualquer posto, ou a rábula do secretário de estado invertido ninfomaníaco que queria o capitão garanhão como motorista. Mas nem essa diferença de escala lhes diminui o silêncio. Não querem parecer "parolos" aos olhos de Augusto Santos Silva, como tal preferem calar-se, preocupar-se com outras coisas. Ou, por outra, antes parecer Trump do que parolo, dirão, fiéis ao perversor ministro.

Gente muito fraquinha. Se gente.

 


11 comentários

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De Luís Lavoura a 18.04.2019 às 16:22

dirá muito sobre como estão os EUA

Não, não dirá, porque os EUA sempre foram assim.

É normal e corriqueiro que o representante dos EUA no Conselho de Segurança da ONU não seja um diplomata de carreira, mas sim um apoiante político qualquer do presidente em funções. Foi assim com Trump, foi assim com Obama, sempre assim foi.

Nos EUA é normal que o presidente ofereça lugares aos seus apoiantes, incluindo familiares.

E repare o autor do post que na Europa as coisas não são assim tão diferentes. Por exemplo, temos os lugares de eurodeputado e os de comissário europeu, que frequentemente foram no passado oferecidos a correligionários que se queria ver por longe, independentemente da sua reconhecida (in)competência para as funções em questão.
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De jpt a 18.04.2019 às 16:41

Lavoura, ser presidente do BM não é ser embaixador num qualquer país - cargos que, numa velha tradição dos americanos, são atribuídos a financiadores das campanhas ou outros apoiantes. E uma coisa é dar o cargo a um apoiante, membro do círculo próximo ou etc, outra é dar à própria filha - por mais bem apessoada que ela surja.
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De Luís Lavoura a 18.04.2019 às 16:57

ser presidente do BM não é ser embaixador num qualquer país

Não? Eu não sei, mas acho que é capaz de não ser muito diferente.

É claro que as pessoas em questão são supostas ter um mínimo de conhecimentos técnicos e um mínimo de jeito para os cargos. Mas, essencialmente, trata-se, no entendimento prevalecente nos EUA, de cargos políticos, que podem e devem ser oferecidos a correligionários, e não a funcionários de carreira.

uma coisa é dar o cargo a um apoiante, membro do círculo próximo ou etc, outra é dar à própria filha

Trata-se de uma questão de (hiper)sensibilidade da sua parte. Lá por a pessoa ser filha ou familiar ou o que seja, não deixa de ser, fundamentalmente, um apoiante e membro do círculo próximo.
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De Carlos Gonçalves a 19.04.2019 às 01:20

E cuide-se o senhor por falar nessas coisas. Como aconteceu a outros, arrisca-se a que o batizem de "esgoto a céu aberto",
Sabe, essa gente vive em maior conforto quando a imundice flui em manilha fechada.
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De jpt a 19.04.2019 às 09:35

eu gosto da expressão, de influência moçambicana, "fecalismo a ecrã aberto" ... E uso-a.
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De Anónimo a 19.04.2019 às 07:43

Pois , pois isso é que interessa relevar agora por "uns" e "outros" , já as conclusões do relatório Mueller não interessam a ninguém nem aos autores aqui no DdO que aqui defenderam abertamente que o actual presidente dos USA deveria ser destituído do cargo.
E depois admiram-se de ninguém confiar nos medias e existirem fake news mas como seria de esperar a CNN (e outros) já estão a tentam torcer as conclusões do relatório Mueller.

WW
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De jpt a 19.04.2019 às 09:33

WW o seu comentário não é pertinente, pois percebe-se a sua incompreensão de onde está (um blog). Isto não pertence aos "medias" a que você alude e como tal as opções de quem aqui escreve, porque lhe apetece e de modo gratuito, nada tem a ver com a hipotética confiança de alguém nos tais "medias". Quanto ao conteúdo do que afirma: eu nunca escrevi (ou disse) que Trump devia ser destituído. Se algum dos co-bloguistas o fez não me lembro, mas admito como hipótese. E se entender regressar ao tema será interessante. Quanto a mim pouco sei disso, sei que houve um relatório que ilibou o presidente americano de umas acusações de conúbio ilegal e que isso foi publicado agora. Não sou especialista de política americana, não me sinto vinculado a escrever sobre isso - muito menos num registo de hóbi e gratuito como este de blogar. Quanto à CNN que refere lamento não o poder ajudar, não vejo há muitos anos. E aos "outros" não nomeados que também alude ainda menos posso dizer pois como não os refere não sei qual o ramalhete a que recorre. Mas como não sou grande especialista disso também pouco poderia ajudar.
Já agora, e se me permite a liberdade de olhar para o que quero e me interessa sem estar prisioneiro das vontades de um comentador WW, aquilo que me chama a atenção é o despautério de um gajo escolhar a filha para presidente do Banco Mundial. E que me apareçam comentadores a refutar a importância disso. E depois admiram-se de alguém desatinar com os comentadores, para glosar o pungente lamento final ...
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De Vento a 19.04.2019 às 10:50

Estou em crer que a onda das familiaridades de nomeações conduzirá à reconversão do modelo: o futuro mostrar-nos-á que estarão em evidência as nomeações das sogras. Como são mulheres, e dizem não ser da família, mas castigo divino, vai muito bem adaptado aos tempos.
Perdoem-me as sogras esta constatação errónea que a sociedade em regra reproduz, em particular vindas das mulheres dos maridos e, já no presente, nos homens dos "maridos" e nas mulheres das "maridas", quiçá não sejam todos ou todas. Graças a Deus e, como também se diz, aos deuses. Tudo isto para mostrar que sou um tipo aberto ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso.
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De jpt a 19.04.2019 às 11:36

Como o postal é de minha responsabilidade quero - sem me opor ao seu comentário, que entendeu por bem calibrar com algum "relativismo" - que tive uma excelente sogra e que, como tal, nada me move contra essa figura colectiva.
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De Vento a 19.04.2019 às 12:26

A ideia era exactamente essa, jpt: mostrar que o colectivo nem sempre tem razão. Mas como é a imagem colectiva, usei a figura como uma provocação. Provocar não significa aborrecer, mas estimular o debate e o raciocino.
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De jpt a 19.04.2019 às 12:44

claro, e li-o sem qualquer aborrecimento, com um sorriso ...

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