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It's a steady job

por Pedro Correia, em 24.07.19

Expresso é um jornal de ideias fixas. Convicto de que os leitores são pessoas distraídas, incapazes de reter aquilo que lêem, chega a publicar a mesma notícia não apenas uma, nem sequer duas, mas três vezes na mesma edição. Com um intervalo de oito páginas.

Aconteceu assim na Revista do sábado que passou. Logo na página 10, vinha a primeira, intitulada «Lashana Lynch». Rezava assim: «O mundo está a mudar quando até o machismo de 007 é posto em causa. Embora Daniel Craig ainda faça uma perninha, a lindíssima a[c]triz britânica será a nova agente secreta em 'Bond 25'.»

 

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Estava eu ainda a interrogar-me se o faro das patrulhas de turno detectaria odor machista no superlativo «lindíssima» e se a expressão «fazer uma perninha» pode ter cunho heteropatriarcal, em alusão ao direito de pernada dos senhores medievais, e já deparava com a renotícia e o retítulo na página 14 da mesma edição do mesmíssimo periódico:

«Lashana Lynch não será James Bond, mas será a primeira mulher a tomar-lhe o lugar. Nascida em Londres, sonhou cantar e tem crescido a pulso na representação. 'Bond 25', nome provisório do 25.º filme da saga, está a pô-la nas bocas do mundo.»

Ilustrada pela cara que já vira quatro páginas atrás.

 

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Matutava eu ainda na expressão figurativa «crescer a pulso», de eventual pendor sexista sobretudo quando associada a «pô-la nas bocas do mundo», sentindo uma remota indignação a avolumar-se perante os insidiosos estereótipos de género induzidos pelo imaginário falocêntrico nesta escrita jornalística, e lá me ressurgia, na página 18, a fotografia da tal senhora que eu já vira estampada duas vezes antes no referido periódico.

 

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«O papel será interpretado pela a[c]triz britânica Lashana Lynch, que junta uma outra dimensão a esta mudança pelo facto de ser negra», alvitrava a re-renotícia da Revista do Expresso, tomando como fonte (só à terceira ficamos a saber) o tablóide londrino Daily Mail. Que ficou imortalizado na letra de uma canção contemporânea do James Bond original, Paperback Writer: «His son is working for the Daily Mail / It's a steady job, / But he wants to be a paperback writer...»

Canção dos irrepetíveis Beatles. Quatro rapazes de pele branquinha: expoentes de um mundo que não volta mais.


32 comentários

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De Anónimo a 24.07.2019 às 11:09

O Expresso ainda vende ?
Ou vai pelo caminho do I e do sucedâneo SOL ou é ao contrário, nunca sei...

WW

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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 11:25

Não sei se já se recompuseram da grande perda do Nicolau Santos, que durante anos a fio integrou a direcção do jornal.
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De Justiniano a 24.07.2019 às 12:10

Não, ainda não se recompuseram da passagem do Nicolau Santos pela Direcção do jornal! É como se ainda por lá andasse! Os números não enganam!!
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 14:09

Os números só podem ter baixado. Depois dessa grande perda que foi o Nicolau Santos ter saído.
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 23:46

Para mais pormenores, nada como perguntar ao célebre alto funcionário da ONU chamado Artur Baptista da Silva.
Ele deve saber.
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De Justiniano a 25.07.2019 às 08:41

Um nome que não devemos esquecer sempre que Nicolau for mencionado!! Aliás, propunha que se cognominasse o Nicolau de Nicolau o Baptistólogo!!
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De Anónimo a 24.07.2019 às 11:21

Já agora, mais uma brilhante vitória, ontem para os "liberais" de turno !
Como titulará essa "vitória" o Expresso ?
O Observador chutou para o fundo !

WW
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 11:23

Qual vitória? O de Setúbal ou o de Guimarães?
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De António a 24.07.2019 às 13:56

Não acho a Lashana Lynch assim tão lindíssima. Como actriz conheço pouco do trabalho dela. A bem do politicamente correcto devia ser negra afro-asiática nascida no México, gay, e gorda. Ou a Octávia Spencer, que essa sei que é uma actriz das melhores da actualidade.
No fundo, com ou sem perninhas do Daniel Craig, ou têm um bom filme ou não, e não depende da actriz. Quanto aos puristas, lembra-me o que sucedeu com o Brokeback Mountain e o western - é um bom filme, ponto. No fundo, é o que importa.
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 14:15

A saga do Bond, para mim, terminou com a contratação do Craig, que mais parece um ucraniano das obras do que o sofisticado agente secreto. Perdi as últimas ilusões quando o vi algures na Bolívia beber cervejola do gargalo (com o descaradíssimo patrocínio da Heineken) em vez de se deliciar com um refinado 'dry martini'.
Há-de vir o Bond islâmico, iniciado na crença do Profeta pelo próprio Ben Laden. O Bond comunista pró-cubano, agente dos serviços secretos de Pyongyang. O Bond heterofóbico, visceralmente alérgico a mulheres. O Bond pacifista e vegetariano, das flores no cabelo e das bisnagas em vez de armas de fogo.
I don't give a damn.
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De António a 24.07.2019 às 14:19

Não se preocupe. Se for um flop eles mudam. O cinema é uma indústria.
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 14:24

Cada "notícia", com ou sem aspas, aumenta o potencial da bilheteira. Muito antes de a bilheteira abrir.
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De António a 24.07.2019 às 21:34

Bond a beber cerveja pelo gargalo? Podia ao menos ter exigido “shaken, not stirred” e vir a deitar espuma por todo o lado. Mas seria outro tipo de filme. Pessoalmente não desgosto do Craig, como não desgostava do Brosnan.
Não esqueça que o Casino Royale foi muito influenciado por uma tendência iniciada com o primeiro Bourne de Doug Liman, e fez um corte radical com o excesso de fantasia dos últimos filmes com o Brosnan - carros invisíveis?
Quanto à publicidade nos filmes - product placement, como lhe chamam - está para ficar. Quanto ao sururu antes da estreia, o pioneiro recente foi o Blair Witch Project.
Se quiser ver um bom filme de espionagem (se é que não viu já), tente o Tinker Tailor Soldier Spy.
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 22:39

Vi esse filme há muitos anos, com a Diane Keaton como "rapariga do tambor".
Gostei.

Quando ao Bond / Craig, deixei em tempo oportuno a minha irritação plasmada nestes textos:

https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/2592205.html
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4907687.html

Nem quero saber mais do defunto 007.
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De António a 25.07.2019 às 13:10

Estava a referir o de Tomas Alfredson, com Gary Oldman, John Hurt, Colin Firth, Tom Hardy - e sem Diane Keaton. Não sabia que havia outro.
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De Pedro Correia a 25.07.2019 às 14:46

Certo. Também vi esse.
Confundi com 'The Little Drummer Girl', também baseado num romance de Le Carré. Que aliás originou há um ano uma excelente série homónima, que em Portugal foi exibida na AMC.
Esse que refere chamou-se 'A Toupeira' entre nós - dada a impossibilidade de traduzir literalmente o título original.
Gary Oldman tem um excelente papel nesse filme.
Julgo não ter lido o livro. O meu romance preferido de Le Carré é 'Um Espião Perfeito'.
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De João Pedro Pimenta a 25.07.2019 às 00:04

A diferença, Pedro, é que eu acho o Craig um pugilista irlandês de ginásio de bairro de Belfast. Mas apesar de tudo ainda vou gostando dos filmes (gostei bastante do Skyfall, por exemplo, e no último gostei imenso da "entrada, na Cidade do México em pleno dia dos Mortos). A passagem da M de Judy Dench para Ralph Fiennes resultou bem. Mas se as notícias se confirmarem, o próximo Bond será o último a que irei assistir. Estragar aquela personagem com patacoada descaradamente de correção política é de uma imbecilidade a toda a prova. Até o Bond? Adeus.
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De Pedro Correia a 25.07.2019 às 00:12

Farei o mesmo, João Pedro.
Aliás há já bastante tempo que os filmes do Bond são pouco mais do que colagens de video-clips em promoção de relógios, carros, adereços vários e... até marcas de cerveja.
Quando vi o Craig segurar no gargalo da cervejola mostrando o rótulo Heineken para todos vermos bem, lá num tasco imundo de La Paz, enquanto se preparava para mastigar uma sandocha de coiratos, perdi a última inocência que me restava quanto a estes filmes.
Comércio à descarada, sem sombra de subtileza.
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De Anónimo a 24.07.2019 às 15:36

Bem, tentei conter-me nos últimos dias, mas não consigo evitar.

Caro António, não me leve a mal ter escolhido o seu comentário (que é pacifico), mas tinha que pegar por algum lado.

Gorda a rapariga não poderia ser. Se fosse, não seria escolhida. Não estaria devidamente esterilizada de todos os vícios nocivos à modernidade. Ainda cometeria os pecados da gula e da preguiça, não aderira ao tofu, ao leite sem lactose e aos cereais sem glúten, nem teria a inscrição no ginásio em dia.

Como vê, isto da diversidade toca a todos, sem excepção. E esse é o absurdo da coisa. Se tentar agradar a gregos de troianos é difícil, imagine-se vergar a espinha a cada inclinação ou capricho individual.

A via mais sensata para combater o absurdo é reduzi-lo ao ridículo quando faz sentido, e não disparar em todos os sentidos, sobretudo no sentido das mulheres, cujo contributo para toda esta loucura não é maior do que o dos homens.

Ao fim de vários dias a ler jornais, blogues e quejandos sobre estas questões, retrocedi aos tempos do referendo sobre o aborto e percebi que o nível de argumentação está muito semelhante. Lembro que, à época, intimamente favorável a alteração da lei, cada vez que via uma mulher exibir a barriga e dizer que o ‘corpo é meu’ ou usar argumentos do mesmo calibre, recuava. Mas logo em seguida aparecia um senhor a sugerir que essas mulheres promiscuas se deveriam conformar com a vontade de Deus, e percebia em definitivo o meu lado.

Não que aquece nem arrefece a ideia da Jane Bond. Ao que tenho visto nos últimos tempos, bem são precisas várias Bondas para dar na tromba de cavalheiros agressivos, que muito tem estrebuchado ao ver as mulheres mostrarem-me mais capazes, mais independentes e menos tolerantes com a prepotência masculina.

Isabel
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De António a 24.07.2019 às 21:17

Não pode ser gorda? Olhe que gosto mesmo do trabalho da Octavia Spencer. De resto, pegue por onde quiser, eu, quanto a filmes, tenho uma classificação simples: gosto / não gosto.
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 22:45

"Dar na tromba de cavalheiros agressivos?"
É chamar já a nova agente nada secreta.
Ela deve ser especialista em resolver assim as chamadas "questões de género": à porrada.
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De Anónimo a 24.07.2019 às 23:05

Bem sei que 'as delicadinhas' não 'andam à porrada', são mais apelativas, fáceis de moldar e, sobretudo, impõem menor esforço de entendimento.
Mais do que questões de género está em causa o carácter, transversal aos géneros.

E com isto só quero fazer notar que tenho lido demasiados homens azedos e zangados com o sucesso das mulheres.

Não sou favorável às quotas nem sou uma feminista desenfreada. Mas há limites.

Isabel
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 23:42

Tem lido muitas opiniões de homens azedos?
Veja lá, não azede também.
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De João Pedro Pimenta a 24.07.2019 às 23:57

Não só não a acho lindíssima como a acho muito desengraçada. Não só a presumível mudança é de uma descarada correcção política como tinham de ir buscar uma actriz sem um ping de graciosidade. Se era para isso, que dessem outro destaque à actual Mrs Moneypenny. Não estragavam os filmes e destacavam outra actriz negra, por sinal mais interessante.
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De Pedro Correia a 25.07.2019 às 00:03

Das três fotos que vi no 'Expresso' diria que não reúne os mínimos olímpicos para ingressar na selecção do Belles Toujours, João Pedro.
Eu não a escolheria sequer para Bond girl.
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De Pedro Correia a 25.07.2019 às 00:04

E por falar em Bond girl: sinto saudades desta.
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5412195.html

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De Cristina Torrão a 24.07.2019 às 14:49

Cá para mim, eles já não sabem o que fazer ao Bond, depois de 24 filmes, e tentam novos caminhos.Também não gostei muito do Daniel Craig, só vi a sua primeira aventura, "Casino Royale". As facetas de James Bond já se tinham esgotado com Pierce Brosnan.

A propósito de várias hipóteses de Bond: não sei se o Pedro de lembra que eu me estreei na blogosfera com uma história maluca de um clone de Hitler no ano de 2112. E, com esta polémica, lembrei-me de uma passagem dessa história:

«Por falar em agentes secretos: ao ver os filmes antigos do meu colega de liceu, constatei que o 007 surgiu há 150 anos! Era, no fundo, de calcular, pois Hollywood prepara-se para comemorar a estreia do 100° filme. O que eu, aliás, achei deveras interessante, foi que o James Bond dos primeiros sessenta anos era heterossexual! Em vez de Bond-boys, havia Bond-girls!»
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De Cristina Torrão a 24.07.2019 às 14:50

P.S. Falta dizer que escrevi isto em 2010.
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 16:15

Isso é que foi premonição, Cristina.
Bem pode reeditar esse texto aqui. Vem mesmo a propósito.
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 23:47

Fica a sugestão.
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De Maria Dulce Fernandes a 24.07.2019 às 20:02

Salvo algumas excepções , não houve maus Bonds. Não me pareceu que o Timothy Dalton fosse uma boa escolha e o Lazemby foi definitivamente uma escolha infeliz.
Apesar de não ser um adonis, o David Niven tinha tudo aquilo que um Bond deve ter. O Roger Moore também. Graciosidade, fleuma, humor. O Connery foi o primeiro. Estabeleceu a fasquia, mas não foi o melhor. Nem o Pierce Brosnan e tampouco o Daniel Craig, miope e trombudo, um Bond negro apesar de branquela.
É muito mau tentar dar a volta ao texto para encaixar no modernismo da diversidade, canibalizando os livros de Fleming e destruindo a essência do agente secreto. Como o Expresso, há muitíssimos mais a explorar descarada e exageradamente o filão.
The 00 means license to kill, not overkill.
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De Pedro Correia a 24.07.2019 às 22:43

Nunca vi os Bond protagonizados por Dalton, Dulce. Julgo aliás que terão sido os únicos que nunca vi.
Para mim, Dalton só os irmãos das histórias do Lucky Luke.

Sobre Craig, escrevi estas palavras no primeiro filme em que ele interpretou a personagem do agente 007:
«a febre da correcção política descaracterizou por completo o agente 007, roubando-lhe a aura imoral e cínica. A última película da série, recém-estreada, é um perfeito exemplo disso. Bond liofilizou-se, amansou, passou a beber os ares do tempo. Agora deu em odiar ditadores, abraçou a causa ecológica, trocou os cenários luxuosos pelo banlieu de Porto Príncipe e pelas tabernas mais ordinárias de La Paz. Faltou pouco para o vermos num comício de apoio a Evo Morales, o presidente-índio que proclamou o socialismo em versão andina. Deixou de dizer a frase que mais o celebrizou - "Bond, James Bond" - como se andasse em crise existencial. Trocou o sexo pelas mágoas de amor. Para cúmulo, despreza os atributos da bela de serviço, a esplendorosa Olga Kurylenko, com quem se limita a trocar um furtivo beijo. E já não bebe dry martini: sente um complexo de culpa quando empina uns copos nem ele sabe de quê.»

https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/2592205.html

Já lá vão uns anitos e não mudei de opinião.

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