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Isto que nos tem

por Teresa Ribeiro, em 20.04.15

"Dificilmente escaparemos ao degredo do baixo crescimento sem que duas coisas aconteçam: concorrência que dê cabo da má gestão dos instalados (e, já agora, nós também pertencemos ao lóbi dos instalados se queremos manter as nossas pensões à custa de cortar drasticamente as daqueles que ainda não começaram a trabalhar); e políticas macroeconómicas assimétricas na União Europeia, vulgo a Alemanha aumentar os salários e promover a importação de produtos de países como Portugal. Ainda não ouvi melhor medida do que a que Roubini uma vez metaforizou: que Merkel desse um cheque de mil euros a cada alemão para passar férias no Algarve.

Se não tivermos isso, o que temos é isto. Isto que nunca mais acaba, esta matança lenta de uma sociedade exausta e rasgada, que consome o presente dos velhos e o futuro dos jovens. Não é isto que queremos mas é isto que temos. Ou, pensando bem, é isto que nos tem a nós." - Pedro Santos Guerreiro, na última edição do Expresso papel.

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18 comentários

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De Alexandre Carvalho da Silveira a 20.04.2015 às 18:32

Pedro Santos Guerreiro que muitos consideram um "jornalista de eleição", passou anos a defender no Jornal de Negócios o percurso que nos trouxe à embrulhada em que estamos metidos. Mas as opiniões de PSG valem o que valem, as de agora e as de há cinco ou seis anos.
Por mim esperava de alguém como PSG que escrevesse a falar de coisas importantes, como por exemplo, explicar porque é que depois da AutoEuropa Portugal nunca mais conseguiu captar investimento estrangeiro dessa dimensão( precisamos de pelo menos dez ou quinze) que nos faz falta como de pão para a boca para criar empregos de qualidade e para criar a riqueza que toda a gente quer distribuir; ou como é que se resolve o problema das pensões da CGA que não estão financeiramente sustentadas.
Mas PSG prefere lamuriar-se e atribuir a culpa da nossa má sina aos excedentes da Alemanha, como se isso fosse verdade e resolvesse os nossos problemas. Não resolve. Para usar um cliché: PSG já tem idade suficiente para perceber que é preferivel aprendermos a pescar, mesmo que nos ofereçam a cana de pesca, do que comermos o peixe oferecido.
Quanto ao Roubini: ele teve a ousadia de gritar que o rei ia nú quando ninguém queria ouvir falar disso. Depois nunca mais acertou uma, basta ver o que ele previu para Portugal em 2012 e 2013.

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De Teresa Ribeiro a 21.04.2015 às 10:06

Há quem goste de "lamuriar-se", como diz, e quem prefira chicotear-se. O primeiro método poderá não ser muito proactivo, mas ao menos alivia a alma, já no segundo não percebo qualquer vantagem.
Precisamos de investimento que faça crescer a economia. Mas ele não vem, apesar da reforma laboral que se fez. Os bancos não financiam as empresas locais e de fora só nos chegam clientes para comprar os anéis que pusemos à venda. Para fazer o seu milagre a Alemanha também precisou de ajuda, mas mesmo que não houvesse esse antecedente histórico e pondo a solidariedade de parte, esse palavrão que irrita tanta gente, é do interesse da zona euro ajudar os países do sul.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 21.04.2015 às 11:54

Não sei o que é que chama a mais de 100 mil milhões de euros que vieram a FUNDO PERDIDO da Europa, quase metade da Alemanha, desde o final dos anos 80 do século passado, poderiamos até chamar-lhe solidariedade, mas acho que foi apenas uma oportunidade perdida. Não é preciso um chicote para perceber que só nos podemos queixar de nós próprios.
Alivia tanto a alma apontar o dedo aos outros...
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De Teresa Ribeiro a 21.04.2015 às 16:51

Não descarto responsabilidades nossas, mas até onde se pretende ir com a expiação das culpas? Como sabe até o FMI já se contradisse quanto às políticas de austeridade (http://www.publico.pt/economia/noticia/fmi-reconhece-que-calculou-mal-o-impacto-da-austeridade-na-economia-1566589) e o novo comissário europeu admite que é necessário moderar as reformas austeritárias.
Já chega.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 21.04.2015 às 17:52

Já sabemos aonde é que isto nos vai levar, não sabemos? dentro de uns anos, se ainda por cá formos andando, PSG há-de escrever lamechices como as que deram origem ao seu post, e a Teresa há-de lamentar-se da falta de solidariedade dos outros. Mas PSG não aprendeu nada, e volta a apoiar as politicas da desgraça.
Bolsos cheios de quê?

http://expresso.sapo.pt/ps-em-vez-de-cofres-cheios-bolsos-cheios=f920878
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De Teresa Ribeiro a 22.04.2015 às 11:44

Ai, este fantasma da bancarrota-da-exclusiva-responsabilidade-do-PS (coisa que honestamente todos sabemos que não é bem assim, porque consistiu no cumular de um processo que começou bem antes e que teve responsabilidades repartidas entre governos PS e PSD)...
Seriamente acredita que António Costa não aprendeu nada com os erros de Sócrates? E que esta Europa pós crash de 2008 é a mesma que assobiava para o lado relativamente às políticas despesistas dos países endividados?
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 22.04.2015 às 13:18

Pode concordar-se ou não com a maneira como as coisas vão sendo resolvidas, mas quem gastou e induziu as pessoas a gastar à tripa-forra foram os governos do Sócrates, chegando ao ponto de Portuagal e as empresas portuguesas não se conseguirem financiar em lado nenhum. É evidente que isto não invalida os erros e foram muitos, que este governo cometeu.
Sériamente acredito que António Costa não aprendeu com os erros do passado, porque o estudo que vai servir de base ao programa do seu a cada vez mais eventual governo, é mais do mesmo: mais despesa publica e portanto mais divida.
Pelo ataque que faz às empresas também explica porque é que Portugal não consegue atrair investimento estrangeiro; o PS subscreveu medidas que ajudam à criação de emprego e agora dá o dito por não dito defendendo medidas que são o oposto.
Mas, e a propósito de um post que a Teresa aqui escreveu há uns dias e que eu também comentei, o estudo prevê o licenciamento zero em determinadas circunstâncias para as empresas poderem rápidamente iniciar as suas actividades, mas que fica aquém do que seria desejável e já foi legislado por este governo.
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De Teresa Ribeiro a 22.04.2015 às 20:15

O desequilíbrio da nossa balança é um problema que nos persegue há muito mais tempo. Que o diga Manuela Ferreira Leite que quando ministra das Finanças de Barroso até foi acusada de ter a obsessão do défice.
Algumas medidas agora anunciadas pelo PS também me preocuparam, nomeadamente a intenção de suspender a diminuição de quadros do Estado. Não se esqueça porém de um detalhe: foi o próprio António Costa que frisou na hora da sua apresentação que este programa é apenas uma "Bíblia", uma base de trabalho. Não é para aplicar na íntegra. Ele não é tonto e sabe que tem os credores à perna. Sabe ele e sabem todos os que desataram agora aos gritos a agitar o fantasma da bancarrota. Enfim...
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De Venham eles a 20.04.2015 às 19:25

Se a Merkel der 1000 euros a cada alemão para vir passar férias cá, terá de lhe dar uns 1500 para ir passar férias na Grécia, mais 1000 para umas na Espanha, mais vá lá 500 para outras na Itália...
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De lucklucky a 20.04.2015 às 22:30

A primeira parte está correcta.
A maior parte dos reformados de hoje criou a sua família com índices de impostos e burocracia de nível ultra liberal. Foi bom não foi?
Agora no poder impõem aos novos níveis de impostos socialistas e regras idem... Como é óbvio a transferência entre gerações dá aso a abusos de quem chega primeiro e deveria ser mudado para um seguro para apanhar os casos piores enquanto a maior parte iria para descontos para o próprio.
O problema é que o comportamento da cultura socialista indica que em caso de crise as pensões seriam assaltadas pelo Estado.

Mas não são só as pensões que pesam é também um Estado - e empregos e empresas privadas que vivem do fornecimento desse Estado. Por exemplo empregos que só existem por causa de leis absurdas, desde o advogado ao juiz passando pelo fornecedor de papel , cadeiras etc...

A segunda parte é a asneira total. A Alemanha não tem nada que ver como facto de não produzirmos o suficiente para pagar o credito que pedimos e queremos continuar a pedir.
Se nós não produzimos suficiente para produzirmos coisas mais valiosas para os outros temos de nos contentar com o nível que produzimos.
A vida não é má com 19000 euros ano. É bem melhor que há 20 anos atrás e adicionar a evolução tecnológica. Não é tão boa como há 10 anos atrás afinal produzíamos X mas recebíamos como X+20%...
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De Teresa Ribeiro a 21.04.2015 às 10:25

Lucky, lamento informá-lo de que tem uma coisa em comum com os "socialistas": o método da cassete.
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De M. S. a 21.04.2015 às 16:51

Teresa:
Cassete?
Se fosse uma cassete seria óptimo, podia regravar outra mensagem diferente por cima desta.
É um disco de vinil riscado, não tem solução.
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De Miguel R a 20.04.2015 às 22:45

Pedro Santos Guerreiro pela posição que ocupa deveria dizer coisas com mais lógica (Algarve?) e estar mais informado. A Alemanha está a aumentar os salários: http://www.wsj.com/articles/germanys-rising-wages-bode-well-for-global-economy-1428861139

Já agora, sim as pensões têm de ser cortadas. Seja de que forma for, uma espécie de CES tem de existir. Todas as pensões acima de 1500€ têm, de forma escalonada, de ser cortadas. A CGA e SS têm de convergir. O cálculo das pensões tem de ser revisto. Por razões morais e sociais, tem de existir um tecto máximo (talvez 8x o salário mínimo), sem alterações aos descontos. Não se deve continuar a sobrecarregar os trabalhadores no activo (que tem de cumprir a sua parte ser solidários) e as gerações futuras com os erros cometidos no passado. Porque como PSG diz, e é fácil de ver, estamos longe de qualquer milagre económico e de um crescimento superior a c.2% e com uma dívida privada e pública de doidos e com um país bastante envelhecido. A matemática não falha, mas pelo que parece há quem já prometa mais dinheiro para os pensionistas. Há quem nos queira levar para o cadafalso. Incrível. E não me venham falar nos coitados dos velhinhos, pois a grande maioria não é afectada. Pessoas como BF, CS, MS, MA e MFL deviam ter vergonha na cara. Estado social uma ova! Umbigo e umbigo. "Benditos senadores". Nos instalados acertou em cheio!
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De Teresa Ribeiro a 21.04.2015 às 10:23

Concordo com o tecto máximo para pensões.
PSG citou uma metáfora de Roubini quando falou do Algarve. Entre avançar com políticas de crescimento irresponsáveis ou insistir cegamente na austeridade venha o diabo e escolha. São duas maneiras possíveis de nos levarem "para o cadafalso". Penso que ao fim destes quatro anos já se percebeu que sem alteração das políticas europeias para o crescimento da zona euro não vamos a lado nenhum. A união monetária implica mais concertação económica. Só os indefectíveis da austeridade não vêem isto.
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De Miguel R a 21.04.2015 às 20:01

Bom, temos de perceber até que ponto continuam a existir medidas de consolidação sobre as já postas em prática. E isso dos indefectíveis... No governo não vejo um. Pena que não se tenha reformado a fundo. Mais que qualquer corte ou aumento de impostos, para mim foi esse o maior mal. Podemos dar o exemplo da administração, da justiça ou da energia, em que as rendas tem de levar um corte bem maior. Fez-se, mas pouco. Depois dá a sensação que a única coisa em se mexe à grande são os famosos "CUT", o que ajudava as nossas empresas se gastassem menos em energia... Numa análise de grande escala, este governo ficou-se pelo orçamento, mas o próximo também não vai mexer no que deve ser mexido, não vai. Como Campos e Cunha bem disse, neste milénio até 2011 tivemos um crescimento excessivo da procura, que atrofiou o sector exportador e engordou em demasia o sector não transaccionável. A que se somou, a redução progressiva das transferências correntes e de capital (remessas, fundos europeus…) e com a estagnação económica, a partir de 2000 deixamos de conseguir acumular os défices. A dívida externa, na sua vez, agravou o saldo da Balança de Rendimentos. O problema já se auto-alimentava, o que a juntar a má alocação de capital nos serviços ou construção deu no que deu. E lendo uma resenha do "programa" encomendado pelo PS (que deve ir direitinho para o caixote), temos medidas para dar mais do mesmo e depois lá vem dívida...
Citando João Pedro Santos, na linha de Campos e Cunha:
«a adesão à união monetária […] conduziu a uma redução da taxa de juro nominal que correspondeu a uma política monetária excessivamente expansionista para as condições da economia portuguesa à época. Daqui resultou um aumento da procura agregada dirigida quer a transaccionáveis quer a não transaccionáveis (nomeadamente, construção e serviços). Uma vez que os bens não transaccionáveis têm de ser produzidos internamente tal implicou um aumento da rentabilidade deste sector e, consequentemente, um aumento da procura de recursos (nomeadamente trabalho) para este sector com reflexo no aumento dos salários que ao não ser compensado por aumentos de produtividade no sector dos transaccionáveis conduziu a um agravamento dos custos unitários do trabalho que prejudicou a rentabilidade do sector dos bens transaccionáveis (cujos preços de venda são contidos pela concorrência internacional), reforçando o desequilíbrio. Temos, assim, que este desequilíbrio foi uma resposta “racional” de adaptação dos agentes económicos às condições macroeconómicas vigentes que no quadro da moeda única apenas poderia ter sido evitada caso se tivesse prosseguido uma política orçamental muito restritiva e/ou através de um aumento muito mais rápido da produtividade nacional.»
Resultado perdemos competitividade. O PS propõe de novo alimentar este filme. O PSD com a redução do IRC, o corte dos TSU (que ainda não engoli, pelos motivos que já referi) pelo menos espera alimentar o transaccionável, reequilibrando os pratos da balança. No sentido de ganharmos competitividade, a narrativa do PSD (desde MFL, mesma que a própria pareça esquecida...), estabelece uma relação com a evolução dos CUT. Espero ser convencido.
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De Teresa Ribeiro a 22.04.2015 às 11:52

Se alguma coisa os nossos políticos me ensinaram, foi a desconfiar. Também estou à espera que me convençam e sei de antemão que muito do que está nesta "Bíblia" agora anunciada irá para o lixo, quanto mais não seja por pressão europeia, se Costa vier a ser Primeiro Ministro. Para já estou animada com o debate que se vai seguir. Finalmente vamos discutir propostas para o país, em vez de tricas políticas.
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De Miguel R a 22.04.2015 às 13:09

Sim, isso era óptimo. À primeira vista temos 3 grandes linhas de desenvolvimento económico para o país, vamos ao debate, à demonstração.

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