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Delito de Opinião

Isto é serviço público

Pedro Correia, 22.11.21

Salazar 1.jpg

Última página da agenda de Salazar: 6 de Setembro de 1968

 

Celebre-se o arquivismo competente, ao serviço da investigação jornalística e da pesquisa histórica. É este o caso ontem justamente enaltecido nas páginas do Público: todas as agendas diárias de Salazar estão descodificadas e digitalizadas graças à diligência de uma arquivista chamada Madalena Garcia. 

São 1.781.004 palavras escritas durante 35 anos, entre 1 de Janeiro de 1933 e 6 de Setembro de 1968. Em 72 cadernos com cerca de 20 mil páginas, correspondentes a 13 mil dias. Num total de 9,3 milhões de caracteres e 4600 nomes diferentes ali registados.

Tudo agora enfim clarificado por quem, com paciência infinita, decifrou aquela caligrafia quase ilegível, aquelas abreviaturas enigmáticas, aquelas alusões que pouco dizem ao desprevenido leitor contemporâneo. Fruto de 16 anos de trabalho não consecutivos: os sete primeiros ocupados na leitura, inventariação, organização, classificação e transcrição, quando a arquivista trabalhava na Biblioteca Nacional; os restantes nove preenchidos com a reprodução integral das agendas, quando já se encontrava aposentada da Torre do Tombo, onde chegou a ser subdirectora.

Isto é serviço público. Parabéns a Madalena Garcia, exemplo de cidadania para todos nós.

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