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Um dos F-16 israelitas da Esquadra 253, momentos antes de levantar voo na noite de 5 de Setembro de 2007, com destino ao complexo de Al Kibar em Deir Ezzor na Síria/ Foto:IDF

 

Em relação ao programa nuclear iraniano, tive sempre a convicção de que estaria muito longe de representar qualquer ameaça imediata para a região do Médio Oriente. Mesmo quando este tema estava no topo da agenda das preocupações de Washington, poucas dúvidas tinha de que os esforços de Teerão se limitavam a pouco mais do que a instalação de centrifugadoras em cascata. Esta quase certeza não tinha como base qualquer fonte privilegiada de “intelligence” junto do regime dos ayatollahs, mas apenas um facto muito simples, embora revelador: se houvesse o menor indício de ameaça a curto ou a médio prazo por parte do Irão, os caças-bombardeiros israelitas não perderiam tempo na destruição de qualquer alvo suspeito. Porque, a partir do momento em que os serviços de “intelligence” israelitas reunissem informação que colocasse o Irão na iminência de alcançar a bomba atómica, Israel atacaria cirurgicamente as várias instalações nucleares iranianas, sem qualquer aviso prévio, incluindo a Washington, que só deveria ter conhecimento da operação quando aquela já estivesse em curso.

 

Este princípio tanto se aplica ao Irão como a qualquer outro país da região, nomeadamente a Síria e o Iraque. A Mossad está sempre atenta a tudo o que se passa à sua volta, tal como sempre esteve em relação aos programas nucleares da Síria e do Iraque, tendo no passado agido preventiva e militarmente contra estes dois países a partir do momento em que se sentiu, efectivamente, ameaçada. Esta Quarta-feira, como forma de aviso ao Irão, o Governo israelita admitiu uma dessas operações secretas, ocorrida em 2007.

 

Na noite de 5 para 6 de Setembro de 2007, o primeiro-ministro, Ehud Olmert, pôs em prática a “doutrina Begin”, através de uma operação que Israel sempre negou, até hoje. Recordo que há uns anos, o New Yorker explicava como Israel tinha bombardeado secretamente o suposto reactor nuclear de Al Kibar sem que ninguém desse por isso e o assumisse posteriormente. “O ataque resultou de uma operação da Mossad em Viena, em Março de 2007, na qual recolheu 'intel' na casa de Ibrahim Otham, o director da Comissão Síria de Energia Atómica. As provas recolhidas, incluindo fotos do local do reactor, eram conclusivas. Washington foi informado, mas o Presidente George W. Bush não ficou muito convencido. Olmert, por seu lado, tinha poucas dúvidas e a 5 de Setembro, pouco antes da meia-noite, quatro F-15 e quatro F-16 levantaram voo de bases israelitas com destino à Síria.  Através de mecanismos electrónicos, os israelitas “cegaram” o sistema de defesa anti-aéreo sírio, entre as 00:40 e as 00:53, o suficiente para entrarem no espaço aéreo do inimigo sem serem vistos e lançaram várias toneladas de bombas sobre o alvo. Hoje, cinco anos depois, ninguém fala no assunto ou o reconhece, seja Israel ou a Síria”. Escrevi isto em Outubro de 2012, no entanto, este assunto nunca mais foi referido. Hoje, Israel assumiu este ataque, com as IDF a revelaram alguns detalhes, e avisou que nunca permitirá que qualquer país da região obtenha armas nucleares.

 

Texto publicado originalmente no Diplomata.  

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13 comentários

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De Vento a 21.03.2018 às 14:09

Se estou a ler sobre a mesma operação levada a efeito por Israel na Síria, as fotos que confirmaram a execução do programa nuclear sírio foram as obtidas por satélite sobre a Coreia do Norte. Onde se verificaram carregamentos de material suspeito para a Síria. Não tivessem sido estas fotos e o programa não teria sido descoberto, pois as comunicações para o desenvolvimento do programa nuclear sírio, pela primeira vez, tinha fugido ao esquema habitual, isto é: as comunicações eram feitas man to man, por correio pessoal.
Os israelitas não cegaram os radares sírios. Eles fizeram crer que estavam no ar uma quantidade de aeronaves que levou a pensar que os radares estavam "loucos".

Não acredito na eficácia israelita para levar a efeito qualquer operação "undercover" em território iraniano. Mas acredito em uma declaração de guerra aberta. Declaração esta que na minha perspectiva o Irão anseia. O equilíbrio de forças na região mudou substancialmente. Israel vai ter de conviver com outra potência nuclear na região.
https://www.dn.pt/mundo/interior/irao-revela-terceira-fabrica-subterranea-para-a-construcao-de-misseis-balisticos-8506592.html
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De Lucklucky a 22.03.2018 às 20:19

"Cegarem" por uma vez está bem aplicado, pois é expressão genérica uma vez que as técnicas de contra-medidas são as mais variadas e com certeza foram utilizados várias.


"Em relação ao programa nuclear iraniano, tive sempre a convicção de que estaria muito longe de representar qualquer ameaça imediata para a região do Médio Oriente."

O facto de o Irão dizer que quer destruir não só Israel e demonstrá-lo não tem valor nenhum... Cegueira também é aplicada aqui.

E sim o Irão vai ter a bomba. O jornalismo Europeu quere-o.
Há várias referências a um acordo entre o Paquistão e a Arábia Saudita.
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De Vento a 23.03.2018 às 21:01

As técnicas de contramedidas são aquelas que deviam ter sido efectuadas pelos controladores sírios. Traduz-se isto no simples facto que eles deviam ter de imediato pedido para que os caças sírios se fizessem ao céu e, com estes no ar, verificar através dos radares das aeronaves e in loco o que se estava a passar naquele quadrante. Simples, meu caro. Em estado de guerra e alerta máximo a norma é para perseguir até uma simples formiga.

O Irão está muito próximo de alcançar a bomba. E Israel sabe-o. Sabe isto e também sabe que não tem capacidade para desafiar o Irão. E como sabe tudo isto, a sua campanha tem sido trazer os USA para o campo de batalha, pensando que com eles conseguiriam fazer o que têm vindo a fazer na Síria e no Iraque, isto é, desmantelar através dos USA a capacidade militar destes países.
Acontece que a Rússia resolveu tomar em suas mãos, com sucesso, a reorganização do território sírio cujo governo também é apoiado pelo Irão. Eu compreendo que os israelitas façam fogo de artifício para levar a brasa a sua sardinha. But, the party is over.

O jornalismo europeu pode desejar o que quiser que em nada afecta o que será alcançado.
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De Vlad a 21.03.2018 às 14:17

A Mossad parece ter dormido no caso da Coreia do Norte, uma nova potência nuclear que não reconhece o Estado de Israel e que como este não é signatária do NPT.

http://www.newsweek.com/palestinians-gaza-warm-north-koreas-kim-jong-un-thanks-trump-749547

Uma bombitas sujas, vindas não se sabe de onde, e adeus Israel








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De Lucklucky a 22.03.2018 às 20:38

Ainda não agradeceste a Israel o Ditador Sírio - ou será o Líder Sírio ?- e o Ditador Iraquiano - ou será o Líder Iraquiano ?
Não terem bombas atómicas.

Mas como és Marxista e odeias o Ocidente não admira. Vivendo décadas fora do mundo que foi o que o jornalismo marxista censurou e construiu na psique dos Europeus. Boa parte de tudo o que o jornalismo nos disse que não aconteceria aconteceu.

Há 15 anos o Islão era a religião da paz, hoje já não têm coragem de dizer isso.
Depois o que fazem é fabricarem a normalização de cada nova situação.

Viu-se bem por cá com os incêndios de Pedrogão e a destruição do Pinhal de Leiria o esforço para a normalização.
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De Vlad a 21.03.2018 às 14:20

Israel será alvo de sanções, por parte das Nações Unidas/Comunidade Internacional?

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De Luís Lavoura a 21.03.2018 às 14:33

se houvesse o menor indício de ameaça a curto ou a médio prazo por parte do Irão, os caças-bombardeiros israelitas não perderiam tempo na destruição de qualquer alvo suspeito

Sem pôr isto em causa, faço notar que, ao que se diz, o Irão seria um alvo muito mais difícil de atingir, por ficar muito mais longe de Israel. E também por haver mais países (Jordânia e Arábia Saudita ou Iraque) de permeio, cujas defesas antiaéreas também seria necessário aniquilar.
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De Lucklucky a 22.03.2018 às 20:27

Não é necessário aniquilar defesas desses países.

Para começar quer a Jordânia quer a Arábia Saudita receiam mais o Irão que de Israel.
O falecido Rei da Jordânia foi salvo pelos Israelitas dos ataques Palestinianos. A Arábia Saudita tem muitos mais problemas com o Irão do que alguma vez teve com Israel.

E se Israel lançar mísseis balísticos passa por cima das defesas.

O problema não é atingir o Irão. É encontrar os alvos e conseguir destruí-los.

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De JS a 21.03.2018 às 14:59

" ...os esforços de Teerão se limitavam a pouco mais do que a instalação de centrifugadoras em cascata...."

Comprar, hardware e software, instalar, obter a matéria príma, colocar em produção, a funcionar ... -tudo coisas baratinhas tipo Leroy Merlin- por devaneio, por puro passatempo, dos Ayatolas !.Claro que nunca, nem por sobras, ameaçaram a existência do Estado de Israel.
Não se percebe os porquês desses gratuitamente agressívos judeos.
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De Anónimo a 21.03.2018 às 15:30

Estes israelitas, ao longo da história, não têm sido exclusivamente vítimas.
Muito pelo contrário.
Não ponho as mãos no fogo por eles, nem pelos qualquer um dos amigos do peito da administração americana.
Afinal, quem, até hoje, tem o exclusivo do bombardeamento atómico sobre cidades inteiras?!...
João de Brito
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De Vlad a 21.03.2018 às 16:23

http://politicaedireito.org/br/wp-content/uploads/2017/02/Os-Protocolos-Dos-Sabios-de-Sia-Gustavo-Barroso.pdf

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De Lucklucky a 22.03.2018 às 20:29

Marxismo : quem só vê as pessoas como opressores e vítimas.
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De Vlad, o Emborcador a 21.03.2018 às 19:36

Sobre outras guerras do oculto

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Cambridge Analytica: a empresa desconhecida que expôs as fragilidades do Facebook
Nuno Miguel Silva
15:53
A origem da Cambrige Analytica radica na sua 'holding', o SCL Group, com 25 anos de existência. No 'site' oficial não é possível aceder a dados sobre os órgãos sociais da empresa, o seu desempenho económico-financeiro ou a respetiva estrutura acionista.


A Cambridge Analytica é uma empresa privada norte-americana, participada do grupo inglês SCL Group, criada em 2013.

Tal como a casa-mãe, opera nas áreas de prospeção e análise de dados, comunicação estratégica e avaliação, com enfoque na análise comportamental.

Com objetivo focado no mercado norte-americano, a Cambridge Analytica tem vindo a intervir em diversas campanhas eleitorais, incluindo a do atual presidente norte-americano Donald Trump.

Um dos seus acionistas é o milionário Robert Mercer, proprietário de um dos maiores ‘hedge funds’ do Mundo e financiador da campanha de Trump, sabendo-se que investiu, pelo menos, 15 milhões de dólares na consultora.

A Cambrige Analytica emprega cerca de 150 funcionários.

Acentuando as suas ligações à ala conservadora do Partido Republicano, o ex-assessor do presidente dos Estados Unidos, Steve Bannon, foi vice-presidente da empresa entre 2014 e 2016.

No Reino Unido, a Cambridge Analytica apresenta como administrador executivo (CEO) Alexander Nix, embora esteja suspenso das suas funções na sequência do escândalo em curso.

Desconhecida do grande público antes de rebentar esta polémica, a Cambridge Analytica já merece uma ficha de três parágrafos na Wikipedia.

A origem da Cambrige Analytica radica, contudo, na sua ‘holding’, o SCL Group, com 25 anos de existência.

Neste caso, SCL significa Strategic Communication Laboratories, ou seja, Laboratórios de Comunicação Estratégica.

No ‘site’ oficial, o Grupo SCL apresenta quatro áreas de atuação: dados, análise, comunicação e avaliação.

“Veja onde a sua campanha está a funcionar e onde não está. Analisamos os resultados de missões específicas criando relatórios aprofundados que podem ser apresentados aos seus ‘stakeholders'”, garante o SCL Group na área dedicada à avaliação.

Uma das campanhas em que o SCL Group parece ter estado envolvido foi no referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, do lado dos promotores do ‘Brexit’, que veio a sair vencedor.

A atuação nos ramos da análise comportamental e mudança social são objetivos assumidos do SCL Group, com especial destaque para “influenciar grupos-alvos”.

O SCL Group reclama ter procedido à recolha e análise de dados e definido estratégias para governos e organizações militares em todo o Mundo, sublinhando que conduziu programas de mudança comportamental em mais de 60 países.

http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/cambridge-analytica-a-empresa-desconhecida-que-expos-as-fragilidades-do-facebook-283671

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