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Delito de Opinião

Isolamento a levantar

João André, 10.05.20

Uns tempos sem tempo para nada, que isto de ter a prole em casa complica a vida a dois pais que têm de trabalhar, especialmente com as reuniões a aumentar em relação ao normal.

Mas vá que amanhã reabrem as escolas e creches. Na Holanda e noutros países. E isso leva-me a pensar nas diferenças. Na Holanda há já muito que os isolamentos têm sido softs. A vizinha de baixo tem a cada 3 dias um jantarzinho no pátio com amigos. Separação de metro e meio? Pois claro. Os supermercados têm entradas e saídas separadas com fitas, porque se sabe que as fitas impedem a passagem do vírus, isto é país de gente cumpridora. Até os corredores de supermercado têm as fitinhas nalgumas zonas a obrigar-nos a seguir um determinado percurso, género IKEA. Se nos esquecermos de alguma coisa lá atrás? Vamos em contramão porque não podemos ir à volta, a fita não deixa. As lojas dão todas o cestinho à entrada, é para contar as pessoas lá dentro. Vem com criança porque não a pode deixar com ninguém? Leve mais um cesto.

Já a Bélgica é mais misteriosa para mim. Fecharam a fronteira e eu não posso entrar. Sabe-se bem que os holandeses são uns contaminadores e não podem entrar nesse paraíso sem COVID-19 que é a Bélgica. Já uma loja que atravessa a fronteira entre Holanda e Bélgica? Metem-se as tais fitas dentro da loja a separar (isto foi há semanas, não sei como está agora). Mais uma vez, o vírus é boa gente, não vai atravessar.

Na Alemanha levei um choque no supermercado quando lá fui fazer compras. Nada de problemas na fronteira, mas toda a gente no supermercado estava de máscara, que parece ser obrigatório. Até pensei que não me deixassem entrar, mas nem por isso. As caixas tinham a protecçãozinha de plexiglass e de resto os contactos eram minimizados. Claro que usar a máscara parecia boa ideia até as pessoas as irem tirando no parque de estacionamento, porque o vírus não gosta de carros, já se sabe, é ambientalista. Dentro do supermercado as pessoas eram mais disciplinadas a usar as máscaras - que às vezes eram apenas golas puxadas sobre a boca - e até as arranjavam a cada 5 minutos, mexendo nas bochechas e no nariz. Também coçavam os olhos. E mexiam no telemóvel. Porque aquela radiação do telemóvel, se causa cancres, também deve matar vírus, ou bactérias, ou bacilos, ou micróbios ou lá o que é o bicho.

O melhor são as pessoas que usam as luvinhas e as máscaras e depois de mexaer em tudo o que encontram, puxam do telemóvel e encostam-no ao ouvidinho, trazem perto da cara. E depois arranjam a máscar constantemente, ajustam óculos de sol, coçam o naríz e comem a comida com as luvas que não lavaram ou trocaram. Lá está, o vírus é simpático, não vai para a comida - eu também não ia para alguma desta comida que se compra na rua.

Mas está tudo bem. O isolamento levanta-se e os miúdos regressam à escola. Só dois dias por semana que as classes são divididas a meio. A entrada é proibida a pais, que apenas terão de se concentrar à porta da escola na rua apertada. E na creche só quatro poderão entrar ao mesmo tempo, que há apenas 4 peças de um objecto para entrar. Claro, os pais lá terão que esperar pela sua vez, com a sua prole, à entrada num corredor exterior com metro e meio de largura. Tudo lógico, obviamente. Nos parques? Vamos a um piquenique. As mantas estão a metro e meio das outras, por isso está tudo bem, não é?

É tudo muito bonito. Vamos a ver a beleza em Setembro. Não gostamos do isolamento? Esperemo pelo próximo Inverno. Espero enganar-me. Mas o isolamento (e não, não é a quarentena,isso é outra coisa) está a levantar. Para já.

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