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Intolerâncias

por José António Abreu, em 25.03.15

Alastram, são cada vez mais assumidas, tornam-se moda. Quem, há vinte ou trinta anos, ouvira falar da intolerância à lactose ou ao glúten?


36 comentários

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De VG a 26.03.2015 às 18:08

É muito feio falar com essa "leveza" do que não se conhece, ou melhor, do que não nos atinge. As alergias e as intolerâncias alimentares estão a aumentar, como estão também a aumentar as respiratórias. Se é moda para alguns, não o será para outros. Mas para quem não o é (tenho uma amiga que já usou 8 pens de adrenalina desde Novembro passado no filho de 4 anos, que tem uma alergia tão extrema que não pode, por exemplo, respirar os vapores de uma lasagna a ser cozinhada, porque entra em choque anafilático; quem diz lasagna diz leite ou qualquer derivado). Tem alergia extrema ao leite, ovos, frutos secos, entre outras coisas - e não há medicamento que o valha, a não ser evitar tudo o que é alérgico e a pen de adrenalina quando já foi exposto. Além da batalha que é encontrar produtos sem vestígios dos alimentos que mencionei, bem como mantê-lo vivo, tentando protegê-lo da ignorância alheia, diga lá que não é giro ainda levar com pérolas do género "o teu miúdo não tem nada, isso é uma moda". Moda que ela abdicaria de bom grado, era sinal que o filho deixaria de estar constantemente em risco de vida. Mas continue a falar de moda - afinal, pimenta no rabiosque dos outros para si deve ser refresco.
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De José António Abreu a 26.03.2015 às 18:52

Sim, hoje em dia é sempre muito feio para alguém brincar seja com o que for.
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De VG a 26.03.2015 às 19:29

Então pegue na doença, grave, de alguém que lhe seja muito querido e brinque com ela.
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De José António Abreu a 26.03.2015 às 19:41

- Querida, como se chama aquele senhor alemão que me deixa doida?
- Alzheimer, avó.

(E, sim, gosto muito da familiar que sofre da doença, apesar de ela insistir - finge, claro - em não me reconhecer.)
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De VG a 26.03.2015 às 20:01

Alguém duvida que a sua familiar tem alzheimer e por isso descura os cuidados com ela por duvidar? Não. Já divulgar a ideia de que as alergias e as intolerâncias são moda pode levar uns quantos a não dar a devida importância a uma doença séria que pode matar em alguns minutos. E como poderá imaginar, as crianças que dela padecem passam muito tempo mais isoladas, porque, por exemplo, um beijo de outra criança que acabou de beber leite pode matá-la. Claro que estou a falar de casos extremos, mais raros, mas cada vez menos raros. Da minha parte, e porque já tive um filho que foi durante 3 anos intolerante à proteína do leite de vaca (e não eram "só" diarreias, eram diarreias que provocaram extensas lesões rectais, não assimilação dos nutrientes e consequente sofrimento e atraso no cresimento até se descobrir), prefiro alertar as pessoas para o problema, que pode ou não ser muito sério. É que demasiadas pessoas já acham que é uma moda e não tratam o assunto com a seriedade que ele merece.
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De José António Abreu a 26.03.2015 às 20:56

VG:

Vamos lá então, agora a sério. Claro que este tipo de intolerâncias pode ser um problema grave. E claro que é sempre chato quando alguém brinca com um assunto (não necessariamente do foro médico) que nos toca de perto. Entendo e respeito isso. O que me incomoda é a tendência que parece alastrar para exigir abordagens assépticas (e, no limite, o silêncio) quando há a mínima possibilidade de incomodar alguém – em vez de assumirmos que é melhor viver num mundo onde se dizem besteiras e, ainda que certos tipos de humor (quase todos, na verdade) não agradem a muita gente, mais vale permiti-los, sem partir para reacções de índole pessoal. Ou seja: acho perfeitamente legítimo que chame a tenção para o facto de estarmos perante problemas sérios. Mas permitir-me-á que brinque com a circunstância de alguns deles – é a minha opinião; discorde à vontade – parecerem tornar-se fenómenos de moda. Numa nota final (e, espero, ligeiramente humorística), deixe-me dizer-lhe que quanto mais moda se tornarem estes problemas, mais fácil será encontrar alimentos adequados a eles.
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De Anónimo a 27.03.2015 às 11:14

Vejo as coisas de forma diferente. Hoje li uma "piada" sobre a queda do voo da Germanwings: "Pelo menos não sofreram de jet lag". Desculpe, o Sr. até pode achar piada, mas eu não consigo. Há demasiado sofrimento envolvido para lhe achar piada e há milhares de coisas mais com que fazer piadas. O mesmo aplico ao que falávamos antes, com a agravante da "publicidade negativa" subjacente à "piada".
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De José António Abreu a 27.03.2015 às 11:38

Pede desculpa porquê? Não concorda comigo e pronto. Tudo bem.

E, sim, acho piada à piada. Mas, acima de tudo, acho que cada um deve decidir com o que brincar e quem não gostar pode perfeitamente fazê-lo saber mas de modo nenhum pretender impor o seu critério.
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De l.rodrigues a 27.03.2015 às 10:15

Eu conheço humor, e seu post não tem pontinha dele. Apenas escárnio que é uma coisa diferente.
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De José António Abreu a 27.03.2015 às 10:26

Ah, pronto. Um especialista é um especialista. Se me indicar o endereço de correio electrónico até posso submeter previamente os meus posts ao seu crivo.
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De l.rodrigues a 27.03.2015 às 11:40

É verdade. Especialista. Inclusive sou conhecido entre os meus conhecidos por já ter rido algumas vezes. Quanto ao mail, não se incomode que eu leio o Delito de Opinião há mais tempo do que você escreve nele.
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De Luís Lavoura a 27.03.2015 às 10:41

As alergias e as intolerâncias alimentares estão a aumentar, como estão também a aumentar as respiratórias.

Há duas (pelo menos) seleções artificiais negativas a atuar sobre a população, as quais são certamente responsáveis por muits das alergias.

A primeira seleção é que a maior parte das pessoas hoje em dia só têm um único filho. A percentagem de filhos primogénitos na população está portanto a aumentar brutalmente. Ora, é mais que sabido pela medicina, já desde há décadas, que os primeiros filhos têm uma saúde pior do que a dos restantes. (Porque o corpo da mulher ainda não está "habituado" à tarefa de criar um filho e fá-lo de forma menos perfeita.)

A segunda seleção é que hoje em dia a medicina consegue curar grande parte das doenças infantis. Consequentemente, crianças com uma saúde frágil, que antes morreriam muito novas, sobrevivem até à idade adulta. Consequentemente, a saúde da população em geral deteriora-se.

Um exemplo simples destas duas seleções é o meu filho mais velho, que desde muito cedo sofreu de asma. Se ele tivesse nascido há 50 anos teria, com toda a probabilidade, morrido antes dos dois anos de idade num ataque de asma. Com a medicina moderna sobreviveu, mas continua a sofrer de asma. Ou seja, há mais um asmático no mundo basicamente porque a medicina moderna conseguiu salvar um primogénito de saúde débil, impedindo-o de morrer quando era novo.
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De VG a 27.03.2015 às 11:42

Já muito comentamos, entre amigos, acerca dos primogénitos terem uma saúde mais débil, mas não sabia que já tinha sido comprovado (de alguma forma, estatísticamente, presumo). Porque realmente é algo que salta à vista.
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De Luís Lavoura a 27.03.2015 às 16:10

Sim. O meu pai, que era médico, disse-me que os primeiros filhos têm até um nome especial em medicina (o qual nome já não recordo), precisamente porque já é mais que sabido, desde há décadas ou talvez há séculos ou talvez há milénios, por simples observação estatística, que eles têm quase sempre uma saúde inferior à dos restantes filhos.

Não se sabe, é claro, a que é que isso se deve, mas em princípio será porque as mães não os "fabricam" tão bem, por o seu corpo ainda estar "destreinado".

(Há outros efeitos curiosos desse "treino" do corpo materno. A barriga da primeira gravidez é sempre muito mais pequena do que a das restantes gravidezes - na segunda gravidez a barriga da mulher cresce mais cedo e maior. E os partos vão-se tornando mais rápidos e menos dolorosos com o tempo - quando a mulher vai no décimo parto aquilo já é relativamente fácil...)
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De Luís Lavoura a 27.03.2015 às 16:16

Note-se aliás que em medicina não se designa o primeiro filho por "primogénito" precisamente porque era bastante frequente, no passado, os primeiros filhos morrerem deveras novos. Os filhos "primogénitos" eram de facto, frequentemente, os segundos...

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