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Delito de Opinião

Inqualificável

Pedro Correia, 22.11.19

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Bernardo Silva e Mendy, companheiros e amigos

 

O PS, indo a reboque do Bloco de Esquerda e da deputada do Livre, recusou exprimir solidariedade na Assembleia da República a um dos melhores jogadores portugueses da actualidade, titular absoluto da selecção nacional de futebol, alvo de uma infame acusação de racismo sem o menor fundamento.

Foi um acto de inqualificável cobardia política dos socialistas, talvez com receio de serem apontados a dedo pelos seus companheiros de estrada.

 

Como há dois meses assinalei aqui, Bernardo Silva - que alinha no Manchester City, acaba de ser eleito melhor médio ofensivo do mundo e tem lugar cativo no onze da equipa das quinas com presença garantida no Europeu de futebol - limitou-se a fazer uma piadola no Twitter com um colega de equipa, que é seu grande amigo. Acontece que este colega, o francês Mendy, tem um tom de pele mais escuro do que a do Bernardo: foi quanto bastou para se levantem clamores histéricos contra o internacional português, acusando-o de racismo.

Uma organização denominada Kick It Out apressou-se a exigir a adopção imediata de medidas punitivas contra o «comportamento ofensivo» do nosso compatriota, pressionando a Federação Inglesa de Futebol. E esta cedeu aos clamores da correcção política: Bernardo foi condenado a um jogo de suspensão, ao pagamento de uma multa de quase 60 mil euros e ao cumprimento de um programa comunitário de educação presencial para o descontaminar do putativo vírus racista.

Sublinhe-se que em momento algum Mendy se mostrou ofendido ou apresentou queixa contra o colega.

 

Hoje, no parlamento, PS, BE e Livre cerraram fileiras, recusando o voto de solidariedade com Bernardo proposto pelo CDS. Vários destes parlamentares - sobretudo os socialistas - adoram acotovelar-se nas tribunas dos estádios em aplausos frenéticos à selecção nacional e farão tudo para conseguirem ver in loco os jogos do Europeu, que se disputam em diversas capitais europeias. Alguns, imagine-se, até são comentadores de futebol na rádio e na televisão.

Felizmente para eles, a hipocrisia justifica reparos morais mas ainda não merece censura penal. Ficam assim dispensados de frequentar programas comunitários e de pagar qualquer multa, ao contrário do talentoso futebolista a quem acabam de negar o voto solidário que se impunha. Convicto como estou que nesta matéria pensam inteiramente como eu: é profundamente injusto e vergonhoso rotular Bernardo Silva de racista.

6 comentários

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    Anónimo 23.11.2019

    Este voto que de nada serviria, só ligaria ainda mais o futebol à política!... Mas com ele, o CDS que nada mais tem para apresentar ao país, faria um brilharete!!!
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    Pedro Correia 23.11.2019

    Comer e calar, portanto. A federação inglesa jura que temos um jogador racista na selecção nacional e os deputados da nação assobiam para o lado.
    Como se os ingleses tivessem dito que amanhã vai chover.
    Que lindo.
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    Anónimo 24.11.2019

    A AR não é o fórum mais adequado para este tipo de ações. Lembro que há pouco tempo houve secretários de estado a demitirem-se e a serem condenados na OP por terem ido ver um jogo da seleção. E o próprio Centeno por ir ver o "seu" Benfica. Já a FPF, esse órgão que tem engordado as contas à custa do desempenho notável dos nossos "As" nos últimos anos, teria aqui uma boa oportunidade de dar uma prova de vida. Não só podia como devia. Aqui sim, o silêncio é cúmplice com a estupidez. E o Bernardo não merecia.
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    Pedro Correia 24.11.2019

    Sim, a FPF tinha a estrita obrigação de sair em defesa do jogador.
    Mas os maus exemplos, neste caso, vieram de cima. Do parlamento, que se pronuncia sobre tudo mas passou ao lado disto.
    Como se uma operária corticeira despedida fosse mais importante do que um jogador internacional português punido por "racismo" e enxovalhado na praça pública com repercussões em todo o mundo.
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    Manuel da Rocha 25.11.2019

    A assembleia nem devia permitir esse tipo de votos.
    A entidade nacional que representa o Bernardo Silva e TODOS os jogadores portugueses, é a Federação Portugal de Futebol. Além disso, o Bernardo está a jogar fora de Portugal, sujeito a legislação judicial externa. Não é curioso que o Pedro condenou os EUA por apresentarem uma moção contra a "intrusão da China contra os democratas de Hong Kong" (curiosamente talvez por engano seu, pois não foi o Trump que apresentou essa moção), agora estava a defender que Portugal devia ter a Assembleia a protestar contra uma sanção judicial de outro país?
    Cabe ao Bernardo contestar a decisão (que já fez) e esperar pela resposta ao seu recurso.
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