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Injustiças

por Diogo Noivo, em 27.11.19

JKM.jpg

 

Apresentou-se aos eleitores como “mulher, afrodescendente e gaga”. O partido pelo qual se candidatou confirmou que, de facto, era “mulher, afrodescendente e gaga”. E, para dissipar qualquer dúvida que pudesse existir, a comunicação social atestou repetidamente que a candidata era “mulher, afrodescendente e gaga”. Estas três características foram o alfa e o ómega do projecto político em apreço, com todos – candidata, partido, e órgãos de comunicação social – a resumir a mensagem ao sexo, à melanina e às dificuldades de fala.

Por isso, as críticas lançadas a Joacine Katar Moreira e ao partido LIVRE são manifestamente injustas. Eleita, a deputada é escrupulosa no cumprimento do seu programa eleitoral: é mulher, afrodescendente e gaga. Nunca um/uma candidat@ foi tão rigoros@ no cumprimento do que afirmou em campanha – julgo que esta é a forma correcta de escrever a frase na novilíngua vigente.

Ninguém quis falar de política, de ideias, de convicções. A definição de interesse público e a forma de o defender estiveram em parte incerta durante toda a contenda eleitoral. A comunicação política foi propositadamente centrada em aspectos inócuos, já que a síntese “mulher, afrodescendente e gaga” nada nos diz sobre a experiência, a competência e o discernimento da pessoa para o exercício de funções públicas. Por isso, exigir à deputada e ao partido coisa diferente é injusto.


62 comentários

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De Anónimo a 27.11.2019 às 11:43

Muito bem visto!
Mais uma manifestação da onda, do tsumani cor de rosa (melhor, de todas as cores), que arrasa todo o ocidente "civilizado" e que induz fenómenos como Trump, Bosonaro...André Ventura...

João de Brito
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De Diogo Noivo a 27.11.2019 às 13:41

Sim, para o inenarrável Ventura isto é um festim.
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De Luís Lavoura a 27.11.2019 às 12:01

a resumir a mensagem ao sexo

Sexo não, género!

Ninguém sabe o que a senhora tem entre as pernas. O que se sabe é que ela se apresenta como mulher. Ou seja, sabe-se o género dela, o sexo, não.
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De Anónimo a 28.11.2019 às 01:17

É isso mesmo, 'té quem fim.
Eu nunca vi o que é que milhões de mulheres que já se cruzaram comigo, nos mais diversos lugares, têm entre as pernas, calhando seriam homens.
Deveria ser obrigatório as mulheres andarem nuas. E também os homens, não vá haver 'algum' que disfarce muito bem.
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De Luís Lavoura a 27.11.2019 às 12:05

Excelente post. Estou de acordo.
Já agora, se o Livre escolheu mal a sua principal candidata, isso é problema exclusivamente dele. A Joacine é deputada eleita pelo povo e tem todo o direito (e dever) de cumprir integralmente o seu mandato. Se o Livre tem dificuldades de contacto com ela, isso é problema exclusivamente dele. Da próxima vez, que tenha mais cuidado com quem escolhe!
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2019 às 12:38

Eu, que até sou a favor quotas, fico triste com casos como este, porque só desacreditam o que defendo. Enfim... concordo com tudo o que afirmas.
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De Diogo Noivo a 27.11.2019 às 13:36

Percebo-te bem, Teresa. Percebo a necessidade de quotas em termos conjunturais como forma de corrigir um desequilíbrio tão evidente como negativo.
Mas já não aceito a guerra de identidade aberta por alguns defensores de quotas (à direita e à esquerda): as mulheres são mais capazes, menos corruptas, etc. Para o bem e para o mal, a incompetência e a corrupção não conhecem género.
Enfim, como dizes, o que até pode ser uma boa ideia é dinamitada por quem deveria ser mais cuidadoso na sua defesa.
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2019 às 15:52

Não podia estar mais de acordo, Diogo.
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De Isabel s. a 27.11.2019 às 12:39

Desculpar-me-á mas o povo não tem nada a ver com a questão. O povo vota em partidos não em pessoas. Deixá-los guerrear-se que, para o país, isso não aquece nem arrefece. Faz parte dos temas de entretenimento que vão distraindo o povo.
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De Diogo Noivo a 27.11.2019 às 13:37

Julgo que tem, Isabel. O povo viu (ou devia ter visto) a campanha. E votou em consciência. O resultado é o esperado. Quem esperava coisa diferente devia ter pensado melhor.
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De Isabel s. a 27.11.2019 às 13:44

Não se esqueça que os deputados mudam durante a legislatura, os chefes dos partidos idem, e os deputados só prestam contas ao chefe da bancada que, neste caso, é o próprio deputado. Portanto, ou o partido se cala e é problema deles; ou o partido a expulsa e passa a ser problema dela: ou fica como independente ou dá lugar a outro.
Há um artigo na constituição que determina que o deputado deve votar em consciência ( ou coisa parecida ) mas isso interessa pouco aos partidos, claro. E aos deputados também porque se cumprissem essa norma iam parar à prateleira.
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De Paulo Sousa a 27.11.2019 às 12:55

Perante o aparente desentendimento na tomada de posição do Livre sobre o que se está a passar na Faixa de Gaza, o Estado Maior israelita voltou a respirar de alívio.
Ficamos a aguardar que o partido da Joacine, ou do Rui Tavares, tome posição sobre os direitos LGBT nos territórios administrados pelo Estado da Palestina. Mas sentados.
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De Diogo Noivo a 27.11.2019 às 13:38

É verdade, Paulo. Em Telaviv dormirão melhor depois desta crise no LIVRE.
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De Paulo Sousa a 27.11.2019 às 12:58

Perante o aparente desentendimento na tomada de posição do Livre sobre o que se está a passar na Faixa de Gaza, o Estado Maior israelita voltou a respirar de alívio.
Ficamos a aguardar que o partido da Joacine, ou do Rui Tavares, tome posição sobre os direitos LGBT nos territórios administrados pela Autoridade Palestiniana. Mas sentados.
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De Anónimo a 27.11.2019 às 13:15

Penso que a polémica não tem nada a ver com a faixa de Gaza - não há colonatos na faixa de Gaza.
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De Maria Dulce Fernandes a 27.11.2019 às 13:12

Muito bem dito e melhor escrito.
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De Diogo Noivo a 27.11.2019 às 13:39

Muito obrigado, Maria Dulce. Mas confesso alguma exasperação quando me sinto forçado a escrever algo assim.
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De Anónimo a 27.11.2019 às 13:15

A mim parece-me que quem pegou muito mais no "gaga" foram os seus detratores - parece-me que quase todas as referências que ela fez à sua gaguez foi no contexto de respostas a criticas ou ataques recebidos por causa disso.
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De Diogo Noivo a 27.11.2019 às 13:41

Não creio. Foi um argumento que esteve na boca do partido, na boca da deputada e na boca da comunicação social (que de forma quase acrítica ecoou os argumentos que lhe eram dados).
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De Pedro Correia a 27.11.2019 às 14:06

Esta deputada parece uma telenovela ambulante: todos os dias há cenas de novos capítulos.

Hoje foi o assessor da Senhora (desta vez usando calças, não saias) quem decidiu violar a liberdade de informação na Casa da Democracia, procurando impedir os jornalistas de se aproximarem da Deputada - isto é, de fazerem o seu trabalho em espaços públicos da Assembleia da República, convocando a GNR para esse efeito.

Alega o fulano que Sua Excelência tem «direito ao descanso» durante o seu múnus político no parlamento e não deve, portanto, ser importunada por jornalistas.
Algo absolutamente inédito em 43 anos de democracia parlamentar em Portugal.

Aguardo as reacções indignadas das corporações da praxe: Sindicato dos Jornalistas, ERC, Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, Associação dos Jornalistas Parlamentares, etc.
E das centrais sindicais, claro. Sempre sempre ao lado dos trabalhadores lesados no seu legítimo direito ao exercício da profissão, no estrito respeito do quadro legal e das normas constitucionais em vigor.
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De Luís Lavoura a 27.11.2019 às 14:37

Não acho que impedir os jornalistas de fazer perguntas a uma pessoa seja violar a liberdade de informação. As pessoas têm todo o direito de não querer responder a perguntas, de jornalistas ou de seja quem fôr. Os jornalistas têm o direito de pesquisar e informar, mas não têm o direito de obrigar seja quem fôr a enfrentar as suas perguntas.
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De Diogo Noivo a 27.11.2019 às 14:47

O tandem deputada-assessor é inenarrável. Ainda há pouco ouvi as declarações onde o rapaz procura justificar o injustificável. Enfim, desde que no primeiro dia de trabalhos decidiu captar as atenções para ele (que não tem legitimidade democrática), ofuscando a deputada (que, para o bem e para o mal, sim tem legitimidade democrática), ainda que com a conivência desta, ficou tudo explicado.
Quanto a ERC e Sindicato, julgo que o melhor é esperar sentado, Pedro. A haver reacção, será subtil.
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De Pedro Correia a 27.11.2019 às 15:06

O assessor, que procura claramente ultrapassar a Deputada em notoriedade, atreveu-se a fazer algo que ninguém nestes 43 anos tinha feito, da extrema-esquerda à extrema-direita: chamar a Guarda para impedir um jornalista de fazer perguntas num corredor parlamentar de acesso irrestrito à Comunicação Social.

Um indivíduo que nem sequer foi eleito para coisa nenhuma atreve-se assim a perverter o exercício do jornalismo na Casa da Democracia.

Se isto acontecesse no parlamento da Hungria, teríamos o fundador do partido Livre a rasgar as vestes clamando contra este atentado à liberdade de imprensa. Veremos se agora rasga alguma coisa. Uma folhinha de papel, pelo menos.
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De Diogo Noivo a 27.11.2019 às 15:10

Nem é preciso ir à Hungria, Pedro. Imagina por breves momentos que o episódio tinha sido protagonizado por um deputado do PSD nos anos de Passos Coelho.
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De Pedro Correia a 27.11.2019 às 15:42

Ui. Já tinha pedido audiência urgente ao milionário Soros.
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De Luís Lavoura a 27.11.2019 às 17:12

no primeiro dia de trabalhos decidiu captar as atenções para ele (que não tem legitimidade democrática)

Ele não decidiu captar as atenções, os jornalistas que são provincianos e basbaques é que decidiram concentrar as suas atenções nele.

O indivíduo tem o direito de se vestir como quiser, dentro dos parâmetros normais de civilidade, ou seja, desde que não ande com demasiado corpo à mostra. Pode vestir calças, saia, túnica indiana ou africana, o que lhe apetecer. Quem concentra a sua atenção na vestimenta só demonstra ser provinciano e basbaque.
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De J. Guedes a 27.11.2019 às 20:09

"O indivíduo tem o direito de se vestir como quiser, dentro dos parâmetros normais de civilidade, ou seja, desde que não ande com demasiado corpo à mostra.
....... só demonstra ser provinciano e basbaque."
O Deputado da Iniciativa Liberal tem dado pouco nas vistas. Consta que vai aparecer em cuecas (com perna até ao joelho para não ter demasiado corpo à mostra) a ver se se aproveita dos basbaques.
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De João Pedro Pimenta a 27.11.2019 às 22:51

Sim, porque é normalíssimo andarem tipos de saias no Parlamento. Tudo provincianos, pois claro, então não sabem que na câmara dos comuns (e na dos Lordes, porque não) há imensos homens de saias - ou serão kilts? Em todo o caso, não ha melhor feira de vaidades do que um parlamento.

O Luís Lavoura anda tão activo que vai ser difícil apanhar a lavourada da semana.
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De Pedro Correia a 27.11.2019 às 22:59

Este nosso leitor é mesmo assim: não pode ver um burro de saias.
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De Anónimo a 27.11.2019 às 15:03

Que lindo!
Pediram ajuda à, à ... olha, à 'bosta da bófia'.


Smoreira

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