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Humano, demasiado humano

por José Navarro de Andrade, em 02.02.14

O segredo estava à vista, filme após filme, mas todos virámos a cara para o lado a fingir que não o percebíamos. Agora que morreu Philip Seymour Hoffman, talvez seja possível falar dele. Esqueçam George Clooney, é assim que queríamos ser, é assim que querem que sejamos, mas o planeta é demasiado pequeno para que na mesma geração caiba outro homem como este, capaz de vender a alma ao diabo por um café e, apesar disso, não ser esmagado por um piano.

Seja então revelado que com quem verdadeiramente nos entendíamos era com Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman (ambos nascidos no Verão de 1967) (os melhores actores da sua geração, duvide quem quiser...): truculentos (porque o chão que pisamos é um declive), hirsutos (a única forma de parecermos desprendidos), esgazeados (como o lobo, quando ainda julgava que iria comer o capuchinho vermelho), alarmantes (ferir antes de ser ferido) e, no fim, ter um arzinho de filho pródigo que regressa a casa (ou pelo menos tem vontade disso).

Philip e Paul entravam nos filmes, não para serem vistos, mas para deixar rasto e – mal de nós – só contracenaram no pequeno "The Ides of March” (“Nos idos de Março”), realizado e protagonizado por Clooney, precisamente – tudo vai ter ao seu lugar…

Philip Seymour Hoffman era camaleónico? Era. Nunca o víamos aparecer debaixo das personagens? Nunca. A sua presença absorvia todo o ar à volta, como se não houvesse mais ninguém, nem amanhã? Sim. Mas como o seu prodígio consistia em encenar a vulgaridade (há coisa mais difícil de dramatizar do que a banalidade?) também conseguiu morrer tarde de mais para ser idolatrado (bem depois dos canónicos 27 anos) e cedo de mais para ser venerado. Tudo está mal quando acaba bem.

The Master: debaixo de cada charlatão há um ser humano

 Moneyball (o melhor filme sobre desporto de sempre): o treinador "estou-me nas tintas"

The Ides of March: a política é para cínicos?

 The Doubt: pecado é ceder à tentação, mesmo antes de cair na corrupção

Capote: parar de fingir é morrer

 Charlie Wilson's war: o anti-James Bond


4 comentários

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De Teresa Ribeiro a 02.02.2014 às 22:42

Soube agora por ti. Ainda estou em choque. Que actor fabuloso ele era!
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De Samuel Filipe a 02.02.2014 às 23:08

Insubstituível.
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De Pedro Correia a 03.02.2014 às 00:05

Morte trágica de um gigante. Basta entrar num filme para lhe elevar o patamar de qualidade.
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De Pedro Correia a 04.02.2014 às 00:35

Gostei muito dele também neste filme:
http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/2473941.html

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