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Este é o dia mais absurdo da nossa vida pública. O chamado "dia de reflexão" que o Estado impõe aos cidadãos, com pose paternalista e condescendente, instituindo a mordaça ritual aos meios de comunicação como se precisássemos de 24 horas para formarmos uma intenção de voto na sombra e no silêncio. Na era das redes sociais, onde tudo se escrutina e se debate em tempo real à margem dos clássicos circuitos da informação, aliás cada vez mais em crise, este anacronismo já devia ter sido banido da lei eleitoral portuguesa.

Esta é a minha primeira reflexão no inútil dia que parece congelado e congelar-nos no tempo - contemporâneo da imprensa estatizada e do canal único de televisão, que transmitia a preto e branco.

 

A segunda resulta da minha perplexidade perante a existência de 9,5 milhões de eleitores registados num país que tem apenas 8,6 milhões de habitantes em idade adulta. Há portanto 900 mil "eleitores" em excesso - gente entretanto falecida ou emigrada que não foi riscada dos cadernos eleitorais, o que permite as habituais parangonas de alerta contra a "gigantesca abstenção" dos portugueses.

"Em 2013 houve 47,4% de portugueses que não quiseram escolher os seus representantes no poder local", repetem acriticamente os jornais que restam e os canais de televisão que subsistem, transformando o erro factual em notícia sem jamais questionarem a óbvia falsidade destes números. Estamos perante um caso grosseiro de "abstenção técnica", eufemismo utilizado pelos burocratas de turno e pelo jornalismo preguiçoso para justificar o injustificável.

 

Limpeza urgente dos cadernos eleitorais e fim da obsoleta jornada de "reflexão": eis o meu modesto contributo cívico para este dia.

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40 comentários

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De Alain Bick a 30.09.2017 às 10:26

se pudesse já tinha assassinado o estado pai-zinho
este Hamlin juntou todos os ratos para nos comerem

uns comem dia sim, dia sim (ratazanas vorazes)
alguns dia sim, dia não
ou outros dia não, dia não
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De Anónimo a 30.09.2017 às 11:04

Subscrevo ambos os contributos. O dia de reflexão nacional é um disparate, mas a questão dos cadernos eleitorais já entra no domínio do absurdo.
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De João Campos a 30.09.2017 às 11:07

(o comentário anterior é meu; por algum motivo isto foi anónimo)
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 15:01

Uma palhaçada, João. E ninguém fala disto. Como se fosse normal haver quase um milhão de eleitores fantasmas.
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De Pedro Ferreira a 30.09.2017 às 11:13

A "limpeza" dos cadernos eleitorais não ocorre por não ser do interesse dos partidos. O número inflacionado de leitores traduz-se em mais vereadores e assentos nas Assembleias Municipais e de Freguesia em muitos municípios e, como sabe, a vida está difícil...
Este é um bom exemplo de "pacto de regime": do PCP ao CDS, todos trazem a boca de moralismo nas noites eleitorais, porque a abstenção é preocupante, porque a classe política (os outros todos, evidentemente) não é capaz de motivar os cidadãos a votarem, patati patatá, mas nenhum parece minimamente interessado em mudar o estado das coisas. Bassine oblige.
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De Anónimo a 30.09.2017 às 13:00

Convêm não esquecer uma outra razão: em muitas circunscrições, os mortos também votam. Um fenómeno paranormal recorrente entre nós.
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 14:53

Pois votam. Tem razão. Inserem o boletim numa mesa de pé-de-galo. A Maya e o Paulo Cardoso escrutinam.
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De Anónimo a 30.09.2017 às 16:51

Como votam , não sei. O que sei é que no fim da jornada eleitoral, os seus nomes aparecem assinalados nos cadernos como tendo ido votar, e os correspondentes boletins de voto encontram-se dentro da urna.
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 18:29

Bate certo. Ninguém como um morto é tão 'expert' em urnas.
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 15:03

É como diz, Pedro Ferreira. Daí o consenso dominante - a que se associam os órgãos de (des)informação que a todo o momento propalam as pseudo-notícias sobre o "aumento da abstenção".
Sem quererem perceber que esta espiral abstencionista se explica, em grande parte, pela coexistência de vivos e mortos nos cadernos eleitorais.
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De Pedro Ferreira a 30.09.2017 às 16:16

A boca cheia, evidentemente.
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De amendes a 30.09.2017 às 11:32

Eu já q há muito que refleti:

Voto em Alvalade.... No partido do Leão!
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De Anónimo a 30.09.2017 às 12:45

Ontem, na AG, era uma multidão..
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 15:04

Ontem, na AG do outro lado da Circular, só se via polícia de choque. Uma verdadeira "democracia".
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De Anónimo a 30.09.2017 às 16:39

Pura opressão, como na Catalunha.
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 18:30

Não havia 'mossos d' esquadra' mas havia bastantes moços de fretes.
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De Anónimo a 30.09.2017 às 21:54

Em Alvalade?
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De Anónimo a 30.09.2017 às 13:29

Já somos dois.

Esta lei da rolha - excelente denominação - sempre me irritou. A campanha barulhenta e chata vá que não vá, mas privarem-nos de notícias na Comunicação Social.
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 14:54

Lá estarei amanhã. Nem que a vaca tussa (a vaca, por sinal, tem andado adoentada).
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De am a 30.09.2017 às 11:39

Concordo em absoluto...

Gosto imenso do Miró que ilustra o poste.

Bom fim de semana para os reflores e abstencionistas.

Que ganhe o Felino! ( "vocês sabem de quem falo"...)
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 14:54

O Miró surge aqui em rigoroso exclusivo. É património do Estado português.
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De Anónimo a 30.09.2017 às 11:52

A propósito:
- Alguém será capaz de me explicar a verdadeira razão por que não são usados os meios eletrónicos, quer na atualização dos cadernos eleitorais, quer no próprio ato eleitoral?!
É uma coisa que há muito me intriga.
E, desde já, agradeço o esclarecimento.
João de Brito
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De Anónimo a 30.09.2017 às 12:51

Não sei por que não se usam os meios electrónicos mas sei por que há um dia de reflexão.
A seguir ao 25 de Abril houve um período de grande agitação e de grande mobilização pelas causas políticas. Nas primeiras eleições havia o receio de que pudessem ocorrer desordens junto às mesas de voto ou grandes excitações em consequência da propaganda eleitoral levada até ao último minuto. Por isso se proibiu a agitação política junto às urnas e acabou por se concluir que para acalmar os ânimos seria melhor um descanso no dia anterior. Inteiramente justificado. Até agora (por inércia ou interesse) ninguém modificou a lei. Penso que agora já não há grande razão para estes cuidados. Mas não há paternalismo nem ... não sei o quê. Suponho que há outros países que têm uma lei idêntica. Acho que, apesar de inútil, não prejudica o acto eleitoral. Se calhar até ainda beneficia originando uma acalmia que, por exemplo, permite a ida às urnas sem grandes problemas de trânsito com arruadas etc.
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De sampy a 30.09.2017 às 13:25

A juntar às respostas acima, porque tal implicaria uma negociata estilo Siresp ou Citius, e o momento actual não é propício a roubalheiras descaradas desse tipo.
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De SemioZeus a 30.09.2017 às 14:18

Não queira meios electrónicos, especialmente na hora de votar, se soubesse quem, internacionalmente, subsidia os que vendem esse tipo de software, não estaria tão seguro da sua segurança.
Mas essa, deve ser a próxima que nos vão querer "vender", em nome da "segurança" e do "simplex".
Se hackers conseguem entrar, onde nem sequer imagina, informação que não é para publicitar, mais a mais, quando nos querem pôr com dinheiro virtual, nunca queira um produto em que as "raposas" podem construir o "galinheiro" com programas com backdoors.
Com papel, caneta e várias pessoas a conferir a contagem, pelo menos, nesta parte pode estar descansado. (no Brexit havia mesas de voto com lápis e, mesmo assim não resultou porque, neste caso, o interesse não era partidário e podiam escolher "todos do mesmo partido" )

Para compreender do que estou a falar, pode ler na wikipedia.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Backdoor

Não se lembra de tentarem culpar a Rússia por interferir nas eleições americanas? Com tantas "certezas", se calhar, até sabiam que não tinha sido a Rússia porque, em sítios de apoio a Clinton, haver mais votos que eleitores, qualquer "cortina de fumo" serve para manipular as atenções. Em vez de se focarem no problema puseram-nos a olhar para o outro lado do mundo.
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 15:05

Os meios electrónicos deviam ser usados na actualização dos cadernos eleitorais, como é óbvio.
Mas isso não acontece. Nisto não houve nenhum Simplex. Continua a haver Complicadex.
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De sampy a 30.09.2017 às 13:20

A jornada de reflexão, um anacronismo?! Um dia sem altifalantes, sem caravanas, sem arruadas, sem inauguração de rotundas, sem políticos a fazer de conta que andam de bicicleta, sem primeiros-ministros a terem de abandonar entrevistas: isso é uma autêntica bênção, senhores!!
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 15:06

Que "anacronismo", o que se passa em países como os EUA, em que a campanha se prolonga até ao momento da votação.
Credo, que horror, Deus nos valha!
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De sampy a 30.09.2017 às 21:29

Como gostamos nós de copiar os outros...
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 21:48

Só não gosto se copiarmos regimes totalitários.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.09.2017 às 15:08

Como se fosse necessário refletir "nisto"... neste reflexo de geringonça viciado, nesta coisa do embaralha e torna a dar em que os "trunfos" são sempre os mesmos, nesta tristeza dos ghost voters, sei lá...
Apetece-me sair do trabalho e ir para o meio do Rossio gritar e dizer mal desta cambada toda... pode ser que me prendam por ser antidemocrática e estar a violara constituição.
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 15:14

Na era das redes sociais, em que tudo se debate em tempo real e tudo está publicado a todo o momento em qualquer lado, a lei eleitoral portuguesa persiste em manter-se ancorada no tempo da TV a preto e branco, Dulce. Remontando aos tempos em que a democracia ainda gatinhava e precisávamos de "assistência espiritual" no sábado que antecedia a ida às urnas.
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De Rão Arques a 30.09.2017 às 16:22

Um par de sapatos é mais prático.
Comprar depois de experimentar.
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De Rão Arques a 30.09.2017 às 15:59

É dia de reflexão
Cá na crista do talude
E as rosas em botão
De mergulho pró açude
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De Pedro Correia a 30.09.2017 às 18:36

Nessas cristas do talude
a dois passos do lagar
vê-se a costa amiúde
basta ao bloco lá chegar
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De sampy a 30.09.2017 às 21:50

Acho que aquilo que irrita mesmo o pessoal é a pretensão implícita na lei de que, por um dia, a reflexão é um acto importante e com significado, e o silêncio resulta em benefício do cidadão eleitor. Um completo absurdo!

Imagino o desespero de milhares e milhares a esta hora, impedidos de se dedicarem a actividades tão imperativas como colar cartazes ou pichar paredes, obter mais 5 canetas, dois esqueiros e um chouriço de Maximinos, responder a mais uma sondagem da católica ou do protestante, agitar bandeiras durante três horas para disfarçar a sala quase vazia, verificar se nos jornais vem mais qualquer coisa sobre André Ventura... É de enlouquecer, este sossego.

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