Hoje
Dizer que coisas más só acontecem aos outros porque são desatentos, desleixados, desmazelados, impetuosos, indolentes, negligentes, preguiçosos, remissos, etc., é um eufemismo, no pensar daqueles que se julgam precisos e vigilantes, na normalidade do seu dia a dia.
O problema é que nada prepara os precisos, vigilantes e preparados para a tempestade que, sem pedir licença, entra aos trambolhões pela porta da frente e não os atinge directamente a eles, aos rigorosos e precavidos, mas sim a quem querem mais do que a si próprios.
Tudo o que se tem como certo corre meia circunferência, perde-se o pé, ganha-se a noção. E adapta-se, característica fundamental do ser humano, animal de hábitos flexíveis, ou não fossemos gregários e conviventes uns dos outros.
Planos só para o dia a dia. Lágrimas, para quê? Saber esperar passou a ser mais do que uma virtude, transformou-se num modo de vida.
Chega-nos à ideia aquela frase batida dos tempos da pandemia “vai correr tudo bem“ e também a outra, a da canção sentida, em dueto clássico, com a qual passámos a conviver, com o sorriso tranquilo de quem tem fé.

