Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Há-de aparecer alguém para pagar

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.01.16

paulo.jpg

Nestas coisas, como nas PPP, convinha ter alguma cautela para depois não faltar dinheiro para pagar a conta. Eu bem sei que no fim há-de aparecer alguém para pagar, que até poderá ser o próprio, mas estar a contrair encargos sem saber como se irá pagá-los, estar a contar com a subvenção estatal e os donativos dos contribuintes sem saber se os irá receber, tudo isso me parece pouco sério e uma imprudência.

Vi o seu apelo à recolha de donativos para fazer face à factura das presidenciais e só estranhei que no pedido que fez não tivesse logo avisado os potenciais doadores de que irá recusar todos os donativos que possam vir de pessoas singulares ou colectivas que estivessem na disposição de ajudar mas que andaram a ganhar a vida emitindo pareceres, foram ou são deputados ao serviço dos grandes interesses empresariais, advogados que trabalham em grandes escritórios, gestores e administradores de empresas com grandes negociatas com o Estado, de gente que trabalhe ou tenha trabalhado para o BES, para o BPN, para o lobby dos construtores, da banca, dos laboratórios médicos, dos manuais escolares, das farmácias, das autarquias, e por aí fora. Isso teria sido coerente e consequente com o que antes defendeu.

Sei que as contas da campanha serão apresentadas, serão claras e que baterá tudo certo, mas é pena que em questões tão sérias como as que abordou tivesse andado a dar tiros para o ar, acabando a acusar tudo e todos e desperdiçando o capital de simpatia e apoio que inicialmente gerou para a sua causa. A causa do combate à corrupção, aos lobbies, ao clientelismo político e de Estado, ao tráfico de influências, à fraude em geral, é um combate e uma causa de todos os cidadãos portugueses livres e sérios, que não pode continuar a ser tratada da forma que Paulo Morais tem feito. E não pode servir de bandeira para alimentar egos e protagonismos. Por isso, lamento ver Paulo Morais, por cuja causa tenho simpatia e na qual também me tenho empenhado à minha maneira e com os meios que tenho, a acabar assim a sua participação, desta forma inconsequente. 

Já não bastava o resultado miserável que obteve como ainda acaba a pedir dinheiro aos contribuintes para pagar os custos da sua campanha. Se não tinha dinheiro não gastava. É tão simples quanto isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)


7 comentários

Sem imagem de perfil

De sampy a 26.01.2016 às 10:03

"Se não tinha dinheiro não gastava."
Isto, escrito por um simpatizante do Partido Socialista.
Cristo voltou à Terra. Só pode.
Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 26.01.2016 às 10:43

Vê-se bem que não me conhece. A gestão que defendo para a coisa pública é a mesma que há muitos anos pratico na minha vida. E olhe que não escrevo cartas ao Pai Natal, a banqueiros ou a empreiteiros para me ajudarem a comprar charutos.
Sem imagem de perfil

De sampy a 26.01.2016 às 13:23

A inconsciência da incoerência.
Lindo.
Sem imagem de perfil

De Hugo Rego a 26.01.2016 às 15:29

Se, no geral, até poderia concordar com a sua opinião, ela acaba por resvalar por um conjunto de considerações que têm mais de pessoal do que de objectivo.
Se concordo que Paulo Morais poderia ter sido mais cauteloso no que concerne ao financiamento da sua campanha, não me parece que fosse necessário colocar ressalvas às fontes de financiamento porque convenhamos que, bem ou mal, ele personificou o combate à corrupção e ao tráfico de influências, logo, seria uma redundância salientar tal salvaguarda (não me parece que o cidadão que se enquadre nas excepções por si referidas vá a correr ao banco).
Por outro lado, muito dificilmente se poderá assumir um papel de combate frontal à corrupção sem se adquirir protagonismo, goste-se ou não. Até porque criticar egos quando tal é uma característica quase transversal no cenário político não deixa de ser curioso.
Se o resultado foi miserável (merecia considerações sobre a coisa), não é verdade que ele "acabou a pedir dinheiro aos contribuintes" mas sim a simpatizantes da sua causa e apoiantes da sua campanha. O que é bastante diferente, diga-se de passagem.
Como alguém já fez as contas, veremos se pelo menos os eleitores que votaram em Paulo Morais estarão dispostos a desembolsar 0,40€ ou se, como é costume, a vontade de alguma "mudança" se resume a desenhar uma cruz no anonimato...
Sem imagem de perfil

De João de Brito a 26.01.2016 às 18:58

Concordo.
E acrescento:
Ninguém de boa fé e de boa mente poderia deixar de apoiar a luta e o método de P. Morais.
Também eu esperava um muito melhor resultado eleitoral para ele.
Mas, pensando melhor, até se compreende o fracasso.
Somos um povo visceralmente corrupto!
Basta ver como toda a gente fala e pratica a cunha. Ninguém se esconde, ninguém disfarça, como se fosse a coisa mais natural e mais imprescindível do mundo, uma verdadeira instituição nacional, mais, a verdadeira base da constituição da república!...
É na cunha que assenta e se potencia toda a grande corrupção política, económica e financeira.
Eis a razão por que a gente não quer saber da corrupção para nada.
Que eu saiba, nunca questões de corrupção prejudicaram eleitoralmente qualquer candidato indiciado ou até condenado.
Vejam que paraíso é um país assim para os senhores detentores dos vários poderes!
Não há volta a dar-lhe... a não ser através de um longo processo educativo, em que ninguém está verdadeiramente interessado.
Somos um caso perdido!
Sem imagem de perfil

De BELIAL a 26.01.2016 às 18:48

A resposta adequada a paulo de morais, será: "tenha paciência, santinho...".

A corrupção é péssima, mas a pedinchice, no caso em concreto - confrange e constrange.
Sem imagem de perfil

De BELIAL a 28.01.2016 às 00:33

Enfim, se tiver lata para andar com lata de peditório ao peito - sou homem para cair com 50 cts.

Respeito a exigência quanto a pequenos donativos e parabenizo-me por não ter deixado de apoiar uma causa de cidadania.
Disse.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D