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Guerrilha islâmica em Moçambique

por jpt, em 29.01.18

Guerrilheiros islâmicos em Moçambique. Partilhar isto - ainda para mais não conhecendo a origem das imagens, o que deixa em aberto a hipótese da sua encenação - é também um acto de divulgação e, como tal, um acto algo irresponsável. Assumo-o. Tirando esses meus pruridos: isto é o mais plausível. E o há muito temido, pois qualquer pessoa que conheça o país espera, e há já muito, a emergência de algo assim.

Em relação às grelhas analíticas dois princípios a afirmar já: 1) tenho visto os habituais negacionistas, a afirmar que isto nada tem a ver com o Islão. Mentem, por ingenuidade ou estratégia. Pois a história das religiões proselitistas (como o cristianismo e o islamismo) sempre se fez com a Palavra e a Arma (assim, com maiúsculas, para enfatizar a santidade da coisa). E a história do islamismo, logo após Maomé, sempre se fez com guerra (na nossa cristã história safou-nos Poitiers) - por mais que os sábios demagogos do nosso pérfido "ocidente" queiram resumir tudo à maldade das "Cruzadas" as "Crescentadas" foram uma constante. E a história das guerras entre facções intra-religiosas também (como as nossas guerras religiosas europeias tanto o demonstraram). Ou seja, "isto" também é o Islão.

2) Agitam-se os do "sociologês": atribuindo a responsabilidade (de facto, dizem-na "culpa") disto às malevolências do Estado ("a corrupção da Frelimo", agitam-se os do antigamente), à exclusão social, às assimetrias regionais, ao falhanço do modelo de desenvolvimento, etc. É o mesmo tipo de discurso que aponta a culpa dos estados europeus no terrorismo interno. De facto, esse sociologês vale nada: são "explicações" que tudo explicam (todos os fenómenos podem ser atribuídos a essas causas) e, como tal, em nada contribuem para a compreensão. E, em última análise, retiram a intencionalidade (o livre-arbítrio, os objectivos próprios, a racionalidade estratégica e utilitária) aos participantes. Pois, no afã de inculpar a perfídia ocidental (branca), o seu poder capitalista, e as suas sequelas pós-coloniais (em tempos ditas "burguesias compradoras"), são incapazes de verdadeiramente se libertarem do "eurocentrismo" que aparentam abominar mas que é o único eixo de pensamento que perseguem. Por isso menorizam as práticas e seus agentes. Infatilizam-nos. Barbarizam-nos. Dizendo que estes são o que são, perseguem o que perseguem, apenas porque desprovidos dos recursos económicos que desejam - "análises" que são apenas fruto um materialismo rasteiro, básico. Desvalorizador. E cego.

Em suma. Moçambique enfrenta guerrilheiros. Islâmicos, convictos, estrategas. Causados e com causas. A ver iremos no que isto dará. Lamentavelmente.

 


22 comentários

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De JgMenos a 29.01.2018 às 01:33

No estádio retro medievo do islamismo dito radical, sobreleva como sempre o argumento que traz pão sem trabalho - a arma e a palavra de Deus.

Para os imbecis do vídeo, à falta de sentido da palavra acrescenta a arma eloquência bastante.

Tal como nas "Cruzadas" e "Crescentadas" a força é o único argumento útil até que haja pão para todos e a palavra do Homem mereça crédito mútuo.
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De jpt a 29.01.2018 às 10:12

Como tenho referido noutros contextos o problema face a estes movimentos é que não são políticos, no sentido de que não querem negociar, querem tudo. Nesse sentido a força é mesmo o único argumento.
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De Justiniano a 29.01.2018 às 11:32

Não, caro JPT, advêm do elemento político primordial da congregação de comunidades. O céu na terra e a guerra por território. A coisa mais elementar de sempre.
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De O SÁTIRO a 29.01.2018 às 01:48

A estratégia do islamismo é conquistar o mundo!
Chamo islamismo pk NÃO é religião: DEUS nunca falaria com um CRIMINOSO como Maomé: pedófilo, violador, assaltante de caravanas, ladrão, sequestrador, assassino, traficante de mulheres, polígamo, etc...fazer dele profeta,e muito menos para lhe ditar vontades entre as quais conquistar o mundo á espada e á pedrada...)
quem faz propaganda desta religião são os ateus do ocidente..
há milhares de vídeos na net de ayatollahs, imans, sheiks, de todo o mundo a pregar isso nas mesquitas, TVs, madrassas etc.
talvez esta invasão no norte de moçambique não seja só africana
pode ser estratégia para entrar em Portugal e militarizar os muçulmanos daqui.....e cercar a europa como tesoura
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De Luís Lavoura a 29.01.2018 às 09:28

na nossa cristã história safou-nos Poitiers

A nós aqui na Península Ibérica Poitiers não nos safou nada. Poitiers terá safado os franceses, apenas.
Ademais, é sabido que, mesmo durante o período islâmico, continuou a haver por todo o lado montes de cristãos (e judeus) a viver pacificamente. O poder islâmico não lhes fez mal. Na Península Ibérica islâmica, quem queria ser cristão tinha todo o direito de o ser e nenhum mal lhe advinha por esse facto.
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De Vlad, o Emborcador a 29.01.2018 às 10:06

Meu caro na Península viveu-se o iluminismo do islamismo. Todo o saber grego, chinês, indiano,foi-nos trazido pelos muçulmanos - matemática, astronomia, filosofia, especiarias, papel, tinturaria, ciência náutica, poesia.....

As trevas despontavam para lá dos Pirinéus...com os Saxões, Normandos, Germanos, Pictos....

Não tarda tenho o V a chagar-me
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De V. a 29.01.2018 às 23:54

O Galamba já tem um emoticon? LOL.
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De V. a 29.01.2018 às 12:16

Que maravilha que era o multiculturalismo, tão lindo. Parece saído de um livrinho do Boaventura. Que lindo era andar de sandálias e coberto por um lençol e não fazer nada senão parasitar outros países, matar mulheres à pedrada e atirar homossexuais para o meio da rua de terra batido dos telhados de casas manhosas de tijolos sem reboco. Que lindo que é comer umas mandiocas raquíticas com as patas da frente em cima de um tapete empoeirado.

Não se preocupe. É só deixar os tipos das frutarias da Defensores de Chaves reproduzirem-se à vontade. Daqui a 50 anos isto é um buraco islâmico outra vez. Eles odeiam isto, mas vêm para cá todos com o propósito de dominar pela forças dos números, com o beneplácito de gente estúpida que não vê mais longe do que a ponta do nariz. Qual é a estratégia e como mantêm lojas de rendas caríssimas onde ninguém entra? Abram a pestana, seus burros.
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De Luís Lavoura a 30.01.2018 às 09:25

É só deixar os tipos das frutarias da Defensores de Chaves reproduzirem-se à vontade.

Na minha zona da cidade (que não é a Defensores de Chaves) há montes de frutarias (e supermercados) de estrangeiros (nepaleses, bengalis, indianos). E eu não os vejo a reproduzirem-se muito. Vejo esse tipo de pessoal por vezes na rua com as famílias, e essas famílias não são grandes. Geralmente têm dois filhos - a conta certa.
Aliás, a maior parte deles até estão cá sozinhos, coitados, a ganhar a vida para as mulheres que vivem longe.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.01.2018 às 11:14

As mulheres vivem longe, eles reproduzem-se pouco, coitados, e têm dois filhos - a conta certa.
Palavra de honra...
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De V. a 30.01.2018 às 22:09

Fico fascinado com a sua veia lírica. Não conhecia este lado poético seu.
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De Lucklucky a 29.01.2018 às 20:08

Os massacres aos cristãos e judeus quando convinha, já para lá não falar da sua posição legal inferior e dos impostos especiais é conhecido.

Mas temos aqui Luís Lavoura a negar a História.
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De Vlad, o Emborcador a 29.01.2018 às 09:31

"Pois a história das religiões proselitistas (como o cristianismo e o islamismo) sempre se fez com a Palavra e a Arma".

Só a Religião? Confira a História das Ideias Políticas, partindo do princípio que a Religião não encerra em si mesma um Ideal Político ( a Cidade de Deus, na Terra).

Também a Democracia e os ideais ocidentais se têm feito acompanhar da Palavra e da Arma.
A Arma na maioria das vezes serve para convencer os descrentes ( os que não partilham as certezas de outros; os que fazem análises usando um "materialismo rasteiro..."que mentem" ), que estão errados quando à Palavra/Verdade revelada pelo Profeta/Cientista.

Curiosamente a Arma Ocidental parece ouvir-se menos em países que não têm petróleo ou em regimes que embora "radicais terroristas" sejam amigos/tolerados pelo Ocidente - ex: Arábia Saudita, China...

Irresponsável e arrogante é concluir que existe alguma maldade intrínseca aos prosélitos das Religiões Abraâmicas. (nem todo o cristão é pedófilo. Nem todo o cristão adere à Nação Ariana , ou ao KKK).

Aliás toda a conclusão simplista em qualquer ramo do saber não é mais que simplificação. Simples maniqueísmo - de um lado todo o Bem/Verdade, do outro todo o Mal/Ignorância. Maniqueismos de onde surgem e se alimentam os Fundamentalismos.

Concluindo, o jpt usa na sua análise uma grelha ideológica semelhante, em natureza, à usada por um qualquer Fundamentalista. Discordando, acho-a ainda, como diz na introdução do seu texto, irresponsável.

Aliás as maiores atrocidades têm sido cometidas não em nome da Religião, mas em nome da "Ciência" (de um saber pseudocientífico ateu....marxista, nazista, racista, darwinista, capitalista....).

Tal como a ciência, deus é uma figura neutra. É o Homem que o veste e o usa como quer.

Sugestões de leitura :

As Cruzadas vistas pelos Árabes de Amin Maalouf.

Sufismo de Halil Bárcena

A Sociedade Pura de André Pichot

De F. William Engdahl, A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order









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De Justiniano a 29.01.2018 às 13:43

Para secundar o caro Vlad;
"Só a Religião? Confira a História das Ideias Políticas, partindo do princípio que a Religião não encerra em si mesma um Ideal Político ( a Cidade de Deus, na Terra)."
Acrescentaria apenas que se trata do projecto político primordial, o começar pelo início (não apenas pela estrutura metafísica das ideias que animam determinada construção social, mas, também, pela inclusão do elemento místico que é fundamental para qualquer projecto revolucionário). A ideia do céu na terra e a guerra por território traduzem, para além da afirmação ética e estética de um conjunto de princípios, o repúdio pelo inferno na terra e pela corrupção das gentes que a ocupam (o limite do insuportável como detonador). Contudo estes projectos redentores (reset) só funcionam em grupos profundamente coesos e com fortes elementos identitários entre si.
No caso. O que acontece em Moçambique, ou de um modo geral na áfrica sub sahariana, é que o arremedo de Estado ou pseudo Estado e Estado falhado pouco pode oferecer. E, fundamentalmente, a monumental discrepância entre a estrutura cultural, a estrutra política e económica e as aspirações económicas e sociais, derivam, inevitavelmente, para o desastre!! Acresce que no território desses Estados coexistem diversas nações com desconfianças recíprocas e ressentimentos de longínqua memória. Junte-se meia dose de nepotismo, com a predileção étnica, e tem o caldo entornado!!
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De jo a 29.01.2018 às 12:43

Parece-me um pouco confuso.
Está a afirmar que todos os movimentos têm motivos sociológicos que os levam a ser bons ou maus, exceto o islamismo. Porque é o Mal Absoluto? Porque é contra a Santa Madre Igreja? Os islamitas não são pessoas?

Parece que dizer qualquer coisa que não seja mata-mata sobre o islamismo é pecado. Duvido que algum dia se consiga controlar o fenómeno com esta atitude. A ilusão de que se vai lá com "guerras ao terrorismo" tem dado resultados excelentes.

"É o mesmo tipo de discurso que aponta a culpa dos estados europeus no terrorismo interno."
O terrorismo é praticado dentro dos estados europeus, por pessoas que nasceram e foram educadas dentro dos estados europeus, tendo por alvos europeus. Parece evidente que os estados europeus não têm nada a ver com a sua génese.
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De Anónimo a 29.01.2018 às 12:45

se tocam num católico em Moçambique é um ataque directo a Portugal !!
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De Anónimo a 29.01.2018 às 14:21

Corajoso "post". Politicamente incorreto.
Por isso mesmo JPT merece elogios. Por isso mesmo receberá críticas negativas de outras, bem conhecidas, bandas.
Não o farão parar de exprimir-se, felizmente. E não é só amor a Moçambique, o que escreve.
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De Carlos Alberto Ilharco a 29.01.2018 às 14:26

Não vi o vídeo, não me interessam patacoadas que suponho é o que lá está.
Moçambique não existe, é uma criação artificial, como muitas outras em África que juntaram numa hipotética Nação etnias, religiões e feitiçarias não só diferentes mas inimigas mortais.
A diferença entre um maconde e um macua é maior do que entre um alentejano e um sueco.
Um dia, não no meu tempo, toda a África será redesenhada de acordo com a sua própria realidade (como aconteceu no Sudão) e talvez encontrem um pouco de paz.
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De Vento a 29.01.2018 às 14:54

O jpt tem uma noção bastante proselitista e farisaica sobre a história das religiões e sobre os religiosos.
Deixe-me dizer-lhe que o cristianismo em particular foi o fenómeno que demonstrou ser possível alterar sem matar. Aliás, diz-se, e bem, que o sangue dos mártires é semente de cristãos.

Outra coisa será enquadrar as ditas guerras religiosas no seu contexto. Bizâncio caiu não porque o motivo fosse religioso, mas porque o império romano dominava a oriente. E os cristãos foram perseguidos. Portanto, a causa da guerra é outra: é conquista e expansão como se vinha e vem fazendo ao longo da história. A resposta a isto foi o domínio do império Otomano sobre o mediterrâneo e o ter chegado às portas de Viena.
O cristianismo manteve-se igual a ele mesmo. O domínio não é coisa do cristianismo, islamismo, judaísmo, budismo...; é coisa de poder, dos homens religiosos e ditos ateus. O ateísmo perseguiu e persegue crentes em África, na Europa, na Ásia e em todos os cantos. E parece-me que isto se justifica por não ser para si uma motivação religiosa. Mas é. Da mesma forma que é religioso o seu texto. É uma espécie de cruzada em prosa sobre um tema que lhe é desconhecido.
Sobre Moçambique, não me estranha a sua tese. Mas os motivos para mim são outros. O poder em queda busca sempre redutos onde o Estado é fraco.
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De Vlad, o Emborcador a 29.01.2018 às 17:58

https://www.msn.com/pt-pt/noticias/coreia-do-norte/eua-avisam-angola-e-moçambique-sobre-ligações-à-coreia-do-norte-diz-financial-times/ar-BBIpstU?li=AAl4orZ&ocid=spartandhp

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