por Pedro Correia, em 27.02.15
Ladrões de Bicicleta é um blogue sério, sobre pensamento económico, de um ponto de vista da esquerda. Não do centro-esquerda, da esquerda descafeinada, mas da esquerda-esquerda.
Basta ler o que se foi publicando ao longo das últimas semanas nesse blogue para se perceber bem o excesso de expectativas geradas pelo Governo de coligação Syriza-Gregos Independentes, a oscilação de sentimentos provocada pelo processo de negociação entre Atenas e o Eurogrupo, e enfim a decepção que já não consegue ser ocultada.
Passo a transcrever alguns excertos, com a devida vénia aos autores.
João Rodrigues, 22 de Janeiro:
«O futuro está em aberto. Vemo-nos cada vez mais gregos.»
José Castro Caldas, 26 de Janeiro:
«Ganhou a democracia. Ganhou a esperança. A Grécia mostra hoje o caminho que pode ser de todos: deter a austeridade, renegociar a dívida, garantir a saúde, a educação, as pensões e o emprego, desenvolver.»
José Gusmão, 26 de Janeiro:
«Se o Syriza se amarrasse a um parceiro cuja primeira preocupação é entender-se com as instituições europeias, o Governo do Syriza não durava três meses.»
Nuno Teles, 27 de Janeiro:
«O Syriza terá pois que optar, muito rapidamente, entre a vitória de Pirro que a UE lhe oferece ou levar o confronto até às últimas consequências, saindo do euro.»
Jorge Bateira, 6 de Fevereiro:
«A celebração de um acordo entre a Grécia e a UE apenas suavizará a austeridade, não permitindo ao governo executar a política económica de que o povo grego está à espera.»
Alexandre Abreu, 10 de Fevereiro:
«A direita está preocupada, isso sim, porque o governo grego é o primeiro a confrontar directamente os mecanismos de subjugação a que tem vindo a ser sujeito o seu povo e porque o seu exemplo tem um enorme potencial de alastramento.»
José Gusmão, 16 de Fevereiro:
«Quem apostava na refundação democrática da União Europeia, bem pode tirar o cavalinho da chuva. Quem manda é a Alemanha, ponto, parágrafo. O governo grego não pode, não deve e não vai aceitar semelhante barbaridade. Uma coisa é negociar e fazer cedências, coisas que só o governo grego fez em todo este processo. Outra coisa seria trair de forma grotesca o seu principal compromisso eleitoral.»
João Rodrigues, 21 de Fevereiro:
«O que era dito [por Varoufakis] pareceu-me que estava longe disso, aproximando-se de um Ministro das Finanças, mais um, a falar de confiança entre parceiros e das imposições de austeridade como forma de evitar tentações e outras coisas mais: palavras, as coisas significam o que eu quero que elas signifiquem e por aí fora. Suspirei, profundamente desanimado, porque nesse momento a capitulação pareceu mais provável do que a sua única alternativa real.»
Ricardo Paes Mamede, 24 de Fevereiro:
«O acordo obtido na reunião do Eurogrupo da passada sexta-feira não representa seguramente uma vitória do governo grego.»
Alexandre Abreu, 26 de Fevereiro:
«Há limites para a latitude das interpretações e, na minha opinião, engana-se quem, defendendo o fim da austeridade e pugnando por uma alteração da relação de forças na Europa, considerar que este acordo foi uma vitória.»