Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Ganhar projectos na compra

por Teresa Ribeiro, em 30.05.18

img_153.jpg

 

“Os projectos ganham-se na compra, não na venda” – em poucos dias ouvi esta frase, que pelos vistos se tornou chavão, duas vezes. Foi proferida por pessoas distintas. No primeiro caso tratava-se do gestor de uma grande empresa e no segundo de um empresário por conta própria relativamente bem-sucedido. A frase não me era destinada. Na primeira ocasião foi dirigida na minha presença a um jovem empreendedor e num segundo momento ouvi-a a ser debitada numa conversa entre amigos. A expressão é eufemística e significa que o dinheiro ganha-se na fase de concepção do projecto que se quer vender, embaratecendo-o o mais possível, por forma a poder assegurar uma margem de lucro interessante quando se proceder à sua venda. Esmiuçando ainda mais, o que isto quer dizer é que havendo gente implicada na concepção de projectos, para que um empresário ganhe dinheiro é necessário que não tenha escrúpulos em pagar o menos possível à sua equipa.

Usando uma expressão da moda para comentar um pensamento da moda, este é agora o “paradigma” do sucesso empresarial: aproveitar o estado do mercado de trabalho como uma oportunidade para pagar o mínimo aos seus “colaboradores”. É uma regra que está a ser seguida por todos, do pequeno empresário, aos gestores de topo. Se no primeiro caso se percebe a necessidade de contenção financeira, no segundo revela simplesmente um oportunismo do mais rasteiro para nivelar salários por baixo.

Dir-me-ão que é a lei da oferta e da procura a funcionar, mas o argumento cai por terra facilmente. Recentemente um dos responsáveis do Grupo Manpower Portugal disse-me em entrevista que mesmo para contratar profissionais que escasseiam no mercado, os seus clientes procuram baixar a fasquia salarial até ao limite do aceitável e quando recebem negas dos candidatos ainda se ofendem.

A verdade é que a crise criou uma casta de predadores que está a ser responsável pela crescente amoralidade das relações de trabalho, em que se exige tudo (habilitações elevadas, conhecimento de línguas, disponibilidade total) a troco de quase nada.

Soube agora que os enfermeiros de um dos maiores grupos de saúde em Portugal receberam por carta a informação de que vão deixar de receber horas extraordinárias relativas a serviço nocturno e de fins-de-semana. É ilegal, mas faz-se. Também sei, de fonte segura, que em medicina veterinária o pagamento de horas extraordinárias é uma miragem e que há casos em que até as folgas são negadas (nas semanas em que existem feriados). Ilegal, mas faz-se. A lista de casos, em quase todas as áreas, é infindável.

Estamos no clube dos ricos por um capricho da geografia, porque às nossas elites sempre lhes fugiu o pé para esta mediocridade, que vive da exploração mais mesquinha. Portugal apresenta uma das maiores diferenças entre ricos e pobres à escala europeia. Esta típica marca de subdesenvolvimento diz tudo sobre nós.

Autoria e outros dados (tags, etc)


45 comentários

Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 14:02

Teresa, isso não é mais ou menos isto:

Mais-valia (tradução livre do original alemão Mehrwert) é o termo famosamente empregado por Karl Marx à diferença entre o valor final da mercadoria produzida e a soma do valor dos meios de produção e do valor do trabalho, que seria a base do lucro no sistema capitalista. O objectivo do Capitalista seria assim obter a Máxima Mais Valia, através do menor valor do trabalho. E qual seria este? Um salário de fome que permitisse ao trabalhador o mínimo para não morrer

O que conduz:

A Propriedade é um Roubo (Pierre-Joseph Proudhon)

Tinha em mente que quando se explorava a força de trabalho de um semelhante por semelhante, isso se definia como roubo. Além disso, destaca que cada pessoa deve comandar os meios de produção que está utilizando.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 30.05.2018 às 18:47

Mas as perversões do capitalismo controlam-se...
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 19:01

A fera atingiu o tamanho do Godzilla. Nem à bazuca. Só a Dilúvio consegue limpar os Gigantes
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.05.2018 às 21:54

Já não existe capitalismo...existe financismo ou tina, ou neo-comunismo como eu lhe chamo.

WW
Imagem de perfil

De Sarin a 30.05.2018 às 14:54

Podemos analisar por vários ângulos: patronato, cliente e trabalhador.
Quanto ao patronato, o texto já resumiu o baixo salário em "mal necessário" para o pequeno empresário e "estratégia rasteira" do grande. E subscreverei este resumo se consideramos a dimensão pela facturação e não pelo número de funcionários. O que não impede excepções.


Sobre o trabalhador, cada um tem a capacidade negocial que consegue. Um contrato colectivo de trabalho tem a vantagem de definir categorias e salários-base, bem como estabelecer obrigações e direitos das partes.
Um trabalhador negoceia sozinho, um sindicato ou um colectivo de trabalhadores negoceia em bloco.
O individualismo nestas coisas permite a alguns voar muito alto mas a generalidade não o consegue, contingências do tecido empresarial.
Friso que um CCT é muito bom em matéria de direitos mas também tem deveres. A meritocracia cabe dentro do CCT.


O trabalhador, tal como o patronato, é cliente de outras empresas. Assumir a quota-parte de responsabilidade enquanto consumidor, tendo interesse na proveniência e rejeitando produções em condições desiguais (laborais, ambientais, fiscais, como entender), ajuda a mexer o mercado a favor de uma oferta produzida em condições semelhantes àquelas em que queremos trabalhar.


É necessária uma cultura empresarial em que o trabalhador se veja parte da empresa e a empresa veja no trabalhador o seu principal parceiro.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 30.05.2018 às 18:41

"É necessária uma cultura empresarial em que o trabalhador se veja parte da empresa e a empresa veja no trabalhador o seu principal parceiro" - mas não é o que está a acontecer, pelas razões que expus. A geração dos millenials, que chegou agora ao mercado de trabalho, percebeu rapidamente que as camisolas que lhes estendem para vestir não lhes servem. Estão curtas. E o nervosismo por parte dos empregadores já se nota bem. Os millenials são tema de estudo. Esta gente que prosperou nesta cultura darwinista não sabe como retê-los a troco dos salários de miséria que se habituaram a pagar...
Imagem de perfil

De Sarin a 30.05.2018 às 19:26

E ainda bem, Teresa!
As gerações que os precederam foram educadas no autoritarismo, e isso implica desequilíbrio de forças várias sempre no mesmo eixo - daí as reivindicações de grupo terem tido mais resultados na época de pais e avós.
Os millennial, além de terem competências distintas, têm mais informação e sentem menos a obrigação de "ficar perto". Tendem a reivindicar na primeira pessoa e com muito boa voz - mas no mercado de trabalho tradicional ainda não se nota muito.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 31.05.2018 às 10:00

Também digo "ainda bem", Sarin. Acredito mesmo que é esta geração que vai obrigar os empregadores a ser menos gananciosos e a voltar a certos padrões de decência.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.05.2018 às 22:29

Na minha modesta opinião um jovem millenial é bem mais darwnista do que você pensa...
Os empregadores não estão nervosos porque não os conseguem reter, existe é menos desemprego logo mais por onde escolher para quem pretende arranjar trabalho e entre a precariedade que existe cada um escolhe o que é melhor para si.

WW
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 31.05.2018 às 09:57

WW: O que eu tenho visto por aí são já autênticos tratados sobre a psicologia individualista dos millenials e a dificuldade de os reter. Se o mercado não ajudar, tanto pior para quem precisa de os contratar, é claro.
Creio que os millenials são individualistas, mas não darwinistas no sentido de bulldozers que levam tudo à frente sem olhar a meios. Diz-se que se interessam muito pelo work life balance, portanto a ideia de se matarem para chegar ao topo não os seduz por aí além. Querem ser bem sucedidos, mas não abdicam da sua margem de liberdade. Isso faz deles seres menos agressivos, penso eu...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 31.05.2018 às 12:16

Olhe que não...são muito mais que individualistas, mais que darwinistas...

WW
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.05.2018 às 15:43

A expressão que cita não é bem essa : é mais que o segredo está na compra e não na venda e já é muito antiga. Já a ouvi e pronunciei diversas vezes e é reconhecida por pessoas bem mais novas do que eu. Discordo da ênfase negativa que lhe confere, a mais indicada seria para o seu texto seria : quando vires sangue nas ruas compra propriedades.
Empreendedorismo é isto mesmo, arriscar no que vale pouco ou nada e ganhar milhões com isso, isso é a essência do capitalismo não do Neo-comunismo em que vivemos.
Quanto á questão dos profissionais de saúde, em particular dos enfermeiros é de lamentar que seja o Estado a nivelar por baixo mas é uma prática recorrente em todos os serviços públicos de saúde pela Europa para os entregar aos grupos multinacionais da área com a esfarrapada desculpa que sabem "gerir" melhor.
O problema principal é que Portugal é um país virado para o litoral e o interior apesar das excelentes condições de vida não atrai ninguém porque as estruturas físicas estão decadentes, dou-lhe como exemplo a IP5 que sempre foi a via mais importante de ligação a Espanha e ao mar ter sido feita em cima do joelho ao contrário da auto-estrada para o Algarve feita para os "lisboetas bem" irem de férias para o Algarve ou a estupidez que de fazer outro aeroporto em Lisboa num tempo em que sabemos que as reservas de petróleo estão no fim e por consequência o transporte aéreo.

WW
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 18:29

Vocês e as vossas novilinguas! Se isto não é o Estadio do Capitalismo previsto por Marx então tenho o Direito de afirmar que até hoje o comunismo nunca existiu
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.05.2018 às 21:52

O Meister não percebeu, acontece, esta expressão "neo-comunismo" é um termo que eu usava muito no tempo da troika e da tina aqui pelo DdO. Significa para mim que o novo comunismo é a tina, o capitalismo acabou em 2008 na minha humilde concepção a partir do momento em que empresas privadas que foram á falência por má gestão dos accionistas e foram salvas pelos Estados que agora parasitam.
Cumprimentos Meister

WW
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 23:51

Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 30.05.2018 às 18:34

A expressão que referi ouvi-a conforme a citei, e com o espírito que reproduzi. É um eufemismo para "exploração", para usar uma expressão que tem sido banalizada pela extrema esquerda mas que na situação que descrevo é a que melhor se aplica. Capitalismos há muitos. Esta versão é que se está a revelar verdadeiramente deplorável.
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 18:36

"seja o Estado a nivelar por baixo"

Em que cargos?

É sistemático o nivelamento por baixo no Privado além da precariedade - Ex: SONAE, FNAC, PT.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.05.2018 às 22:09

Meister se é verdade que os enfermeiros receberam a tal carta com essas indicações é o Estado a nivelar para baixo e olhe que eu sei que noutro tempo...era assado e agora no estrangeiro é assim.
Caro Meister a PT não pode servir como exemplo, aquilo só não foi a falência porque era mesmo muito boa.
Já as demais empresas privadas que vivem em monopólio e oligópolio podem valer-se de tudo e mais alguma coisa para apertarem os trabalhadores.
Não tenhamos ilusões, as empresas estrangeiras que investem directamente em Portugal ou autorizam as filiais a fazê-lo fazem-no porque a mão-de-obra qualificada ou não, é barata em relação ao que se pratica noutros países europeus, digamos que a relação preço/qualidade é muito boa, excelente mesmo...

WW
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 03.06.2018 às 15:45

Meister e Teresa Ribeiro não reparei que tinha sido um grupo privado de saúde a enviar a carta aos enfermeiros, as minhas desculpas.
Teresa Ribeiro pode dizer qual o grupo privado de saúde que enviou a tal carta.
Cumprimentos

WW
Sem imagem de perfil

De Vento a 31.05.2018 às 00:41

A expressão do segredo na compra está ligada a outros factores. É um método de gestão quando é possível aplicá-lo. Esta expressão deixou e deixa de ter de ter sentido quando os stocks dos produtos ou artigos em armazém começavam a representar um grande risco quer em relação à depreciação dos mesmos quer em relação à leitura contabilística e financeira que se podia extrair dessa realidade. Prende-se, entre outras, também com questões de rotatividade dos artigos e a consequente gestão de stock.

A frase que se usa no título do texto em apreço estou em crer aplica-se à relação entre patronato e trabalhadores. Aliás, a expressão que mais escutará no futuro é a de parceiro. E todos nós sabemos que uma parceria neste campo significa que o trabalhador deverá demonstrar ser capaz de trazer capital para o empregador e ganhar em função dessa mesma conquista. Os demais serviços, como é o caso dos administrativos, tendem a ser contratados em empresas de serviços externos ou através da janela digital, o que fará diminuir encargos e responsabilidades.
Ou seja, a tendência é fazer de cada trabalhador um empreendedor por forma que que o empresário que contrate o empreendedor não corra os tradicionais riscos e não suporte os também tradicionais encargos.
Quer que lhe apresente um desenho mais especifico sobre uma situação que já se vive?
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 31.05.2018 às 10:05

Aconselho-o a ler com atenção o que descrevi. Depois pode fazer os desenhos que quiser.
Sem imagem de perfil

De Vento a 31.05.2018 às 11:41

"Aliás, a expressão que mais escutará no futuro é a de parceiro. E todos nós sabemos que uma parceria neste campo significa que o trabalhador deverá demonstrar ser capaz de trazer capital para o empregador e ganhar em função dessa mesma conquista."

Tem de perceber os desenhos que eu faço, senhora D. Teresa..
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 31.05.2018 às 20:57

Não nota a sua arrogância e misoginia? Já com a Sarin é o mesmo tom. Depois vem para aqui arengar a bíblia...Leia menos e pratique mais...gosta mais da ideia do Homem do que da gente da rua.
Sem imagem de perfil

De Vento a 31.05.2018 às 22:24

O que anda a tomar, von Kalhau?
Sem imagem de perfil

De Vento a 31.05.2018 às 22:26

Se reparou, o meu comentário está ligado ao comentário do WW.
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 31.05.2018 às 11:47

Sabe quanto custa ser empreendedor? Tem experiência? Sabe os custos associados para criar um negócio próprio? A carga fiscal, as exigências legais? Nem todos os negócios podem ser virtuais. Nem todos podem ser empreendedores.

O excesso de produção relaciona-se com uma inerência do Sistema actual que assente numa super-produção, e por isso no endividamento, conduzindo a uma diminuição da poupança. - Marx e Keynes trabalharam sobre o assunto

O que parece defender é um regresso ao séc. XIX onde os trabalhadores eram recrutados ao dia e recebiam à peça. E depois preocupam-se com o problema da natalidade - vão como compensação recrutar mão de obra "romena" que trabalha a pratos de sopa.

Quer que lhe faça um desenho?
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 31.05.2018 às 12:20

Super-Produção/Excesso de Oferta = Endividamento bancário das empresas= Diminuição dos custos com o trabalho = Menor poder de compra = Endividamento privado das pessoas= Menor Poder de Compra = Falência das Empresas = Crise.

Que tal apostar-se, a determinado momento do Ciclo , num aumento do Poder de Compra?

Este sistema serve apenas a Financeirização/ parasitismo da Economia à custa do Trabalho
Sem imagem de perfil

De Vento a 31.05.2018 às 20:13

Obrigado, von Kalhau. Quando eu deixar de empreender falo consigo.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.05.2018 às 15:52

É óbvio que o liberalismo desbragado, bem como a partidocracia associada, acentua os malefícios endógenos nos países em que a vivência da cidadania é muito limitada.
É o nosso caso.
João de Brito
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 30.05.2018 às 18:21

Síntese perfeita, João de Brito
Sem imagem de perfil

De Bea a 30.05.2018 às 16:04

Não, não estamos todos no clube dos ricos e nem por capricho da geografia lhe chegamos à porta. A Europa é muito assimétrica e cada vez mais se notam as assimetrias. As que refere e de que tem conhecimento. Quase todo o mundo do trabalho foi invadido por esta perspectiva de lucro desmedido à custa de mão de obra barata. Colaboradores! Os senhores patrões arranjam belos termos que desdizem o que são hoje as relações de trabalho.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 30.05.2018 às 18:25

Pois, Bea, paradoxalmente quando entrou na moda a utilização do termo "colaboradores" que sugere uma relação mais independente face à entidade patronal é quando se lhes exige o corpo e a alma: Dedicação 24h, facilitada pela tecnologia digital, a troco de muito pouco.
Sem imagem de perfil

De Costa a 30.05.2018 às 20:47

Essa designação, "colaboradores", é além de hipócrita, legal e factualmente inexacta. E de facto, querendo, acolhe e branqueia toda a sorte de abusos. Sucede todavia que não há acção sem reacção.

O uso berrado até ao limite do suportável - e mesmo para lá deste - anos e anos a fio, de "trabalhador" (entrei na adolescência, passo a idade adulta e em breve entrarei na dita terceira idade a lê-lo e ouvi-lo dessa forma), carregado não de insinuações mas de afirmações de ódios de classe, de puro maniqueísmo, de detenção exclusiva por um só lado da dignidade do exercício do trabalho, de diabolização apriorística e liminar do outro lado, depois de rebentar - para décadas e décadas - com uma economia, haveria de gerar, de pelo menos contribuir para, a ruína dos trabalhadores.

Se não dos já instalados, e instalados ao abrigo das glórias dessa interpretação do que é ser-se trabalhador, barricados em direitos adquiridos e centrais sindicais de agenda partidária, dos que tentam em tempos mais recentes entrar no mercado de trabalho.

O ponto de equilíbrio dos movimentos pendulares está na vertical. Um grande ângulo para um dos lados, fatalmente gera reacção oposta. Com consequências.

Costa
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 18:05

Teresa, sou Veterinário. Confirmo. Aliás até sou do tempo em que se abusava do lirismo dos recém licenciados pagando-lhes parte do salário dentro de um envelope - uma manigância de "aumentar" o salário sem os devidos descontos à SS. "Éramos" uns patinhos
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 30.05.2018 às 18:28

Tenho um familiar muito próximo que é veterinário e o que sei é, simplesmente, de arrepiar. Salários baixíssimos, horários muito pesados, responsabilidades desproporcionadas em relação à experiência dos médicos e pressões que são autênticos casos de polícia para poupar recursos. Enfim, se está por dentro, sabe do que estou a falar.
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 18:39

A única solução, nesta profissão, para se ter vida própria é trabalhar por conta própria
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 30.05.2018 às 18:56

Bem sei. É por isso que - a informação foi divulgada num qualquer seminário de veterinária - temos mais clínicas de veterinária em Portugal do que em Espanha. O que, naturalmente, também não é bom. Havendo mais oferta do que o necessário, para que cada uma sobreviva tem de recorrer a poupanças drásticas em materiais, medicamentos e, mais uma vez, salários. Poupanças drásticas em saúde já se sabe o que significa. Mas como é saúde animal e não humana, torna-se mais fácil passar entre os pingos da chuva. Enfim... isto levava-nos a uma outra discussão.
Sem imagem de perfil

De Vento a 30.05.2018 às 22:31

Truz truz truz. Tou entrando senhora D. Teresa. Sou eu, o Ventinho; o macho machista. Vai muito bem esgalhado o pensamento, mas incompletinho.

Porém o subdesenvolvimento que hoje se vive em matéria laboral é uma das imposições do "clube dos ricos" que, por esta via, pretende aumentar os índices de produtividade do trabalho. Portanto, a nossa pobreza é também para eles enriquecerem; e a geografia dá-lhes jeito para impor isto.
Devo dizer-lhe que para a actual governação isto pouca importa, na medida em que o que está em causa é mostrar números sobre a descida da taxa de desemprego e não sobre a qualidade desse mesmo emprego que se diz criar. Já tinha aqui afirmado em um dos textos de LML

O fenómeno que ocorre nas relações laborais demonstra que o modelo que a governação de esquerda, excepção para o PCP, está a implementar é o da democracia formal já anteriormente existente, isto é: a democracia cessa à porta das fábricas e ou dos escritórios e começa a monarquia feudal. A participação do trabalhador assalariado, com excepções, e curiosamente as grandes excepções são genericamente as companhias estrangeiras a operar em Portugal, traduz-se exactamente nisso: ganhar menos do que lhe é devido e ser pau para toda a obra.

Nos anos 60 do século passado os visionários - fora do rectângulo português, entenda-se - em matéria de relações laborais adiantavam que os futuros novos operários e trabalhadores de serviços sairiam das universidades e escolas politécnicas. E acrescentavam ser necessária uma relação estreita entre estes e a classe operária tradicional. Este pensamento visionário surgiu com a crise estabelecida no Maio de 68 em França, pelo facto de alguns comunistas terem contestado a Comité Central do PCF na oposição por este feita ao fenómeno estudantil, repudiando-o. Aliás, muito menos falado, mas não menos importante que este fenómeno foram as manifestações estudantis em Varsóvia precisamente em Março de 68. Só que estes mergulharam na cadeia. Não importa agora escrever sobre isto.

Pretendo com isto dizer que o fenómeno já se encontrava escrito nas estrelas, e, com excepção para o PCP, nenhum outro partido em Portugal se debruça cientificamente sobre este facto. E quando procuram, por motivos eleitorais, mostrar que se preocupam com isto, a acção resume-se a medidas avulsas sem carácter prático. É o que está a acontecer com a propaganda do PS e do BE em torno da "saída da crise" e do dogma que também adoptaram em relação ao défice. Por último, o 1 trimestre desta ano indica que a coisa vai ficar preta, mas não para o défice.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 31.05.2018 às 10:51

O seu comentário complementa muito bem o post. Pena o tom. Mas com as senhoras é sempre assim que um macho que é macho tem de falar. Não é, ventinho?
Sem imagem de perfil

De Vento a 31.05.2018 às 11:46

Sim, senhora. Mas não não só, também costumo dar beijufas.
Sem imagem de perfil

De Meister Von Kälhau a 31.05.2018 às 17:40

No quê?
Sem imagem de perfil

De Vento a 31.05.2018 às 20:20

Meu caro, jamais lhe retiraria o entusiasmo. Deixe a imaginação fluir.
Sem imagem de perfil

De singularis alentejanus a 30.05.2018 às 23:36

Quando o meu falecido pai, alentejano de Mértola, me entregou as rédeas desta microempresa que actualmente giro, apesar de muito longinquamente estar de ser doutor, tinha a quarta classe, a primeira coisa que me disse foi rigorosamente isto: O dinheiro ganha-se na compra e não na venda.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 31.05.2018 às 10:39

Ser competitivo passa por aí. O problema é quando esta ideia-base serve de argumento e justificação para a mais descarada exploração. É isso que se está a observar, transversalmente, no nosso mercado de trabalho. Quando as consequências são a cada vez mais abissal diferença entre o rendimento de quem dirige e o de quem trabalha, então é de ética que se fala, não de economia.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D