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Futebol e terrorismo

por Diogo Noivo, em 14.01.19

SCP_Alcochete.jpg

 

Serei o único português que não percebe nem gosta de futebol. Não sei o nome dos jogadores, não percebo as tácticas, e tenho uma reacção de convulsão visceral aos inúmeros e intermináveis programas de comentário desportivo.

Se não me falha a memória, a última vez que entrei num estádio teria uns oito ou nove anos. Foi no Restelo e pela mão do meu querido avô, antigo dirigente de modalidades amadoras no Belenenses, que sofreu até ao último dia pelo clube do seu coração. Recordo-o como um gentleman. Sereno e cortês, de uma amabilidade quase anacrónica. O aprumo era militar, com um bigode branco cuidado ao milímetro e a capacidade paranormal de chegar ao final do dia com a camisa impecavelmente engomada.

Talvez por guardar esta imagem dele tenho tanta aversão ao futebol. A psicanálise explicará. Para mim, o mundo do futebol era o meu avô e o meu avô era radicalmente diferente daquilo que se vê nos relvados, nas bancadas e nos estúdios de televisão onde a bola dá o mote para horas de conversa inenarrável.

Esta digressão ao passado vem a propósito de uma pergunta que me foi feita pelo Diário de Notícias no final da semana passada: o sucedido em Alcochete foi terrorismo? Analisei o sucedido, dissequei os factos, ponderei o que está demonstrado. Cheguei a duas conclusões. Primeiro, tenho razões para execrar o mundo da bola. Segundo, o sucedido dificilmente configura um caso de terrorismo – como é óbvio, apenas esta última conclusão consta da notícia publicada no DN. Defendo quatro argumentos:

 

1 - O terrorismo é, por definição, político. A violência, ou a ameaça do seu uso, destina-se a inocular o medo para, dessa forma, condicionar comportamentos sociais e políticos. Estará por demonstrar que a violência em Alcochete esteve ao serviço de um projecto de poder.

2 - Mais importante para o caso em apreço, os alvos directos do terrorismo nunca são os seus reais destinatários. As vítimas são um símbolo, uma representação daquilo que a organização terrorista entende ser o inimigo (i.e. um agente da polícia enquanto representante da autoridade do Estado, ou um cidadão europeu enquanto símbolo de uma sociedade alegadamente hedonista e "infiel"). Isto dificilmente se verificou em Alcochete, uma vez que os reais destinatários terão sido os jogadores.

3 - Uma das características que distinguem o terrorismo de outras formas de criminalidade organizada é o facto de este precisar de publicidade. Uma organização dedicada ao tráfico de armas não deseja atenção sobre a sua actividade, mas, pelo contrário, o terrorismo precisa de ampla divulgação da sua acção - sob pena de não disseminar o medo, que é o principal objectivo imediato de qualquer terrorismo. Está por demonstrar que os indivíduos envolvidos nas agressões em Alcochete desejassem a ampla divulgação do crime que cometeram.

4 - Por fim, o objectivo último das organizações terroristas não estatais é o Estado e as suas instituições, bem como a sociedade - ou pelo menos uma parte dela. Daí o terrorismo ser tão grave e insidioso. Também este critério dificilmente se verifica no caso de Alcochete.

 

Seja como for, os motivos para não regressar a um estádio permanecem intactos.


24 comentários

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De luis eme a 14.01.2019 às 12:56

Neste caso, e noutros, é bom o Diogo não gostar de futebol. Tem o distanciamento necessário para escrever.

Também não sei se foi terrorismo, embora pelas alíneas, ande lá perto.

Esta "invasão" foi realizada para ter publicidade, para amedrontar, para ameaçar. Nesse aspecto acho que há algum simbolismo na utilização de alguns jogadores (as principais vitimas do ataque...).

E sim, os motivos para escaparmos dos estádios, continuam a ser evidenciados todos os fins de semana.
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De Diogo Noivo a 15.01.2019 às 10:37

Essa é uma das minhas dúvidas: se os jogadores eram os principais (e únicos) destinatários da violência, a tese de terrorismo é insustentável. Veremos o que nos dirá a investigação e o julgamento.
Quanto ao resto, estamos de acordo, Luís.
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De Costa a 14.01.2019 às 13:52

Não é o único, creia, a não gostar de futebol. A não suportar a insaciável tirania futebolística em que vivemos, nada inocentemente fomentada pelo poder e pela comunicação dita social e tão abjectamente adorada pelo povo.

E o jogo, os noventa minutos de pontapés na bola, acaba por ser o idiota útil ao serviço dessa tirania e a demonstração (que lhes é enfiada olhos dentro, sem um filtro de moderação, de contextualização), que as criancinhas anseiam, da inutilidade do estudo, da instrução, da cultura na formação de uma pessoa e do seu sucesso material. O jogo e o abjecto voyeurismo abundantemente servido e sofregamente absorvido, perante os devaneios inimagináveis de alguns seres, usualmente inaptos para exceder o monossílabo e saber manusear um talher.

Mas de tudo isso se faz o bom exemplo oficial.

Costa
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De Diogo Noivo a 15.01.2019 às 10:38

Vejo que estou em boa companhia, Costa.
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De lucklucky a 14.01.2019 às 13:55

Se aquilo for terrorismo então a "protecçao" que a Mafia faz alguém pagar é terrorismo. Só para dar um exemplo.

Devemos ficar alertas aos abuso da lei e á sua extensão para lá dos seus propósitos pelo Estado.
É assim que os totalitarismo também se revelam.
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De Diogo Noivo a 15.01.2019 às 10:41

A elasticidade do conceito de terrorismo é, de facto, um problema. Quando tudo é terrorismo, nada é terrorismo. As consequências disto são várias: desprezar/normalizar o ataque ao Estado e suas instituições, descurar o cuidado às vítimas, etc.
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De Octávio dos Santos a 14.01.2019 às 15:15

Já que não conseguiu (não quis, não tentou) que o «Semanário de Notícias» transcrevesse o seu depoimento correctamente, isto é, sem «acordês», porque não fazê-lo aqui? Dispensamos os «projeto», «diretos», «atividade», «ação», «objetivo» e outras aberrações do mesmo género.
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De Diogo Noivo a 15.01.2019 às 10:35

Porque fiz uma citação do texto da notícia - daí as aspas. Atendendo às normas vigentes no DO e à sua mais do que justa oposição ao novo acordo ortográfico, retirei as aspas e fiz as correcções que se impunham.
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De jpt a 14.01.2019 às 15:32

Eu gosto de futebol (serei mesmo um holigão de sofá). E mesmo assim já resmunguei sobre isto de se dizer "terrorismo" a este acto de "vandalismo". Responderam-me que a lei explicita que isto é o tal "terrorismo". Poderá ser que sim, na sua letra. Mas parece-me bem artificioso. E se o é também será que uma organização detenha 40 e tal pessoas (enfim, "semi-pessoas" pois vândalas) durante 8 meses sem as julgar e disso fazendo publicidade não será terrorismo?. Mas dizem-me que está na lei.
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De Sarin a 14.01.2019 às 17:06

Que o Estado o faça será terrorismo, sim, embora protegido pela letra da lei.

Mas note que tal prolongamento no jogo acolhe simpatias de parte da população quando aplicada a 44 mas não a 40 e tal... bem sei que não se encontra entre essa tal parte, mas são essas leituras adaptadas e os cidadãos que as fazem que permitiram ao Estado esticar-se assim.
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De jpt a 14.01.2019 às 20:57

Eu, quanto a isso de "44", prenderia, e por muito tempo, até indefinido, para aí 44 mil vândalos, suevos e alanos, que andaram por aí a defender o saque, a pilhagem, o massacre dos homens, a violação das mulheres e a venda das crianças como escravos. Ou, em linguagem Clara Ferreira Alves, que julgaram que era uma conspiração da direita contra o tal 44
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De Sarin a 14.01.2019 às 20:58

Mas não em preventiva, certamente.
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De Diogo Noivo a 15.01.2019 às 10:45

Não sou jurista e por isso não abordei o assunto de uma perspectiva legal. Mas lendo a lei, duvido muito que o caso de Alcochete se insira no perímetro de terrorismo definido no ordenamento jurídico português, jpt. Quem te diz que o sucedido se enquadra na letra da lei, erra - a meu ver, claro.
Quanto às detenções pouco rigorosas, ou por um período de tempo excessivo, são evidentemente criticáveis, mas não são terrorismo.
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De Desconhecido Alfacinha a 14.01.2019 às 15:36

"Seja como for, os motivos para não regressar a um estádio permanecem intactos."

Totalmente subscrito!
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De Diogo Noivo a 15.01.2019 às 10:46

E é uma pena que assim seja.
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De jj.amarante a 14.01.2019 às 16:01

Relativamente às reticências sobre o futebol não é o único, como se constata nos comentários ao seu post e também aqui: https://imagenscomtexto.blogspot.com/2010/06/o-sentido-da-vida.html

Quanto a ser ou não terrorismo é mais uma questão jurídico-técnica, sem dúvida que queriam aterrorizar, mas não tenho competência para qualificar juridicamente os crimes cometidos.
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De lucklucky a 14.01.2019 às 20:21

Se ameaçar, intimidar fosse terrorismo uma boa percentagem das relações de vizinhos em Portugal teria de ser considerado terrorismo.
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De Diogo Noivo a 15.01.2019 às 10:47

Por não ter competência técnica (leia-se jurídica) abordei o tema de forma conceptual. Mas, como escrevi num outro comentário aqui, mesmo lendo a letra da lei me parece abusivo enquadrar o caso no âmbito de terrorismo.
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De Sarin a 14.01.2019 às 19:02

Gosto de futebol, e para mim futebol é em campo - é no estádio que gosto de o ver jogado, pela televisão perde a emoção. Não, não perde, mas a agitação e o embalo não são a mesma coisa - como ouvir ópera na aparelhagem cá de casa.

Isto para dizer que vejo muito quem atribua ao futebol e aos que gostam de futebol os problemas da incultura cívica, da perda de valores, das despreocupações sociais que assolam o país - não o Diogo, mas muitos comentadores pelos jornais e até aqui nas caixas do DO. Enganam-se, a mole que acompanha o futebol é o espelho, não a causa. E, como um bom espelho, tem de tudo.


Sobre o terrorismo, e avaliados os argumentos, contraponho:

1. A demonstração deverá ser feita em tribunal. Quaisquer provas recolhidas serão partilhadas pelas partes, mas os argumentos que serão usados na sua apresentação é que diferem.

2. Havendo um projecto de poder, o tal que poderá ser argumentado em tribunal, os alvos directos do terrorismo não serão os jogadores mas sim os sócios e os accionistas e, quiçá, os membros de outras SAD e de outros clube. o que confirmaria a premissa apresentada. Ainda assim, os alvos do terrorismo são por vezes os seus destinatários, conforme se verificava nos ataques do KKK.

3. A definição de "ampla divulgação" é discutível, e ainda mais porque poderá ou não ser conforme a primeira premissa - a tal que deverá ser demonstrada em tribunal. Mas o facto de o ataque ter ocorrido à luz do dia e perante jornalistas cuja presença não foi devidamente explicada, em vez de pela calada da noite como os ataques de vandalismo a casas e instituições várias, permite, no mínimo, questionar se não haveria de facto um objectivo intrínseco de divulgação e publicidade.

4. Questionável, pois se por um lado temos o exemplo antes enunciado da KKK a não atacar o Estado mas sim elementos da sociedade, ou o eco-terrorismo que por cá não pegou mas nos EUA é pujante e ataca particulares porque alvos e destinatários, por outro temos os Clubes Desportivos, e nomeadamente o SCP, a serem considerados Instituições de Utilidade Pública, portanto, e de alguma forma, entidades representativas do Estado.

Cada cabeça, sua sentença, e por isso os tribunais.
Mas é uma pena que órgãos da CS peçam opinião e depois a editem conforme vontades ou interesses próprios - e vá lá que "apenas" lhe cortaram as justificações.

Mas, Diogo, neste caso o que eu gostaria mesmo de discutir é como, sabendo que esta lei vem dos tempos em que havia em Portugal FP25 mas já não ELP que esses escaparam-se entre os pingos da chuva e há até quem diga que nunca existiram...
... dizia eu que gostaria de discutir como é que, perante uma Europa transformada em destinatária e alvo de ataques terroristas e um Mundo sob ataques permanentes, os nossos serviços de segurança nunca dispararam sobre a sua inadequação ou os nosso legisladores nunca lhe ou lhes deram atenção.
Chamar terroristas a idiotas que fortes porque em grupo quando o mundo se defende de insanos kamikazes, quase parece desrespeito perante as vítimas dos que praticam o terrorismo por missão. Parece. Mas pela lei não é, resta saber se os 40 de Alvalade são. E se a lei será ou não reavaliada.
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De Diogo Noivo a 15.01.2019 às 11:06

De facto, Sarin, não atribuo ao futebol e aos que gostam de futebol os problemas da incultura cívica, da perda de valores, das despreocupações sociais que assolam o país. Porém, parece-me que, no geral (e as generalizações são sempre injustas), quem gosta de futebol tem uma tendência para ser conivente com os desmandos do mundo da bola (com a violência, com as irregularidades fiscais, com as dívidas dos clubes ao Estado). Dito de outra forma: o cidadão é intransigente com os abusos da política e das empresas, mas o adepto é tolerante com as transgressões (e algumas muitíssimo graves) do mundo da bola.

Quanto ao resto, subscrevo esta sua frase: "Chamar terroristas a idiotas que fortes porque em grupo quando o mundo se defende de insanos kamikazes, quase parece desrespeito perante as vítimas dos que praticam o terrorismo por missão."
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De Sarin a 15.01.2019 às 11:35

Refuto tal tendência, Diogo, pois vejo o desporto e o assistir a jogos como mais um exercício dos meus direitos de cidadania, com os mesmos deveres e direitos e obedecendo às mesmas regras, além das desportivas.
Mas concordo que tal afirmação é, do que conheço de conversas de café em cafés blogues sítios e jornais, infelizmente generalizável.
Aquilo que respondi ao comentário do jpt é uma evidência de tal generalização - a aplicação das mesmíssimas leis que permitem prisões preventivas prolongadas, nuns casos é saudada e noutros é considerada um dos exemplos do que vai mal em Portugal. O critério é avaliado à medida do alvo, num exercício interessante de justiça do faroeste.

Mas, Diogo, a minha questão permanece, curiosa: mudar-se-à a lei depois disto, ou acharão que está bem como está? Não vejo a discussão deste ponto, o que me leva a concluir que, provavelmente e até para os que refutam a sua aplicação, estará bem formulada e tudo o que interessa é a opinião sobre a leitura e a actuação de MP e juízes. Como no futebol, questiona-se a actuação do árbitro mas não as regras nem o modelo de jogo.
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De Costa a 15.01.2019 às 12:50

"Dito de outra forma: o cidadão é intransigente com os abusos da política e das empresas, mas o adepto é tolerante com as transgressões (e algumas muitíssimo graves) do mundo da bola".

Sem dúvida. E o adepto é em regra incapaz de admitir a derrota dos seus por mérito do adversário. Não se perde - nunca se perde (pelo menos entre os ditos "grandes") - porque os outros jogaram melhor: ocasionalmente concede-se-lhes, com algum enfado, o benefício da sorte; fora dessa penosa e rara concessão a vitória dos outros é sempre fruto da incompetência do árbitro. Ou de coisa pior.

O desportivismo perdeu-se há muito. Não se gosta da modalidade desportiva, nem há competição leal e de boa fé (perdão: não se gosta do futebol, pois "modalidades" são por atacado e geralmente com tédio e indiferença todas as outras práticas desportivas), aceitando-se, admirando-se, louvando-se pelo seu mérito a vitória do outro. Há sim uma guerra civil latente, impunemente, deliberadamente e todos os dias alimentada por dirigentes e comentadores, que fomentam o ódio pelo outro - o outro jamais é pessoa de bem (uma impossibilidade absoluta), o nosso está integralmente isento de pecado e, estandarte da maior virtude, suporta interminável e heroicamente o intolerável -, uma guerra norte-sul (ou nascente-poente, se na "segunda circular") que transforma jogos de futebol - alegadas disputas desportivas - em eventos oficialmente designados "de alto risco". Para os quais nunca faltam os massivos recursos policiais que todavia se admite publicamente, e há muito sem um sobressalto e como uma fatalidade, inexistirem para proteger o comum cidadão e os seus bens.

O mais moderado, ponderado, sereno, grave, educado cidadão é capaz de se transformar numa besta, num facínora ordinário e praticamente inimputável, quando fala do seu clube (e alguns falam assim para milhões, todos os dias e com estatuto de líderes de opinião). E acha isso muito natural e legítimo (até é pago para isso). Acha-o, parece, um bem público ou mesmo algo maior e acima da lei. E o povo acha muito bem e revê-se nisso.

O Poder também.

Costa
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De Sarin a 15.01.2019 às 16:21

Pelo que se lê na comunicação social, incluindo redes, é assim a generalidade dos adeptos de futebol, e é assim a generalidade dos adeptos partidários. O problema não é o futebol.
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De Anónimo a 15.01.2019 às 11:52

Aversão total a tudo acerca de futebol e seus derivados.
Considero uma falta de respeito dos meios de comunicação, tanto tempo de antena para comentar ou mostrar futebol.
Quanto ao terror: todo aquele que o semeia pratica terrorismo.É sempre para fazer medo a alguém e fazê-lo calar, e por outro lado fazer-se temer ao dar nas vistas...
´Penso que é sempre terrorismo seja em que dose for, e também cobardia quando em grupo, ao mesmo tempo...

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