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Frei Barroso

por Pedro Correia, em 08.04.17

Há poucos dias destaquei aqui Alfredo Barroso, citando uma contundente crítica sua no i ao famigerado "acordo ortográfico".

Qual não foi o meu espanto ao ver agora, também na edição impressa do mesmo jornal, um texto de opinião do mesmíssimo autor escrito em... acordês. Um texto em que se lê "transações(sic) financeiras", "atividade"(sic) produtiva", "Investimentos diretos(sic), etc.

Eis-nos perante alguém que pede meças ao famoso Frei Tomás: faz como ele diz, não faças como ele faz.


17 comentários

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De miguel serras pereira a 09.04.2017 às 09:11

Caro Pedro, o Pedro não acredita que o Alfredo Barroso não tenha consentido o acordos no caso que refere, mas acredita, ou assim parece, que o mesmo AB escreve ora em acordos ora em português conforme o faz para edições impressas ou on line do mesmo jornal. Enfim, deixemos em paz este assunto, mas deixe-me dizer-lhe que, se acho o acordo ortográfico uma brutal estupidez, não penso que a defesa da capacidade de falar sabendo o que se diz e da capacidade de uma leitura bem feita passe no essencial pela linha que o Pedro e outros tal consideram. O acordos será, quando muito, um sintoma acessório e prescindível da erosão do uso responsável da linguagem — falada, escrita e lida — que tem causas bastante mais graves e sérias. Como suponho que o Pedro intui.
Cordiais saudações matutinas

msp
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De Pedro Correia a 09.04.2017 às 10:29

Caro Miguel: tenho dificuldade em conceber que alguém capaz de produzir uma (justa) catilinária contra o AO consinta em simultâneo que um qualquer 'copy' de turno no mesmo jornal lhe adultere a prosa, convertendo-a de português para acordês.
Algo aqui não bate certo.
A questão é esta, como creio ter deixado claro nas sucintas linhas que escrevi.

Quanto às suas considerações ulteriores, concordo no essencial com elas. Aliás as minhas críticas ao abastardamento quotidiano da língua portuguesa que testemunhamos diariamente estão longe de cingir-se ao AO, como os arquivos deste blogue documentam.

Retribuo com gosto as suas saudações.

P. S. - Por coincidência, e para um trabalho que tenho entre mãos, ando a revisitar as suas traduções para a série Simenon da Dom Quixote do final dos anos 80. Merecem louvor, até pelo evidente contraste com tanta indigência incapaz e atrevida que anda por aí em matéria de tradução.
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De miguel serras pereira a 09.04.2017 às 10:51

Bom, Pedro, acho que já ambos deixámos claro o que pensamos do caso Alfredo Barroso. E o Pedro convirá em que não é fácil — seria até uma forma de bipolaridade bastante curiosa — que alguém escreva de manhã em acordês e à tarde segundo a norma anterior ao acordo. Mas adiante.
Obrigado pelas suas amáveis palavras sobre as minhas traduções dos anos 80 do século passado. Concretamente, as que fiz do Simenon, se as fizesse hoje teria adoptado uma ou duas opções de ordem geral diferentes. Nada de grave, todavia. O que lamento é não ter oportunidade de traduzir ou ver bem traduzidas por terceiros mais romances do autor e o facto de, a partir de certa época já recuada no tempo, as traduções dos Margret na Vampiro se terem tornado praticamente ilegíveis, obrigando-nos a reconstituir muitas vezes o francês do original para sabermos o que estamos a ler. Ora, como o Pedro sabe, desastres que tais não se resolvem em torno de questões ortográficas — e evidenciam até a sua relativa menoridade. Porque, mal por mal, será sempre preferível uma boa tradução (teremos outras oportunidades de discutir o que quer isso dizer) em acordos do que uma tradução ortograficamente impecável mas enfermando dos vícios que inutilizam, por exemplo, boa parte dos Margret pelas razões que sugeri.

Renovadas saudações cordiais

msp

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