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Frank Carlucci (1930-2018)

por Luís Menezes Leitão, em 04.06.18

 

Resultado de imagem para Frank Carlucci

Há homens que tiveram um papel decisivo na história de um país, mas fazem-no de forma tão discreta, que passam quase despercebidos. Frank Carlucci foi um desses homens, tendo permitido aos Estados Unidos retomar o controlo da situação em Portugal, que em 1975 ameaçava descambar perigosamente para o comunismo.

 

A saída dos militares para a rua no dia 25 de Abril de 1974 apanhou os americanos de surpresa, tanto assim que o Embaixador dos Estados Unidos, Stuart Nash Scott, um político que via Portugal como um destino de reforma, se encontrava nesse dia em Londres, num jantar da Harvard Law School. Quando regressou a Portugal viu-se incapaz de controlar a situação. Aquando do 28 de Setembro, Spínola chegou a contactá-lo para pedir o auxílio da NATO, ficando sem saber que resposta dar, até que Spínola caiu. Com Vasco Gonçalves no poder a situação foi-se agravando até que Carlucci chega a Lisboa como embaixador, a 24 de Janeiro de 1975. Imediatamente se espalha pelo país o rumor de que o novo Embaixador americano pertencia à CIA, gerando o ódio das forças revolucionárias. Otelo comenta imediatamente que, se o Embaixador americano era membro da CIA, não seria possível garantir a sua segurança em Portugal. Ouvindo estas palavras Mário Soares entra em pânico, uma vez que as mesmas poderiam ser um pretexto para uma intervenção militar dos EUA para garantir a segurança da sua embaixada. Toma, por isso, a iniciativa de telefonar a Carlucci. Diz-lhe para não ficar assustado, que o General Otelo era uma pessoa temperamental, e que não deveria ser levado a sério. Carlucci responde imperturbável: "Não se preocupe. Já falei com o General Otelo e ficou tudo esclarecido".

 

O que se tinha passado? Carlucci encontrou à entrada da Embaixada uma manifestação violenta de pessoas que a queriam invadir. Pergunta o que estava a causar aquilo e dizem-lhe que foram as declarações do General Otelo. Toma a iniciativa de telefonar a Otelo, dizendo-lhe o seguinte: "Não sei quem o senhor é, mas sei que não tem competência, de acordo com as normas portuguesas, para declarar o embaixador americano persona non grata. Por isso faz favor de me enviar uma tropa para proteger a Embaixada, uma vez que foram as suas declarações que causaram isto". Otelo assim fez e nunca mais a Embaixada voltou a ser incomodada. E afinal o Embaixador americano era mesmo da CIA tendo ido para Director da agência anos depois.

 

A paralisação do processo revolucionário em Portugal deve-se a Carlucci ter aceitado o pedido de Costa Gomes para se organizar uma ponte aérea, que retirou os retornados das antigas colónias. Carlucci percebeu logo que a fervura revolucionária precisava de uma boa dose de água fria, e que essa era o regresso dos retornados, furiosos com a reviravolta que a revolução tinha causado nas suas vidas. E de facto assim foi. Grande parte dos militares revolucionários quis por tudo evitar esse regresso e Rosa Coutinho chegou a afirmar que a ponte aérea tinha sido o maior crime contra o 25 de Abril que foi praticado. Foi graças a Carlucci que a mesma foi realizada e a fúria revolucionária foi travada.

 

Há uns anos Carlucci deu uma entrevista a Miguel Sousa Tavares e foi mais uma vez muito reservado. O jornalista bem insistia em que era importante para a História que ele transmitisse a sua versão dos factos. A isso ele respondeu: "Há coisas sobre que não falo, nem sequer para a História". E de facto, como bom agente que era, levou consigo os segredos para a sepultura.

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100 comentários

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De Meister Von Kälhau a 04.06.2018 às 16:51

https://www.cia.gov/library/readingroom/docs/LOC-HAK-206-1-25-4.pdf
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De Alexandre Policarpo a 04.06.2018 às 17:41

Eu estava em Angola quando o Rosa Coutinho lá chegou e sei bem o que é que ele e outros militares profissionais que ainda por aí andam, fizeram para entregar Angola ao MPLA, que como se sabe para além dos "intelectuais" que se andavam a exibir por essa Europa fora e pelos países de Leste, no terreno não passava de um bando de maltrapilhos que praticamente já não tinham guerra para fazer.
Mas confesso que é a primeira vez que ouço dizer que a ponte aérea foi feita para travar o PREC. Não contesto o ponto de vista, mas eu sempre pensei que a ponte aérea tinha servido para retirar das ex colónias as centenas de milhar de portugueses que lá tinham as suas vidas, muitos deles nascidos lá e que foram abandonados quer pelos militares, quer pelos politicos de Lisboa. Eu saí de lá pouco tempo antes da ponte aérea, porque entre outras coisas não tive estômago para ver o que os militares imbuídos do "espírito do MFA" que para lá foram enviados a partir do principio de 1975, lá andaram a fazer. Uma vergonha!
Conhecia a história da manif à frente da embaixada dos EUA e de como o Otelo foi metido na ordem pelo embaixador americano, como de resto aconteceu em outras ocasiões. Otelo ladrava mas não mordia, mandava os outros morder por ele, como p. ex., os mandatos de captura em branco que ele assinava para os Copcon boys irem prender quem lhes apetecia, pela calada da noite.
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De Luís Menezes Leitão a 04.06.2018 às 19:17

A razão humanitária foi óbvia, mas esse objectivo político foi reconhecido pelo próprio Carlucci na entrevista que deu. Rosa Coutinho também o efeito que causou na revolução a chegada dos retornados. Pelos oficiais revolucionários tinham ficado onde estavam.
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De Anónimo a 04.06.2018 às 19:40

Entregaram o quê ao MPLA? História alternativa hoje?
O que os retornados saudosistas do antigo regime queriam era viver à grande e à francesa enquanto jovens portugueses morriam numa guerra que não lhes dizia respeito!
Portugal fez um trabalho exemplar a reintegrar meio milhão de refugiados (nada a ver com a forma desastrosa como a Europa tem gerido a crise dos refugiados apesar de terem muito mais recursos que Portugal tinha na altura). Vocês deviam era agradecer, são raras as situações na história em que isso aconteceu!
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De Alexandre Policarpo a 04.06.2018 às 19:53

De uma maneira geral respondo a quem faz o favor de comentar os meus comentários. Neste caso passo, o sr anónimo deve ter visto outro filme...
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De Maria Lopes a 05.06.2018 às 11:43

Pessoa anónima: nota-se que é pessoa que se rege por grandes princípios morais. Nota-se, principalmente, pelo anonimato. Grandeza de espírito, grande de pensamento, grande como só um anónimo pode ser.
Agora passemos à parte dos retornados: nem todos têm saudades dos tempos de antanho. Aliás, a votação há uns anos, mostrou que a juventude portuguesa é que tinha saudades dos tempos que não viveu.
Quanto à quota dos jovens portugueses que foram para a guerra: são os mesmos que depois foram exemplarmente ignorados nas suas reformas.
Caro anónimo, a questão dos refugiados não se compara com os retornados. Uns retornaram, outros, pese embora fossem portugueses de segunda, foram recolhidos na metrópole. Sim, metrópole.
"Vocês deviam agradecer". Todos devíamos agradecer o contributo, dos retornados, dos acolhidos, dos soldados. Todos. Crescemos. Aprendemos outros usos e costumes.
Vá lá anónimo, V.Exa. consegue ser menos fundamentalista. Ainda fico a pensar que acredita em fadas.
Maria Lopes
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De Anónimo a 05.06.2018 às 14:50

Só um "anónimo" se atreve a escrever semelhante barbaridade....

Amendes
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De Anónimo a 05.06.2018 às 16:12

Nem mais!!!!
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De Luís Lavoura a 05.06.2018 às 16:48

o MPLA [...] não passava de um bando de maltrapilhos que praticamente já não tinham guerra para fazer

Isso talvez (provavelmente) fosse verdade. Mas o facto é que esse bando de maltrapilhos venceu a guerra, no sentido em que foi ele quem levou a sua àvante.

Numa guerra de desgaste, como aquela foi, não ganha necessariamente quem é mais forte do ponto de vista bélico, do ponto de vista do combate direto, mas sim quem aguenta o desgaste durante mais tempo.

Napoleão invadiu a Rússia com um exército bem mais poderoso que o russo, mas acabou derrotado porque a Rússia seguiu uma estratégia que conseguiu desgastar irrecuperavelmente esse exército.

O MPLA era um bando de maltrapilhos mas Portugal estava a gastar 50% do seu orçamento de Estado para manter esse bando de maltrapilhos sob controle e os portugueses já não aguentavam mais esse estado de coisas.
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De Alexandre Policarpo a 05.06.2018 às 20:15

O MPLA não venceu guerra nenhuma, deram-lhe o poder de mão beijada. Mesmo estando confinados à cidade de Luanda, quando em Novembro de 1975 o batalhão Búfalo lhes ia dar o golpe de misericórdia, os americanos não deixaram, tiraram-lhes o tapete cortando os abastecimentos de combustivel, munições entre outras coisas, (Batalha de Kifangondo), enquanto deixavam os indonésios invadir Timor-Leste três semanas depois.
Mesmo com o auxilio do MFA marxista em Portugal e de milhares de cubanos em Angola, o MPLA nunca teria chegado ao poder. A dupla Ford/Kissinger foi responsável pela entrega das ex colónias portugueses a regimes sob a tutela de Moscovo.
O resto é História, e quem quiser ver o resultado 40 e tal anos depois, é só ir lá. Eu já lá fui.
Nota: quem me conhece sabe que eu estou muito longe de defender o regime do Estado Novo. Mas mesmo gastando, como diz, 50% do OGE, Portugal durante os anos da Guerra da Ultramar cresceu a uma media de 6.45%. Quem nos dera a nós agora...
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 21:39

Nos anos 60 Salazar decidiu a contragosto, para além de mandar construir as primeiras universidades africanas, pela industrialização de Portugal
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De Alexandre Policarpo a 05.06.2018 às 23:16

Lá no fundo, no fundo, Salazar não passava de um rústico com letras. Até vendia os ovos das galinhas que criava em São Bento e tudo...
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 21:47

O prolongamento da guerra não tinha mudado o seu desfecho, nem o modo como a descolonização foi feita.

Estávamos orgulhosamente sós.
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De Anónimo a 05.06.2018 às 22:22

Os americanos o quê? Os americanos financiaram a UNITA de Jonas Savimbi.
Com um comentário desses interrogo-me se o Policarpo e o lucklucky são a mesma pessoa. Mistura Kissinger e Moscovo na mesma frase, que raio?
Crescimento de 6.45%? O povo nunca viu esse crescimento. Já com o 25 de Abril foi criado o primeiro salário mínimo de 3300 escudos por mês, que na altura era superior ao salário de metade dos trabalhadores.
E a mim não me interessa crescimentos virtuais, eu quero sim crescimentos reais que beneficiem o povo.
Se gosta de "crescimento" que o povo nem vê pode ir para a China.
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De Alexandre Policarpo a 06.06.2018 às 09:37

Ó anónimo, vai estudar pá!!!!
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De Narciso Baeta a 04.06.2018 às 18:26

“A loucura dos poderosos não pode passar sem vigilância” – Hamlet
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De lucklucky a 04.06.2018 às 18:29

Otelo era General?

Enquanto Kissinger pessimista tinha a teoria mirabolante da vacina...

Obrigado e RIP

Retornados é a linguagem de pau do 25 de Abril para essas pessoas não terem direitos alguns ao que construiram.
A designação apropriada é Refugiados.



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De Luís Menezes Leitão a 04.06.2018 às 19:13

Otelo foi graduado em general no princípio de 1975. Só foi desgraduado depois do 25 de Novembro.

Retornados é a expressão comum, e que por isso mantenho, embora concordo que fossem refugiados. O meu tio foi um deles.
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De Meister Von Kälhau a 04.06.2018 às 19:32

Será que também não foram refugiados os obrigados a fugir de Portugal?
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De Anónimo a 04.06.2018 às 20:47

Foram refugiados tanto os portugueses que tiveram que abandonar o país para fugir à guerra e à PIDE como os portugueses que tiveram que regressar de África.
E, apesar de os refugiados vindos de África viverem à grande e à francesa nas colónias enquanto os que realmente tinham ido para França eram obrigados a viver em bidonvilles, não deixaram de ter o direito a serem reintegrados na sociedade portuguesa.
A revolução de Abril tratou o "outro lado" muito melhor do que o Estado Novo tratou os seus opositores.
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De lucklucky a 04.06.2018 às 23:49

"E, apesar de os refugiados vindos de África viverem à grande e à francesa nas colónias

O misterioso caso da suposta prosperidade em África. Quem será que produziu e criou essa riqueza que permitia viver à grande e à Francesa na África Portuguesa mas não em França.... Devem ter sido aliens...
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 08:49

O mistério da "prosperidade" na África foi foi semelhante, no princípio, à prosperidade da África do Sul no tempo do apartheid. Porrada e mau viver.

Nas colonias portuguesas 80%da população negra era analfabeta e paga a salários de fome.
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De Luís Menezes Leitão a 05.06.2018 às 08:58

Era isso que dava a prosperidade à população branca e tornava sustentáveis grande parte dos seus negócios.
Uma vez perguntei a colegas angolanos porque é que Angola não voltou a investir nas plantações de café, que floresciam antes da independência. A resposta que tive foi a de que essas plantações não eram sustentáveis, a menos que pagassem aos trabalhadores salários de miséria, e que ninguém estava disposto a trabalhar por esses salários.
De facto, a pagar salários miseráveis, e recorrendo ao trabalho compelido, é fácil ter negócios prósperos.
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De Luís Lavoura a 05.06.2018 às 16:53

essas plantações não eram sustentáveis, a menos que pagassem aos trabalhadores salários de miséria, e ninguém estava disposto a trabalhar por esses salários

Hmmm, então os trabalhadores antes da independência estavam dispostos a trabalhar por salários de miséria e depois da independência deixaram subitamente de estar? Parece-me estranho.

Os trabalhadores eram, antes da independência, obrigados a trabalhar? Tratar-se-ia de um sistema de escravatura disfarçada? Não creio que fosse esse o caso. Não creio que o exército e a polícia portugueses estivessem em Angola para forçar os angolanos a trabalhar nas plantações por salários de miséria.

Parece-me uma explicação um bocado coxa.
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 19:31

Dizem que a Coca-Cola, por essa altura, era proibida em Portugal….Salazar preferia a Pepsi
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De Luís Menezes Leitão a 06.06.2018 às 06:37

Mas olhe que é a explicação correcta. As leis de trabalho nas colónias portuguesas obrigavam os "índigenas" a trabalho compelido, situação que foi inclusivamente denunciada pela OIT.
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De Vento a 06.06.2018 às 21:08

O LML perguntou aos seus colegas se conheciam bem a lei do indigenato, e a realidade que levou a essa lei, e as alterações introduzidas em Setembro de 1961, durante a passagem de Adriano Moreira?
Os seus colegas angolanos, ao afirmarem o que afirmaram ali acima, só revelam desconhecer a realidade.
Então e o café da Gabela, que era um dos melhores cafés do mundo? E o algodão, e o girassol, e o sisal, e a produção de banana, abacaxi, goiaba, papaia, mamão, óleo de palma? E a madeira? E as pescas? E as indústrias transformadoras, de metalomecânica e agro-alimentares? E as refinarias? E os milhares de kms de estradas?
Não me diga que tudo isso era trabalho compelido?
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De Meister Von Kälhau a 07.06.2018 às 09:16

Não por acaso, o acontecimento considerado como o momento inaugural da luta de libertação nacional, ou ainda o que Dalila Mateus considerou ser o ensaio geral da guerra colonial, foi no norte de Angola, em janeiro de 1961, uma greve de trabalhadores do
algodão na baixa de Cassange. Na repressão consequente, o exército português utiliza napalm no bombardeamento das populações locais provocando a morte de 10 a 20 mil
pessoas, arrasando aldeias inteiras (Mateus, 2013).

Neste conflito, as populações indígenas eram obrigadas a cultivar algodão que
tinham de vender à empresa Cotonang, de capitais portugueses e belgas. Esta empresa que detinha o monopólio do cultivo e da comercialização do algodão, vendia as sementes aos agricultores e comprava-lhes a produção por preços muito inferiores aos de mercado.
O resultado era a destruição das culturas de subsistência, substituídas pela monocultura do algodão, deixando os agricultores africanos na dependência da Cotonang e dos resultados de uma colheita que, em anos maus, condenava populações inteiras à fome.
Este acontecimento, marcou o início da luta armada do MPLA e deu projeção
internacional a uma política colonial brutal e desfasada do seu tempo.

Sarmento Rodrigues,
Contra-Almirante e Governador-Geral de Moçambique em 1962 resumia assim a
presença portuguesa em África:

Desde os primeiros dias, não repelimos os indígenas. Tratámo-los sempre
com humanidade e, em frequentes casos, fizemo-los ingressar na nossa
família. Ao mesmo tempo, civilizando-os à nossa maneira, demos-lhes os
nossos costumes e as nossas leis. Isto é, por simples generosidade natural.

Inspetor colonial em 1947, Henrique
Galvão, divulga em sessão parlamentar fechada as suas conclusões:

O governo converteu-se no principal recrutador e distribuidor de mão-de-
obra nativa, a tal ponto que os colonos requisitam por escrito à Repartição de Assuntos Indígenas, os 'fornecimentos' de mão-de-obra sem qualquer
pudor (...) Só os mortos estão realmente isentos de trabalho forçado
(Anderson, 1966, p.51-52).

Etc.....
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De Vento a 07.06.2018 às 12:02

Meu caro, antes de mais o algodão não era só produzido aí, e a história do napalm na Baixa de Cassange está mal contada. Nem Teles Grilo garante que foi napalm que lançou sobre as populações:
https://www.youtube.com/watch?v=9qqP3mXTZbU
https://www.youtube.com/watch?v=I5xGtc8qqJ4

A operação na Baixa de Cassange não pode ser dissociada dos acontecimentos também em Luanda.
O que aconteceu aí foi o mesmo que aconteceu em outras localidades de Angola quando as populações portuguesas e as africanas também foram atacadas quer pela UPA quer por outros movimentos.
Na localidade em apreço o acontecimento teve início com a morte de um funcionário da Cotonang.
Mas para sua informação, a cultura de algodão na Baixa de Cassange manteve-se até final da independência e com a Cotonang a adquirir o produto.

Quanto ao alimento das populações: só quem desconhece a região da Baixa de Cassange, Xá-Muteba e morros de Cabatuquila é que pode acreditar que as populações estavam impedidas de cultivar o milho e a mandioca.

Meu caro, aí inaugurou-se também a guerra colonial. Foi bonito? Não, não foi. Mas deixe-me informar-lhe que o início da guerra em África teve como consequência combater o terror com terror.
São coisas da guerra, são coisas de qualquer lugar.

Mas que a história colonial anda muito mal contada, lá isso anda.
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De Meister Von Kälhau a 07.06.2018 às 16:52

O ano de 1961 foi trágico para Angola. Em Janeiro, ocorreram graves incidentes de cariz laboral na Baixa do Cassange, extensa área algodoeira, a leste de Malange

Tenente-coronel
António Lopes Pires Nunes

Viu os vídeos, que me enviou?

Os links dão testemunho de aviões da FAP massacrarem à bomba indígenas armados com paus e espingardas (Major José Ervedosa). Num outro afirma-se que para além dos salários de fome os trabalhadores eram espancados quando não cumpriam com as quotas de produção de algodão.


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De Vento a 08.06.2018 às 01:03

Os vídeos que anexei foi para que você visse os episódios. Conheço a história da Baixa de Cassange. A questão do napalm, que mencionou, anda mal contada. E os efectivos militares existentes, poucos, que operaram no terreno nunca fantasiaram sobre a situação como outros fizeram sem nunca lá terem estado.

Ainda sobre a questão da Baixa de Cassange, não é correcto que as populações estivessem impedidas de cultivar milho e mandioca. E nenhuma dessas populações morria de fome. Aliás, a província de Malange, área onde se inclui a Baixa de Cassange, é maior que Portugal e com menos população. Terrenos e condições não faltavam para essa plantações. Só a Baixa de Cassange, que fica 700 metros abaixo do nível do mar, quase acolhe a totalidade do território português.
E é mentira que os trabalhadores fossem espancados por causa de quotas de produção. A Cotonang nessa época era uma empresa com capitais belgas que detinha então, com autorização do governo central, a exploração algodoeira na Baixa de Cassange. E, sim, foram detectadas algumas situações de injustiça, que mais tarde foram corrigidas. E, muito bem, os trabalhadores souberam aproveitar a situação para verem suas reivindicações aceites.

Uma vez que aborda o nome de Lopes Pires, deixo aqui o que por ele foi escrito:
https://www.revistamilitar.pt/artigo.php?art_id=1054

Não creio que se possa dissociar os eventos de Cassange com a UPA, pois esta era apoiada pelo Congo (Zaire) e operava a partir deste país.
Na realidade, existiu uma reacção de defesa por parte da população civil, brancos, negros e mestiços, contra revoltosos, que não se devem identificar com os trabalhadores de Cassange, que não vem mencionada.

Porém, o célebre massacre da UPA ocorre noutras paragens; e a defesa das populações nesse tempo foi conseguida com milícias civis, coordenadas pelas autoridades, que se constituíram para o efeito. Recordo-lhe que o número de militares em Angola nessa época era bastante reduzido, e sem a ajuda das populações e dos efectivos policiais, também estes reduzidos, incluindo negros, jamais daria conta per si dos acontecimentos.
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De Meister Von Kälhau a 08.06.2018 às 12:47

Quando se é obrigado a trabalhar para outrém concerteza que o tempo disponível para trabalharmos no que é nosso fica comprometido.

E não eram revoltosos. Eram independentistas angolanos, muitos deles motivados pela exploração de uma potência estrangeira.

Em 1971, René Pélissier considerou a revolta de Cassange como um acto de desafio ao sistema do cultivo obrigatório do algodão imposto pela COTONANG, o que denominou por «cotonocracia». No seguimento desta ideia, Aida Freudenthal relacionou a obrigatoriedade dessa cultura intensiva na imensa área geográfica de oitenta mil quilómetros quadrados distribuídos pelos então distritos de Malange e da Lunda com a revolta dos cerca de 50 000 agricultores e respectivas famílias coagidos a saírem das suas sanzalas e a instalarem-se nos terrenos que, desde 1926, lhes eram designados pela companhia luso-belga que, para além disso, estipulava o preço do quilograma de algodão pago.

Não fale do que não sabe!
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De Vento a 08.06.2018 às 22:20

Não existia uma cultura intensiva de algodão em toda essa área. Aliás, era de todo impossível que assim acontecesse numa área de 80.000 km2.
Basta pensar um pouco para deduzir da impossibilidade, quer em meios técnicos quer em meios humanos, de se efectuar uma safra numa extensão dessas que tem quase a dimensão que lhe referi.
É fantasia, e você gosta de fantasia.

Mais ainda, a cultura de algodão na Baixa de Cassange passou a ser feita por particulares que vendiam obrigatoriamente à Cotonang. E esses particulares, ainda que possuíssem meios técnicos e humanos nas suas culturas JAMAIS cobriram a totalidade da área da Baixa de Cassange.

O algodão era uma commoditie, e como todas as commodities o preço era estipulado. Produzia quem tinha rentabilidade para acompanhar os preços nos mercados internacionais.
Veja o que diz o anexo logo a seguir ao primeiro parágrafo:
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N427-428&p=509
Mais ainda, o censo de 2014 indicou que a PROVINCIA de Malange possuía a seguinte população:
http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/sociedade/2014/9/43/Censo-regista-mais-novecentas-mil-pessoas-Malanje,ac6f245c-97b1-4929-a010-0f0e5c929806.html

Se tiver em conta a população na área de Cassange em 1961, concluirá da impossibilidade de uma cultura intensiva de algodão em 80.000 km2. Portugal tem cerca de 93.000 km2
Produção de Algodão da Cotonang em 1954 na Baixa de Cassange (34.000 ha):
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N392&p=164
Produção de algodão em Angola:
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N417&p=190
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N417&p=191
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N417&p=192
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N417&p=193

Mais, a produção de Tabaco na região de Malange:
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N392&p=168

Ainda mais uma achega, a alimentação base da população angolana é constituída por farinha de mandioca e de milho, que era maioritariamente cultivada pêlos autóctones em agricultura de subsistência. É uma mentira descarada afirmar-se que a população estivesse impedida de efectuar as suas lavras.
Veja no final desta página que anexo:
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N387&p=183

Sobre o milho:
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N417&p=193
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGU-N417&p=194



Você não sabe, e por não saber não deduz, e por não deduzir e não saber "enfarda" tudo o que lê.
É fantasia o que vai vertido.

Nota: A produção de algodão entre 1958 e 1961 não sofreu alterações significativas.
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De Meister Von Kälhau a 07.06.2018 às 16:58

"Mas deixe-me informar-lhe que o início da guerra em África teve como consequência combater o terror com terror.
São coisas da guerra, são coisas de qualquer lugar."

Para si a Guerra justifica tudo, correcto? Como as do Antigo Testamento em que se matavam pais, filhos....tudo a eito até à quarta geração.

Felizmente nem todos os militares pensam assim.
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De Vento a 08.06.2018 às 01:54

O contexto era esse e a resposta foi adequada. Você não conhece o contexto da guerra e fantasia.
Populações civis foram barbaramente assassinadas, e você pensa que isto se resolve a saltar à corda.

A máxima é não erguer a espada, pois quem com ferro mata com ferro morre. Mas quando esta é erguida, há que defender. Quem não quer assim não seja militar. Fique à lareira com um cobertorzinho nas pernas.
Eles tinham as suas razões e empreenderam como entenderam, ninguém lhes retira o direito. Mas esse direito não pressupõe que outros entreguem seu próprio pescoço.
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De Meister Von Kälhau a 08.06.2018 às 08:27

Foi adequado militares profissionais matarem indiscriminadamente, dizimando aldeias à bomba?

O meu avô era Legionário e militar de carreira, camarada. Um primo meu era alto funcionário do Ministério do Ultramar, camarada.
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De Vento a 08.06.2018 às 11:41

O seu avô pode ser o que quiser e o seu primo também. Isso não é passaporte para sítio algum nem condiciona a verdade que revelo.
Você não conhece o contexto e fantasia. O camarada quer conduzir o tema para legitimar essa mesma fantasia.
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De Meister Von Kälhau a 07.06.2018 às 18:00

Veja as razões que levaram à demissão de Adriano Moreira. A populaça negra andava a reclamar contra as condições laborais. Os "patrões" fora falar com o Botas

https://www.youtube.com/watch?v=384hUsdEF34
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De Vento a 08.06.2018 às 02:47

A "populaça negra" é o termo que você utiliza na sua mesquinhez, julgando-se um graduado civilizacional. Aliás é típico de quem busca alguma atenção, que, com todo o prazer, lhe vou atribuindo.
Não necessita anexar ficheiros sobre o tema que até conheço, pois não lhes dedicarei atenção.

Adriano Moreira era parte de um governo. Para sua informação, Angola foi o único país em que o general Delgado ganhou e sem qualquer manigância.
Se conhecesse a realidade angolana e das aspirações dos angolanos, negros, brancos e mestiços, não viria com expressões terceiro-mundistas, que só revelam complexos de quem procura demonstrar uma graduação superior às vestes.

Por outro lado, Deslandes tentou a sua jogada, e era apoiado pelas populações, brancas, negras e mestiças, que inicialmente apoiaram o MPLA dos irmãos Pinto de Andrade.
Nenhum agente económico residente em Angola e sentindo-se parte desse país alguma vez se contentou com o regime. Tudo isto para dizer que há muita coisa que virá a ser esclarecida:
http://noticias.sapo.pt/especial/guerra_colonial/1126841.html

Esses mesmos que deixaram Angola são aqueles que impulsionaram a economia em Portugal e que foram fazer o mesmo no Brasil, com apoios efectivos e afectivos do governo brasileiro, nos USA, também no domínio da investigação pecuária (como foi o caso da inseminação), que em Angola tinham recebido formação, mas também na Austrália, na África do Sul (também nas tecnologias informáticas), a IBM e a NCR já operavam em Angola, no Canadá e em outros países africanos, onde ainda hoje, e com seus descendentes, são uma referência nos sectores empresariais em que actuam.

Isto para dizer-lhe que você desconhece a realidade angolana e o avanço que aí foi implantado em todas as áreas da ciência. Salazar já não controlava as colónias nem tampouco os que foram apelidados de colonos.

Mas que Angola não era o que aqui e os que hoje lá estão dizem ter sido, lá isso não era. Se assim não fosse os que de lá partiram não teriam conseguido realizar o que realizaram mundo fora. A não ser que se considere também a população portuguesa uma "populaça negra".
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De Meister Von Kälhau a 08.06.2018 às 08:35

"Nenhum agente económico residente em Angola e sentindo-se parte desse país alguma vez se contentou com o regime."

Adriano Moreira afirma o contrário. Quando o regime começou a dar mais autonomia às colónias os protestos , desses agentes económicos, surgiram levando à demissão do Prof. Adriano Moreira

Quanto à "populaça" coisas da escrita automática do telemóvel.
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De Vento a 08.06.2018 às 11:55

Você confunde agentes económicos residentes, aqueles que construíram as empresas e a vida em Angola, e que de lá partiram sem isso e sem dinheiro, com os agentes metropolitanos que eram as famílias que dominavam Portugal e que também tinham investimentos nas colónias, e que para fazerem face ao avanço que as colónias conheceram, e sentindo-se ameaçados, também estiveram de acordo que 1escudo português passasse a valer 2 escudos angolanos. Significa isto que um investidor do regime metropolitano estava sempre em vantagem.

Mais, o facto de não permitir que esses pudessem transferir seu capital, após o s acontecimentos assassinos que se deram com o 25 de Abril, foi para salvar a banca nacional.

Por último, eu não acredito que Adriano Moreira seja o salvador da pátria.
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De Meister Von Kälhau a 08.06.2018 às 12:57

"Aliás é típico de quem busca alguma atenção, que, com todo o prazer, lhe vou atribuindo.
Não necessita anexar ficheiros sobre o tema que até conheço, pois não lhes dedicarei atenção"

Refere-se ainda a Teresa Ribeiro como "Teresinha" e acusa-me , agora, de graduado civilizacional? Ou cego, ou narcísico, a transbordar de "condescendência" cristã...
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De Vento a 08.06.2018 às 22:34

Eu já verifiquei que você necessita de ajudas para ver se dizem o que pensa sobre de si mesmo. Mas eu não vou por aí e não busco auxílio de nenhuma espécie, nem necessito de atirar quaisquer pergaminhos ou pergaminhos familiares para me valorizar. Eu também tenho família, mas escrevo por mim. As provas falam por mim.
Já respondi, lá mais acima, com documentos para revelar que o camarada não entende sobre o que julga entender.
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De Meister Von Kälhau a 08.06.2018 às 13:01

Escreve Pélissier: “il apparait qu’en pratique, un chef de famille surdeux ou plus devait cultiver le coton dans la Baixa (.) La superfície moyenne tournai autour d’1ha par famille. Obligé à cultiver un lopin de terre, qui lui était désigné par la Cotonang, le paysan recevait conseils et semences, mais nul salaire, nulle alimentation (.) A la fin de la champagne qui se terminait par une récoltetrès astreignante, on lui achetait sa production à un prix calcule par laisser une marge bénéficiaire substantielle à la Cotonang e aux industriels métropolitains”[2]. Na realidade as condições de trabalho e de sobrevivência da população negra eram infra-humanas. Portugueses, que viveram e trabalharam em Angola nos inícios da década de sessenta do século XX, deixaram relatos impressionantes da vida dessa população.

“As gentes da Baixa de Cassange, mulheres e crianças incluídas, são retiradas das suas aldeias e obrigadas a cultivar algodão nos terrenos indicados pela empresa. Salários não existem. Os únicos rendimentos dos agricultores aparecem no final de cada campanha com a venda obrigatória do algodão à COTONANG que estabelece preços reduzidos e frequentemente compra produtos de primeira classe a valores de segunda. Se alguma cheia ou improviso acontece nas lavras que tinham a seu cargo, os agricultores ficam entregues ao seu azar: a COTONANG não os compensava pela perda inesperada de um ano de trabalho nem tão pouco lhes prestava assistência com fertilizantes ou pesticidas.

Veja como eram felizes! E depois diga que os revoltosos foram apaziguados nas suas reivindicações, pelos compreensíveis belgas.
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De Vento a 08.06.2018 às 22:42

Camarada, já respondi a tudo isso e deixei minha opinião e o meu saber e conhecer. E não disse tudo. Evite repetir por aqui as mesmas coisas em várias caixas para parecer que diz muito.
Use método. Quando me perguntam as horas, eu digo as horas. Não transmito a marca do relógio.
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De Alexandre Policarpo a 05.06.2018 às 12:24

Então e por cá? a diferença é que os pobres lá eram pretos e cá eram brancos. Pelo menos em Angola e durante os anos em que eu lá estive a diferença não era feita pela côr da pele, era pela bolsa. Exactamente como cá.
É preciso cuidado quando se discute a África e os africanos, especialmente por parte de quem nunca lá pôs os pés.
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 14:09

E eu a pensar que na África colonial a cor da pele era igual à cor da bolsa. Contudo confesso que a descolonização trouxe também a pobreza responsável. Ou seja a possibilidade dos autóctones escolherem, livremente, a sua pobreza.

Sobre o cuidado do que se fala não precisamos de termos vivido algo para dele falarmos. Aliás, nestas coisas, como em outras, a distância histórica é tão útil como a distância pessoal
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De Vento a 07.06.2018 às 12:47

E agora as bolsas têm a mesma cor e as populações não necessitam escolher a sua pobreza. Têm quem o faça por elas.
A distância histórica só leva a deturpar a história.
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De Meister Von Kälhau a 07.06.2018 às 17:55

Como todos sabemos a historiografia recomenda que se escreva em cima do momento...que seja a emoção a pegar na caneta….
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De Vento a 08.06.2018 às 01:14

Não, com conhecimento também in loco e sem fantasia.
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De Luís Menezes Leitão a 06.06.2018 às 06:39

Eu não vivia em África ao tempo, mas hoje já visitei todas as antigas colónias portuguesas por razões de trabalho. Conheço por isso África muito bem.
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De Alexandre Policarpo a 06.06.2018 às 09:39

Então sabe bem do que estou a falar.
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De Vento a 06.06.2018 às 21:16

Conhece certamente a África como continente à deriva nas mãos de investidores estrangeiros e de uma oligarquia.
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De Vento a 07.06.2018 às 12:24

Como conhece África, só para acrescentar que os seus colegas deviam saber que 80% da administração pública em Angola era constituída por autóctones. Aliás o sistema administrativo que ainda hoje vigora é exactamente esse.
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De Anónimo a 05.06.2018 às 15:01

Tem razão... Kalhau:

Depois da debandada acabou-se de vez com corrupção,: as guerra, as doenças endémicas, a opressão e o mais importante a FOME!
Etc... Etc...
Lembre-se que hà uma leva de políticos portugueses...que andam a "dar o cu e três testoes".... para "retornarem a África...

Amendes

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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 16:07

A/C de Amendes:

"Contudo confesso que a descolonização trouxe também a pobreza responsável. Ou seja a possibilidade dos autóctones escolherem, livremente, a sua pobreza."
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De lucklucky a 04.06.2018 às 23:44

"Será que também não foram refugiados os obrigados a fugir de Portugal? "

Sim, que os expulsos pela Ditadura quer os expulsos pelo 25 de Abril.

É Rui Mateus um refugiado político?
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 08:45

Os refugiados do 25 de Abril fugiram maioritariamente à choldra. Os refugiados de África fugiram essencialmente à Guerra Civil que se avizinhava. Uma diferença.

Emigrar e procurar refúgio não são sinónimos. Marcelo Caetano não foi um refugiado. Foi um homem com sorte!
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De Anónimo a 05.06.2018 às 15:49

"os expulsos pelo 25 de Abril"
Quem, o Marcelo Caetano e o Américo Tomás? É que até esses, como se não bastasse ter-lhes sido oferecido um exílio de luxo no Brasil, ainda foram autorizados a regressar.
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De Anónimo a 04.06.2018 às 19:41

Refugiados? Mas eu pensava que o lucklucky não gostava de refugiados... Ou só gosta quando eles são maioritariamente brancos?
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De Meister Von Kälhau a 04.06.2018 às 19:53

Lá está você com a argumentação do jornalismo marxista....

De nada luck, ora essa!
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De lucklucky a 04.06.2018 às 23:42

Depende da qualidade dos refugiados. Não tem nada que ver com a cor da pele.

Só Socialistas raciais e outros é que dão Poder à cor da pele.
Se forem refugiados Marxistas/Islamistas com pele branquinha não interessam.
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 08:52

Antes dar Poder que retirar a possibilidade de Poder à cor da pele.
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De lucklucky a 05.06.2018 às 15:02

Que tal vai o teu poder ariano Meister Von Kälhau?
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 16:09

Óptimo. O meu poder mede-se em independências.
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De Anónimo a 05.06.2018 às 15:50

Se o lucklucky não fosse tão ignorante saberia que o marxismo e o fundamentalismo islâmico são incompatíveis. Aliás, como Marx disse, "a religião é o ópio do povo".
Por algum motivo o anti-comunismo primário é predominante no Médio Oriente.
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 16:12

E em nome de Marx fundaram uma nova religião, o Marxismo! Substituíram uma por outra.
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De Vento a 07.06.2018 às 13:04

Se você soubesse assim tanto sobre o significado dessa afirmação, que não é de Marx, não debitaria isso.
Para compreender o marxismo também tem de compreender o que os marxistas, como Kautsky, também erradamente prossupunham como etapas das civilizações.
Deixo aqui o princípio:
As sociedades evoluem da seguinte forma:
comunismo primário, escravatura, feudalismo, socialismo e comunismo.

Acontece que nem mesmo nas sociedades da bacia do mediterrâneo as etapas foram essas.
Marx baseou sua teoria a partir do método de produção e das contradições sociais que se lhe associa.
O que se verte em torno do marxismo não passa de ignorância.
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De Anónimo a 05.06.2018 às 23:04

"A designação apropriada é Refugiados." Ou talvez desertores. Conheci muitos que se diziam angolanos e moçambicanos. Quando as coisas aqueceram desistiram desses títulos e desertaram deixando lá os que de facto eram de lá.
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De Anónimo a 04.06.2018 às 18:34

Já em 1975 Portugal estava de rabinho voltado para o imperialismo americano em vez de optar pela neutralidade como outras nações europeias fizeram. Triste.
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De Alexandre Policarpo a 04.06.2018 às 19:27

Se calhar por isso é que todos os governos das ex colónias portuguesas saídos da "descolonização exemplar", se inspiraram no imperialismo americano, nenhum virou o rabinho para a ex URSS.
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De Anónimo a 04.06.2018 às 19:44

Ninguém falou em "descolonização exemplar". No entanto a verdade é que a reintegração de meio milhão de retornados na sociedade portuguesa foi muito bem sucedida, algo raro na história da humanidade. Por isso faça o favor de não se queixar.
É que nos dias de hoje os sírios não têm nem um décimo da sorte que tiveram os retornados portugueses.
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De xico a 04.06.2018 às 22:38

A reintegração foi boa. Dou disso testemunho. Melhor do que a França fez aos retornados da Argélia. Mas devo lembrar que os meus avós foram para África durante a 1ª república (o meu avô era um republicano dos sete costados), cumprindo o desiderato de Afonso Costa de manter a colonização do império (não foram com o Salazar que passou a pôr demasiados obstáculos à ida dos portugueses para África). Os retornados eram assim um produto do Estado Português e era dever do Estado Português receber os seus. Comparar com os refugiados sírios é comparar a obra prima com a prima do mestre de obras.
Otelo e Almeida Santos eram retornados. Um porque como militar veio para a metrópole e o outro porque de lá saiu após o 25 de abril.
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De lucklucky a 04.06.2018 às 23:52

Típico Marxista. Mente. Continua a escrever à Pravda.

Como se os refugiados Portugueses não fossem Portugueses, não fossem da mesma cultura e nem tivessem família em Portugal.
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De Anónimo a 05.06.2018 às 15:53

E o lucklucky escreve à Fox News. Já pensou em contactar a Fox News para ver se eles querem criar uma secção em português? Pode ser que lhe paguem bem.
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De lucklucky a 05.06.2018 às 00:04

Mais de 1 milhão de mortos provocou o 25 de Abril nas Colónias Portuguesas.

A incultura Totalitária da Esquerda seja em brancos seja em pretos em vez de de evolução quis a revolução e provocou o desastre.

Desastre que não se fala . Silênciado.

Ninguém fala do mais de 1 milhão de mortos na ex.Colónias do pós 25 de Abril pois não? Dezenas de milhar dessas pessoas tinham sido Portugueses.

Esses já podia combater pela revolução , já não eram "jovens". Será por não serem brancos anónimo da 04.06.2018 às 18:34?

E os jovens Cubanos esses também já podiam morrer em África não é?
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 09:06

E os jovens americanos mortos no Vietnam, na Coreia, e no Iraque?

Portugal saiu de África em 1975.

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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 09:20

E os portugueses mortos em Aljubarrota, nos Montes Claros e nas guerras Napoleónicas?

Teria sido preferível a Evolução, digo eu que não gosto de morrer.

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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 12:47

Para o bem e para o mal existem Homens que só acham a sua verdadeira virtude na oportunidade dada pela maldade.
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De Anónimo a 05.06.2018 às 15:54

Totalitária era a sua mãe.
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 16:46

Mãe, ou tia?
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De jo a 04.06.2018 às 20:27

Nota com certeza que neste texto acha perfeitamente normal que um estado estrangeiro envie agentes secretos para influenciar a política do seu país. Bem mais ingerência do que a que os russos fizeram com nas eleições americanas, que parece que lhes fez muita impressão.

Portanto, o militar português que mandou proteger a embaixada, cumprido o seu dever, era um perigoso agente manipulador. O agente da CIA que era embaixador, tinha direito de pernada.
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De Meister Von Kälhau a 04.06.2018 às 20:46

Meu caro a revolução "americana"pariu ou não uma democracia? Se a Mãe fosse russa....
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De Anónimo a 04.06.2018 às 23:33

Uma democracia com escravatura e em que as mulheres nem sequer tinham o direito de voto.
Sejamos sinceros, as revoluções burguesas como a francesa e a americana serviram para fazer avançar o mundo na altura mas muito ficou por fazer e muitos hábitos do antigo regime foram conservados.
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 09:10

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De Alexandre Policarpo a 06.06.2018 às 14:18

Já o senhor Kalinin, que foi o primeiro embaixador da ex URSS em Portugal, não tinha nada, mas mesmo nada a ver com o KGB.

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/faleceu-arnold-kalinin-primeiro-embaixador-sovietico-em-portugal_n417145#

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De António a 04.06.2018 às 20:54

Conheço quem ache que a “revolução” devia ter sido mais sangrenta, uma coisa onde se tivesse de escolher um lado e eventualmente morrer por ele. Discordo, mas realmente não teríamos hoje tanta gente que passou incólume pelos pingos da chuva, apenas pela arte inata do virar de casacas. Não seria tão fácil trocar casacas manchadas de sangue de compatriotas.
Os soviéticos estavam dispostos a criar uma guerra civil com o apoio incondicional do PCP - no Alentejo quase conseguiram. No meu ponto de vista, ainda bem que se evitou isso, e se foi por causa dos EUA, pois muito obrigado aos EUA.
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De Anónimo a 04.06.2018 às 23:39

Olhe que não. O PCP queria uma revolução com revolucionários, citando Álvaro Cunhal.
A direita e a extrema-direita essas é que andaram a vandalizar sedes do PCP no Norte e a colocar bombas em carros. Já para não falar no apoio à UNITA de Jonas Savimbi que contribuiu para que Angola, essa sim, entrasse numa sangrenta guerra civil, e que era financiada pelo Apartheid.
Enquanto você agradece aos EUA, os povos da América Latina não podem dizer o mesmo devido às ditaduras militares instaladas pela CIA.
Não sou grande fã do regime cubano, mas ao menos Cuba conseguiu impor-se ao imperialismo americano.
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De João Pedro Pimenta a 06.06.2018 às 23:31

"A direita e a extrema-direita essas é que andaram a vandalizar sedes do PCP no Norte e a colocar bombas em carros".

Pois andaram. Em compensação, era impensável aos partidos "de direita" fazerem sequer comício entre o Tejo e o Algarve, quanto mais manter sede. O actual presidente da república andou a fugir pelos telhados de Beja após um comício falhado do PPD por alguma razão. E mesmo no Porto o comício do CDS esteve cercado por milhares de esquerdistas (e noutras cidades do Norte as suas caravanas eram apedrejadas por membros do PC). Já para não falar demovimentos como as FP-25. Uns queridos. Só por isso, bendito Carlucci.
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De Anónimo a 06.06.2018 às 23:57

Ui, a esquerda manifestava-se!
Já a direita e a extrema-direita eram a maioria silenciosa de Spínola perita em falhar golpes de estado. E até mataram um padre cujo "crime" era não seguir a tradição e ser da UDP. O orquestrador do assassinato recebeu há alguns anos em Braga uma homenagem por parte do PS e da direita.
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De João Pedro Pimenta a 10.06.2018 às 02:04

Diga antes "as extremas esquerdas manifestavam-se". Aquelas mesmo que se recusavam a aceitar o voto da esmagadora maioria dos portugueses e queriam ir para a frente com as suas "soluções revolucionárias". Realmente, impedir os outros de falar é uma bela forma de se "manifestarem". Quanto ao padre que morreu, a minha família conhecia-o bem. Ao contrário do anónimo, que parece achar normal actos de terrorismo em democracia, não diferencio entre vítimas da esquerda ou da direita.
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De Anónimo a 04.06.2018 às 22:54

Não entendo porque não aparecem estudos sobre a evolução económico-social dos países africanos nos últimos 70/80 anos. Eles fazem-se mas os media não gostam de os publicar. Futebol é melhor.
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De sampy a 04.06.2018 às 23:36

Aguardo avidamente o post que será dedicado ao finado no Porta da Loja.
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De Anónimo a 05.06.2018 às 10:39

Foi uma pena os revolucionários comunistas tugas terem aceitado impor o marxismo nas colónias independentes, e terem desprezado o povo da metrópole entregue ao capitalismo selvagem.

Seria um paraíso para 8 ou 10% de uns tantos tugas, nem que fosse pelo menos uns dez anitos.

Que pena!!!!
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De Anónimo a 05.06.2018 às 15:55

Lucklucky, esqueceu-se de assinar e por isso o seu comentário saiu como "Anónimo".

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