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França: votar contra a eurofobia

por Pedro Correia, em 22.04.17

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 Le Pen e Mélenchon, irmãos siameses anti-UE

 

Nas presidenciais de amanhã em França decide-se, acima de tudo, o destino da Europa. Um destino em sério risco, na medida em que dois dos quatro candidatos mais bem situados para rumarem à segunda volta, segundo as mais recentes sondagens, somam 41% das intenções de voto.

Ninguém tenha dúvidas: esta corrida ao Eliseu é também um referendo à construção europeia. Se prevalecer a mensagem de ódio e anátema à União Europeia propalada nas margens extremas do sistema político por Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon, irmãos siameses na eurofobia, todo o continente ficará mais perigoso. Porque esta lógica de exclusão para que apontam os extremismos, à esquerda e à direita, é herdeira directa de mil guerras num espaço continental assolado pelos fantasmas do soberanismo, do nacionalismo e da xenofobia - o horror ao "internacionalismo", ao "globalismo", ao que vem de fora.

O verdadeiro confronto ocorre aqui entre eurófilos e eurófobos. Emmanuel Macron destaca-se entre os primeiros e merece por isso o triunfo eleitoral que a maioria das pesquisas lhe augura, embora por números incertos e precários. Ninguém se iluda com a oratória dos demagogos de turno, sempre prontos a apontar ao inimigo externo, como ocorreu com o Brexit, vai fazer um ano: a União Europeia é uma conquista civilizacional que merece ser defendida todos os dias. Eleição após eleição, voto a voto.

Como a história nos ensina, nunca nada está definitivamente garantido.

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20 comentários

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De Justiniano a 22.04.2017 às 11:26

Caro Pedro Correia, não sei se Macron existe, verdadeiramente! Aquilo, parece-me um boneco de plástico com um saquinho cheio de platitudes! Tudo nele cheira a plástico!! Um discurso vago, vazio, a histórico, recheado de tiradas proto poéticas infantis. Em suma, trata-se do melhor personagem para enterrar definitivamente a V República. É verdadeiramente trágico, e ilustrativo, quando o grande farol cultural da Europa só consegue encontrar estes candidatos!! Especialmente este tal Macron que seria suposto representar o grande consenso liberal europeu! Acho bem começarmos a ouvir, atentamente, as palavras da cúpula das forças armadas francesas!!
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De Pedro Correia a 22.04.2017 às 11:56

Caro Justiniano: nesta eleição Le Pen representa a França de Vichy, derrotada em 1944 pela França do general De Gaulle - com o novo czar Putin no lugar de Hitler como sombra protectora.
Mélenchon representa o delirante "bolivarismo" venezuelano, na sua vociferante demagogia soberanista que começa por subtrair o pão ao povo e depois lhe subtrai a liberdade.
Fillon é o rosto da corrupção impune que tem corroído a V República Francesa. Diz-se gaullista mas o relato das suas extravagâncias e do seu nepotismo contraria em tudo a ética do velho General, que até as refeições no Eliseu pagava do seu bolso.
Hamon, o representante da decrépita Internacional Socialista neste escrutínio, é tão irrelevante que nem vale a pena falar nele.
Macron é o mal menor. Que promete um bem maior à Europa: a manutenção do eixo-franco europeu que garantiu 60 anos de paz, prosperidade e progresso aos Estados-membros.
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De Justiniano a 22.04.2017 às 12:25

Sim, caríssimo Pedro Correia, eu já tinha percebido a teoria do mal menor (seja por que prisma for, jamais me conseguiria obrigar a votar no tal Macron)!!
E acho que será, certamente, a razão para tão elevadas intenções de voto do tal Macron.
Não seria tão simplista na análise da representação de cada um dos candidatos. A coisa já não é assim tão líquida!
Fillon representaria, em princípio, o conservadorismo moderado, relativamente tradicionalista, que será a maioria silenciosa em França! A revelação do fraco carácter caiu como traição, quase irredimível. Pena, digo eu! (Para onde irão os conservadores tão mal tratados por um partido que me parece moralmente falido - Les Rep.)
Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon representam muitas coisas diferentes e de forma bastante heterodoxa, em flagrante contradição com os cânones de outros tempos.
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De Pedro Correia a 22.04.2017 às 16:41

Então, meu caro, qual seria a sua opção?
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De Anónimo a 22.04.2017 às 12:04

"...a União Europeia é uma conquista civilizacional que merece ser defendida todos os dias."
Como muitas outras conquistas que a Europa fez ao longo dos séculos.
E como muitas outras será substituída pela que há de vir.
Está na hora da partida!
João de Brito
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De Pedro Correia a 22.04.2017 às 16:42

Umas são substituídas, outras não. E o que substitui algumas nem sempre é para melhor.
A História da Europa ensina-nos isso.
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De WW a 22.04.2017 às 14:06

"o destino da Europa. Um destino em sério risco, na medida em que"...............

tudo é feito á revelia dos povos, contra as nações e dos fortes contra os fracos com o habitual beneplácito das "quintas colunas" que defendem a liberdade, a igualdade e a fraternidade delas...
A UE é uma marioneta coxa.
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De Pedro Correia a 22.04.2017 às 16:43

Como é que "tudo é feito à revelia dos povos" na democracia francesa, onde há onze candidatos presidenciais - para todos os gostos, portanto?
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De tric.Lebanon a 22.04.2017 às 14:42

Quando a Europa o que tem a oferecer a Portugal é destruir os seus centros de decisão e promover a Islamização...A Eurofobia é algo que só atinge as pessoas de bom senso!
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De Pedro Correia a 22.04.2017 às 16:44

Estimo as melhoras dessa doença, altamente infecciosa. E contagiosa.
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De JS a 22.04.2017 às 19:05

Calma Pedro Correia.
A Europa, continente, é uma coisa.
Os diferentes povos e Países que ao longo da história nestas geografias foram evoluindo, é outra.

As guerras mais ou menos declaradas e os tratados de paz mais ou menos cumpridos, entre eles, ainda hoje são, e serão, constantes, tal como o é a natureza humana.

Já se viu que esta dita "União Europeia" feita via dívida imbecilmente induzida (uma forma de guerra sem trincheiras mas muito eficiente) e mantida por burocratas atarantados (*), não pode durar muito mais.

Quanto a Mélenchonismo, LePenismos (neologísmo ambíguo) e Macronismo, são apenas fruta da época.

(*). Dos milhares de temas na mesa das negociações Brexit (UK vs "UE") para disfarçar 7 apareceram como os mais importantes segundo os negociadores "UE". A preocupação #1 foi o que irá acontecer com as reformas dos funcionários da ex-UEuropeia. Nada de novo.
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De Pedro Correia a 22.04.2017 às 19:16

Nunca o espaço geográfico hoje coberto pela UE gozou de um período tão prolongado de paz - entendida como ausência de guerra -, crescimento económico e regalias sociais como nestes últimos 60 anos.
Isto é matéria de facto, não é matéria de opinião.

Que haja gente disposta a pôr fim a este oásis, e sinta nostalgia dos clarins de guerra, não admira.
Nunca faltaram pirómanos em país algum ao longo da história.
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De jo a 22.04.2017 às 20:39

Tem razão. Há gente que quer acabar com o espaço de paz e democracia da união Europeia.
São pessoas que dizem que a política económica e social dos países não é decidida pelos eleitos por esses países mas por banqueiros não eleitos, que não prestam contas a ninguém.
São os que decidem unilateralmente que existirá uma europa a duas velocidades e quem decide quem entra em qual das velocidades são eles.
São os que dizem que todos os países têm de cumprir regras estritas, completamente arbitrárias, de contabilidade nacional se não se chamarem França nem Alemanha, porque para estes já não há défices excessivos nem superavits excessivos.
São os que vendo que as suas políticas estão a criar um sentimento de xenofobia crescente, atiram a democracia às malvas para caçarem os votos xenófobos.
Andar à procura de Le Pens e Melanchons para inimigos da UE é bastante inútil. Os inimigos da UE estão a governá-la neste momento.
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De Pedro Correia a 22.04.2017 às 23:50

Há sempre alguém pronto a debitar a cartilha bolivariana, como se vê.
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De jo a 24.04.2017 às 18:48

Se dizes algo que eu não gosto és bolivariano (ou cumunista, ou judeu, ou muçulmano radical)
Como argumento não é grande coisa.
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De Pedro Correia a 24.04.2017 às 20:51

Compreendo a sua mágoa, atendendo aos resultados eleitorais. Mas não perca a fé: a "revolução" triunfará, seja lá quando for.
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De lucklucky a 22.04.2017 às 23:00

E temos mais uma vez um Unionista a apropriar-se da palavra Europa.
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De Pedro Correia a 22.04.2017 às 23:52

Depois de um fã de Mélenchon, chega um fã de Madame Le Pen. Todos contra o "unionimo" europeu.
Os extremos tocam-se.
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De lucklucky a 23.04.2017 às 11:20

Então agora sou fã da socialista Le Pen... sendo assim você é apoiante disto?: http://www.telegraph.co.uk/education/2017/04/22/students-avoid-making-eye-contact-could-guiltyof-racism-oxford/

Que tal responder à sua tentativa de se apropriar de uma palavra e de deturpar a linguagem em mais de uma maneira?

Para começar como fazem os extremistas da união que se gostam de mascarar centristas quem não concorda consigo sofre de fobia.
Não me assusta.
Os campos de reeducação são só o próximo passo para o seus herdeiros ideológicos.

Mélenchon e Le Pen não estão contra a Europa estão contra a União.

Você chama de eurofobico a quem está a favor da CEE mas não do Unionismo...





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