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Fora de Série (15)

por Francisca Prieto, em 30.05.16

O Verão Azul dava à quarta feira à tarde da minha pré-adolescência e passava-se numa vila balnear perto de Málaga.

Na altura eu passava férias no parque de campismo de Ferragudo, de maneira que sonhava com o dia em que, montada na bicicleta, integraria um grupo como o do Verão Azul. Claro que eu queria ser a Bea, a rapariga de cabelo comprido por quem todos os rapazes se batiam. E queria que o Javi gostasse de mim porque, para além de ser loiro, tinha uma sunga Speedo último grito da moda balnear.

Um dia quase consegui estar à altura da Bea, lá na cafetaria do parque de campismo. Uns rapazes de dezasseis anos meteram conversa comigo e quando me perguntaram a idade eu tive vergonha de dizer que só tinha doze e avancei para a maior mentira da minha vida: disse que tinha treze.

O Verão Azul fazia-nos caminhar pelo verão algarvio embalados pelo tralalá do genérico. E era uma série muito realista porque tinha uma data de pais às direitas que, de copo de whisky na mão, não tinham qualquer pudor em recorrer ao antigo método pedagógico de distribuir lambadas sempre que um filho se armava em esperto. Só o Piranha levou para cima de meia dúzia num dia em que resolveu levar a cabo uma greve de silêncio.

Era este realismo que me lançava para dentro do ecrã da televisão e me fazia conversar com as personagens como se fossem meus amigos. Fartei-me de comer gelados com o Quique, de dar conselhos à Desi, que era a feiosa do grupo, de passear pelas ruas de Ferragudo com o Pancho, que sabia tudo sobre pesca, e de derramar lágrimas verdadeiras pela morte do bom e velho Chanquete.

Claro que os meus filhos não percebem nada destes dramas quando os obrigo a passar os DVDs da série, com uma pobre imagem desbotada. Julgam que é ficção científica. Mas a verdade é que o meu coração ainda palpita de cada vez que oiço assobiar as notas dos azuis verões de antigamente.

 

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9 comentários

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De Maria Dulce Fernandes a 30.05.2016 às 12:56

Fiel seguidora, apesar de muito mais velha ( uns bons pares de anos).
A minha filha mais velha viu as reposições e adorou. Ficava indignadíssima quando de repente eu entrava na sala e perguntava qualquer coisa que era afinal o climax do episódio e ainda não tinha acontecido. Oh mãe ! Bisbilhoteira! A música, essa ainda a assobio à minha neta ( que também a seu tempo, verá os DVDs)
Saudade de quando ver TV não era enjoativo...
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 20:11

Que saudades. Assisti a todos os episódios. Era fã. Ainda costumo trautear a música do genérico de vez em quando.
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De antónio a 30.05.2016 às 21:31

A vila chama-se e a "La Dorada" ainda existe. Os actores mais jovens, hoje adultos, juntaram-se faz um ano ou dois para celebrar a série e a maior parte deles não seguiram carreira como actores. Creio que o Chanquete moreu mas a Júlia está viva e juntou-se aos actores mais jovens em Nerja (excepto um deles que recusou) num encontro para celebrar a série que ocorreu talvez faz um ano ou dois. As série juvenis de hoje em dia são uma desgraça pois as histórias não cativam. No nosso tempo os adolescentes tinham na televisão verdadeiro entretenimento sem lhes toldar a educação.
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De P. Sousa a 31.05.2016 às 11:02

É ir a Nerja - já lá estive e gostei das referências à série -, e matar saudades. Podemos ser adultos, mas a criança ainda mexe dentro de nós! Obrigado pelo artigo.
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De Bic Laranja a 01.06.2016 às 22:11

Em 2002 deu-me saudade dos 'chavales' do Verão Azul e rumei em passeio a Nerja -- duma jornada do caminho já dei cá notícia.
Lá vi a traineira do Chanquete, mas a idealização formada a partir da série dos miúdos e o lugar real não se conjugam nestes veraneios; é como ler um livro e depois ver o filme...
A terra tem graça pitoresca mas a multidão de veraneantes com carros e motoretas desgraça-a; as praias ficam cheias como um ovo e é difícil pisar o cascalho sem pisar a 'cabeza' alguém. Julgo que isto seja uma técnica dos que arribam à praia para remover os outros e abrir uma clareira para si. Outra técnica -- mui pouco usada -- era chegar cedo o bastante, mui antes dos pisa 'cabezas', e fugir-lhes a meio da manhã que era quando eles engrossavam. Calhava bem pois podia almoçar-se à saída no restaurante da praia logo à hora de chegar o peixeiro. Este modo antecipava a siesta. À tardinha as praias de cascalho voltavam a ser frequentáveis por os pisa 'cabezas' -- já tostados em rosa forte -- terem debandado para se alindarem para a ceia e juntarem à movida.
No apartamento havia uma estante com livros (sobretudo em inglês); cuidei que fossem os veraneantes que lá se alojavam que os iam deixando. Levei um livro que acabei lá e como os da estante não me interessaram fui comprar outro. Trouxe «Felipe II y su Tiempo» de Manuel Fernández Álvarez, o mais grosso que havia na livraria. Imagino se alguém se interessou pelo «Paço da Ribeira» do Nuno Senos que lá deixei!...
Mais que isto só me lembro de coisas soltas de Nerja.
Perguntei, apontando, o nome dos pêssegos carecas numa 'tienda' e responderam-me: nectarinas. Aprendi que Nerja é a origem do novo nome dos pêssegos carecas que vejo agora escrito nos híperes! Quem quiser diga aos dicionaristas!... A vendedeira por seu lado pediu informação e foi informada que 'nosostros' éramos galegos!...
Outra coisa que me lembro lá é de cá a senhora pronunciar 'zumo' (com o 'z' bem zumbido à portuguesa) e os sumos não serem piores por isso.
Nerja sofre com o calor do Verão e com os cães dos turistas. Somados [à falta de limpeza dos dejectos caninos], intensificam exponencialmente o cheiro a... -- Nem de propósito, quando no Verão a seguir contei onde estivera ao tio do Algarve, ele, ouvindo pela primeira vez o nome da terra perguntou admirado.
-- Estiveste onde?! Em merda?!...
(Nerja: pequenas memórias, 27/I/2007.)
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De Ana Vidal a 06.06.2016 às 11:10

Ahahahahah
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De Cristina Torrão a 02.06.2016 às 19:14

Vou destoar, mas nunca achei piada a esta série. Atores medíocres e chavões atrás de chavões, clichés atrás de clichés, que me enjoavam, como a beldade invejada que tem a primeira menstruação durante as férias, deixando a mãe toda melosa; ou aquele episódio em que há quem se perca numa gruta e deixa toda a família aflita... Enfim, nunca foi para o meu gosto (mas vi alguns episódios, sim, da primeira vez que passou). Mas depois, a repetição até à exaustão (passe a rima) todos os anos...
Porquê esta opinião tão diferente? Já teria eu passado a idade-alvo, quando foi exibida pela primeira vez? Então, porque seria que a minha mãe a via sempre, como se fosse a primeira vez, de todas as vezes?
Mistérios...
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De BELIAL a 06.06.2016 às 10:20

Opino igual.
Uma xaropada.

Tendo nascido no Estado Novo, o facto de ser falado em castelhano, desajudou.

Foram muitas estórias da História, tomadas no biberão.

O asco ao castelhano já não me mói - porém 2 dias a ouvir falá-lo no jeito altissonante e "impositivo" que usam...faz-me tornar o asco.

Todavia, quando ouço a locução perfeita em programas históricos ou científicos espanhóis, fico preso à beleza do idiom.

É do linguajar do povão que não gosto.
Em Portugal sinto o mesmo, quando ouço repetidamente sotaques...
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De Ana Vidal a 06.06.2016 às 11:17

Só tu para dares algum élan a esta xaropada malagueña, Francisca.
Xaropada que eu também via às vezes, claro, não tão embevecida como tu porque sou mais velha e porque antes já tinha visto os meus "Pequenos Vagabundos", que eram, ao pé disto, um filme de Bergman. :-)

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