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Foi chato

por Pedro Correia, em 11.08.18

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A Serra de Monchique - o maior pulmão do Algarve - ardeu em larga medida. Cerca de 27 mil hectares - o equivalente a 27 mil campos de futebol, quase três vezes a área da cidade de Lisboa. 

Foi o sexto maior incêndio desde sempre registado em Portugal. E o maior incêndio ocorrido este ano em todo o continente europeu.

No preciso local onde o chefe do Governo se deslocou com vasta comitiva, para efeitos de propaganda política, assegurando aos portugueses em geral e aos algarvios em particular que estavam reunidas todas as condições, em meios humanos e técnicos, para um combate eficaz aos incêndios. 

Não estavam, como todos sabemos hoje. No lugar onde António Costa falou, a 1 de Junho, restam cinzas.

 

Ainda em Junho, novo exercício de propaganda: o Executivo convocou a Comunicação Social para revelar que faríamos deslocar para a Suécia e a Grécia meios aéreos de combate aos fogos.

Como se pudéssemos dar-nos a tal luxo após os flagelos de 2017 que enlutaram o País e comoveram o mundo.

 

Passado o pavoroso incêndio de Monchique, novamente o Governo, pelas vozes simultâneas do primeiro-ministro e do titular da pasta da Administração Interna, não perdeu tempo a lançar o slogan "não morreu ninguém" - igualmente para efeitos de propaganda.

Frase que esconde, no seu cinismo político, a perda de um número incontável de espécies animais e vegetais, o fim dos meios de sustento de centenas de residentes no concelho de Monchique, o fim de explorações agrícolas, turísticas, de apicultura e silvicultura.

Esconde as centenas de deslocados, esconde os 41 feridos e os 49 desalojados. Esconde os prejuízos globais de dez milhões de euros, avaliados pela Câmara local.

Procura afinal ocultar  - como bem escreveu o Manuel Carvalho no Público - que "ao primeiro teste difícil o aparato de combate aos fogos falhou".

 

É, no fundo, o equivalente moral ao "foi chato" proferido por Bruno de Carvalho na sequência do inqualificável assalto promovido a 15 de Maio por membros de uma claque leonina à Academia de Alcochete.


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