Figura nacional de 2024

LUÍS MONTENEGRO
Presença inédita como Figura Nacional do Ano no habitual inventário feito, em jeito de balanço, no DELITO DE OPINIÃO. Luís Montenegro aparece aqui por ter levado a coligação Aliança Democrática (formada por PSD e CDS) à vitória eleitoral nas legislativas de 10 de Março, embora com vantagem muito escassa sobre o PS. Pouco mais de 50 mil votos e menos de 0,9% em pontos percentuais.
Terminou um ciclo político, outro se inaugurou. Com a saída de cena da fugaz maioria absoluta socialista, que não chegou a durar dois anos, e a formação de um Governo sem apoio maioritário na Assembleia da República. Empossado a 2 de Abril, o Executivo é forçado a negociar cada diploma com diferentes grupos parlamentares. Mas obteve inegável vitória política ao ver o Orçamento do Estado para 2025 viabilizado no hemiciclo, em 29 de Novembro, graças à abstenção do PS.
Em sucessivas sondagens, Montenegro tem mantido um nível de aprovação apreciável, sem acusar desgaste, o que contribuiu para a atitude construtiva dos socialistas no parlamento - o que aliás mereceu críticas internas ao secretário-geral do partido, Pedro Nuno Santos.
Sabe-se já que em 2025 o chefe do Executivo continuará em funções, pois os seis meses finais do mandato presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa impedem-no de dissolver a legislatura. Ironias da política: há pouco mais de um ano, Montenegro era apontado por um batalhão de comentadores como mero «líder de turno do PSD, com os dias contados». A vida dá muitas voltas. E a política, em Portugal, parece por vezes uma montanha-russa.
Também entre nós, o primeiro-ministro venceu por maioria simples. Dos 18 autores que participaram nesta eleição, oito destacaram-no. Superando o chefe do Governo cessante, António Costa, que recolheu três votos sobretudo por ter sido escolhido, entre os seus anteriores colegas em Bruxelas, como novo presidente do Conselho Europeu. «Verdadeiro animal político, consegue sempre dar a volta por cima», foi justificação apresentada por quem aqui o preferiu. Cumpre recordar que Costa já tinha sido Figura Nacional do Ano do DELITO em 2015 e 2022.
Houve duas menções a André Ventura, líder do Chega, que viu o seu partido ampliar de 12 para 50 o número de deputados, e a Henrique Gouveia e Melo, que no fim do ano cessou funções como chefe do Estado Maior da Armada. Neste caso, houve quem justificasse, por «sem fazer nada conseguir colocar as presidenciais a girar à sua volta».
Se vencesse aqui, o almirante seria repetente: foi nossa Figura do Ano em 2021.
Enfim, votos isolados recaíram no novo presidente do FC Porto, André Villas-Boas, que pôs fim ao consulado de 42 anos de Pinto da Costa à frente do clube, derrotando-o em eleições no clube, e em Iúri Leitão, primeiro português a conquistar duas medalhas na mesma edição dos Jogos Olímpicos, desta vez disputados em Paris.
Como sempre acontece, os autores do blogue são livres de votar ou não votar em cada bloco deste balanço anual, que se desdobra em cinco áreas. Podem até escolher mais do que um.
Figura nacional de 2010: José Mourinho
Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar
Figura nacional de 2013: Rui Moreira
Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre
Figura nacional de 2015: António Costa
Figura nacional de 2016: António Guterres
Figura nacional de 2017: Marcelo Rebelo de Sousa
Figura nacional de 2018: Joana Marques Vidal
Figura nacional de 2019: D. José Tolentino Mendonça
Figura nacional de 2020: Marta Temido
Figura nacional de 2021: Henrique Gouveia e Melo
Figura nacional de 2022: António Costa
Figura nacional de 2023: Marcelo Rebelo de Sousa

