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Festivais, petições e artistas parvos

por João Pedro Pimenta, em 17.05.19

Ao contrário do que se chegou a vaticinar por algum público prematuramente eufórico e por alguns músicos demasiado convencidos do seu poder intuitivo, Conan Osíris ficou pelo caminho na sua primeira actuação no festival da Eurovisão, em Telavive, e nem à final vai. Não era difícil imaginar que aqueles requebros com uma música que não destoaria dos saudosos Cebola Mol só por delírio poderia ganhar o certame, por muito freak que o espectáculo se tenha tornado (vide a vencedora do ano passado). Além de que os israelitas desconfiam dos egípcios, pelo que um concorrente com o nome "Osíris" não teria muitas facilidades. Mas passado o infortúnio (ou a salvação da honra da pátria, não sei), lembrei-me de um episódio recente que data da escolha do representante português no festival.

 

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Em carta aberta, quarenta "artistas portugueses" pediram a Conan Osíris que não fosse actuar em Israel porque isso seria "ignorar o cerco ilegal que Israel mantém em Gaza". Pelo meio, falavam de como Osiris "conseguiu deslumbrar Portugal com a sua música e honestidade".

Não sei o que é que era mais delirante na carta: se acharem que a música do vencedor do festival da canção "deslumbrou Portugal", se toda a inflamação contra Israel. Entre os subscritores encontrava-se um ou outro nome mais respeitável, como Afonso Cruz ou Pedro Lamares, que dificilmente se percebe o que faziam ali, mas outros, como Alexandra Lucas Coelho, eram tão previsíveis que só de se ler o conteúdo da missiva se imagina que tais pessoas tinham alguma coisa a ver com aquilo.

Não que o estado de Israel não tenha as suas responsabilidades na desgraça que é Gaza. Já não estamos exactamente nos anos cinquenta para referir sempre as ameaças externas ao estado judaico. O Egipto e a Jordânia têm relações diplomáticas com Israel, e a Síria tem bem mais com que se preocupar internamente. A norte, é certo, há sempre as preocupações com o Hezbollah, amparado pelo Irão, e também de Gaza constantemente voam rockets para território israelita. A política de colonatos, que serve sobretudo para atender ao crescente número de ortodoxos, não ajuda a apaziguar a situação. E a forma como muitas vezes os soldados tratam os palestinianos de Gaza, da Cisjordânia, a começar pela circulação entre territórios, não é digna de um país de cultura ocidental. A reeleição do oportunista e revisionista Bibi Netanyahu, que parece ter mais vidas que um Macabeu, entre acusações de corrupção, aliados desavindos e coligações adversárias potencialmente perigosas, agrava ainda mais as coisas.

O problema é que se Israel abusa da sua posição de força, os povos que os rodeiam conseguem fazer pior. Os palestinianos não têm grandes razões para elogiar o Hamas e a Fattah. Justamente há dias voltaram a lançar rockets contra povoações israelitas, provocando vítimas (a que as forças armadas de Israel responderam com ainda mais vítimas). E convém lembrar que entre 1948 e 1967 os judeus foram todos expulsos da Cidade Velha de Jerusalém e não se podiam aproximar sequer do Muro do Templo, o seu lugar mais sagrado. Os muçulmanos continuam a poder circular por toda a parte e não consta que a Cúpula do Rochedo e a Mesquita Al Aqsa lhes tenham sido vedadas.

Por isso, toda essa verborreia contra o festival em Israel não passou de um aproveitamento político mal disfarçado. Aliás, já antes um conjunto de associações tinha feito igual pedido, e entre elas figurava o patusco colectivo Panteras Rosa, um grupo que combate a "LesBigay transfobia", e que provavelmente ignora que Israel é o único país da zona que respeita os direitos LGBT (sim, há mesmo uma parada gay anual em Jerusalém). Mas tendo em conta que o porta-voz desse grupo é um dos 25 que abandonou recentemente o Bloco de Esquerda por considerá-lo "pouco radical", percebe-se um pouco melhor esta aparente esquizofrenia.

Pelo meio, uma voz um pouco mais conhecida e com uma velha e conhecida obsessão por Israel tinha entrado em cena: a de Roger Waters. O antigo Pink Floyd e autor de The Wall enviou uma carta ao "jovem e talentoso cantor português", cuja canção traduziu e achou "bastante profunda", pedindo-lhe para ser "o finalista que seria lembrado por se ter colocado do lado certo da história", o do "amor, paz verdadeira e justiça". Como se sabe, Osíris nem sequer chegou à final, pondo em causa a carreira de áugure de Waters, mas também lhe deu uma resposta evasiva, depois de dias sem lhe responder.

A verdade é que as escolhas políticas de Roger Waters são muito duvidosas. Por essa altura, reafirmou o seu entusiástico apoio ao regime da Venezuela, acusando a oposição de fazer parte da "agressão norte-americana, e surgiu num vídeo, elogiando "a experiência socialista bolivariana", com umas palavrinhas em espanhol, decerto para melhor demonstrar a sua fraternidade com Maduro, e uma guitarrada medíocre, terminando com um "viva la revolucion". E de onde falou, o intrépido artista? Da Suíça, esse farol de rebeldes e de defensores dos desvalidos. Apoiar o bolivarianismo sim, mas só nos intervalos dos desportos de Inverno, entre idas ao banco para inspeccionar as contas que aumentaram com a venda de dezenas de milhões de discos e digressões ciclópicas.

Lembrei-me que aqui há uns anos estive tentado a ir ver o concerto The Wall Live ao pavilhão Atlântico. Mas depois achei que o custo não valia o esforço e que aquilo era demasiado maçador. Depois de ouvir as opiniões políticas de Waters, e mesmo fazendo a destrinça entre o artista e a sua obra, concluo que foram os trinta euros (só do concerto) mais bem poupados da minha vida.


41 comentários

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De sampy a 17.05.2019 às 06:43

Madonna, não vás! Olha que os israelitas são piores que 1000 Basílios Hortas!
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De Anonimus a 17.05.2019 às 06:49

Serei o único que ainda não ouviu essa canção do telemóvel?
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De kika a 17.05.2019 às 10:17

Não é o único.
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De Corvo a 17.05.2019 às 11:40

Eu nem no telemóvel nem em parte nenhuma. E não fosse este postal continuava na ignorância de que, algures em alguma parte do mundo se realizara um festival musical.
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De António a 17.05.2019 às 13:47

Houve tempo em que não ligava, mas de excertos que tenho apanhado, creio que o festival da eurovisão atingiu níveis de surrealismo kitsch tão altos que é capaz de valer a pena. Está ao nível do wrestling e dos concursos de misses americanos.
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De Pedro Correia a 17.05.2019 às 13:53

Antes os concursos da Miss T-Shirt Molhada...
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De António a 17.05.2019 às 14:23

Em termos de foleirice pura e dura não chegam lá.
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De Cristina Torrão a 17.05.2019 às 08:39

Grande post!

Seria interessante saber se Roger Waters enviou cartas dessas a mais participantes, exactamente com os mesmos elogios aos intérpretes e às canções.
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De Cristina Torrão a 17.05.2019 às 08:48

P.S. Ouvi a "nossa" canção, pela primeira vez, no vídeo da actuação de Osíris na semi-final, publicado na internet e redes sociais. A minha opinião: a canção não passou à final porque é muito chata. O início surpreende, com a sua mistura de fado/sons islâmicos (típicos do nosso Sul) e hip-hop (ou coisa parecida), mas, quando se espera que a coisa avance, mantém-se nessa ladainha, sem altos nem baixos, enfim, uma coisa bastante monocórdica e tristonha, como nós tanto gostamos. Agora os outros...
O ar trágico e aflito de Osíris, durante todo o desempenho (do qual nós também tanto gostamos), deve igualmente ter enfastiado públicos de outras paragens.
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De Vorph Valknut a 17.05.2019 às 09:45

Para mim não passou por causa do cenário, que fazia lembrar os arcos de uma mesquita, e do batuque ter muitas influências árabes....até gostava da música....bom, gostar talvez seja exagero.
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De Cristina Torrão a 17.05.2019 às 12:36

Sim, a atmosfera era muito árabe. Lembremo-nos, porém, que não foram apenas os israelitas a votar, embora tudo o que soe a árabe caia igualmente mal a certos europeus...
A música, para nós, é interessante. Eu também não posso dizer que não gostei. Tem a ver com as nossas raízes e toca-nos, de alguma maneira, mas achei-a melancólica demais, pelo menos, num contexto internacional. É mais para consumo interno.
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De Luís Lavoura a 17.05.2019 às 14:40

tudo o que soe a árabe caia igualmente mal a certos europeus

Ouvi ontem (não sei se não seria uma fake news) que fizeram um inquérito aos norte-americanos sobre o que eles (não) gostariam que fosse ensinado nas escolas aos seus filhos, no qual inquérito se concluiu que uma parte substancial dos norte-americanos não querem que se ensine números árabes às crianças.
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De Vorph Valknut a 17.05.2019 às 15:56

Vão ensinar os romanos?
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De Cristina Torrão a 17.05.2019 às 12:41

Ainda não ouvi as outras, mas não duvido que irão à final canções bem piores que a nossa.
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De Luís Lavoura a 17.05.2019 às 09:24

Já não estamos exactamente nos anos cinquenta [...] entre 1948 e 1967 os judeus foram todos expulsos da Cidade Velha de Jerusalém e não se podiam aproximar sequer do Muro do Templo

Parece-me haver uma contradição entre dizer (corretamente) que já não estamos nos anos 50 mas depois vir recordar algo que se passava nesses anos.
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De João Pedro Pimenta a 17.05.2019 às 15:50

Contradição? O que digo é que Israel não tem tantas razões para se sentir ameaçado como na altura em que os seus lugares santos lhe estavam vedados e sofria riscos de invasão.
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De Vorph Valknut a 17.05.2019 às 09:40

Percebo o que diz...sim, é obtuso pedir o boicote, a artistas, de participarem, em Israel, na Eurovisão (se usassemos como critério o respeito pelos Direitos Humanos os artistas ficariam sem meio mundo onde actuar, a começar pela China) . Mas João, veja a pouca vergonha, neste momento, contra o Irão, mais as acusações de estes terem afundado navios sauditas. Quase de certeza uma False Flag ( como as AMD do Iraque, ou o incidente na Baía de Tonkin...) com o propósito de invadirem o Irão, ou aumentarem o preço do petróleo, a bem da Chevron, da Exxon, e da Haliburton ( para mim óptimo pois tenho acções desta empresa; quanto mais sujas mais possibilidades tenho de ganhar). Relembro o documento:

Rebuilding America's Defences: Strategies, Forces And Resources For A New Century, was written in September 2000 by the neo-conservative think-tank Project for the New American Century (PNAC).

"In the Persian Gulf region, the presence of American forces, along with British and French units, has become a semi-permanent fact of life. Though the immediate mission of those forces is to enforce the no-fly zones over northern and southern Iraq, they represent the long-term commitment of the United States and its major allies to a region of vital importance. Indeed, the United States has for decades sought to play a more permanent role in Gulf regional security. While the unresolved conflict with Iraq provides the immediate justification, the need for a substantial American force presence in the Gulf transcends the issue of the regime of Saddam Hussein" (p. 14)'

PNAC members on the Bush team include Vice-President Dick Cheney and his top national security assistant, I. Lewis Libby; Secretary of Defense Donald Rumsfeld; Deputy Secretary of Defense Paul Wolfowitz; National Security Council member Eliot Abrams; Undersecretary for Arms Control and International Security John Bolton; and former Chairman of the Defense Policy Board, Richard Perle.

Muitos destes estão na administração Trump.

Para quem quiser ler na integra....bom vejam no youtube, é menos maçador:

https://youtu.be/oxz06SwfnlU

João, falta aí uma referência à politica de interferência americana nos países da América do Sul ( os exemplos são incontáveis, além de vís).

Já agora porque é que a Venezuela não pode "levantar" os 1.543 milhões de euros depositados no Novo Banco? É por causa do embargo americano, em nome do povo venezuelano?

https://www.google.com/amp/s/observador.pt/2019/05/03/organizacoes-da-venezuela-pedem-a-portugal-que-desbloqueie-1-543-me-retidos-no-novo-banco/amp/

Bachelet ( UN human rights chief) had previously warned that sanctions have "exacerbated" the crisis.

https://www.google.com/amp/s/www.aljazeera.com/amp/news/2019/03/rights-chief-decries-venezuela-crackdown-criticises-sanctions-190320143322054.html

É sempre Tudo no Maldito Interesse dos EUA, como se estes fossem os Nossos interesses ( a maldita visão do Manifesto Divino americano)

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Manifest_destiny

Os mesmos EUA, em cujo Estado do Alabama se pede o regresso do KKK para enforcar socialistas e se proibe, mulheres violadas, de abortarem.

America First:

https://www.google.com/amp/amp.timeinc.net/fortune/2019/03/11/russia-germany-pipeline

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De João Pedro Pimenta a 17.05.2019 às 15:51

Vorph, se fosse falar agora de todos os disparates do vendedor de tapetes que preside aos EUA, ficávamos aqui horas.
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De Luís Lavoura a 17.05.2019 às 10:13

A norte, é certo, há sempre as preocupações com o Hezbollah, amparado pelo Irão

Disparate. O Hezbollah tem uma cultura guerreira essencialmente defensiva. O Hezbollah nunca atacou Israel propriamente dito - somente parcelas de terreno que Israel anexou ao Líbano - a não ser no contexto de guerras desencadeadas por Israel. Israel fala muito do Hezbollah porque tem (Israel) uma cultura guerreira, que necessita de inimigos para se auto-justificar. Se Israel não fizer mal ao Líbano, o Hezbollah jamais fará mal a Israel.
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De Vorph Valknut a 17.05.2019 às 15:02

Luís, a OLP refugiou-se/ocupou o sul do Líbano tendo desestabilizado politicamente o país, além de este ter-lhr servido de base para incursões sobre o norte de Israel.

Pode é dizer que os israelitas têm financiado, com os sauditas, os sunitas extremistas da al-quaida.

https://www.google.com/amp/s/m.jpost.com/Middle-East/Report-Israel-treating-al-Qaida-fighters-wounded-in-Syria-civil-war-393862/amp
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De João Pedro Pimenta a 17.05.2019 às 15:55

Deve estar a gozar, não? Que parcelas do Líbano estão anexadas? E os raptos de soldados israelitas na fronteira? E os mísseis que de vez em quando se lembram de atirar para cidades do norte de Israel? E que sentido faz haver uma milícia armada no Líbano correspondente a uma divisão religiosa, um braço armado de um partido que não passa de uma quinta coluna síria/iraniana?
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De Luís Lavoura a 17.05.2019 às 16:02

As parcelas do Líbano ocupadas são as quintas de Shebaa. Vá ver à wikipedia se não sabe o que é. Os soldados israelitas raptados "na fronteira" foram raptados nesse território, que o Hezbollah considera parte do Líbano e onde portanto os soldados israelitas não teriam o direito de estar.

O Hezbollah nunca atira mísseis para Israel (que eu saiba), a não ser quando Israel invade o Líbano.

que sentido faz haver uma milícia armada no Líbano

Faz todo o sentido: defender o Líbano, coisa que o exército desse país é manifestamente incapaz de fazer.
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De Vorph Valknut a 17.05.2019 às 18:45

Operação Promessa Leal.
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De João Pedro Pimenta a 18.05.2019 às 03:09

Para já a soberania desse território por parte do Líbano não está determinada sequer pela própria ONU. E depois não é verdade que o Hezbollah não ataque Israel como retaliação, como se viu em 2006. E querem tanto defender o líbano que durante anos foram (e são) activos colaboradores da Síria enquanto esta dominava o país, incluindo a liquidação de alguns estadistas libaneses. E quem protege os outros libaneses do Hezbollah?
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De Vorph Valknut a 17.05.2019 às 10:20

Fica como aperitivo ( daí ter muitas dúvidas sobre o Irão....e não tenho vergonha de o dizer. Tenho sérias dúvidas sobre a Venezuela...lembra-se do golpe em 2002?)

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Operation_Northwoods

Operation Northwoods was a proposed false flag operation against the Cuban government that originated within the U.S. Department of Defense (DoD) and the Joint Chiefs of Staff (JCS) of the United States government in 1962. The proposals called for the Central Intelligence Agency (CIA) or other U.S. government operatives to commit acts of terrorism against American civilians and military targets, blaming them on the Cuban government, and using it to justify a war against Cuba. The plans detailed in the document included the possible assassination of Cuban émigrés, sinking boats of Cuban refugees on the high seas, hijacking planes, blowing up a U.S. ship, and orchestrating violent terrorism in U.S. cities.

Dentro do mesmo género:

Sobre MS Achille Lauro

https://www.mediamonitors.net/the-uss-cole-bombing-against-the-backdrop-of-israeli-black-propaganda-operations/

https://www.amazon.com/Profits-War-Inside-U-S-Israeli-Network/dp/1879823012

Ari Ben-Menashe & Sean Stone on the U.S. in the Middle East

https://youtu.be/iS1oi_ygERw
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De João Pedro Pimenta a 17.05.2019 às 15:52

Maduro também tentou o seu golpe, em 1992. E não ficou muito tempo atrás das grades.
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De Vento a 17.05.2019 às 12:41

É caso para dizer que não faltou música em torno do festival musical, embora eu não saiba quem Osíris é e o que canta.
Porém ouvi falar também naquele outro Osíris, o deus da força do solo, e que hoje se poderá traduzir por um deus ecológico. Como tal, também é o deus do renascimento, aquele que renasce; uns dizem, no Além; e eu direi: além.

Em suma, poderei resumir a posta do JPP em torno de um conflito de interesses entre divindades, que opõem os filhos de Abraão e os filhos da idolatria que se vem acentuando cada vez mais. Note-se que Ismael (Ishmael ou Yishmáel significa: Deus ouve ou Deus ouvirá) também era filho de Abraão, nascido do ventre de aluguer da escrava egípcia Agar.

Portanto, pelo que li, Osíris, o cantor, não esteve para festivais, e regressa a casa.
E como a matéria gira em torno de divindades, eu prefiro o Emanuel, Deus connosco, que veio unir o que em Babel se separou.
Aliás, Pentecostes, que se celebrará em Junho, está aí para indicar que a humanidade separada pela diversidade de línguas em Babel poderá ser reunida em torno de uma linguagem única e Universal - por isto caíram línguas de fogo -, entendível, perceptível e materializável na expressão que se designa por Amor.
Portanto, em Pentecostes, todos entenderam o que se dizia (que leva por nome glossolalia), incluindo judeus, prosélitos, helenistas (aliás estes últimos muito conectados com a postura essénia de Qumran, da qual Estevão, o primeiro mártir cristão, conseguiu estabelecer uma perfeita simbiose entre esta e o Espírito do cristianismo)...
Dias chegarão em que Jacob (nome que se transforma em Israel) não mais lutará com Deus, ou com o Anjo de Deus, e com os homens.
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De João Pedro Pimenta a 17.05.2019 às 15:58

Os Ptlomaicos tentaram fazer uma amálgama dos deuses gregos com os egípcios, com algum sucesso.
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De Luís Lavoura a 17.05.2019 às 13:30

a forma como muitas vezes os soldados tratam os palestinianos [...] não é digna de um país de cultura ocidental

Mas Israel só muito parcialmente é um país de cultura ocidental.

Por exemplo, na cultura ocidental a comunidade nacional é, basicamente, o conjunto de pessoas que vivem no território do país. Na cultura oriental, própria da Europa Oriental e que orienta também Israel, a comunidade nacional é determinada por critérios étnicos - pode haver pessoas fora do território do país que pertencem à nação, e as pessoas que vivem no país podem pertencer a nações diferentes.

Assim, na Polónia antes da Segunda Guerra habitavam duas nações - os polacos e os judeus. Em Israel habitam duas nações - os árabes e os judeus. Uma tal conceção de nacionalidade é totalmente estranha ao "Ocidente" moderno.
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De Vorph Valknut a 17.05.2019 às 14:06

Luís, há também israelitas seculares não judeus. E na Polónia há muitas mais etnias que não refere. Nomeadamente a Russa.

E em Espanha, por exemplo com o País Basco cujo idioma não é indoeuropeu?

A Europa Central está cheia de países cujos nacionais têm diferentes etnias....a única diferença com Israel/Palestina é que não se distinguem pela cor da pele, mas pela largura do espaço interorbitário.
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De Luís Lavoura a 17.05.2019 às 16:10

há também israelitas seculares não judeus

Quando eu falo de judeus refiro-me a pessoas de etnia judaica. Não me refiro a pessoas de religião judaica. É bem sabido que há montes de judeus não-religiosos.

A Europa Central está cheia de países cujos nacionais têm diferentes etnias

Pois está. E como são eles encarados? Como estrangeiros. Enquanto que um basco espanhol é reconhecido por todos os espanhóis como espanhol, e um basco francês é reconhecido por todos os franceses como francês, um romeno de etnia húngara é encarado na Roménia como um estrangeiro e na Hungria como um nacional; um polaco de etnia judaica não é encarado pelos outros polacos como verdadeiramente polaco; e assim por diante.
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De Anónimo a 17.05.2019 às 22:58

O que é que é isso de etnia judaica? Alguns são mais eslavos ou gernânicos que de "sangue judeu"

Não há etnia judaica. Os judeus historicamente têm origem num conjunto de tribos diferentes, sendo que o único elemento comum era Javé. Os judeus devem porventura ser o único povo inventado após a criação/ fusão de um novo deus. Biologicamente não há judeus, como há Alemães e Saxões

Vorph
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De João Pedro Pimenta a 17.05.2019 às 15:56

Vá dar um giro a Telavive e diga-me se aquilo não é ocidental (tirando o raio da língua e do alfabeto).
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De Luís Lavoura a 17.05.2019 às 16:06

Telavive é "ocidental". Mas Israel no seu todo não o é assim tanto. Dê um giro por Jerusalém, pelos seus bairros ortodoxos e árabes, e perceberá que Israel não é totalmente "ocidental". É também muito "oriental"
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De Anónimo a 17.05.2019 às 23:00

Como o alentejo e o algarve. Conhece Silves?

Vorph
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De Anónimo a 18.05.2019 às 02:52

Eu não disse que era todo ocidental o lavoura é que diz que só o é "muito parcialmente". Ainda há semanas escrevi aqui um post sobre Acre. Quanto ao seu conselho, há não muito tempo dei umas voltas em Jerusalém. É uma cidade única, mas tirando partes da cidade velha, em grande medida é ocidental, como aliás o era noutras eras, como quando recebeu influência grega. E israel na sua maioria também o é.
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De João Pedro Pimenta a 18.05.2019 às 03:10

Como se compreende, o comentário de cima é meu.

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    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D