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Ferro proibicionista

por Pedro Correia, em 16.12.19

Em tempos proibicionistas, com a liberdade de expressão cada vez mais comprimida, o senhor Ferro Rodrigues lembrou-se de interditar a palavra "vergonha" naquele que devia ser o espaço da liberdade por excelência: o hemiciclo da Assembleia da República. Um local onde desde o tempo da monarquia constitucional se pronunciaram as mais acaloradas diatribes contra o poder de turno e só foi transformado em mausoléu da interdição durante os anos em que ali se sentavam as silenciosas sumidades da Assembleia Nacional.

Se "vergonha" é expressão a banir, com horrores de blasfémia, questiono-me o que acontecerá no dia em que um deputado da Nação se atrever a proclamar que se está «cagando para o segredo de justiça». Mas talvez aqui o senhor Ferro Rodrigues abrisse uma benevolente excepção.


35 comentários

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De Luís Lavoura a 16.12.2019 às 09:31

Uma coisa são conversas que se tem ao telefone, nas quais se usa expressões como "cagar", outra coisa são discursos na AR.
Uma coisa é dizer "vergonha" ocasionalmente, outra é repeti-la em todos os discursos que se faz na AR.
Dito isto, concordo que Ferro Rodrigues esteve muito mal.
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De Pedro Correia a 16.12.2019 às 14:18

Quando a segunda figura do Estado, mesmo em conversa privada, diz que se está "cagando para o segredo de justiça", é sempre mau.
Aliás não é mau: é péssimo.
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De Anónimo a 16.12.2019 às 14:36

"- Há palavras que são muitos feias - diz o Senhor Prior na cataquese de hoje."
" - Pronunciá-las é pecado e aproxima-ta do diabo do inferno (Passos Coelho) - acrescenta."
"- Querem exemplos? Vai pra vergonha que te ...; Vai-te vergonhar; Gonha-se!"

A assembleia da república tem, tipo (ah ah ah), destas coisas.
Uns são limitados na expressão e passam o dia, tipo a decorar provérbios e tipo outra sabedoria popular para depois, pretensamente, debitar tipo cultura nos debates. Outros gastavam tipo "senhorre perrimeirro ministerro". Também há aqueles que tipo nada dizem que é tipo uma fodonha. E, tipo muito pior, há aqueles que julgam que dizem tipo muito e afinal, não dizem tipo nada o que os devia tipo enfodinhar.

Ora, aravelmente, ide-vos, tipo, envergonhar!

Smoreira
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De Luís Lavoura a 16.12.2019 às 14:46

Ninguém tem nada a ver com as conversas privadas de seja quem fôr. Incluindo as conversas privadas das figuras do Estado.
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De Pedro Correia a 16.12.2019 às 14:50

As figuras do Estado não têm conversas privadas. Só têm conversas públicas.
Se uma figura do Estado diz que se está a cagar, ainda que em privado, levará com esse selo malcheiroso durante o resto da vida pública.
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De Nuno a 17.12.2019 às 01:49

Até dá para concordar que as conversas "privadas" do sr. são "privadas". Tem o direito de chamar o que quiser à sua parceira e ninguém tem nada a ver com isso.

Mas se (por algum motivo acessório) se descobrir que a trata a baixo de cão, isso é censurável independente da forma como a informação foi obtida.

A teoria de que as provas têm que ser obtidas de forma justa (e que as restantes não podem ser usadas) é para ser aplicada nos tribunais, não nos julgamentos éticos que fazemos uns dos outros no dia a dia. Existe para evitar que o estado se torne abusivamente poderoso.

O sr. disse ou não disse estar-se a cagar para o segredo de justiça? Se não disse que se queixe de calúnia. Se disse, e só se queixa de ter sido descoberto, como figura pública tem que assumir o que disse e explicar-se. Se foi coisa do momento, lamente-se. Agora não me venha com tangas da vida privada para me dizer que eu não posso julga-lo moralmente pelo que disse.

Ele tem o direito de dizer o que dizer (ie. não ir preso) e eu tenho o direito de o achar indigno para o cargo que ocupa. #vergonha
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De Luís Lavoura a 17.12.2019 às 11:20

O que está em causa aqui não são as opiniões de Ferro Rodrigues (ou de André Ventura), mas sim os termos em que as exprimem.

Se André Ventura disser em público, suponhamos, "a Assembleia da República presta um mau serviço ao país", isso é uma expressão adequada. Já se disser em público "a Assembleia da República é uma vergonha", isso pode ser censurável.

Porém, se André Ventura disser isso em privado, num jantar com amigos ou numa conversa telefónica, isso já nada terá de censurável.

O mesmo se passa com Ferro Rodrigues. Numa conversa telefónica, é legítimo que ele diga que se está a cagar para seja o que fôr. Porém, já não deve utilizar essa expressão em público.

Repito, o que se critica não são propriamente as opiniões de um ou do outro, mas sim os termos menos elegantes em que as exprimem.

Por exemplo, se o Nuno escreve neste blogue que Ferro Rodrigues é "indigno do lugar que ocupa", isso está perfeito. Já se usasse termos insultuosos e grosseiros, isso seria criticável.

Note-se, porém, que numa conversa privada, digamos que telefónica, o Nuno poderia perfeitamente usar os insultos que quisesse em relação a Ferro Rodrigues. Isso nada teria de criticável, porque a conversa privada é coisa que só diz respeito a quem a tem.
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De Anónimo a 18.12.2019 às 20:18

"Já se disser em público "a Assembleia da República é uma vergonha", isso pode ser censurável."

Mais uma vez o Luís Lavoura a fazer-se desentendido. Ferro Rodrigues da posição que ocupa ameaçou um deputado por ter usado a palavra "vergonha".

lucklucky
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De Anónimo a 16.12.2019 às 09:48

Ora os pergaminhos de S.Exa. em nada têm a ver com os do “gajo” daquele partideco! Não nos esqueçamos que todos os que pululam há anos naquela assembleia são todos filhos de gente de bem. Todos lutaram afincadamente contra os senhores do ancien régime, por forma a ocuparem os seus lugares de forma calma e ordeira.
Agora, com essa mania de concederem espaço a qualquer um, vem este “gajo” que se acha alguém só porque tirou um curso e já quer fazer parte do grupo. Meu caro, cuidado com as palavras, pois se no tempo da outra senhora, todo o cuidado era pouco, hoje em dia, os seus saudosos e ditosos filhos, estão de pedra e cal em todos os lugares. E a coisa reproduz-se pelos seus netos e fieis seguidores, saudosos do tempo em que a maralha sabia o seu lugar.
Portanto, cuidado ó “gajo” que isso da representatividade e democracia não é para filho de gentalha!
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De Manuel Sousa a 16.12.2019 às 10:09

Acresce, que no caso do amianto em edifícios públicos e escolares, a obstrução e inacção quanto a retirada - pode ser considerada como criminosa.
E como tal, passível de processamento pelo MP.
Que aliás, não devia esperar por denúncia, de tão pública e notória que é.
Já não de trata só de vergonha, indecência, escândalo - mas de crime público.
Ou então, sou ceguinho?
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De Pedro Correia a 16.12.2019 às 14:26

Caro Manuel, é um tema importante mas não vejo relação com aquilo que trago aqui.
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De Isabel Paulos a 16.12.2019 às 10:56

Um parlamento que eleva Ferro Rodrigues a presidente merece André Ventura.
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De Pedro Correia a 16.12.2019 às 12:05

Candidato desde já a pensamento da semana.
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De Anónimo a 16.12.2019 às 18:35


Obrigada, numa semana agitada como esta, de sensibilidade à flor da pele, acredito que existam outros comentários mais incisivos.

O Pedro Correia expressou no post o que a maioria pensa, mas já desistiu de dizer. Não houve vivalma que não tenha recuado 16 anos e lembrado a pérola com que Ferro Rodrigues brindou o País. E não venham os lúcidos chamar puritano a quem não achou graça. Não se trata de falsos pudores. Não é que o calão ou o palavrão melindrem. É a irritação de ver gente, em compadrio, com a boca na botija a debochar da lei. A debochar do País.
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De Tiro ao Alvo a 16.12.2019 às 20:19

Se não foi a Isabel quem escreveu isto, parece. Mas, se foi, eu elegeria este como o melhor candidato a comentário da semana, em complemento do outro..
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De Isabel Paulos a 16.12.2019 às 22:27

Fui sim, mais uma vez esqueci de assinar. Obrigada.
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De Anónimo a 16.12.2019 às 10:57

Nada como, numa próxima oportunidade, substituir "vergonha" por um seu sinónimo e insistir, insistir...
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De Pedro Correia a 16.12.2019 às 12:07

Desonra, enxovalho, humilhação, infâmia, mancha, opróbrio, ferrete, vexame, estigma, ignomínia.
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De ChakraIndigo a 17.12.2019 às 11:09

embaraço?
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De Anónimo a 16.12.2019 às 11:04

Vergonha, mas vergonha quase inexpiável , é ter este bandalho como "segunda figura do Estado".


JSP
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De Anónimo a 16.12.2019 às 11:22

Na política, estes dinossauros ainda se consideram "donos disto tudo".
São autistas.
Se não vêem o que vai acontecendo entre paredes, muito menos reparam na força que irrompe nas ruas.

João de Brito
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De Anónimo a 16.12.2019 às 14:40

'...a força que irrompe nas ruas'
É pá, não se vê nada, Só se forem os turistas, mas assim de calção e manga curta? Então, os archotes, as fardas e as paradas militares?
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De Pedro Correia a 16.12.2019 às 14:52

Eu hoje vi quatro coletes amarelos. Devido a acidentes rodoviários neste dia de muita chuva.
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De Anonimus a 16.12.2019 às 11:24

Delito de Opinião do Dr. André. Ventura, não confundir com o outro Andrém que é fixe.
A vergonha é dizer vergonha, já fazer barulho quando um deputado tem a palavra, é do bem. Ou falar de sem-abrigo num debate sobre ex-combatentes.
É continuar assim, no enxovalho ao Chega. Daqui a uns tempos, quando o Parlamento estiver cheio de Venturas, os políticos e comentadeiros do sistema orgânico perguntar-se-ão o porquê da ascensão do populismo.
Povo ignorante será a resposta.
(sério, que o Ferro marra com o Ventura? Quando deveria era usar toda essa energia nos tipos que picam o ponto pelos colegas, ou que declaram morada em Alguidares de Cima, ou que fazem leis que lhes permitem prescrever multas. Depois queixam-se do "populismo")
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De Anónimo a 16.12.2019 às 17:49

Cheio de Venturas? Mais comentadores da bola com penteado à rufia (ou à chulo dos anos 70, dizem que é postiço) no Parlamento? E então quando é que vem a crise mundial? Sem crise não há mudanças radicais e porrada nas ruas para aparecerem os 'salvadores da Pátria'. Este rapazinho esgota-se quando os seus 'inventores' quiserem também protagonismo ou o Benfica deixar de estar por cima. Em tempos o Pinto da Costa quase que seria um grande candidato a Presidente da República, depois veio a trafulhice, o FCP em baixo e o homem desapareceu de cena.
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De Anónimo a 16.12.2019 às 18:53

O partido socialista já presenteou o País com três desastres nas contas públicas. Tem conseguido dirigir a atenção de 1/5 do eleitorado na direcção que lhe convém. Arte?.
Entretanto adivinha-se o 4º desaste made in PS. Óbvio, basta seguir o evoluir das coisas na administração central desta (des)união europeia.
Daí o nervosismo evidente, nas cúpulas do partido socialista, que se tem manisfestado de forma entre o caricato e o ridículo. Veja-se o episódio entre o PM e o "seu" polivalente MinFin. De antologia neste tipo de regimes, a culpa é do acabar dos dinheiros dos outros, não é de quem mal administra.
Se calhar tanta, repetida, má administração da coisa pública já ... chega!.
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De Pedro Correia a 16.12.2019 às 19:01

Uma vergonha, este arrufo entre Costa e Centeno.
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De Anónimo a 16.12.2019 às 20:09

As comadres a zangarem-se e a verdade a vir ao de cima.
Parece que os ricos da UE querem fechar a torneiro ao poucochinho e ele já estrebucha como o outro.
Mais uma vez a factura para os mesmos de sempre e os de sempre a pegar no leme do navio no meio da tempestade.

WW
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De Anonimus a 17.12.2019 às 07:36

Arrufo tipo WWF.
Costa & Centeno, com o spiner Galamba.

http://thehistoryofwwe.com/blog/wp-content/uploads/2012/02/money-inc.jpg
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De V. a 16.12.2019 às 21:04

Ainda há bem pouco tempo Ferro Rodrigues na qualidade de PAR dizia em plena televisão que não sei o quê era "vergonhoso". Lembro-me bem da imagem: olhos irados, cabelo pastoso, baba ao canto da boca. Era bom era, mas não me consigo esquecer disto. É como um alien doente colado na minha retina.

Já procurei na net mas não encontro — mas aposto que anda por aí algures nos youtubes o tal grito "é vergonhoso" cheio de baba.

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