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Ferindo a democracia

por João André, em 09.05.18

Com a decisão de quebrar a parte dos EUA no acordo nuclear com o Irão, Trump causou diversas tensões com aliados e outros países. Não me vou pronunciar sobre os méritos da decisão em si: quem me lê sabe qual a minha posição e, além disso, não vem espantar ninguém quando era já uma promessa de campanha. A única surpresa é ter vinda só ao fim de quase ano e meio de mandato e não ter sido tomada à primeira oportunidade.

 

Aquilo que me tem parecido que falta ver é a forma como também esta decisão vem enfraquecer as democracias (não só a dos EUA). Quando um país assina um acordo ou um tratado deve manter-se fiel ao mesmo enquanto as partes o respeitarem. Isto foi o caso aqui. Quando um país, após a mudança de governo, decide rasgar um acordo que respeitou os seus instrumentos democráticos está a enviar a mensagem que a democracia não pode ser confiada, porque à menor mudança de governo os acordos deixarão de ter valor.

 

Esta decisão vem apenas dar munição a ditadores e outros líderes autoritários (a diferença é pequena mas ainda vai existindo) quando querem atacar as democracias liberdades. Vem dar a possibilidade de apontar o dedo aos EUA e dizer que lideranças estáveis (tradução: imutáveis) são melhores porque os parceiros e os cidadãos sabem que o rumo não mudará abruptamente a cada 4 anos.

 

Uma democracia moderna tem determinados mecanismos para garantir equilíbrio entre os seus diversos pilares, os quais têm a obrigação de garantir que os acordos são para respeitar enquanto país. Não o fazer acaba por ferir a democracia mais que qualquer aprendiz de feiticeiro que ganhe a presidência. Seria bom que os políticos nos EUA o percebessem antes que comecem a erodir o sistema que dizem defender.

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62 comentários

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De Luís Lavoura a 09.05.2018 às 16:06

O poderoso Kim coreano não claudicou devido à força de Trump. Claudicou porque a China lhe tirou o tapete debaixo dos pés.
Explico: Kim claudicou porque foram impostas sanções económicas à Coreia e a China, não somente votou a favor dessas sanções, como também começou a aplicá-las, em particular deixando de vender petróleo à Coreia.
A partir do momento em que o poderoso Kim viu que a China estava zangada com ele e, sobretudo, deixava de lhe vender petróleo, teve que baixar a bola.
A posição dos EUA é irrelevante. A Coreia basicamente não tem relações económicas com os EUA nem depende deles para nada. Mas a posição da China, essa sim, é muitíssimo relevante para o querido Kim.
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De Meister Von Kälhau a 09.05.2018 às 18:24

O Objectivo do Kim era tornar a Coreia uma Potência Nuclear e consegui-o. Agora tem uma margem de manobra como nunca teve...qual China, qual carapuça.

Estimates of the country’s nuclear stockpile vary: some experts believe Pyongyang has between fifteen and twenty nuclear weapons, while U.S. intelligence believes the number to be between thirty and sixty bombs. The regime successfully tested intercontinental ballistic missiles (ICBM), each capable of carrying a large nuclear warhead, in July and November 2017. Pyongyang said that in its November testing of the new Hwasong-15 ICBM, the missile hit an altitude of 4,475 kilometers (2,780 miles), far above the International Space Station, and flew about 1,000 kilometers (590 miles) before landing in the sea off Japan’s coast. Analysts estimate the Hwasong-15 has a potential range of 13,000 kilometers (8,100 miles) and, if fired on a flatter trajectory, could reach anywhere on the U.S. mainland.

https://www.cfr.org/backgrounder/north-koreas-military-capabilities
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De João André a 10.05.2018 às 14:00

A China é o país com mais peso para a Coreia do Norte. Sem os chineses os norte-coreanos não têm o petróleo para fazer funcionar a maquinaria de guerra. A única coisa que os chineses temem é uma vaga de refugiados a atravessar a fronteira. Ainda assim têm mais margem de manobra que um Kim que precisa de recursos para manter o poder.
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De João André a 10.05.2018 às 13:58

Completamente acertado. Só falta adicionar que uma vez na posse dessas armas, Kim está agora à vontade para negociar. E a China vai certamente recompensá-lo por aceitar os convites.

Note-se que há uns meses Kim foi até à China em visita oficial e que os chineses não pareciam contentes com ele.

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