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Ferindo a democracia

por João André, em 09.05.18

Com a decisão de quebrar a parte dos EUA no acordo nuclear com o Irão, Trump causou diversas tensões com aliados e outros países. Não me vou pronunciar sobre os méritos da decisão em si: quem me lê sabe qual a minha posição e, além disso, não vem espantar ninguém quando era já uma promessa de campanha. A única surpresa é ter vinda só ao fim de quase ano e meio de mandato e não ter sido tomada à primeira oportunidade.

 

Aquilo que me tem parecido que falta ver é a forma como também esta decisão vem enfraquecer as democracias (não só a dos EUA). Quando um país assina um acordo ou um tratado deve manter-se fiel ao mesmo enquanto as partes o respeitarem. Isto foi o caso aqui. Quando um país, após a mudança de governo, decide rasgar um acordo que respeitou os seus instrumentos democráticos está a enviar a mensagem que a democracia não pode ser confiada, porque à menor mudança de governo os acordos deixarão de ter valor.

 

Esta decisão vem apenas dar munição a ditadores e outros líderes autoritários (a diferença é pequena mas ainda vai existindo) quando querem atacar as democracias liberdades. Vem dar a possibilidade de apontar o dedo aos EUA e dizer que lideranças estáveis (tradução: imutáveis) são melhores porque os parceiros e os cidadãos sabem que o rumo não mudará abruptamente a cada 4 anos.

 

Uma democracia moderna tem determinados mecanismos para garantir equilíbrio entre os seus diversos pilares, os quais têm a obrigação de garantir que os acordos são para respeitar enquanto país. Não o fazer acaba por ferir a democracia mais que qualquer aprendiz de feiticeiro que ganhe a presidência. Seria bom que os políticos nos EUA o percebessem antes que comecem a erodir o sistema que dizem defender.

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5 comentários

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De Octávio dos Santos a 09.05.2018 às 23:08

Uma vez mais, vejo-me obrigado a corrigir textos, afirmações, de quem não sabe claramente muito do assunto em causa...

«Quando um país assina um acordo ou um tratado deve manter-se fiel ao mesmo enquanto as partes o respeitarem.»

Na verdade... não. Há limites, e regras, para a «fidelidade». O acordo com o Irão poderia ter algum «peso institucional», alguma, vá lá, «obrigatoriedade» para administrações posteriores se tivesse sido consagrado enquanto tratado... através de uma votação, e aprovação, no Congresso; tal não aconteceu porque Barack Obama sabia que uma maioria dos senadores não concordaria (sim, principalmente republicanos, mas também democratas); portanto, não foi o país, não foram os EUA, a estabelecer um entendimento com uma ditadura de fanáticos religiosos mas sim um bando de esquerdistas provisoriamente no poder (executivo).

A mesma «táctica», aliás, foi seguida pelo anterior presidente e pelos seus esbirros em dois outros assuntos fundamentais: o dito «acordo do clima de Paris» e o DACA (protecção - não expulsão - de filhos de imigrantes ilegais). Ambos, para terem uma confirmação/solução válida, deveriam ter sido levados a Congresso. Como não foram, tal como o acordo com o Irão, Donald Trump teve toda a legitimidade - e toda a justificação - para reverter, anular, os três.
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De João André a 10.05.2018 às 14:05

Caro Octávio dos Santos: se quiser discordar de tudo e mais alguma coisa que eu escreva, pode estar à vontade. Nunca me preocupei com isso.

Vai é fazer uma coisa: evitar esses termos ofensivos como "esquerdistas" e "esbirros [de Obama]". Eu posso não gostar que você associe toda a esquerda a uma ou outra medida ou acção. É direito seu. Mas abstenha-se de termos ofensivos.
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De Octávio dos Santos a 10.05.2018 às 23:03

Está a brincar? Espero bem que sim. Então «esquerdistas» e «esbirros» são «termos ofensivos»?! Mas que alma tão «delicada» e «sensível»!

É tão típico dos membros da «sinistra» (também um «termo ofensivo»?) tentarem controlar o que os outros dizem e escrevem. Eu «abstenho-me» se, o que e quando entender... ou não.
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De João André a 11.05.2018 às 09:36

Não venha com conversas. Você usou os termos com intenção ofensiva. Caso contrário poderia ter escrito "a esquerda" ou "os seus subordinados/a sua administração", etc. São termos que são ofensivos como você sabe muitíssimo bem. Não desconverse.

Peço simplesmente que os use (ou outros ofensivos), do resto pode escrever o que lhe apetecer.

Não faço ideia do que quer dizer como "sinistra" a não ser que esteja a querer fazer uma relação atabalhoada entre a palavra italiana para "esquerda" e o significado de "sinistra" em português. Seria mais um dos belos métodos dos grupos Alt-Right a que parece pertencer ou que pelo menos asusme seguir.
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De Octávio dos Santos a 12.05.2018 às 00:46

Quem deve deixar-se de conversas (da treta) é você. Sim, quem diria? Termos que para uns são «ofensivos» para outros não são. Paciência! O que vai fazer? Continuar a queixar-se? Passar a censurar (não publicar) os meus comentários, assim dando-me (mais) razão e instituindo neste blog a existência de - «autênticos» - «delitos de opinião»?

Eu poderia dizer que insinuar que pertenço a «grupos de alt-right» é que é verdadeiramente ofensivo. Porém, prefiro atribuir isso à ignorância. Felizmente, para tal há solução.

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