Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Ferindo a democracia

por João André, em 09.05.18

Com a decisão de quebrar a parte dos EUA no acordo nuclear com o Irão, Trump causou diversas tensões com aliados e outros países. Não me vou pronunciar sobre os méritos da decisão em si: quem me lê sabe qual a minha posição e, além disso, não vem espantar ninguém quando era já uma promessa de campanha. A única surpresa é ter vinda só ao fim de quase ano e meio de mandato e não ter sido tomada à primeira oportunidade.

 

Aquilo que me tem parecido que falta ver é a forma como também esta decisão vem enfraquecer as democracias (não só a dos EUA). Quando um país assina um acordo ou um tratado deve manter-se fiel ao mesmo enquanto as partes o respeitarem. Isto foi o caso aqui. Quando um país, após a mudança de governo, decide rasgar um acordo que respeitou os seus instrumentos democráticos está a enviar a mensagem que a democracia não pode ser confiada, porque à menor mudança de governo os acordos deixarão de ter valor.

 

Esta decisão vem apenas dar munição a ditadores e outros líderes autoritários (a diferença é pequena mas ainda vai existindo) quando querem atacar as democracias liberdades. Vem dar a possibilidade de apontar o dedo aos EUA e dizer que lideranças estáveis (tradução: imutáveis) são melhores porque os parceiros e os cidadãos sabem que o rumo não mudará abruptamente a cada 4 anos.

 

Uma democracia moderna tem determinados mecanismos para garantir equilíbrio entre os seus diversos pilares, os quais têm a obrigação de garantir que os acordos são para respeitar enquanto país. Não o fazer acaba por ferir a democracia mais que qualquer aprendiz de feiticeiro que ganhe a presidência. Seria bom que os políticos nos EUA o percebessem antes que comecem a erodir o sistema que dizem defender.

Autoria e outros dados (tags, etc)


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Vento a 09.05.2018 às 16:33

Não é grave. De acordo. Se a democracia se baseasse na permanente manutenção de acordos, então, passaríamos a ter um Estado gestor e não um Estado político. O acordo com a troika em Portugal deu para perceber a devastação em que a democracia ficou, que se mantém.

Trump está a fazer negócio com os seus amigos da Arábia Saudita e com Israel. Há 2 dias dois mísseis israelitas enviados contra um armazém de armamento na Síria foram destruídos no ar. Cada vez mais se torna difícil parar a influência do Irão na região e a sua presença na Síria, também apoiando o Hezbollah que tem forte presença no Líbano.
O Irão não ameaça os USA. Foi a política dos USA, Bush, e seus aliados que ameaçou a região e o mundo.
Israel está satisfeito e a Arábia Saudita também. Mas agora a conversa é outra e o preço do barril de petróleo continua a subir, beneficiando também os Sauditas.
Ora, ter o Irão a pretender fornecer o barril de petróleo a um máximo de 66 USD é uma chatice para os aliados sauditas e pode comprometer o pagamento do negócio de armamento que Trump fez em Riad. Isto, para Trump, é chatérrimo. Para Israel não está mal, porque provavelmente encontraram um fornecedor de energia que subsidia suas necessidades, em troca de protecção.
Portanto, o acordo nuclear com o Irão não serve para este negócio. Vamos lá ver as sanções que surgirão sobre as exportações do petróleo iraniano.

Porém Trump continua no bom caminho internamente, e não só em matéria económica. Kansas e Oklahoma aprovaram maioritariamente a interdição de se obrigar as instituições privadas a aceitar que crianças sejam dadas à adopção a pares do mesmo género. E promete avançar por aí. Isto com a Clinton não era possível. Entretanto a Califórnia ultrapassou o UK tornando-se a 5ª economia mundial, um estado que há pouco tempo estava em risco de falência. A América é sempre grandiosa no bom e no mal.

Concluindo, como a região não se vai embrulhar numa guerra que, certamente, faria abanar em definitivo o Estado de Israel, a história do Irão nuclear está aí para fazer negócio. Money, money, money makes the world go around:

https://www.youtube.com/watch?v=PIAXG_QcQNU
Imagem de perfil

De João André a 10.05.2018 às 14:02

Obviamente que a democracia não se esgota nisto. Apenas aponto que é mais um aspecto e que é óptimo para a propaganda anti-democrática ou anti-liberal.

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D