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Ferindo a democracia

por João André, em 09.05.18

Com a decisão de quebrar a parte dos EUA no acordo nuclear com o Irão, Trump causou diversas tensões com aliados e outros países. Não me vou pronunciar sobre os méritos da decisão em si: quem me lê sabe qual a minha posição e, além disso, não vem espantar ninguém quando era já uma promessa de campanha. A única surpresa é ter vinda só ao fim de quase ano e meio de mandato e não ter sido tomada à primeira oportunidade.

 

Aquilo que me tem parecido que falta ver é a forma como também esta decisão vem enfraquecer as democracias (não só a dos EUA). Quando um país assina um acordo ou um tratado deve manter-se fiel ao mesmo enquanto as partes o respeitarem. Isto foi o caso aqui. Quando um país, após a mudança de governo, decide rasgar um acordo que respeitou os seus instrumentos democráticos está a enviar a mensagem que a democracia não pode ser confiada, porque à menor mudança de governo os acordos deixarão de ter valor.

 

Esta decisão vem apenas dar munição a ditadores e outros líderes autoritários (a diferença é pequena mas ainda vai existindo) quando querem atacar as democracias liberdades. Vem dar a possibilidade de apontar o dedo aos EUA e dizer que lideranças estáveis (tradução: imutáveis) são melhores porque os parceiros e os cidadãos sabem que o rumo não mudará abruptamente a cada 4 anos.

 

Uma democracia moderna tem determinados mecanismos para garantir equilíbrio entre os seus diversos pilares, os quais têm a obrigação de garantir que os acordos são para respeitar enquanto país. Não o fazer acaba por ferir a democracia mais que qualquer aprendiz de feiticeiro que ganhe a presidência. Seria bom que os políticos nos EUA o percebessem antes que comecem a erodir o sistema que dizem defender.


62 comentários

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De Meister Von Kälhau a 09.05.2018 às 13:37

Trump sabe o que faz. Desvia o olhar de dentro, para fora. E promovendo a instabilidade mundial procura diminuir a instabilidade interna do seu governo. Uma velha forma de governação de líderes fracos ou com aspirações politicas não democráticas.
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De João André a 10.05.2018 às 13:46

Democráticos ou não democráticos. Já Clinton dez o mesmo e tinha melhores bases democráticas. E casos destes multiplicam-se por todo o lado.
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De João André a 10.05.2018 às 13:46

"dez" = "fez", evidentemente.
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De Anónimo a 11.05.2018 às 20:34

Infelizmente, se Clinton fosse presidente, em política externa seria a mesma merda que Trump. Acredito que fosse mais razoável em política interna e questões de imigração, mas não nos esqueçamos da destruição da Líbia.
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De Sarin a 09.05.2018 às 13:46

Excelente texto!

As consequências colaterais - que são, muitas vezes, causas implícitas - passam muitas vezes despercebidas no alvoroço das consequências imediatas.
Todas as leituras são possíveis, mas nem todas são aceitáveis.
Esta, sendo real e assim mais do que possível, deveria ser inaceitável.
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De Anónimo a 09.05.2018 às 19:05

É! Os Estados Unidos estão péssimos: o desenvolvimento económico só traz problemas :( Nem todos têm o privilégio de terem génios como Costa - ou mesmo Sócrates.
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De Sarin a 09.05.2018 às 21:39

Se consegue perceber isso ou o seu contrário nas minhas palavras, lamento pela sua capacidade de compreensão.
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De Anónimo a 09.05.2018 às 22:34

O caro colega anónimo não quer experimentar o sistema de saúde americano?
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De João André a 10.05.2018 às 13:48

Não houve ninguém a falar da economia americana. Caso contrário falamos das dos outros países todos, incluindo os não democráticos.

Falei de democracia, só isso. Economia e democracia não são a mesma coisa. Infelizmente há muita gente que não o percebe.
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De João André a 10.05.2018 às 13:47

Não irei ao ponto de a considerar inaceitável, mas acarreta riscos.
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De Sarin a 10.05.2018 às 14:00

Não aceito qualquer mecanismo que faça soçobrar pactos de confiança. A Democracia e as relações entre Estados dependem desta confiança - com as devidas salvaguardas, claro, porque a confiança é débil na ausência de transparência e todos sabemos que a política é retintamente opaca.

Nesta questão em concreto, ou a Europa (não a UE) se assume como independente e aliada de si mesma, ou voltamos à Guerra Fria com homúnculos de cabeça quente.
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De João André a 11.05.2018 às 09:26

Certo, mas depende muito da leitura que se lhe faça e da importância que se dá a certos aspectos desses "pactos de confiança", como escreve correctamente. Eu dou-lhe importância elevada, mas admito que outros coloquem outros aspectos como mais importantes.
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De Sarin a 11.05.2018 às 10:16

Falo em meu nome, não de outros :)

Rasgar um Tratado em vigor porque não se concorda com os termos, independentemente daquilo que se valoriza, é uma demonstração de força. Se real ou presumida, é outro assunto.

Há países que não cumprem Tratados, e têm sanções por isso.
Rasgando Tratados assinados, o que acontece?

Resta lembrar que falamos de Tratados de Paz e não de Tratados Comerciais.
E que os países que não cumprem os primeiros não têm pretensões nem se auto-proclamam "Defensores da Democracia e da Liberdade".
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De Luís Lavoura a 09.05.2018 às 14:24

O João André está a ser pueril neste texto.
É que, é bem sabido que os Estados Unidos rasgam tratados e acordos se e quando lhes apetece. Os EUA fizeram isso no passado com Portugal - assinaram um acordo sobre a utilização da base das Lajes em que ofereciam contrapartidas a Portugal e depois esse acordo não foi ratificado pelo Congresso e portanto os EUA nunca concederam a Portugal essas contrapartidas, mas continuaram a utilizar a base.
Isto não é um problema das democracias em geral, é um problema específico dos EUA, que acham que os outros países têm que se curvar à vontade deles e que eles fazem o que muito bem lhes apetece em cada momento - nunca se sentem manietados por qualquer tratado.
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De Meister Von Kälhau a 09.05.2018 às 16:34

Acordo nuclear portanto tem tanta relevância como um de arrendamento local.

Para além das sanções que vai desestabilizar a região os EUA não têm mais nada a propôr....denunciar para desestabilizar
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De João André a 10.05.2018 às 13:51

As sanções já existiam, estavam apenas suspensas pelo acordo. Sem a renovação das condições do acordo pelo lado americano as sanções voltam a ser aplicadas.
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De João André a 10.05.2018 às 13:50

Sei que é uma posição ingénua, mas aceitemos que este caso tem consequências que vão além das directas com o Irão ou na região. A forma como os aliados americanos têm reagido demonstra-o. A realpolitik deveria ser suficiente para justificar ter mais cuidado com a violação do acordo.
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De Luís Lavoura a 09.05.2018 às 14:26

O que interessa não é Trump denunciar o acordo com o Irão - isso são só palavras.
O que interessa é que sanções Trump irá impôr ao Irão. Serão sanções muito rigorosas ou não? Afetarão ou não as empresas europeias que estão a investir no Irão?
Só quando virmos as sanções e a forma concreta como elas são impostas é que saberemos se a denúncia do tratado por Trump é genuína ou se é apenas show-off.
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De Anónimo a 09.05.2018 às 22:37

Interessa ainda que as sanções aplicadas pelos EUA ao Irão não são aplicadas à Arábia Saudita, que tem um regime teocrático tão mau ou pior que o iraniano.
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De João André a 10.05.2018 às 13:55

A Arábia Saudita é muito menos democrática e muito mais teocrática e misógina. Mas isso toda a gente sabe. Só que os seus líderes não deixam que se façam manifestações anti-americanas e isso satisfaz os EUA. Gente simples, basta-lhes pouco.
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De João André a 10.05.2018 às 13:54

As sanções já existiam. Foram aprovadas pelo congresso no passado. Pelo que entendo do lado legal, o que o acordo fazia era suspender a sua aplicação. Com a não renovação do acordo (que legalmente o viola, no termo técnico que me explicaram) elas voltam simplesmente a estar em prática.

Claro, Trump e/ou o congresso podem optar por sanções extra. No entanto Trump já tinha feito pressão anteriormente para as empresas europeias não investirem no Irão. Isso apenas será agora reforçado e muitas empresas europeias, mesmo não sofrendo quaisquer sanções nos seus países de origem, preferirão não negociar com o Irão devido aos riscos que isso acarretará no mercado dos EUA.
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De Anónimo a 09.05.2018 às 14:32

A mesma teoria de fraqueza e inabilidade de Trump.... levou o imaculado santo e todo poderoso Kin da CNorte a claudicar e obriga-lo a sentar-se à mesma mesa ...
Se fosse um "forte" à Obama, estava sentado à espera de ver na TV mais lançamentos de misseis...


Amendes
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De Meister Von Kälhau a 09.05.2018 às 16:01

Trump ameaça destruir a Coreia do Norte e o Kim Rocket Man

https://www.publico.pt/2017/09/19/mundo/noticia/trump-ameaca-destruir-a-coreia-do-norte-e-o-kim-rocket-man-1785963

Pergunto :

O que impediu Kim de ter alcançado aquilo que desde o início da crise na Coreia pretendia? Nada.
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De João André a 10.05.2018 às 13:57

Depois de ter as armas agora diz que se senta à mesa. E as condições para a desnuclearização vão ser simplesmente a retirada de tropas e ogivas nucleares da península. Ou algo do género.
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De Meister Von Kälhau a 10.05.2018 às 15:03

João se o clima arrefecer, no bom sentido, não perderá Kim força politica interna? Afinal os ditadores necessitam, para se conservarem no Poder, de um inimigo. Se os sul coreanos o deixarem de ser, onde o irão encontrar? Coreia a caminho de Cuba?
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De João André a 11.05.2018 às 09:27

É verdade que os inimigos são essenciais aos ditadores. Mas por serem ditadores não precisam de grandes justificações. Se amanhã quiserem inimigos, econtrá-los-ão sem dificuldades. Até podem ser os mesmos que ontem eram amigos.
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De Luís Lavoura a 09.05.2018 às 16:06

O poderoso Kim coreano não claudicou devido à força de Trump. Claudicou porque a China lhe tirou o tapete debaixo dos pés.
Explico: Kim claudicou porque foram impostas sanções económicas à Coreia e a China, não somente votou a favor dessas sanções, como também começou a aplicá-las, em particular deixando de vender petróleo à Coreia.
A partir do momento em que o poderoso Kim viu que a China estava zangada com ele e, sobretudo, deixava de lhe vender petróleo, teve que baixar a bola.
A posição dos EUA é irrelevante. A Coreia basicamente não tem relações económicas com os EUA nem depende deles para nada. Mas a posição da China, essa sim, é muitíssimo relevante para o querido Kim.
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De Meister Von Kälhau a 09.05.2018 às 18:24

O Objectivo do Kim era tornar a Coreia uma Potência Nuclear e consegui-o. Agora tem uma margem de manobra como nunca teve...qual China, qual carapuça.

Estimates of the country’s nuclear stockpile vary: some experts believe Pyongyang has between fifteen and twenty nuclear weapons, while U.S. intelligence believes the number to be between thirty and sixty bombs. The regime successfully tested intercontinental ballistic missiles (ICBM), each capable of carrying a large nuclear warhead, in July and November 2017. Pyongyang said that in its November testing of the new Hwasong-15 ICBM, the missile hit an altitude of 4,475 kilometers (2,780 miles), far above the International Space Station, and flew about 1,000 kilometers (590 miles) before landing in the sea off Japan’s coast. Analysts estimate the Hwasong-15 has a potential range of 13,000 kilometers (8,100 miles) and, if fired on a flatter trajectory, could reach anywhere on the U.S. mainland.

https://www.cfr.org/backgrounder/north-koreas-military-capabilities
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De João André a 10.05.2018 às 14:00

A China é o país com mais peso para a Coreia do Norte. Sem os chineses os norte-coreanos não têm o petróleo para fazer funcionar a maquinaria de guerra. A única coisa que os chineses temem é uma vaga de refugiados a atravessar a fronteira. Ainda assim têm mais margem de manobra que um Kim que precisa de recursos para manter o poder.
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De João André a 10.05.2018 às 13:58

Completamente acertado. Só falta adicionar que uma vez na posse dessas armas, Kim está agora à vontade para negociar. E a China vai certamente recompensá-lo por aceitar os convites.

Note-se que há uns meses Kim foi até à China em visita oficial e que os chineses não pareciam contentes com ele.
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De Sarin a 09.05.2018 às 16:33

Tem certeza sobre quem obrigou quem?

É que, não sei se já reparou,
Trump está a ver as Coreias aproximarem-se - pela televisão.
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De João André a 10.05.2018 às 14:01

Pode-se obviamente argumentar que a pressão norte-americana ajudou a essa aproximação. Também o facto de Kim ter conseguido as armas que queria. E a pressão chinesa. Digamos que há um conjunto de factores importantes.
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De Sarin a 10.05.2018 às 14:03

Pode-se argumentar tudo, mas não se pode é dizer que é obra de Trump.
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De João André a 11.05.2018 às 09:30

Por muito que não goste dele, tenho que admitir que tem alguma importância. Quanto mais não seja porque ajuda a desviar atenção para o trabalho que a administração de Moon está a fazer. Para ele, e num país onde a conciliação norte-sul não é posição consensual, ter Trump para se esconder dá jeito para mostrar à oposição amis conservadora e dada a actos de falconaria diplomática.
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De Sarin a 11.05.2018 às 10:07

Poderá dar jeito a Moon e ao próprio Trump - mas convém aclarar a situação, pelo menos no Ocidente.

Não é por gostar ou não gostar de Trump - é pelo risco de idolatria.
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De Anónimo a 09.05.2018 às 22:38

"O meu botão nuclear é maior que o teu"
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De João André a 10.05.2018 às 13:56

Penso que Mário Viegas vai anunciar umas armas nucleares nas Berlengas para conseguir uma reunião com o Presidente dos EUA. Pelo que parece, ser um brutamontes sanguinário com armas nucleares é o que é preciso para se ter uma audiência com Trump.
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De Vento a 09.05.2018 às 16:33

Não é grave. De acordo. Se a democracia se baseasse na permanente manutenção de acordos, então, passaríamos a ter um Estado gestor e não um Estado político. O acordo com a troika em Portugal deu para perceber a devastação em que a democracia ficou, que se mantém.

Trump está a fazer negócio com os seus amigos da Arábia Saudita e com Israel. Há 2 dias dois mísseis israelitas enviados contra um armazém de armamento na Síria foram destruídos no ar. Cada vez mais se torna difícil parar a influência do Irão na região e a sua presença na Síria, também apoiando o Hezbollah que tem forte presença no Líbano.
O Irão não ameaça os USA. Foi a política dos USA, Bush, e seus aliados que ameaçou a região e o mundo.
Israel está satisfeito e a Arábia Saudita também. Mas agora a conversa é outra e o preço do barril de petróleo continua a subir, beneficiando também os Sauditas.
Ora, ter o Irão a pretender fornecer o barril de petróleo a um máximo de 66 USD é uma chatice para os aliados sauditas e pode comprometer o pagamento do negócio de armamento que Trump fez em Riad. Isto, para Trump, é chatérrimo. Para Israel não está mal, porque provavelmente encontraram um fornecedor de energia que subsidia suas necessidades, em troca de protecção.
Portanto, o acordo nuclear com o Irão não serve para este negócio. Vamos lá ver as sanções que surgirão sobre as exportações do petróleo iraniano.

Porém Trump continua no bom caminho internamente, e não só em matéria económica. Kansas e Oklahoma aprovaram maioritariamente a interdição de se obrigar as instituições privadas a aceitar que crianças sejam dadas à adopção a pares do mesmo género. E promete avançar por aí. Isto com a Clinton não era possível. Entretanto a Califórnia ultrapassou o UK tornando-se a 5ª economia mundial, um estado que há pouco tempo estava em risco de falência. A América é sempre grandiosa no bom e no mal.

Concluindo, como a região não se vai embrulhar numa guerra que, certamente, faria abanar em definitivo o Estado de Israel, a história do Irão nuclear está aí para fazer negócio. Money, money, money makes the world go around:

https://www.youtube.com/watch?v=PIAXG_QcQNU
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De João André a 10.05.2018 às 14:02

Obviamente que a democracia não se esgota nisto. Apenas aponto que é mais um aspecto e que é óptimo para a propaganda anti-democrática ou anti-liberal.
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De Vento a 10.05.2018 às 23:01

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/presidente-iraniano-diz-que-pais-nao-quer-novas-tensoes-no-medio-oriente
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/siria-guterres-pede-suspensao-imediata-das-hostilidades-face-escalada-militar-entre-israel-e-irao

O que pretendi dizer foi parte do que agora anexo para comprovar. Israel serve o interesse dos Sauditas e seus interesses com base numa treta de um pseudo-ataque iraniano nos Golã. Que por sua vez vai fazer correr o armamento dos USA para os sauditas.
Mas a outra questão que inferi, no contexto do aumento do petróleo, com a palavra "também" na afirmação "serve (também) o interesse dos sauditas" é: este aumento de preço serve a Rússia, que o deseja, mas não serve os interesses do Irão. Portanto, uma escalada do conflito na região só terá por base uma grave ameaça também aos interesses russos; em última análise esta, a escalada, ocorrerá se existir abandono do acordo por parte dos Europeus. A suceder, não tenho dúvida que o Irão avança forte e feio e a Rússia embrulha-se. E os USA e Israel ficarão quietos.
Concluindo, não é grave. O que está a acontecer com a reacção por parte de Israel é que este já não pode contar com a ajuda do EI. Pois estes favoreciam todo o seu interesse na política de desestabilização da região, que é: dividir, dividir, enfraquecer, enfraquecer.
Infelizmente Israel terá um dia o que merece, por causa de tudo o que tem vindo a fazer desde as agressões iniciadas no mesmo momento da proclamação do estado de Israel.
Devo dizer-lhe que afirmo isto com um misto de irritação pela estupidez de Israel e do fanfarrão que Trump é em matéria de política internacional com a Coreia, o Irão e Jerusalém, mas também com a afinidade que sinto com o povo israelita e o povo judeu que não merece nem mereceu muitos de seus bárbaros líderes. Quem muito semeia, muito colhe.
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De Anónimo a 09.05.2018 às 18:59

O que se retira daqui é que há tratados internacionais que necessitam, que em cada parte contratante principalmente quando democracias, de reunir uma grande consenso nacional. É que, em democracias menos consolidadas, um tratado internacional pode ser um meio de um governo minoritário forçar a maioria dos seus nacionais a aceitarem algo que não desejam.

Sobre o cumprimento das promessas eleitorais: nem todos podem ser Obama, que passado um ano fechou Guantanamo, como havia prometido.
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De Meister Von Kälhau a 09.05.2018 às 22:43

Why Obama Has Failed to Close Guantánamo

Congress is blamed for preventing the President from fulfilling his pledge. But that’s not the whole story.

https://www.google.pt/amp/s/www.newyorker.com/magazine/2016/08/01/why-obama-has-failed-to-close-guantanamo/amp
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De João André a 10.05.2018 às 14:03

Não fechar Guantanamo é um caso vergonhoso na administração Obama e não é o único.
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De Anónimo a 10.05.2018 às 18:15

No entanto a culpa não é de Obama mas sim do congresso que estava controlado pelos extremistas republicanos. Nos EUA é muito difícil fazer reformas políticas a nível federal.
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De João André a 11.05.2018 às 09:32

Obama não tinha o congresso dominado por republicnaos quando tomou posse (caso contrário não teria aprovado o ACA - Obamacare). Nessa altura poderia ter fechado Guantánamo. E mais tarde poderia possivelmente ter usado poderes executivos como comandante em chefe das forças armadas para fechar uma operação militar.

Os republicanos foram responsáveis por bloquearem Obama em muitas coisas, mas Obama não foi um santo.
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De Anónimo a 11.05.2018 às 20:39

Concordo consigo, João André, mas por vezes o controlo do congresso não é suficiente. Trump quer revogar o Affordable Care Act, o que deixaria milhões de americanos sem acesso à saúde, mas felizmente não o conseguiu apesar de controlar o congresso. E dentro de seis meses é muito provável que perca o controlo de pelo menos uma das câmaras do congresso.
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De Octávio dos Santos a 09.05.2018 às 23:08

Uma vez mais, vejo-me obrigado a corrigir textos, afirmações, de quem não sabe claramente muito do assunto em causa...

«Quando um país assina um acordo ou um tratado deve manter-se fiel ao mesmo enquanto as partes o respeitarem.»

Na verdade... não. Há limites, e regras, para a «fidelidade». O acordo com o Irão poderia ter algum «peso institucional», alguma, vá lá, «obrigatoriedade» para administrações posteriores se tivesse sido consagrado enquanto tratado... através de uma votação, e aprovação, no Congresso; tal não aconteceu porque Barack Obama sabia que uma maioria dos senadores não concordaria (sim, principalmente republicanos, mas também democratas); portanto, não foi o país, não foram os EUA, a estabelecer um entendimento com uma ditadura de fanáticos religiosos mas sim um bando de esquerdistas provisoriamente no poder (executivo).

A mesma «táctica», aliás, foi seguida pelo anterior presidente e pelos seus esbirros em dois outros assuntos fundamentais: o dito «acordo do clima de Paris» e o DACA (protecção - não expulsão - de filhos de imigrantes ilegais). Ambos, para terem uma confirmação/solução válida, deveriam ter sido levados a Congresso. Como não foram, tal como o acordo com o Irão, Donald Trump teve toda a legitimidade - e toda a justificação - para reverter, anular, os três.
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De João André a 10.05.2018 às 14:05

Caro Octávio dos Santos: se quiser discordar de tudo e mais alguma coisa que eu escreva, pode estar à vontade. Nunca me preocupei com isso.

Vai é fazer uma coisa: evitar esses termos ofensivos como "esquerdistas" e "esbirros [de Obama]". Eu posso não gostar que você associe toda a esquerda a uma ou outra medida ou acção. É direito seu. Mas abstenha-se de termos ofensivos.
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De Octávio dos Santos a 10.05.2018 às 23:03

Está a brincar? Espero bem que sim. Então «esquerdistas» e «esbirros» são «termos ofensivos»?! Mas que alma tão «delicada» e «sensível»!

É tão típico dos membros da «sinistra» (também um «termo ofensivo»?) tentarem controlar o que os outros dizem e escrevem. Eu «abstenho-me» se, o que e quando entender... ou não.
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De João André a 11.05.2018 às 09:36

Não venha com conversas. Você usou os termos com intenção ofensiva. Caso contrário poderia ter escrito "a esquerda" ou "os seus subordinados/a sua administração", etc. São termos que são ofensivos como você sabe muitíssimo bem. Não desconverse.

Peço simplesmente que os use (ou outros ofensivos), do resto pode escrever o que lhe apetecer.

Não faço ideia do que quer dizer como "sinistra" a não ser que esteja a querer fazer uma relação atabalhoada entre a palavra italiana para "esquerda" e o significado de "sinistra" em português. Seria mais um dos belos métodos dos grupos Alt-Right a que parece pertencer ou que pelo menos asusme seguir.
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De Octávio dos Santos a 12.05.2018 às 00:46

Quem deve deixar-se de conversas (da treta) é você. Sim, quem diria? Termos que para uns são «ofensivos» para outros não são. Paciência! O que vai fazer? Continuar a queixar-se? Passar a censurar (não publicar) os meus comentários, assim dando-me (mais) razão e instituindo neste blog a existência de - «autênticos» - «delitos de opinião»?

Eu poderia dizer que insinuar que pertenço a «grupos de alt-right» é que é verdadeiramente ofensivo. Porém, prefiro atribuir isso à ignorância. Felizmente, para tal há solução.
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De João André a 12.05.2018 às 12:58

Se eu insinuar que pertence a grupos de alt-right pode ficar ofendido (mesmo quando diz que lê Breitbart que é um das fontes de "notícias" do movimento). Já eu não posso queixar-me se fala em esquerdistas. Estamos conversados.

Independentemente disso, eu não "censuro", embora apague alguns comentários que são ofensivos. Não censuro porque não limito a liberdade de expressão a ninguém (e certamente que não limito a sua que publica muito mais que eu e em meios de maior disseminação que eu). Há apenas um comentador cujos comentários apago nem que escreva "bom dia" e foi porque abusou vezes demais.

Não me lembro de alguma vez lhe ter apagado algum comentário, embora tenha visto vários deles a pisar o risco que eu traço. Repito: se não for ofensivo com a linguagem ou opiniões, pode escrever o que lhe apetecer nos meus posts. Nos dos outros não toco, nem que seja em resposta a comentários meus. Mantenha decência na linguagem (e não acuse outros de falta da mesma) e pode continuar a comentar. Se o fizer até pode ter discussões sobre o conteúdo dos seus comentários, em vez da linguagem dos mesmos.
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De Octávio dos Santos a 13.05.2018 às 23:52

A sua definição de «decência na linguagem» pode não coincidir – aliás, quase de certeza que não coincide – com a minha. Essa expressão, tal como a «termos ofensivos», soa-me a predisposição para a censura, algo de que já fui objecto várias vezes – inclusive uma aqui no Delito de Opinião, e outra no Público, que recusou (depois de ter aceitado) publicar um artigo meu por, precisamente, o considerar «ofensivo»! Era sobre a situação política nos EUA e nele eu nada mais fazia do que apontar factos «incómodos» para determinado sector ideológico. Os que naquele caso (como em outros) se «ofendem» fazem-no, muitas vezes, por ignorância, e sobre isso eu vou comentar a seguir um pouco mais abaixo…
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De João André a 14.05.2018 às 09:03

Certamente que não coincide. A minha não coincide com a sua, que não coincide com a do Pedro Correia, que não coincide com a do Público que não coincide com a minha que... Haverá pontos de coincidência que esperemos sejam muitos, mas há alguns que não coincidem.

Se o Público rejeitou algum texto seu, foi opção deles. Nada tenho que ver com isso. Sou só responsável pelos meus textos e posts e comentários neles. Tal como você é epenas pelos seus. Se alguma vez me rejeitar um comentário no seu blogue, mesmo que eu discorde dos seus motivos, estará no seu direito.
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De Anónimo a 11.05.2018 às 20:41

"não foi o país, não foram os EUA, a estabelecer um entendimento com uma ditadura de fanáticos religiosos mas sim um bando de esquerdistas provisoriamente no poder"
Achar que Obama ou o partido democrata são "esquerdistas" revela uma profunda ignorância.
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De João André a 12.05.2018 às 13:00

Em alguns casos já desisti de explicar certos aspectos do que significa direita e esquerda nos EUA e na Europa. Há pessoas que não entendem que é preciso ir buscar os elementos mais à esquerda do Partido Democrata para se encontrarem pessoas que na Europa não passariam de centro-esquerda.
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De Octávio dos Santos a 13.05.2018 às 23:54

… E este é um exemplo flagrante do desconhecimento que se verifica, entre muitas pessoas, sobre as reais características da actual política norte-americana. Nos anos 90, com Bill Clinton, o Partido Democrata até que podia considerar-se de centro-esquerda: insurgia-se contra a imigração ilegal, não preconizava o aumento da dimensão e da intervenção do Estado, e opunha-se ao «casamento» entre pessoas do mesmo sexo! Com Barack Obama, os «burros» mudaram radicalmente (enquanto os «elefantes» pouco ou nada), e são: contra a apresentação de (cartão de) identificação para se votar; a favor de fronteiras abertas – e contra a prisão e a deportação de imigrantes ilegais acusados e condenados por crimes graves, para além de entrada indevida no país, nesse sentido criando as ditas «cidades-santuário» (especialmente na Califórnia) que não respeitam as leis federais; a favor do aborto em qualquer fase da gravidez – sim, mesmo aos nove meses e quase no parto! Obviamente, existem outras demonstrações de extremismo por parte d(e membros d)o PD, e é risível afirmar que se trata de uma agremiação de moderados.
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De João André a 14.05.2018 às 09:49

O Partido Democrático tem extremistas tal como o Partido Republicano tem extremistas. Em geral o Partido Democrático está à direita no espectro político relativamente ao resto do mundo. Mesmo Clinton ou Obama seriam na melhor das hipóteses do PSD em Portugal ou do FDP na Alemanha. Bernie Sanders seria talvez PS em Portugal e não seria da facção mais à esquerda.

Nada tenho contra você considerar que Obama e Clinton estão muito à esquerda de si, mas por favor veja isso em relação ao seu partido. Nem um nem outro estão extremamente à esquerda no PD dos EUA. Bill Clinton nem sequer me pareceu mais à esquerda que um John McCain (que é do PR, como sabe). Obama pode ter tido um discurso muit de esquerda, mas as suas acções foram muito mais centristas que o discurso.

Esteja contra as posições dele, à vontade, mas não os veja como extremistas. Sanders é um algo extremista para o panorama americano (pelo meno no discurso) mas na Europa pouco se notaria na esquerda. As minhas posições estão muito mais próximas das dele que das dos Clinton ou Obama, mas se fosse americano não teria votado nele, dado que se alguma vez tivesse hipóteses de ser presidente (se tivesse ido a votos contra Trump teria sido trucidado até no voto popular), o país ficaria paralisado por ter um congresso e um senado contra ele, mesmo dentro do próprio partido.
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De Octávio dos Santos a 14.05.2018 às 23:15

Terei eu não sido suficientemente claro no meu comentário anterior?

Como não considerar extremistas posições como o fomento à fraude eleitoral, a protecção de criminosos (nacionais e estrangeiros), a defesa do aborto industrial, e ainda condicionamento da liberdade de expressão e (tentativas de) confiscação de armas? É evidente que o são, e constituem actualmente o cerne, o «establishment» do Partido Democrata, pelo que este, obviamente não «está à direita no espectro político relativamente ao resto do mundo», não corresponde ao PSD português nem ao FDP alemão. As suas acções não são, de modo algum, «centristas». Insistir nesta fantasia, nesta ficção, é absurdo.

E, já agora, que conversa é essa do «seu (meu) partido»? Então eu tenho um? Como é que não dei por isso? ;-)
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De João André a 14.05.2018 às 23:26

"Seu", deles. Não revolve tudo em torno de si. Em seu torno. Não deles.
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De Anónimo a 10.05.2018 às 00:28

!...Quando um país assina um acordo ou um tratado...".
De acordo com a Lei nos EUA, não são a mesma coisa.
Um Tratado necessita de ser aprovado pelo Senado.
Um Acordo está ao dispor do PR em exercicio.
Obama sabia que semelhante acordo -a curto prazo permite ao Irão criar um arsenal nuclear, aquilo que presupostamente pretende evitar(!)- nunca teria a aprovação do Senado.
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De João André a 10.05.2018 às 14:09

Tem razão, não foi um tratado, foi um acordo e que não foi ratificado pelo Congresso/Senado (nem tinha que o ser, segundo os tribunais americanos).

Não digo que Trump tenha feito algo de ilegal, apenas noto que um acordo deste tipo pressupõe que os seus signatários o respeitem. Neste caso o facto de ter uma duração limitada até era excelente para os EUA. Poderiam sempre renová-lo dentro das suas condições, renogociá-lo ou abandoná-lo. E poderiam dar essas indicações com tempo para até permitir a renegociação enquanto o acordo estivesse em vigor para todos os signatários.

O que os EUA fizeram foi abandonar o acordo sem qualquer ideia do que fazer depois.

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