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Felizmente há luar.

por Luís Menezes Leitão, em 10.11.15

Nesta crónica, Mariana Mortágua utiliza a expressão "Felizmente há luar", para se referir ao derrube pelos partidos da esquerda do governo PSD/CDS. E diz: "É a esperança que renasce. Respeitá-la, fazê-la crescer e alimentar uma sociedade capaz de se mobilizar, de exigir e confrontar, é o maior dos desafios".

 

Era difícil ter usado uma analogia mais apropriada. A expressão "Felizmente há luar", que depois deu título a uma peça de Luís de Sttau Monteiro, remete-nos para um período negro da História de Portugal, mais precisamente o 18 de Outubro de 1817, em que, no lugar que é hoje o Campo dos Mártires da Pátria, foram enforcados onze companheiros de Gomes Freire de Andrade por se terem revoltado contra o General Beresford, que então governava Portugal. Essa expressão foi na altura utilizada porque D. Miguel Pereira Forjaz, quando deu a ordem de enforcamento ao intendente geral da polícia, referiu: "é verdade que a execução se prolongará durante a noite, mas felizmente há luar e parece-me tudo tão sossegado que espero não causar prejuízo algum".

 

Hoje vai igualmente escrever-se uma página negra, desta vez na história da democracia portuguesa, com todos os sacrifícios que foram realizados nos últimos anos a serem deitados fora, indo o país pagar a factura dessa irresponsabilidade. Espero, no entanto, que esse novo governo não nos chegue a atirar para uma situação semelhante à da frase que Mariana Mortágua cita.

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10 comentários

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De Luís Lavoura a 10.11.2015 às 12:03

Hoje vai escrever-se uma página negra na história da democracia portuguesa

Não vejo por quê. Aquilo que vai acontecer hoje é muito normal, e já aconteceu por diversas vezes (a última das quais em 2011) na nossa história: um governo que não é sustentado por uma maioria parlamentar vai ser derrubado por uma coligação ("negativa") de todos os partidos que não o apoiam.

É um acontecimento deveras normal numa democracia parlamentar. Qualquer governo que não seja sustentado por uma maioria arrisca-se sempre a que todos os partidos que são contra ele se coliguem para o derrubar.
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De a a 10.11.2015 às 13:49

Quando a divida começar a subir, bruxelas a apertar com o governo, juros a subir... Quero ver quem é que se vai rir nessa altura!

Infelizmente temos os governantes que merecemos, hipócritas e mentirosos e que só pensam para o seu bolso. Tomem nota, Costa vai ser um "Sócrates II" e o PS está condenado a desaparecer, daqui a alguns meses quando formos a eleições de novo veremos quem tem razão.
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De Anónimo a 07.01.2017 às 17:01

estavas errado
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De Costa a 10.11.2015 às 14:57

De duas uma: ou o governo que aí vier nos condena a uma situação de isolamento internacional, de verdadeiros párias e com absolutamente dramáticas consequências, ou acabará a fazer rigorosamente aquilo que desde 2011 e até aqui tem sido feito. Com o agravamento - quanto a medidas e seus pressupostos - que decorrerá (já começam a decorrer) das semanas, meses, anos, o que seja, de verdadeiro delírio irrealista, muito apetecível que seja, que se aproxima. Seja esse governo qual for, prometa ele o que prometer.

A questão é verdadeiramente simples: o que para o Lavoura é um acontecimento deveras normal numa democracia parlamentar (não se ignore todavia que, nesta particular democracia parlamentar, este acontecimento significa a súbita e drástica desvalorização da noção de "mais votado", e o rompimento de uma tradição estável desde que essa democracia o é e que quando beneficiou o PS foi devidamente acarinhada), sê-lo-á, admita-se, quando essa democracia é economicamente saudável, não depende inapelavelmente de credores e, tendo-os, mantém com eles, dada a sua robustez, relações de equilíbrio entre partes.

Não somos uma potência autónoma, sequer próxima de uma auto-suficiência ou de uma posição de igualdade, de uma reputação de confiança aprioristicamente aceite, no relacionamento internacional (com "estados" ou "mercados"), lidando de igual para igual, senhora absoluta ou quase das suas decisões. Não é o nosso caso, não o será tão depressa e pretender ignorá-lo ou rejeitá-lo não é ignorância, não é negligência, não é legítimo orgulho: é dolo.

Que é o que está aqui em causa: dolo de uns que desesperam por voltar ao poder e à liderança dos negócios feitos à sombra e à custa do estado, sendo-lhes irrelevante aquilo que em consequência aconteça ao país; dolo de outros que por ideologia desejarão até isso que em consequência aconteça ao país.

A culpa do país é, com o entusiasmo dos desesperados (que poderá talvez explicar, mas nunca legitimar), deitar assim, e uma vez mais, tudo a perder.

Mas uma vez mais, na doutrina de Lavoura: tudo "deveras normal".

Costa
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De Miguel Madeira a 10.11.2015 às 16:09

"e o rompimento de uma tradição estável desde que essa democracia o é e que quando beneficiou o PS foi devidamente acarinhada"

De Costa, diga-me lá quando é que, em toda a história da democracia portuguesa, aconteceu o PS ser o partido mais votado mas ser possivel criar uma coligação maioritária minimamente consistente (p.ex., com partidos que fossem contiguos no parlamento) que não o incluisse? Que eu saiba, em todas as eleições em que o PS foi o mais votado sem maioria (1976, 1983, 1995, 1999), uma colgação maioritária sem o PS teria que incluir a direita e ainda mais o PCP e/ou o BE (ou a UDP em 76), pelo que nunca se pôs sequer a situação (ou seja, o PS não beneficiou dessa pseudo-tradição para nada).
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De Costa a 10.11.2015 às 19:34

De Miguel Madeira, e em que é que isso invalida a existência e invocação dessa tradição - dessa "convenção", como esta tarde e muito bem foi denominada - dos últimos quarenta anos?

É que ela não passa necessariamente e apenas pela existência de coligações: fosse aquela desde o início conhecida, anunciada como tal e como tal submetida a voto; ou aquelas coisas bizarras hoje assinadas (parece, pois curiosamente ninguém o viu e seria momento precioso na demonstração pública da unidade, da bondade, da robustez da solução governativa nelas propostas; mas enfim, lá saberão porquê...), reveladoras de deplorável reserva mental e a usar como arma de último recurso, à revelia de toda a boa-fé e perdida toda a decência, porque o seu anúncio, a simples invocação prévia e minimamente clara da sua possibilidade, atendendo ao quilate dos intervenientes - e de toda a evidência - modificaria significativamente o resultado eleitoral, e para pior ainda, do PS.

Passa pela eleição da presidência da AR, deixando-a na força política mais votada. Passa, muito especialmente e atendendo ao que comentamos, pela não rejeição no parlamento do programa de governo de um governo de maioria simples (para o que nem PC, nem BE, nem PAN minimamente relevariam).

Coisas que você, evidentemente, com muita conveniência - e todo o cinismo, oportunismo, indecência, descarado apetite pelo poder que o PS revelou (mas para si estará muito bem) - ignora, apostando nesse velho princípio de que uma mentira muitas vezes repetida se torna verdade. Desonestidade, pura e simples desonestidade.

Costa
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De lufra a 10.11.2015 às 14:00

A Mortágua gosta muito de L.U.A.R.!

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De Santa Inocência a 10.11.2015 às 14:42

LL, com esta leitura light e fofinha da situação política do país, ou menospreza a inteligência de quem lê (o costume, é verdade, das alminhas que se "acham"…) ou acabou de chegar de Marte. Patético.
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De Romão a 10.11.2015 às 17:44

Eu gosto muito da Mortágua e ficava bem na Playboy!
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De da Maia a 10.11.2015 às 18:20

Ou, quando Catarina falava em "tempo perdido", poderia estar a invocar Proust, e foi mal interpretada.

Este dramatismo algo teatral deixa-me baralhado, e não serve muito o propósito de explicar seriamente onde está o drama na mudança de governança.

Na oposição aos gastos socráticos não esteve só o PSD e CDS, estiveram BE e PCP. E se o PSD não prosseguiu projectos faraónicos do PS, não foi pela redução da despesa do estado, que vieram sacrifícios - foi pela receita, em acção directa sobre os rendimentos da classe média, via impostos e salários.

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