Fé num milagre

Os mesmos que nas colunas de jornais e tribunas televisivas entoavam hossanas a Mariana Mortágua - chamando-lhe "activista humanitária", entre outros mimos - já viraram a agulha e apressam-se a louvar agora José Manuel Pureza, incensando-o pela sua moderação.
Repito: são precisamente os mesmos que até anteontem enalteciam a "coragem" da passageira da flotilha. Uma era elevada aos píncaros pelo ímpeto leninista, outro escuta solos de violino por ser católico.
Fui conferir o que recomendará Pureza para ascender ao posto máximo do Bloco de Esquerda, que com Catarina Martins chegou a preencher 19 lugares no hemiciclo de São Bento e hoje só dispõe de um.
O professor de Relações Internacionais da Universidade de Coimbra está fora do parlamento. Também não tem hoje assento na Comissão Política nem no Secretariado do partido.
Nas recentes autárquicas encabeçou a lista do BE ao município conimbricense, sem conseguir ser eleito. O partido só recolheu 2002 votos entre mais de 70 mil eleitores que foram às urnas. Percentagem irrisória: 2,8%.
Convenhamos que se trata de péssimo cartão de visita: nem na sua terra Pureza conseguiu sequer chegar a vereador.
Impedirá que o BE saia do fundo do poço? Talvez o facto de ser o único católico bloquista o leve a ter fé neste milagre. É vantagem de peso em relação a qualquer outro.

