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Faz-me espécie

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.11.17

Infarmed-1060x594.jpg

Desligado como vou estando dos fait-divers da pátria, estranho cada vez mais algumas notícias que me vão chegando e que vou lendo aqui e ali. Não se tratam sequer de comentários de terceiros, mas de puros factos sobre os quais fico depois a matutar.

Mal refeito, se é que se refez, da desastrosa gestão política da desgraça dos incêndios, do caso do armamento de Tancos e da atribulada candidatura do Porto a sede da Agência Europeia do Medicamento, eis que o Governo tem agora entre mãos a trapalhada do Infarmed

O primeiro-ministro diz que a comunicação "não foi a melhor". Está no seu direito de ser caridoso. O presidente da Câmara Municipal do Porto, ao que parece também sem pensar muito, ficou todo contentinho com o anúncio da mudança, o que numa situação destas – refiro-me ao atabalhoamento que se manifesta na forma como tudo foi preparado e anunciado, bem como pelas reacções de descontentamento dos trabalhadores (outra coisa não seria de esperar) –, revela em todo o seu esplendor um provincianismo atávico, muito pouco condizente com a postura moderna, inovadora, refrescante que tem assumido e que eu julgava ser a dele. Uma vez mais estava enganado. Basta ver a linguagem utilizada por ele para se referir aos que criticam a decisão.

Como alguém diria, é lá com eles. A mim é-me neste momento indiferente que transfiram o Infarmed para o Porto, para o Faial ou para as Selvagens, desde que não me chateiem nem me venham cravar. Mas que tudo isto me faz cada vez mais espécie, muita, é inegável. E não me sentisse eu (ainda) tão português (que raio de condição esta que à distância me faz sofrer tanto só de ouvir pronunciá-lo e de saber que o sou) mandava-os a todos para as urtigas.  

Pior do que esta cegada do Infarmed só me lembro mesmo daquela das secretarias de Estado do Dr. Santana Lopes. Pensadas com os pés, espalhadas pelo país e com os motoristas a fazerem aos 500km quase todos os dias para irem a Lisboa buscar e levar chefes de gabinete, adjuntos e assessores foram rapidamente abandonadas sem que alguém tivesse feito as contas aos verdadeiros custos e aos benefícios.

Se há tempo para mudar o Infarmed, como foi dito, qual é que foi então a pressa em anunciar as coisas, ainda com tudo por pensar e resolver? Estavam com saudades do Garcia Pereira? Somos um caso perdido. E caro.


7 comentários

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De Anónimo a 24.11.2017 às 11:39

Esta questão, não sendo uma grande questão em si mesma, parece ser, no entanto, um grande exemplo de uma grande trapalhada.
Reúne em si todas as características da política à portuguesa:
- é, com toda a probabilidade, uma negociata de bastidores;
- fruto do improviso, não prevê o processo nem as consequências;
- despreza completamente os profissionais implicados;
- está-se nas tintas para os custos financeiros que tal trapalhada implicará/implicaria para o erário público;
- (...)
João de Brito
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De Vento a 24.11.2017 às 11:42

É um absurdo. E concordo com o termo "provincianismo atávico". Estava eu convencido que a descentralização de um país passava por fazer emergir as competências existentes em cada região e fazer surgir as que ainda não existem mas que se encontram embrionárias. Mas fico agora a saber que essa dita descentralização não é nada mais nada menos que a transferência de serviços e/ou instituições já enraizadas e estabilizadas que, devido à extensão geográfica do país, não necessitam destas carambolas políticas.

Antes das eleições autárquicas afirmei não só o desempenho excelente do CDS como também que Costa tinha criado todas as condições para o derrota da geringonça, em particular por suas cedências ao BE e em outros casos ao PCP, que fazem uma gestão clientelista dirigindo as políticas à parte e não ao todo (recordo, entre outras situações, os quase 3 milhões de pobres que existem). Afirmei também que Catarina ao abanar as estruturas da casa cair-lhe-ia o telhado em cima; e isto está a acontecer e vai acontecer.
O PS saiu derrotado nas autárquicas. E saiu derrotado na medida em que o voto de descontentamento faz-se sentir nas principais cidades: Lisboa e Porto. Nas restantes localidades o voto é afectivo, vota-se nas pessoas e não nos partidos. Como se provou nas perdas por parte do PCP.

Com Santana Lopes em cena, o que é bom, pois ele com a experiência política e social, associada ao caminho das pedras que já fez, a política nacional conhecerá um novo alento. Rio é um excelente técnico, mas tem de ficar por aí a sua colaboração com o PSD. O alvo será trazer Santana para o foco da política.
Mas não só Santana. Seguro é a outra pedra de toque no cenário político.

A geringonça não provou qualquer capacidade em atacar os problemas centrais do país, nomeadamente a pobreza e a subsidiodependência da economia nacional, tal como a anterior geringonça o não foi. Mas teve o mérito de poder correr com estes últimos que refiro.
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De Rão Arques a 24.11.2017 às 12:02

Estando provado que Costa não se deixa de cacas, é mesmo imperioso dar-lhe um forte empurrão com a cabeça apontada para a fossa.
Sendo desde logo ilegal para além de tudo o resto, mais uma piada deste calibre só vinda de um acabado exemplar de falta de seriedade, manipulador grosseiro e assustadora carencia de honradez.
Sendo difícil descortinar a quem é que o homem mete medo, não prescindo de perguntar se o comandante supremo das forças armadas anda a dormir na forma.
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De Tiro ao Alvo a 24.11.2017 às 13:47

Inteiramente de acordo. Lembro-lhe, apenas, que não foi só o Santana Lopes que enveredou por esses caminhos. O Fernando Gomes também fez o mesmo, sediando no Porto a Secretaria de Estado da Habitação, de que foi titular algum tempo.
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De Luís Menezes Leitão a 24.11.2017 às 16:16

Bem vindo ao clube dos ressabiados, caro Sérgio. Temos todo o gosto em acolher desta vez um centralista de Macau.
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De Sérgio de Almeida Correia a 24.11.2017 às 19:27

Não sou ressabiado, muito menos centralista.
Nada de confusões, Luís.
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De Sérgio de Almeida Correia a 24.11.2017 às 19:39

Sem ironias, esqueci-me de dizer.

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