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Falta uma Ordem de Jornalistas

por Pedro Correia, em 13.01.17

 

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A memória colectiva é cada vez mais curta, mas os leitores lembram-se ainda do que aconteceu há um ano: dois dos mais influentes órgãos de informação portugueses iniciaram uma série de fantásticas revelações sobre uns tais “papéis do Panamá” que prometiam abalar as oligarquias dominantes. Reuniram equipas de trabalho, destinaram espaço nobre e manchetes garrafais ao assunto e juravam que estava de volta o “jornalismo de investigação”.

O que aconteceu? De súbito, as violas foram guardadas no saco. Não houve revelação bombástica alguma, as equipas de reportagem dissolveram-se e os mesmos órgãos de informação que trombeteavam rios de autopromoção contra a corrupção ancorada em supostos paraísos fiscais remeteram-se ao silêncio. Nunca mais ouvimos falar nos “papéis do Panamá”, tudo regressou à habitual anestesia colectiva, dominada pelo futebol, agenda política e  “casos de polícia”, entremeados por graçolas de “redes sociais” para divertir a plebe.

 

Decorre agora o quarto Congresso dos Jornalistas – o primeiro que se realiza em Portugal desde 1998. Gostava que ali se levantassem várias vozes questionando o que aconteceu aos “papéis do Panamá”. Gostava que também que os congressistas tivessem a ousadia de perguntar a si próprios por que motivo a pressão de uns quantos inviabilizou até hoje o aparecimento de uma Ordem de Jornalistas, semelhante às que regulam as mais diversas profissões – médicos, advogados, arquitectos, farmacêuticos, engenheiros, psicólogos, enfermeiros, biólogos, economistas, notários, nutricionistas, veterinários.

Disseram-nos na altura, numa frase de forte efeito, que “os jornalistas não podem ser metidos na Ordem”. Acontece que, sem Ordem, generalizou-se o desemprego e multiplicou-se a precarização, marginalizando e condenando à irrelevância muitos dos melhores quadros jornalísticos.

Ao contrário do que referiu ontem Marcelo Rebelo de Sousa, interveniente na sessão inaugural (o que não deixa de ser irónico), o jornalista não deve ser “antipoder”. O jornalista deve, isso sim, exercer de forma ilimitada o único poder que está ao seu alcance – o poder de fazer perguntas, no livre exercício do direito à dúvida que neste ofício se institui em dever deontológico. Sem nunca esquecer que um jornalista não é um juiz. Existe para mostrar, relatar, descrever, explicar. Não existe para condenar liminarmente ninguém e muito menos para pendurar seja quem for em pelourinhos públicos.

 

Perguntem - sem preconceitos ideológicos nem condicionalismos de qualquer espécie - se deve haver Ordem de Jornalistas. Mas perguntem sobretudo quando irá ela surgir. Para regular o acesso à profissão, dignificá-la, combater a proletarização galopante dos seus quadros e traçar fronteiras claras entre quem merece e quem não merece ser portador de carteira profissional em função de parâmetros deontológicos muito rigorosos e adaptados aos novos desafios e às novas exigências deste ofício.

Falar sem agir nesta direcção é chover no molhado. E passar mais dezanove anos de contínua e resignada degradação profissional, até ao próximo congresso. Se então ainda restar alguém no jornalismo em Portugal.

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58 comentários

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De cristof a 13.01.2017 às 09:15

O erro que noto mais em muitos (demais) jornalistas é a mania que têm de achar que devem dar aos leitores as conclusões a tirar da informação - que para "simplificar" é muitas vezes aparada de muitos pormenores indispensáveis ao livre raciocinio, peça fundamental das sociedades evoluidas e bem organizadas.
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 10:29

Nos últimos anos têm proliferado as publi-reportagens e as publi-entrevistas, que se tornaram fontes de receitas adicionais das empresas, com a participação activa de titulares de carteira profissional de jornalista, diluindo-se assim as fronteiras entre jornalismo e publicidade.
Uma ordem profissional, investida de poderes de sanção por violação das regras deontológicas, permitiria uma vigilância atenta a casos como estes.
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De Luís Lavoura a 13.01.2017 às 09:58

Está-me a parecer que o Pedro quer ter uma Ordem de jornalistas para fazer o papel que um (ou o) Sindicato de Jornalistas deveria fazer.
É que, os objetivos legais de uma Ordem são deontológicos. Não são "combater a proletarização" nem a generalização do desemprego. (Pelo contrário, ao "regular o acesso à profissão" uma Ordem pode de facto estimular o desemprego.)
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 10:26

Pelo contrário. Regular o acesso à profissão é o primeiro objectivo de uma ordem profissional.
Chegou a haver mais de onze mil portadores de carteira profissional de jornalista em Portugal - algo que não correspondia, nem de longe, ao número real de postos de trabalho. Como é óbvio, esta ampliação artificial, sem controlo, provoca uma enorme pressão salarial (para baixo), conduzindo ao tal efeito de proletarização.
Tornou-se usual haver editores a ganhar pouco mais do que o salário mínimo, com horários de trabalho totalmente desregulados (nove, dez, onze, doze horas diárias) nas diversas "plataformas" dos grupos empresariais.
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De Luís Lavoura a 13.01.2017 às 10:34

O Pedro Correia está implicitamente a defender que o número de portadores da Carteira de Jornalista seja artificialmente limitado ao número de postos de trabalho disponíveis. O que o Pedro está a defender é que um jovem que tenha sido formado em jornalismo e que satisfaça todos os requisitos para ser jornalista, não possa exercer porque a Ordem não lhe concede a carteira profissional dado que há poucos postos de trabalho disponíveis. Isto seria uma política que fomentaria o desemprego e favoreceria os jornalistas que já têm trabalho em detrimento daqueles que se querem iniciar na profissão.
Se é para isto que o Pedro quer uma Ordem, então eu decididamente rejeito.
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 10:42

É o que sucede nas mais diversas profissões. Nenhum advogado se torna advogado só por ser licenciado em Direito. Nenhum engenheiro o é verdadeiramente só por ser diplomado em engenharia, carecendo para o efeito de um título profissional.
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De Levanta-te Lenin a 13.01.2017 às 10:46

Pedro, tenho uma Ordem que não impede ninguém de exercer a profissão com base no número de licenciados, ou ofertas de trabalho. Faz-se Estágio, ou exame, acede-se à Ordem e já está. O que o Pedro defende não é do âmbito de uma Ordem profissional , quanto muito do Ministério da Educação e mesmo assim soa-me a ilegalidade.
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 11:00

Faria algum sentido uma ordem impedir alguém de exercer a profissão com base nas ofertas de trabalho?
O que não pode é haver - como houve e há - portadores de carteira profissional de jornalista que não sejam realmente jornalistas nem jamais tenham exercido a profissão. Sem escrutínio algum, sem sanção alguma.
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De Levanta-te Lenin a 13.01.2017 às 11:08

"O que não pode é haver - como houve e há - portadores de carteira profissional de jornalista que não sejam realmente jornalistas"

Completamente de acordo

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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 12:38

Essa é uma das questões de fundo. Se há falsos jornalistas portadores de carteira profissional a concorrer com verdadeiros jornalistas, por salários muito mais baixos, a proletarização da profissão começa logo aí.
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De Luís Lavoura a 13.01.2017 às 10:49

É o que sucede nas mais diversas profissões.

Não, não é. Nas profissões em que há Ordens há requisitos objetivos para o acesso à profissão; se uma pessoa cumpre esses requisitos, então tem acesso, quer haja muitos quer haja poucos postos de trabalho disponíveis.
Já hoje em dia existem requisitos objetivos para o acesso à profissão de jornalista: tem que se ser formado em jornalismo por uma escola profissional idónea. Não são, creio que, necessários mais requisitos.
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 10:57

Você está equivocado: ser formado em jornalismo não é condição para exercer jornalismo. É o que acontece a quem fala do que não sabe.
Há muitos profissionais do jornalismo licenciados em Direito ou Economia, por exemplo. Outros sem licenciatura.
Possuir licenciatura em jornalismo não pode ser requisito bastante para a prática da profissão. Tal como não basta uma licenciatura em Direito para exercer advocacia.
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De Luís Lavoura a 13.01.2017 às 11:37

ser formado em jornalismo não é condição para exercer jornalismo

Então talvez devesse ser.

Seja como fôr, se a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista fornece essa carteira a quem não deve, isso é motivo para protestar contra os critérios utilizados por essa Comissão. Não é motivo, de forma nenhuma, para se sugerir veladamente, como é feito pelo Pedro neste post e respetivos comentários, que um dos critérios deveria ser a existência de postos de trabalho disponíveis.
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 12:35

Jamais fiz qualquer afirmação nesse sentido. Muito menos "veladamente", o que não é o meu género.
Protestei, isso sim, com a atribuição de títulos profissionais a quem não exerce a profissão.
Defendo há muitos anos que o jornalismo deve ser auto-regulado. Ou seja, deve ser uma Ordem Profissional a emitir títulos profissionais. Não uma entidade administrativa qualquer. A menorização do jornalismo começa logo pela existência da tal Comissão da Carteira Profissional, que não emana da profissão nem nenhum jornalista elegeu.
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De Luís Lavoura a 13.01.2017 às 14:21

Defendo há muitos anos que o jornalismo deve ser auto-regulado.

Em Portugal, com raras exceções (já li que a Ordem dos Advogados é uma delas), a autorregulação não funciona. Em geral, o que acontece quando há autorregulação em Portugal é que os bons profissionais protegem os maus. Ou então, utilizam a autorregulação para deliberadamente impedir o acesso à profissão de potenciais concorrentes. Por isso, até prova em contrário, eu sou contra toda e qualquer nova profissão autorregulada.
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 16:19

Qual é a sua profissão?
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De Jantei Perca a 13.01.2017 às 20:02

"Em geral, o que acontece quando há autorregulação em Portugal é que os bons profissionais protegem os maus"

Isso sucede em qualquer ofício. E quando tal não sucede isso deve-se mais ao carácter das pessoas do que à existência, ou não, de uma Ordem.

"Ou então, utilizam a autorregulação para deliberadamente impedir o acesso à profissão de potenciais concorrentes"

De que forma?
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De Carlos Duarte a 13.01.2017 às 10:37

Pedro, eu que não percebo nada, já não existe uma restrição qualitativa a nível da carteira de jornalista? Ou esta é dada a quem a pedir?
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 10:39

As restrições são teóricas, Carlos. Com onze mil e tal titulares de "carteira profissional de jornalista", houve um tempo - nada longínquo - em que até vendedores de publicidade a usavam.
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De Carlos Duarte a 13.01.2017 às 10:41

Pois, mas uma Ordem faz sentido para (auto-)regular a profissão, ou seja, passaria a emitir as carteiras profissionais. A pergunta que coloco é sobre o que mudaria?

Repare que em coisas como médicos ou engenheiros, ou estão inscritos na ordem (e têm cédula profissional) ou não exercem e o "interesse" para os próprios é esse mesmo. Para a sociedade em geral o interesse é o complementar - os "acreditados" têm um incentivo grande para serem reconhecidos como tal, pelo que podem policiar-se de forma efectiva e paralela ao sistema judicial. Como funcionaria isso nos jornalistas?
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 10:49

A profissão de jornalista passaria a exercer-se à semelhança das profissões que mencionou. A ordem - titular do poder de auto-regulação, reconhecido como tal por lei da Assembleia da República - seria a única entidade autorizada a emitir carteiras profissionais de jornalista. E também de retirá-las nos casos de manifesta e grosseira violação dos deveres da profissão, sujeita - como é sabido - a um código deontológico.
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De isa a 13.01.2017 às 10:26

Falta uma Ordem de jornalistas, todos muito juntinhos, para quem estiver no topo da "Ordem", possa ser comprado ou corrompido, exactamente, como funcionam os lobbies das Corporações internacionais, aquelas que já controlam a legislação europeia. Por, portas e travessas, 4 Corporações a nível global já controlam 90% da informação que nos dão "a comer", como funciona a manipulação?
Basta um esquema em pirâmide onde, no final, as ordens vêm sempre de cima e só se conhece um ou dois níveis de onde saem essas ordens e, nunca, quem está no topo da "cadeia alimentar".
Quanto mais se concentra, mais fácil fica de controlar por parte daqueles que têm triliões e que já controlam praticamente tudo.
Se não se diagnosticar bem um problema, nunca se consegue resolver esse problema. Tal e qual como as consequências de um médico fazer um diagnóstico errado, é ir de mal a pior.

Houve jornalistas que tentaram demonstrar a falta de transparência na UE, convidaram meios de comunicação que nem sequer apareceram (acaso?), houve um comissário europeu que tentou implementar essa transparência na UE e, em 3 anos, não o conseguiu portanto, não deve ter visto um vídeo, disponível desde 2012 e que deixei num poste do Rui Rocha, nem outra notícia antiga em que fora provado que a própria BBC recebia fundos da UE, claro que nunca daria notícias que pusessem em causa a receita de milhões.

De qualquer modo, não deve ter visto Brexit the movie e, provavelmente, não verá aquele que lhe vou deixar mas, tentar resolver algum problema sem se saber até onde vai o pantanal, não serve para nada. Se for só para fazer "qualquer coisa" para aliviar as consciências e, poder continuar, com a mesma percepção errada do mundo em que se vive, só serve para confundir e atrasar, ainda mais, a solução de qualquer problema.

Quanto aos Papeis do Panamá, a informação que nos chegou, serviu interesses muito específicos e, apenas saiu a quantidade de informação "necessária e suficiente" que queriam que soubéssemos... já não se pode simplificar, absolutamente nada, isto é tudo muito mais complicado e, o maior perigo, é acreditar, ingenuamente, sem confirmar e reconfirmar aquilo que nos é dito...

O público tem os jornalistas que merece porque, em vez de tentar proteger e incentivar o trabalho independente de jornalistas, está a borrifar-se para esse tipo de jornalismo e, pior, se algum se atrever a expor alguma Verdade, o próprio público, só gosta de ouvir ou ler notícias que encaixem na percepção que têm do mundo.
Como dizia Mark Twain, enquanto for mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que elas foram enganadas, não há jornalista que possa sobreviver com opiniões, realmente, independentes.
Lá fora, já há jornalistas que sobrevivem de apoios do público, não para lhes fazer "engolir" notícias mas, para os alertar e, depois, cada pessoa procurará ajudar aqueles que, nunca apanhem em mentiras porque, até no jornalismo independente, há aqueles subsidiados para desinformar e enganar.

O Mundo não mudará enquanto o dinheiro consiga comprar tudo e todos. Portanto, quem quiser um Mundo melhor tem de começar por si próprio e não esperar que outros ou um D.Sebastião, lhes venha resolver os problemas.

https://www.youtube.com/watch?v=xMuUEd6w54E
The Brussels Business - Who Runs the EU ? - 2012 HD
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 10:41

Dispara em tantas direcções que não percebi onde quer chegar. Se puder faça-me uma súmula do seu pensamento.
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De isa a 13.01.2017 às 11:56

Explicar um Mundo que, cada vez, está mais Globalizado, especialmente onde os Centros de Poder se afastaram das populações, pôr isso tudo, em capítulos ou em "caixinhas" separadas, sem relacionar Factos é, completamente impossível mas, para confundir é, precisamente, o que tem sido feito.
Não há hipótese de perceber o que se passa em Portugal, se não perceber o que se passa na UE e, por aí fora. Não se consegue entender sequer as guerras que provocam migrações em massa, se não souber, por exemplo, quem as subsidia mas, depois, alguém lhe resume que, estes, são os maus e, aqueles, são os bons e que vão fazer assim ou assado, no fundo, fica sem saber nada e, muito facilmente, conseguem manipular qualquer informação.
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 12:36

Isso já ultrapassa por completo a questão que foquei no meu texto.
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De isa a 13.01.2017 às 13:14

Respondendo mas, "fazendo uma súmula" do meu 2º comentário:
Precisamente, não ultrapasso a questão que focou onde, propõe uma solução, sem ver todos os factos que rodeiam o problema da falta de liberdade dos jornalistas.
Porque pensa, por exemplo que, provas de falta de transparência na U.E., e não apareceram os jornalistas para passarem essa informação aos cidadãos europeus?
Por vezes, dá-me a sensação que, até percebe mas, como muita gente, faz de conta que não percebe. Aliás, é a melhor maneira de parar com qualquer troca de ideias e, chegar depressa a soluções que nunca se sabe bem de onde saíram.
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 16:20

Partir do concreto para o abstracto, aludindo a questões mundiais e universais, é a melhor maneira - essa sim - de pôr fim a qualquer debate.
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De Levanta-te Lenin a 13.01.2017 às 10:40

Pedro, há umas semanas lhe fiz notar que o jornalismo de hoje está a soldo de interesses do grande capital (em linguagem actual : malta do guito). Até lhe dei o exemplo dos Papéis do Panamá e do Saco Azul do GES/BES, que segundo diziam, alguns jornais, serviria para pagar "comissões" a jornalistas.

O Pedro indignou-se e disse-me, textualmente, pelo teclado, que: - Nem pensar, que nem existia Capital em Portugal!!!
O jornalismo de investigação, aquele que serve para abrir os olhos às pessoas, é em Portugal uma anedota. É um jornalismo de intenção apenas. Surgem uns cabeçalhos e passados uns dias muda-se de assunto - os helicópteros Kamov, INEM, e o diabo a quatro...

Por essas e por outras deixei de ler jornais e ver TV - uns vendidos, com os seus programas de lavagem cerebral levados a cabo pelos "eufemisticamente" chamados opinion makers (que são os opinon makers senão uns influenciadores, políticos, da opinião pública?).

Para além da péssima qualidade de alguns jornalistas (apenas umas caritas larocas, nada mais), isto quando são jornalistas (A SICN é um exemplo da degradação, que refiro, sobretudo desde que saiu de lá o António Teixeira e a Ana Lourenço). TVI com os seus Medinas I e II é para rir, então a Paula Magalhães (o marido é director da TVI, correcto? Mais nepotismo).
A RTP3, com a Alberta Fernandes, por exemplo, mãezinha do céu...as pessoas deveriam ter direito a baixa médica. Quanto à imprensa escrita...

Quanto à Ordem, não se iluda. Tenho uma, que não serve para nada. Apenas para criar jobs for the boys e dificultar a vida a quem quer trabalhar de forma livre e independente (as Ordens também se submetem, mais tarde ou mais cedo, a interesses).

Gostava, aqui no Delito, que me explicassem, como é que um jornal/canal como o Correio da Manhã opera impunemente em Portugal, com a transmissão de conversas telefónicas, em segredo de justiça, muitas vezes não tendo estas qualquer relevo jornalístico (apenas conversas do foro intimo) ? Nojo, nojo, nojo....Se são punidos com coima devem aumentar-se em 1000x, porque parece compensar para esses senhores da Cofina.

Como é permitido ao saco de nojo que é a CMTV transmitir cenas de violência explicita - braços arrancados, cabeças estoiradas - a horas em que as crianças estão acordadas? E depois vêm com aquela conversa estapafúrdia: estas cenas podem ferir pessoas sensíveis....se são horrendas não as transmitam poças...tanta hipocrisia...deixo o teclado que a pressão aumenta e ainda tenho para aqui algum cambalacho...AVC...ou o camandro
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 10:44

Tenho dificuldade em dialogar com alguém que assina "Levanta-te Lenin". Se quer que as suas opiniões sejam levadas a sério, comece por assiná-las.
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De Conde de Tomar a 13.01.2017 às 10:50

Pronto Pedro, está no seu direito. Como eu tenho o direito de nunca me tomar a sério. Penso que quanto mais sérios as pessoas se assumem mais escondem quem de facto são...manias minhas

Ass: Pedro Oliveira
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 11:01

Noblesse oblige.
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De Anónimo a 13.01.2017 às 14:20

Pois eu cá dialogo com toda agente.
M. Soares
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 16:21

É dever de um bom cidadão dialogar com agentes. Há que colaborar com a autoridade policial.
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De Anónimo a 13.01.2017 às 13:01

" sem preconceitos ideológicos " Esta é que eu não percebo. Já tentei fazer um reset no meu cérebro mas não resultou, o preconceito ideológico sobreviveu.
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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 16:22

Nada que me espante.
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De V. a 13.01.2017 às 15:13

É porque os tipos dos Papéis eram socialistas ou coisa que o valha (não sei bem o que se pode equiparar a um socialista, mas prontos). Se fossem "tipo Relvas" tinha havido para aí um sururu dos diabos.
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De Jantei Perca a 13.01.2017 às 20:04

"É porque os tipos dos Papéis eram socialistas ou coisa que o valha"

Tal como o vírus da gripe.
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De lucklucky a 13.01.2017 às 15:50

Jornalismo! uma profissão que nem sequer existe. São quase todos políticos disfarçados de jornalistas.

Quanto à ideia é tipicamente Marxo-Fascista como todas as Ordens existentes em Portugal. A não ser que possam existir várias Ordens de "Jornalistas" . Aí já não há problema.

Ou a Liberdade só existe com Sindicatos?

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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 16:22

Por vezes dá-me a impressão que é o Jolly Jumper a escrever com o pseudónimo Lucky Luke.
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De Aprendiz do Talmude a 13.01.2017 às 17:50

Luck, comprei por 10€!! (em promoção, claro está), na Wook, o livro, Fascistas de Michael Mann. Fiz boa compra?
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De Marcelo a 13.01.2017 às 17:52

Não. Liberdade também existe quando à tardinha tiro as cuecas e vou para o mar. Em 20 anos nunce me constipei!
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De Pedro Correia a 14.01.2017 às 23:45

Nunca digas nunca.
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De Anónimo a 13.01.2017 às 17:32

As ordens não dão dignidade, provavelmente tiram-na a quem a tem. Na ordem dos médicos nunca ninguém é condenado, pelos erros cometidos e livram sempre aqueles que agiram mal, a ordem dos advogados raramente faz algo e se faz, é porque o que fizeram é tão grave que tem de ser mesmo, as outras... Os jornalistas num país onde a imprensa é quase toda privatizada de nada lhes valia infelizmente porque ou fazem assim ou vão fora e os papéis do Panamá são o exemplo puro disso mesmo.



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De Pedro Correia a 13.01.2017 às 17:43

"As ordens tiram dignidade." Típico raciocínio que, por mais que me esforce, não consigo entender.
Caso para perguntar então que "dignidade" têm alcançado os jornalistas por não terem uma Ordem.
Caso para perguntar também por que motivo médicos, advogados, arquitectos, farmacêuticos, engenheiros, psicólogos, enfermeiros, biólogos, economistas, notários, nutricionistas, veterinários e dentistas, entre outros, fazem questão de estar representados por uma ordem profissional.
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De Anónimo a 13.01.2017 às 23:43

Tiram dignidade e o exemplo flagrante é a ordem dos médicos, em que raramente um médico que por maior asneira que faça, é expulso da ordem porque a ordem, desculpa sempre os seu associados, o que não os dignifica em nada. Mais, não devem ser as ordens a dizerem se este ou aquele, é ou não capaz, tal como acontece com a ordem dos advogados, médicos, arquitectos...Fazem questão de terem uma ordem para estarem sempre bem encostados e serem ilibados de muitas asneiras que fazem. Tenho experiência pessoal, com a ordem dos advogados que são uma autentica vergonha a desculparem os colegas, de asneiras grosseiras que se fossem a tribunal seriam punidos. Os jornalistas têm alcançado toda a dignidade porque para fazerem jornalismo, fazem-no dando o melhor de si mesmos e nem sequer pensam se fizerem asneira têm a ordem para os ilibarem.
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De Pedro Correia a 14.01.2017 às 11:47

Esse argumento faz lembrar a anedota da mãe ao ver o filho na parada, dizendo que os outros iam todos de passo trocado...
Os jornalistas, sem ordem profissional, é que estão certos - ainda há quem sustente isto. Não admira que as coisas estejam como estão: nunca houve tanto desemprego, tanta degradação salarial e tanta desvalorização social do jornalismo como há hoje.
Nada fazer para alterar a situação, deixando tudo na mesma, foi o que aconteceu no congresso de 1998. Há 19 anos.
Deste congresso devia surgir de imediato uma proposta de organização dos jornalistas em ordem profissional, avalizada por lei da Assembleia da República.
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De Anónimo a 14.01.2017 às 21:24

Deduz-se pelas suas palavras que as ordens é que dão emprego, o que é muito mau. Há quem sustente isso porque infelizmente, há gente que se infiltra no jornalismo sem o ser e que fazem tudo menos jornalismo. Nunca viu Ordem
dos professores, pois não? Não viu porque para assumirem a profissão, não precisam de quem os defenda quando fazem asneira grossa, como vê na ordem dos médicos e advogados.
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De Pedro Correia a 14.01.2017 às 23:41

Os professores são um caso diferente. Desde logo porque a grande maioria deles são funcionários do Estado.
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De Almocei cachaço a 14.01.2017 às 12:07

Sabe porque existem poucos processos a médicos? Porque a medicina não é matemática e é extremamente complicado provar negligência. Um exemplo:
Uma infeção urinária pode matar. Como? Infeção ascendente para a pelve renal. Pielonefrite. Sistema imunitário não responde como deveria, por causas idiopáticas. Septicémia. Morte. Assunto arrumado. Parece negligência, não é? Uma infeção urinária, simples, como causa de morte! Muito raro, raríssimo, mas possível.
Não falo por falar. Tenho formação na Área
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De Pedro Correia a 14.01.2017 às 23:42

A presunção da inocência prevalece à partida, como garantia constitucional.
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De José Vieira a 13.01.2017 às 17:42

Caro Pedro Correia,
Permita-me que subscreva o artigo que publicou.
Salvo raras e dignificantes excepções, para quem lê jornais e vê televisão, está a tornar-se cada vez mais difícil encontrar artigos que "mostrem, relatem, descrevam e expliquem".
A situação torna-se ainda mais complicada, no caso das televisões, quando se assiste a debates ou entrevistas onde participam figuras públicas com responsabilidades nas diversas áreas da sociedade portuguesa.
Tenho a sensação de que fica sempre de fora o "poder de fazer perguntas".
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De Pedro Correia a 14.01.2017 às 11:43

Esse é mesmo o único poder de que o jornalista está investido, caro José: o de fazer perguntas.
Infelizmente há cada vez mais jornalistas a abdicarem desse poder, que é também um dever.
E muitas das perguntas que ficam por fazer deviam dirigir-se antes de mais nada à própria profissão.
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De A.Vieira a 13.01.2017 às 18:51

Excelente texto !.

Difícil escrever em Portugal com tantos "democratas" de raízes e rebentos "espírito" da nomenklatura bafienta (1917) em que temos de viver, em 2017 !

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De Pedro Correia a 14.01.2017 às 11:41

Ainda bem que gostou, A. Vieira. Temos de ser cada vez mais a espalhar estas mensagens.

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