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Falharam

por Pedro Correia, em 22.04.15

Previram uma irreparável "espiral recessiva". Não houve.

Previram um ameaçador "programa cautelar". Nunca apareceu.

Previram um  "gigantesco risco sistémico" no sistema financeiro português. O colapso jamais ocorreu.

Previram um inquestionável "segundo resgate". Ninguém o vislumbrou.

Previram até, com ênfase de profissão de fé, a saída de Portugal do euro. Que só existiu em sonhos. Ou pesadelos.

 

Durante um par de anos levámos com todos estes profetas da desgraça, num concurso de cassandras levado ao domicílio antes, durante e depois dos telediários. Dia após dia, noite após noite.

Nunca ninguém lhes pedirá contas sobre o imenso rol de profecias falhadas. É o que lhes vale.

 

Mas a maior prova desse falhanço está no pacote de medidas de carácter económico que o PS acaba de desvendar para um hipotético executivo a sair das eleições do Outono. Os socialistas - ultrapassando agora o  Governo (2,3%) e o  Banco de Portugal (1,9%) em optimismo - antecipam um crescimento médio anual da economia portuguesa de 2,6% no período em que vigorar a próxima legislatura.

Contagiados por este optimismo, que avaliza afinal o desempenho do executivo ainda em funções, os do costume - aqueles que falharam todas as previsões - voltarão aos jornais de sempre e às televisões da praxe a dar o dito por não dito. Só nessa matéria conseguem ser exímios.

 

Leitura complementar:

Cautela. De Vital Moreira, na Causa Nossa.

O irrealismo dos cenários macroeconómicos do governo e do PS. De Ricardo Paes Mamede, no Ladrões de Bicicletas.

Texto do PS: boa jogada política a curto prazo mas sem credibilidade económica. De Luís Salgado de Matos, n' O Economista Português.

PS prescinde de quase 1% do PIB no Orçamento e diz que baixa défice. De Sérgio Aníbal, na Economia Info.

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30 comentários

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De l.rodrigues a 22.04.2015 às 16:30

Quer também enumerar todos os números que este governo falhou desde que aprovou Memorando de Entendimento? Quer lembrar todos os orçamentos rectificativos? Quer dar-lhe o crédito pelas políticas do BCE?

Na verdade estamos provavelmente perante duas visões da mesma fantasia: a de que Portugal vai, mais fraco do que nunca, fazer o que nunca fez nos últimos 15 anos.

http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2015/04/o-irrealismo-dos-cenarios.html

http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2015/04/vamos-fazer-o-que-ainda-nao-foi-feito.html
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De Pedro Correia a 22.04.2015 às 16:35

O Governo será avaliado pelos eleitores, em Setembro ou Outubro, o mais tardar. Nas urnas.
Antes e depois disso, as cassandras continuarão por aí, com lugar cativo nas mais diversas tribunas. Esbracejando contra os factos que teimam em não se ajustar ao que anunciaram.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 22.04.2015 às 16:51

Em 2013 e 2014 as previsões do governo foram as que mais se aproximaram da realidade. Não cite o Castro Caldas nem o Pais Mamede porque eles não acertaram uma, e foram defender politicas à la Syrisa para o Congresso das Alternativas.
Este país ainda está com metade da cabeça debaixo de água, e já vêm os economistas de esquerda a empurrar o resto para baixo outra vez.
Não passam de uns académicos treteiros, cujas ideias não têm nenhuma adesão à realidade. Sejam da Universidade de Coimbra, sejam de Harvard.
A propósito, não convidaram o prof José Reis para o elenco desta dúzia de "sábios"? que desconsideração, deve ser a paga pelos estudos que ele fez a sustentar os tráfegos estratosféricos das PPPs dos governos PS!
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De Pedro Correia a 22.04.2015 às 18:39

Eu também gosto de ler o blogue Ladrões de Bicicletas, L. Rodrigues. Aliás, recomendo em adenda um dos textos que menciona.
Mas faço questão em diversificar leituras. Ajuda a arrumar ideias.
E a propósito de arrumar ideias, vamos lá raciocinar: se existem condições para o País crescer 2,6% a partir de agora (tomaram vários outros da UE poderem dizer o mesmo), isso significa um inequívoco sinal de que o ponto de chegada, quase no termo desta legislatura, é bem mais favorável do que o ponto de partida.
Não é verdade?
Isso foi, aliás, o que António Costa disse, bem recentemente, a investidores chineses...
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De Exactamente, com c a 22.04.2015 às 16:48

E os cromos passaram a vida a denunciar o fantasioso optimismo (com p) dos outros...
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De Pedro Correia a 22.04.2015 às 18:31

A doutora Ferreira Leite merece um lugar muito especial nesta galeria. Há-de aparecer, um dia destes.
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De Maradão a 22.04.2015 às 17:02

Entre as autoridades que conceberam o que o Costa apelidou de "ferramenta" não se encontrará, embora incógnito, o Sr. Dr. Baptista da Silva?
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De Pedro Correia a 22.04.2015 às 18:30

Com tantos candidatos a Presidente da República, não me admirava que aparecesse também o Professor Doutor Artur Baptista da Silva. Com sérias hipóteses de vencer a corrida para Belém.
Entre outros marcos do seu currículo, destaco estes:
- Coordena a equipa de sete economistas que o secretário-geral da ONU decidiu criar para estudar o risco geopolítico e social na América do Sul;
- Foi indigitado para liderar o futuro Observatório Económico e Social das Nações Unidas para a Europa do Sul (cuja criação já está um pouco atrasada, pois devia ter aberto portas em 2013);
- Previu, antes de muitos outros, que o processo de ajustamento financeiro em Portugal, no âmbito do memorando de entendimento, produziria "resultados tenebrosos".

https://oinsurgente.files.wordpress.com/2012/12/ns-abs.jpg
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De William Wallace a 22.04.2015 às 18:05

Está enganado !

A espiral recessiva, é isso mesmo, uma espiral, é lenta e irá continuar, a não ser que Pedro queira que as pessoas deixem de comer (JÁ) ou de pôr gasóleo no carro para ir trabalhar !

O programa cautelar não existe FORMALMENTE porque os "parceiros" europeus não o quiseram na Irlanda nem o quiseram em Portugal, mas as regras ditadas informalmente mantém-se e só foram suavizadas pelo BCE.

Risco sistémico no sistema financeiro Português não é um risco, é uma REALIDADE, ainda estamos a PAGAR o BPN , o BPP , a CAIXA (pelos motivos errados) o BCP , agora vamos começar a pagar o BES e penso que brevemente mais 2.
Se não considerar este argumento dos contribuintes a pagar as contas da banca falida ao menos considere os prejuízos recorrentes da mesma, mesmo tendo acesso a negócios proporcionados pelo ESTADO através das PPP com rendibilidades altíssimas e riscos nulos.

O segundo resgate foi como sabe aventado em 1ª mão pelo 1º ministro para fazer pressão sobre o TC que felizmente cumpriu a lei na sua generalidade.

Quanto á saída do Euro, basta deixarem a Grécia cair para nós sermos os próximos, não tenha ilusões sobre isso!

Quem está á frente da Europa planeia a 20/30 anos e sabe os riscos que enfrenta se não alijar a carga quando a mesma a começar a puxar para trás, não tenham ilusões.
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De Pedro Correia a 22.04.2015 às 18:21

Não me decepcione, William Wallace. Se o que escreveu corresponde à verdade, lá vai por água abaixo o programa económico do PS, que prevê um crescimento médio anual de 2,6% para Portugal até 2020 - um crescimento acima da média comunitária, refira-se.
Ou há "espiral recessiva" ou há crescimento económico. As duas coisas não se conjugam.
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De William Wallace a 22.04.2015 às 19:23

Não o decepciono de certeza pois eu não acredito nas propostas do PS !

Nem nas propostas e muito menos na capacidade das pessoas do PS para as pôr em prática ainda que fossem diferentes ou quiçá mais realistas e menos dependentes de cenários e PREVISÕES.

A nível económico neste momento de Neo-comunismo generalizado como bem retratou o comentário que destacou esta semana na rubrica de comentário da semana só pensando muito fora da caixa e não cedendo a lóbis ou clientelas se poderia atingir alguma coisa mas não existe vontade nem estaleca porque os novos não ousam e os velhos não querem, sendo que velhos e novos nada tem a ver com a idade....
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De Pedro Correia a 22.04.2015 às 22:44

Podemos e devemos "pensar fora da caixa" como quisermos, mas a economia também tem leis, como a física. Uma delas é esta: para um determinado nível de despesa há que acautelar o correspondente montante de receita. Se isso não acontecer, dá buraco pela certa.
Durante demasiados anos muito pouca gente pensou nisto ao nível do aparelho do Estado - incluindo administração central, regional e local. Hoje já todos sabemos que não é possível traçar políticas sem acautelar excessos de despesa que por sua vez forçam a acumulação de dívida que por sua vez fazem disparar o défice que por sua vez pode gerar juros usurários. A ser pagos - e com que custos - por todos nós.
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De William Wallace a 23.04.2015 às 01:52

Diminua-se a Despesa em tudo o que é desperdício ou está a ser pago usurariamente sem o respectivo retorno, caminho que o actual governo prometeu na ultima campanha eleitoral e por outro lado aumente-se as rendas do Estado onde elas se podem aumentar sem destruir a sociedade, estratégia que nem o PS se admite a veicular para não ferir clientelas....

O actual modelo económico está esgotado e não adianta por paninhos quentes como faz o PS ou o actual PSD, no fundo eles baralham e voltam a dar mas o resultado será no médio prazo sempre o mesmo, a falência do Estado e de Portugal como Nação independente, tendo a Alemanha como principal antítese do estado a que chegámos com 40 anos de democracia pouco esclarecida e refém de interesses de casta que prejudicam a maioria.

Em 40 anos tivemos 3 bancarrotas e passamos de uma estatização completa (e errada) para uma libertinagem económica em que temos o caso de uma empresa monopolista não poder ser controlada por Portugueses mas o poder ser por outro País, ou não podermos usar uma golden share numa empresa estratégica como a PT mas os outros poderem....

É obvio que assim não vamos lá por mais voltas que dêem ao espartilho em que NOS metemos e meteram, logo é preciso pensar fora da caixa, insistir na mesma politica com nuances é que me parece estúpido e uma autoflagelação enquanto se continuar a enganar o pagode para alguns se lambuzarem com as migalhas que os outros deixam cair da mesa.
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De Pedro Correia a 25.04.2015 às 23:13

Há sempre modelos alternativos. Na Rússia vigora um. Na Grécia há outro em marcha. Na Venezuela existe outro ainda, desde 1999. Já para não falar do cubano, muito mais antigo. Ou do norte-coreano, aliás inconfundível.
E há o chinês, o angolano, o saudita. O do Irão, o da Bielo-Rússia, o da Guiné-Bissau.
Tudo visto e somado, talvez o modelo da democracia liberal europeia seja, como dizia Churchill, o menos mau de todos.
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De William Wallace a 26.04.2015 às 21:43

Não estou, nem estava a falar do modelo Politico, estava a falar do modelo Económico e de organização da sociedade enquanto beneficiária do modelo económico adoptado.

O Pedro Correia faz um Post sobre 4 "erros" de previsão a nível económico, eu rebati-o com os argumentos que achava (e acho) correctos e agora o Pedro vem falar-me em modelo politico para desviar as atenções sendo que muitos já sabem que com este modelo económico (que não é capitalismo) Portugal (e outros) enquanto Nação não sobreviverá e limitar-se-á a ser uma quinta de outras Nações que vêm cá buscar juros, rendas e alguma mão-de-obra qualificada.

Quando a Economia prevalece sobre a Politica como acontece agora nada de bom se poderá esperar e pelo andar do comboio em breve, quando nada mais houver para sugar aqui seremos empurrados borda fora, tal como possivelmente acontecerá com a Grécia.

Obviamente que esta situação tem lacaios internos que muito beneficiam com este estado de coisas e são poucas as vozes esclarecidas que se levantam contra, pois a propaganda é mais forte que o pensamento e a reflexão.

A Grécia escolheu um caminho derivado ao desespero da sua população, aqui continuam a embalar-nos em fábulas de que é possível cumprir metas de pagamento de divida, sem meios e sem destruir a sociedade, ora isso é impossível a não ser que se façam reformas profundas a vários níveis sendo umas para aumentar receita e outras para diminuir despesa.
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De Pedro Correia a 27.04.2015 às 10:50

A Grécia - como bem diz - escolheu um caminho. Nós também. Em Setembro/Outubro, teremos oportunidade de escolher outro. Se for como o da Grécia, o exemplo está à vista. Existe pelo menos a vantagem de perceber como é o modelo alternativo a governar. Ninguém dirá mais tarde que foi ao engano...
Outros povos, muitos outros, infelizmente não têm oportunidade de escolher caminho algum. Ou porque vivem em ditadura ou porque se encontram mergulhados no terror da guerra.
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De William Wallace a 27.04.2015 às 20:14

Cenários extremos os que invoca, mas fico por aqui !

Você escreverá mais post 's e eu mais respostas, pelo menos até ver...

Pior que um cego é aquele que não quer ver....dizem, mas há pior, aqueles que lançam cortinas de fumo deliberadas sobre a realidade e puxam o lustro ás pedras para ver se brilham mais.......


Já agora alguém falou aí acima nos ladrões de bicicletas que por acaso tem lá um post porreiro sobre os números do desemprego e uma infografia toda catita, com rótulos e tudo....

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De Pedro Correia a 27.04.2015 às 20:35

Ladrões de Bicicletas? Se calhar até fui eu...
Apareça sempre. E discorde à vontade. Discordar é sempre um direito e por vezes é mesmo um dever.
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De Vento a 22.04.2015 às 20:31

Permita recordar e maçá-lo um pouco, Pedro.

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1&did=180959

http://economico.sapo.pt/noticias/producao-automovel-cai-quase-10_215789.html

http://economico.sapo.pt/noticias/insolvencias-de-empresas-voltam-a-aumentar-nos-dois-primeiros-meses-do-ano_215118.html

http://www.ces.uc.pt/observatorios/crisalt/documentos/barometro/13BarometroCrises_Crise%20mercadotrabalho.pdf

http://visao.sapo.pt/taxa-de-desemprego-esconde-numero-real-de-desempregados-observatorio=f814747

http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2015-03-26-INE-divulga-hoje-defice-do-ano-passado
Nota: O défice é de 4,5% e deverá ser contabilizado o BES.

http://visao.sapo.pt/divida-das-administracoes-publicas-sobe-para-1302-do-pib-em-2014-ine=f814660

http://www.sapo.pt/noticias/clima-economico-estabiliza-e-atividade_55096737a2697f510cfe53f5
(aqui diz-se que se estabiliza o que está em queda)

http://economico.sapo.pt/noticias/defice-comercial-portugues-aumenta-quase-mil-milhoes-de-euros_211661.html

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/conjuntura/detalhe/bruxelas_trabalhadores_que_ganham_salario_minimo_mais_do_que_duplicam_entre_2005_e_2014_em_portugal.html

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=769669

Esta é em cima das eleições:
http://expresso.sapo.pt/dividas-fiscais-governo-manda-travar-penhoras-excessivas=f920515



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De Pedro Correia a 22.04.2015 às 22:55

Não maça nada. A propósito, aqui ficam novamente os meus votos de saudação pelo seu regresso.
Lembremos entretanto alguns factos elementares a propósito de "modelos de crescimento":
- Na primeira década deste século, a média de crescimento do produto português foi de 0,4%. Ou seja, estagnámos quando tínhamos um "modelo" apostado no investimento público, nas obras públicas e no consumo privado. Com desequilíbrios enormes na nossa balança de pagamentos.
- Quando se aposta no "consumo privado" como motor da economia, estamos de imediato a accionar o circuito de importações, com o consequente agravamento da balança externa.
- Não dispomos de instrumentos fiscais e tributários fora dos compromissos que assumimos ao nível da Europa comunitária. Foi uma das contrapartidas a que o executivo da altura (o do PS de Guterres) se comprometeu por ocasião da adesão portuguesa ao sistema monetário europeu.
- A diminuição dos contributos para a Taxa Social Única já previstas pelo PSD e pelo PS arriscam-se a descapitalizar ainda mais o sistema público de segurança social, fazendo soar todas as campainhas de alarme. Pelo contrário, no entanto, este parece ser um dos "trunfos eleitorais" dos dois partidos na próxima campanha legislativa. É um caminho perigoso.

Haveria outras coisas a dizer. Mas de momento fico-me por aqui.
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De M. S. a 23.04.2015 às 09:58

Caro Pedro:
Disse: «Na primeira década deste século, a média de crescimento do produto português foi de 0,4%.»
Não está correcto, embora a diferença não seja muito significativa para onde o seu raciocínio o quer levar.
Coligi estes dados a partir da Pordata:
1961 a 1970 – 5,81%
1971 a 1980 – 4,99%
1981 a 1990 – 3,67%
1991 a 2000 – 3,14%
2001 a 2010 – 0,75%
2011 a 2014 - –1,64% negativo
Mas afirmar só isso que o Pedro afirmou é pouco.
E nas décadas anteriores o que constatamos?
Uma perda continuada do PIB resultante de 5 factores:
1 - Debilidade interna endémica da nossa economia (a excepção foi a década de 60, com o investimento estrangeiro devido à mão-de-obra barata resultante das migrações internas da agricultura que se foi mecanizando, especialmente no Ribatejo e Alentejo);
2 - Transformações do contexto interno (perda do império e reorganização do espaço de actuação económica / PREC e suas loucuras);
3 - Alterações do contexto europeu (alargamento da UE e nova competição com países mais atraentes nos custos e mais bem preparados em mão-de-obra: a leste);
4 - Alterações do contexto mundial (globalização e efeitos dos acordos da década de 90).
5 - Como ao mesmo tempo o Estado Social se desenvolveu, foram-se acumulando deficits e dívida.
Portanto, isolar a década pode ser muito «útil» para encontrar o único e exclusivo culpado - um desiderato (preguiçoso) perseguido por muitos portugueses - mas é muito pouco ÚTIL para nos pensarmos como país e como futuro.
Penso que não será o 1.º «útil» que o Pedro persegue.
Nota: Tenha-se em atenção a entrada de fundos europeus a partir de 1986.
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De Pedro Correia a 23.04.2015 às 12:46

Caro MS:
Obrigado por ter corrigido o meu erro de 0,35% (por defeito) que constava do que escrevi, ao correr da pena, confiando na memória, sem ter tempo de conferir.
As condições da década de 60 são irrepetíveis, claro. Não só em Portugal (onde vigorava uma ditadura e havia condicionamento industrial com a pesada mão do Estado a ditar as regras, além de mão-de-obra barata, combustíveis ao preço da chuva, quase não havia protecção social e os mercados coloniais estavam no auge), como é óbvio. Mas também no mundo.
As independências africanas, o aumento acentuado do preço dos combustíveis decretado pela OPEP e, bastante mais tarde, a adesão da China ao acordo global de comércio, arranque simbólico da globalização, alteraram todo o cenário mundial. Tudo isto somado ao chamado "inverno demográfico" europeu, que ameaça implodir os sistemas públicos de protecção social.
É importante darmos prioridade às políticas de natalidade, que tiveram sucesso (por exemplo) na Suécia e na Dinamarca. Mas não vale a pena lutarmos contra a globalização, que para os povos outrora submetidos a opressão de vária ordem constituiu um poderoso grito libertador. Todos os anos há largos milhões de indianos, brasileiros e chineses que transitam da pobreza para a classe média graças a ela.
É um caminho de não-retorno.

Voltando a Portugal.
Se nos lembrarmos que esse "crescimento zero" da primeira década do século XXI (abaixo de 1% podemos continuar a usar esse chavão) ocorreu quando continuávamos a receber milhões de euros em fundos europeus, ao abrigo de vários programas comunitários, podemos considerar que se tratou de uma década perdida.
O alerta que tantos vimos fazendo (não tenho a pretensão de inventar nada) é muito simples: não repetir os mesmos erros e as mesmas receitas que nos conduzirão fatalmente às mesmas consequências.
Julgo que uma larga maioria de portugueses pensa assim. Até porque um país que não consegue aprender nada com três situações de pré-bancarrota em três décadas condena-se ao pior...
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De M. S. a 23.04.2015 às 13:14

Caro Pedro:
Concordo consigo: lutar contra a globalização (no sentido de a recusar, não no sentido de superarmos os desafios que nos lança) é estúpido, inútil, reaccionário.
(Lutar é só contra o Aborto (Dis)ortográfico).
Também concordo que o modelo seguido desde 1986, quando tivemos milhões da UE, só nos pode levar ao mesmo.
Tanto mais que o nosso historial secular, desde os tempos áureos do Descobrimentos, tem sido sempre na mó de baixo, não na de cima.
A última década foi muito má, mas não passa de uma minúscula nota de rodapé de um grosso livro de subserviência, insucesso, fraqueza, miséria material, analfabetismo, paroquialismo, chico-espertismo, tudo mascarado com adjectivos ao sabor das modas mas que não passaram de pó de arroz para disfarçar as mazelas.
Mas temos de ter uma saída: e essa saída deve ser pensada, discutida em liberdade, sem peias ideológicas nem outro tipo de preconceitos.
Apenas nesse sentido vejo com bons olhos o Cenário Macroeconómico do PS, nem que seja para se fazer tudo ao contrário do que preconiza.
Mas cuidado com as alternativas idílicas de outros amanhãs que cantarão dos mestres de cerimónia em exercício.
Deixo-lhe mais um contributo: http://economiainfo.com/edicoes/2015/04/23/modelo-ps-explicado/
(In Economia Info)

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De Pedro Correia a 25.04.2015 às 23:09

Agradeço-lhe as pistas de leitura, meu caro.
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De Vento a 23.04.2015 às 20:55

Pedro, uma vez mais grato pelas boas-vindas e reforço novamente o prazer em estar convosco não só a partilhar como também a reflectir e, às vezes, a aquecer. Bem, mas o Pedro já falou ali da temperatura que começa a ser medida e fico satisfeito em contribuir para as flutuações do termómetro, com toda a modéstia. É só pelo prazer.

Uma vez que estou novamente de partida, e que espero seja ainda mais breve o meu regresso, quero responder a seu comentário começando por recuperar um outro feito em 2014 no post de Luís Leitão (por favor, leia com atenção):

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/sentido-de-perspectiva-6286516#comentarios

Repare que voltamos novamente a falar em números e médias e não nos concentramos no que é substantivo.
Significa isto, Pedro, que por um lado a Europa pretende que tenhamos uma reacção à crise como se de um país fora do Euro e suas fronteiras (UE) fossemos, e por outro lado quis-nos de pleno direito enquanto consumidores que alimentavam a máquina financeira, através do consumo de crédito, e, por via deste, o consumo de tudo quanto ela, Europa, produzia.

Quero com isto dizer que o Pedro labora no mesmo erro de muitos analistas e comentadores ao pretender uma solução para Portugal fora dos limites que nos foram e são impostos. Só que agora, através do dito resgate, fazem pensar que continuam a ajudar-nos e pretendem que mantenhamos uma resposta IGUAL com toda a DIFERENÇA QUE NOS CARACTERIZA NO QUADRO DA UE, diferença esta consentida e desejada até que estourou a crise dita soberana. Que mais não foi que uma crise do sistema bancário e financeiro, pelas perdas nos movimentos especulativos, e que convinha fosse coberta e reposta o mais rápido possível.

Como não podia ser recuperada como o desejavam criou-se um sistema de rendas, através do pagamento de juros, que conduzem a um contínuo aumento das dívidas e permite consolidar tais rendas. Este sistema eu designo-o, repito, EU designo-o, por "rolling debt to keep the stream".
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De Pedro Correia a 25.04.2015 às 23:08

Faço votos para que o seu regresso seja rápido, meu caro. Um abraço.
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De V. a 23.04.2015 às 04:19

Havia um caramelo no Cachimbo de Magritte (um dos autores, não era um Lavoura qualquer) que jurava a pés juntos que Portugal estava a uns meses de sair do Euro. Que era absolutamente inevitável. Escreveu um livro e tudo com lançamento na FNAC ou na Barata ou lá o que foi. Como é óbvio, peguei-me com ele a sério com base numa simples indagação: o que é que vocemessê vai fazer se estiver errado? NO mínimo teria de desistir de comentar e de dar palpites uma ves que apostava todos os seus créditos e reputação naquela inevitabilidade histórica. Nunca mais soube dele: se calhar voltou para o Ensino Superior onde dava aulas.
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De Pedro Correia a 25.04.2015 às 23:08

Recordo-me bem desse blogue, que tinha gente interessante a escrever, embora alguns dos autores abusassem daquele pedantismo típico de quem se acha detentor exclusivo da verdade. Pena ter sofrido morte prematura. Mas quando acabou já tinha implodido por sérias divergências internas.
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De cristof a 23.04.2015 às 16:25

Não fosse o desespero dos necessitados de acreditar em algo e a falta de propostas e proponentes crediveis e carismaticos e presumo que estas "alternativas" do dao sebastiao costa iam directos para o caixote do lixo da propaganda.
Assim talvez tenham a sorte do syriza, ganham com sonhos.
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De Pedro Correia a 25.04.2015 às 23:05

Já nem hoje (25 de Abril) o Syriza é o mesmo partido que há três meses venceu as eleições na Grécia. As promessas essenciais que fizeram aos eleitores foram ficando pelo caminho - da renegociação da dívida ao aumento substancial do salário mínimo. Passando pela promessa das promessas: a proclamação do fim da austeridade.

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