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Falar claro sobre eutanásia

por Teresa Ribeiro, em 04.02.17

eutanasia.jpg

 

Tenho observado que quem argumenta contra a eutanásia tende a iludir três questões:

1. Ninguém obriga ninguém a fazê-lo. Tal como no caso da IVG, os profissionais de saúde que sejam contra têm o direito de se recusar a colaborar.

2. A decisão é do doente (e só considerada se reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais)

3. Os casos em que a eutanásia é aplicável serão, naturalmente, objecto de rigorosa regulamentação, pelo que não se coloca a questão de tal servir para facilitar suicídios de pessoas que estão, por exemplo, simplesmente com uma depressão. 

Toda a argumentação que contorne estas três premissas não me parece intelectualmente honesta.

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75 comentários

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De Teresa Ribeiro a 09.02.2017 às 14:36

Sinto muito pelo seu pai. Na minha família, felizmente, não existem casos, mas acompanho há muitos anos a evolução de uma depressão numa das minhas melhores amigas, já classificada de depressão major, que viveu com um bipolar (algo que não a ajudou). Enfim, tudo para dizer que não é, contudo, destes casos que se deve falar quando se fala de eutanásia, porque para a reclamação desse acto exige a serenidade da lucidez, sofrimento atroz e a total impotência da Medicina. Como testemunha que fui e sou do acompanhamento médico de depressões e distúrbios bipolares, a conclusão que tiro é que embora não resolva, a Medicina consegue, na maior dos casos, fazer uma razoável gestão dos danos, o que se reflecte no relativo bem estar dos pacientes.
Também a eutanásia não se aplica aos casos de doentes que perderam, numa fase terminal, a consciência do que são, porque tem de ser uma decisão límpida, consciente e aceitável do próprio (aceitável no sentido em que se enquadra nas situações em que se reconhece que a eutanásia é aplicável)
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De Einstürzende Neubauten a 09.02.2017 às 21:48

Obrigado, Teresa!

"acompanhamento médico de depressões e distúrbios bipolares, a conclusão que tiro é que embora não resolva, a Medicina consegue, na maior dos casos, fazer uma razoável gestão dos danos"

Parece-me que essa gestão dos danos é mais direcionada para os familiares do que para o doente bipolar. É como lhe digo, os medicamentos aliviam o fardo dos que têm de conviver com o doente bipolar por este ficar adormecido e assim dar algum descanso ao cuidador.

Relativamente à Eutanásia a minha posição por enquanto é: Não sou para já a favor. Para já.

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