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Falar claro sobre eutanásia

por Teresa Ribeiro, em 04.02.17

eutanasia.jpg

 

Tenho observado que quem argumenta contra a eutanásia tende a iludir três questões:

1. Ninguém obriga ninguém a fazê-lo. Tal como no caso da IVG, os profissionais de saúde que sejam contra têm o direito de se recusar a colaborar.

2. A decisão é do doente (e só considerada se reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais)

3. Os casos em que a eutanásia é aplicável serão, naturalmente, objecto de rigorosa regulamentação, pelo que não se coloca a questão de tal servir para facilitar suicídios de pessoas que estão, por exemplo, simplesmente com uma depressão. 

Toda a argumentação que contorne estas três premissas não me parece intelectualmente honesta.

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6 comentários

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De V. a 03.02.2017 às 20:01

Sobre o Ponto 2.

"A decisão é do doente (e só considerada se reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais)"

E a influência de um familiar ou compadre com um carácter menos vertical sobre um idoso ou uma pessoa fragilizada psicologicamente?
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De Teresa Ribeiro a 04.02.2017 às 11:07

Mais uma vez: o que está em causa são situações de sofrimento extremo (dores insuportáveis, situações altamente incapacitantes) sem possibilidade de remissão. Porque é falso que os cuidados paliativos, de que tanto se fala, sejam eficazes o suficiente para evitar o sofrimento. Infelizmente é assim em muitos casos. O objectivo da eutanásia é dar às pessoas a possibilidade de pôr termo a um sofrimento que consensualmente é reconhecido como insuportável. Nestas circunstâncias não faz sentido colocar a questão nos termos em que a coloca.
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De Einstürzende Neubauten a 04.02.2017 às 17:50

The argument in favor of euthanasia or PAS in end-of-life cancer care appears ostensibly compassionate and practical. Further examination reveals this stance to be ultimately predicated on a platform which seems to fail to consider well-founded alternatives, and additionally to deny the fundamental existence of humans as created beings. The alternative approach of the appropriate use of the specialty of pain medicine within a greater setting of palliative care allows compassionate care and fundamental respect for the dying as those having human lives of value. Although suffering is to be eased whenever possible, the presence of healthcare practitioners with a spiritual orientation may lead to less likelihood that this goal will be attempted to be accomplished at the expense of all else, especially the life of the patient.


https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4434784/
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De Teresa Ribeiro a 06.02.2017 às 12:07

A medicina da dor pode muito, mas não pode tudo. E quando se fala de eutanásia não é só de dor física que se fala. Há situações de sofrimento intolerável e irremissível que nada têm a ver com dor. Já referi um exemplo que foi largamente difundido através do filme Mar Adentro (2004).
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De Einstürzende Neubauten a 06.02.2017 às 12:24

Teresa recomendo o "Escafandro e a Borboleta"

https://www.youtube.com/watch?v=N4yY1yedPEc

Bem, sei Teresa. Mas em ciência há pouco lugar a subjetivismos. Como avaliar essa dor psicológica? Um doente com uma Depressão Major manifesta uma dor psicologia exasperante. Seria um candidato à eutanásia?

Teresa se começamos a discutir princípios morais com argumentos racionais deixa de haver moral - esterilização de deficientes, ou de doentes com doenças genéticas hereditária graves, etc.
A moral são valores não racionais, emotivos, que valem por si, não tendo utilidade para além de si mesmos. Moral não se apoia na Ciência, mas sim na Cultura
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De Teresa Ribeiro a 06.02.2017 às 18:39

Recorrendo, Neubauten, ao exemplo do filme: é assim tão subjectiva a dor psicológica que se adivinha numa pessoa que é condenada a viver para todo o sempre presa a uma cama?!
A depressão Major é uma doença grave mas cujos sintomas - como sentimentos depressivos, incluindo pulsões suicidas - é possível tratar. O recurso à eutanásia é uma questão que só se coloca quando a medicina não tem capacidade de resposta.

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