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Falar claro sobre eutanásia

por Teresa Ribeiro, em 04.02.17

eutanasia.jpg

 

Tenho observado que quem argumenta contra a eutanásia tende a iludir três questões:

1. Ninguém obriga ninguém a fazê-lo. Tal como no caso da IVG, os profissionais de saúde que sejam contra têm o direito de se recusar a colaborar.

2. A decisão é do doente (e só considerada se reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais)

3. Os casos em que a eutanásia é aplicável serão, naturalmente, objecto de rigorosa regulamentação, pelo que não se coloca a questão de tal servir para facilitar suicídios de pessoas que estão, por exemplo, simplesmente com uma depressão. 

Toda a argumentação que contorne estas três premissas não me parece intelectualmente honesta.

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3 comentários

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De Einstürzende Neubauten a 03.02.2017 às 16:39

Já fui a favor, mas presentemente sou contra por várias ordens de razão:

1 - Dor/Sofrimento- existem hoje potentes e eficazes analgésicos - opioides e outros. Ninguém tem de sofrer, e para isso torna-se fundamental os fármacos mas também a existência de boas unidades de cuidados paliativos e especialistas no maneio da dor crónica. Há um longo trabalho a fazer-se nesta área em Portugal

2 - A Eutanásia poderia tornar-se um meio para que as ditas unidades de cuidados paliativos/maneio da dor não evoluíssem em Portugal por razões meramente economicistas - a Eutanásia é incomparavelmente mais barato (agentes eutanasiantes primários rondam os 50€, mais coisa menos coisa - depende do tipo de substância. Manter um doente terminal vivo, ronda por vezes várias centenas de euros/dia).

3 - E as doenças neurológicas degenerativas? O que define estar vivo? Apenas o corpo? E a cognição, lucidez, a autoconsciência? Penso que mais que o corpo somos definidos pelo que somos, pela nossa mente. É isso que nos distingue dos demais. A maneira de ser. A personalidade. Perguntaria: Doentes com Alzheimer não sofrendo de dor física e não tendo um prazo definido para morrer seriam elegíveis para a Eutanásia?
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De Teresa Ribeiro a 03.02.2017 às 17:03

1. Dor é igual a sofrimento, mas o inverso não é, necessariamente, verdadeiro. Quem vive preso num corpo, sem se poder mexer e sem esperança de ganhar autonomia, pode desesperar. Não sei se é cinéfilo, mas o filme Mar Adentro, baseado no caso verdadeiro de um tetraplégico que viveu assim durante 30 anos e depois quis morrer é um bom exemplo do que falo.
2. A decisão é do doente, não das instituições hospitalares, pelo que o custo - mais acessível - da eutanásia se comparado com os dos cuidados paliativos é um argumento que não colhe.
3. Doentes com alzheimer não estão de posse de todas as suas faculdades mentais, pelo que esse exemplo também não faz sentido.
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De Einstürzende Neubauten a 03.02.2017 às 17:22

1 - Referia a dor física, a que mais "assusta" ( a dor associada, erradamente, ao medo da morte). A menos difícil de avaliar. Mas como avaliá-la objetivamente? E a dor subjectiva? A subjectividade que cada um tem de expressar a dor sentida? Como definir um limite abstracto e geral (a lei não contempla particularidades).
2 - A decisão ultima é dos profissionais de saúde. E como obrigar alguém a dar a derradeira injeção?
3 - Suspender-se-ia com os momentos de lucidez desarmante que os doentes com Alzheimer têm. - As recordações que por vezes manifesta e nos deixam de boca aberta. Ou quando nos dizem - "Não quero morrer!"

É complicado...

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