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Falar claro sobre eutanásia

por Teresa Ribeiro, em 04.02.17

eutanasia.jpg

 

Tenho observado que quem argumenta contra a eutanásia tende a iludir três questões:

1. Ninguém obriga ninguém a fazê-lo. Tal como no caso da IVG, os profissionais de saúde que sejam contra têm o direito de se recusar a colaborar.

2. A decisão é do doente (e só considerada se reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais)

3. Os casos em que a eutanásia é aplicável serão, naturalmente, objecto de rigorosa regulamentação, pelo que não se coloca a questão de tal servir para facilitar suicídios de pessoas que estão, por exemplo, simplesmente com uma depressão. 

Toda a argumentação que contorne estas três premissas não me parece intelectualmente honesta.

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75 comentários

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De Luís Lavoura a 04.02.2017 às 10:52

reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais

Pode uma pessoa em grande sofrimento estar na posse de todas as suas capacidades mentais? Se é que alguma vez alguém está na posse delas. Todas as pessoas têm (muitos) momentos em que não estão na plena posse das suas capacidades mentais...
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De Vento a 04.02.2017 às 11:04

A eutanásia não é um tema para ser abordado somente por profissionais de saúde. A sua autoridade e competência é direccionada para o sentido de sua missão. Também não pode ser abordada por uma qualquer equipa parlamentar, porque o exercício de suas competências legislativas devem abranger muito para além de suas agendas políticas e sociais; elas devem ter como princípio a raiz de uma sociedade.
Só a algumas décadas essa raiz tem vindo a ser cortada, sendo substituída pela raiz ou cultura da morte.
Há uma morte, que se designa por morte ontológica, a que vem sendo adicionada a eutanásia passiva, isto é, o desinteresse, o egoísmo, o dito modernismo de merda, o abandono... que tem escolhido o caminho mais fácil para dar resposta a um tema maior, que é o sentido da vida desde a sua concepção até ao momento último.
Tal como Agostinho de Hippone, convém reflectir se escrevemos e falamos sobre a vida que conduz à morte ou da morte que conduz à vida.
A questão substantiva passa por descobrir o sentido da vida. E só os ingénuos ou ingénuas pensam que esta vida só tem sentido pela via da facilidade; e nem mesmo assim conseguem viver com a alegria que desejam.

Qualquer impedimento é causa de grande sofrimento. Todavia há um sentido para o sofrimento. Em termos sociais é necessário reflectir sobre este sentido. E ao escrever sobre sofrimento não me refiro ao tradicional dolorismo com que se encara a vida.
A partir do momento que descubramos que o sofrimento alheio contribui mais para a elevação moral, ética, social e formação daqueles que com estes convivem, certamente deixaremos de andar a armar aos bonzinhos e bonzinhas com atitudes gratuitas que só satisfazem o ego, mas também acabaremos com matérias legislativas que percorrem os mesmos caminhos.

Se me permite, concluo este tema, bordando-o, com um poema de S. João da Cruz:
"Entrei onde não soube,
E quedei-me não o sabendo,
Toda a minha ciência transcendendo.

Eu não soube onde entrava,
Mas quando ali me vi,
Sem saber onde estava,
Grandes coisas entendi,
Não direi o que senti,
Que quedei-me não o sabendo,
Toda a ciência transcendendo.

De Paz e Piedade
Era a ciência correcta,
Em profunda soledade,
Sábia via recta;
Era coisa tão secreta,
Que quedei-me não o dizendo,
Toda a ciência transcendendo.

Estava tão embebido,
Tão absorto alheado,
Que se quedou meu sentido
De todo o sentir privado;
E o espírito dotado
De um entender não entendendo,
Toda a ciência transcendendo.

O que ali chega, verdadeiro,
De si mesmo desfalece;
O que sabia primeiro
AGORA BAIXO LHE PARECE,
E a sua ciência tanto cresce,
Que se queda não sabendo,
Toda a ciência transcendendo.

Quanto mais alo se elevava
Tanto menos entendia,
Que a noite se aclarava
Pela nuvem que se escondia;
Por isso quem a sabia
Fica sempre não sabendo,
Toda a ciência transcendendo.

Este saber não sabendo
É de tão alto poder,
Que os sábios rebatendo
Jamais o podem vencer;

Pois não chega seu saber
A não entender entendendo,
Toda a ciência transcendendo.

E é de tão alta excelência
Este sumo saber,
Que não há faculdade nem ciência
Que o possam empreender;
QUEM SE SOUBER VENCER
COM UM NÃO SABER SABENDO,
IRÁ SEMPRE TRANSCENDENDO.

E se o quereis ouvir,
Consiste esta suma ciência
NUM ELEVADO SENTIR
DA DIVINA ESSÊNCIA;
Sendo obra da sua clemência
Fazer ficar não entendendo,
Toda a ciência transcendendo".


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De Einstürzende Neubauten a 04.02.2017 às 22:43

Vento, não me leve a mal, mas gostava de o provocar:

"Só a algumas décadas essa raiz tem vindo a ser cortada, sendo substituída pela raiz ou cultura da morte."

A cultura da morte é a génese da religião e de todas as artes

"isto é, o desinteresse, o egoísmo, o dito modernismo de merda, o abandono... "

Não é o modernismo. A maldade natural é o nosso grande problema ontológico - veja a Ira do Senhor contra o egoísmo, o desinteresse do povo de Efraim e de Juda.

"A questão substantiva passa por descobrir o sentido da vida"

E se o sentido é não haver sentido?

"E só os ingénuos ou ingénuas...."

Refere-se aos ateus, aos epicuristas?

"Todavia há um sentido para o sofrimento"

Aqui reside o culto da morte, que criticava no principio.

Bem Haja



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De Vento a 05.02.2017 às 11:20

Respondo sempre a questões e a provocações com proporcionalidade. E dessa forma não só não levo a mal como procurarei responder por bem:

Na sua afirmação resposta sobre a cultura da morte creio que mistura duas vertentes distintas, a saber: a religião e o(s) religioso(s). Nem sempre, e quase sempre, o(s) religioso(s) não viveram a essência da(s) religião(ões). Porém o instinto religioso do Homem não é histórico, é o desenvolvimento desse instinto que constitui um excelente registo histórica.

A religião que professo, o cristianismo, ao contrário de muitas outras religiões, assenta na Revelação. Pretendo com esta afirmação fazer a distinção com as religiões naturais, aquelas em que o Homem por não compreender os fenómenos que o rodeavam submergia no culto dos mesmos, e muitas vezes de si mesmo (o imperador também era considerado deus).
O Cristianismo é uma proposta de Vida. Até o seu símbolo máximo, a Cruz, nos faz celebrar a Vitória. É ali que o Amor vence a Morte e é ali que compreendemos o que é ser Sal da Terra e Luz do Mundo. O Sal, entre outras funções, era usado para evitar a corrupção dos alimentos.
E neste sentido, transpondo para a não corrupção da Vida e do Ser, a Cruz revela-nos que essa Vida só pode ser vivida não por qualquer preço mas custe o que custar.
Viver a vida por qualquer preço é simplesmente adulterar os seus princípios, isto é, corromper-nos por uma preço qualquer. Consequentemente, ao sentido de todo esse sofrimento que subjaz na Cruz está uma vida vivida por entrega e Amor ao Homem. É este o sentido do sofrimento.
Poder-lhe-ia escrever sobre a ressurreição. Mas será sempre tarefa infértil se não lhe falar primeiro do ressuscitado, Jesus. E já o venho fazendo.

Fala da maldade natural. Porém o confronto do Homem faz-se consigo mesmo. Não é por acaso que a Boa Nova refere que o "Reino dos Céus é dos violentos", isto é, aqueles que contrariam a sua natureza diabólica, separadora. Porém existe uma outra natureza do Homem que tem uma correspondência simbólica em Adama (Adão), que significa terra boa terra fértil. Boa e fértil porque o Sopro do Espírito lhe é inalado. É este Espírito que pode superar a maldade que nos habita, pedindo e trabalhando para que Ele haja.
Mas mais ainda, culturalmente também adulteramos estes princípios convencidos que nos basta fazer o bem. É importante fazer o bem, mas bem feito. Para ser bem feito necessário é fazê-lo com Amor e não por obediência à lei. A lei até pode estar certa, mas a disposição do Homem é que está errada. Geralmente o bem é feito por vaidade.

O Cristianismo através da sua Boa Nova (Evangelho) revela-nos essa novidade. Novidade, por oposição ao antigo; e novidade, por ser novo. Na realidade existe uma "mandamento novo": "Amai-vos COMO EU VOS AMEI".
Este mandamento é verdadeiramente novo, porque não se encontrava no Decálogo. O Decálogo tem leis boas, mas não nos revelou o Amor de Deus. Foi a encarnação do Amor que se transformou em Sal da Terra e Luz do mundo, para que o Homem também o pudesse ser. É com Ele e n´Ele que se opera tal transformação, por acção do Espírito.

Portanto, o modernismo não assenta em nada que o transcende nem na raiz que alimenta a vida (que é parte natural no Homem, que na sua liberdade a pode rejeitar e assumir também as consequências), fixa-se na sua natureza egoísta. Esquece o sentido e também esquece o Serviço.

O sentido da vida compreende-se pelo não sentido que nos dá conta quando afirmou que "a maldade natural é o nosso grande problema ontológico" sic.
Se somos capaz de distinguir a maldade como não sentido é porque no íntimo conhecemos o bem. Dizia Agostinho de Hippone: "Dei intimior intimo mio". Isto é, Deus mais íntimo no meu íntimo. É aqui que se opera a acção do Espírito, se Lho pedirmos.
Esta nova criação é feita sem nós. Porém "o que te fez sem ti jamais te salvará sem ti".

Não, referia-me mesmo aos ingénuos.

O sentido do sofrimento já o debati acima.

Iniciei com o tema "vos estis sal terrae". Todavia, por vezes convenço-me que ou é o sal que não salga ou é a terra que não se deixa salgar.


Bem Haja também.
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De V. a 05.02.2017 às 17:32

"DIIM". Se fosse religioso tatuava isto. Não estou a brincar.
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De Einstürzende Neubauten a 05.02.2017 às 19:21

Espero que goste:

https://www.wook.pt/livro/imitacao-de-cristo-tomas-de-kempis/16248402

https://www.youtube.com/watch?v=3P2bDrRtNQI

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De Vento a 05.02.2017 às 22:22

Grato por sua sugestão e recomendação. Possuo alguns livros da "Imitação de Cristo". O mais antigo dos que possuo foi editado em 1912. É sem dúvida uma obra que recomendo não só a católicos como a todos os cristãos.

A beleza da Salve Regina de Arvo Part é indescritível. Muito lhe agradeço. Entrámos no ano de Maria.

Permita esta retribuição:
https://www.youtube.com/watch?v=UnilUPXmipM
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De Anónimo a 04.02.2017 às 13:05

Nada, mas absolutamente nada, se deve sobrepor à decisão livre e consciente de uma pessoa, sobre si mesma, seja em que circunstâncias for.
Decisão livre e consciente com tudo o que isso implica, a montante e a jusante.
Nada se deve sobrepor e muito menos a nossa classe política e afins.
Posta nestes termos, a eutanásia não tem nada de específico relativamente a quaisquer outros direitos ou deveres.
Só o tabu da morte, desde sempre explorado por certas religiões, justifica tanta confusão.
João de Brito
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De Vento a 04.02.2017 às 21:29

Não vejo que a morte seja tabu, pois esta será a nossa mais longa vida ou, para outros, o mais duradouro estado. Tabu é falar do sofrimento, e enfrentá-lo. Qualquer um é livre em absoluto para fazer o que quiser de sua vida. Já ninguém é livre o suficiente para dispôr da vida do outro em nome de um qualquer acto piedoso como se de um cavalo com a perna partida se tratasse.
O desalento e o sofrimento também é parte do viver. Mas há quem não queira, e suicida-se. Não julguemos estes ou estas.
Mas não podemos simplesmente usar a ciência só porque esta ainda falha nas respostas ao sofrimento. Já sabemos que há respostas à dor, mas a medicina e a ciência existe, ou devia existir, para servir o homem e não para eliminá-lo. Onde a ciência não dá resposta tem de ser a sociedade a responder. Quem quiser de outra forma terá de fazer um caminho solitário.

O que distingue o Homem do animal é a capacidade que o primeiro possui em amar. É possível morrer por amor, e dar a vida por amor. Mas nunca tirá-la.
É necessário distinguir a Paz do bem-estar. Uma é espírito a outra é carne.
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De V. a 04.02.2017 às 13:30

Seja como for, suspeito que vamos discutir isto mais honestamente aqui debaixo deste post (apesar dos contributos do Ein Esturjão Nojento) do que aqueles tipos no Parlamento ou nas televisões.
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De Einstürzende Neubauten a 04.02.2017 às 22:49

Peço desculpa pela deselegância do meu comentário, V.
Se ainda for a tempo,
Um bem haja
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De Sem Abrigo a 04.02.2017 às 18:01

Teresa: se eu pedir a Eutanásia tenho de pagar taxa moderadora?
Esta é a questão que me interessa, filosofia não.
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De PiErre a 04.02.2017 às 19:00

O caso de Stephen Hawking não é abordado aqui?
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De Teresa Ribeiro a 06.02.2017 às 12:34

E por que havia de ser?! Hawking é um exemplo extraordinário de resiliência e superação. Uma inspiração para muita gente (pessoas com deficiência e não só). O que tem a ver com a eutanásia? A eutanásia é uma eventual saída para quem está vivo mas não tem vida, nem perspectivas de vir a ter uma.
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De Vento a 06.02.2017 às 15:44

Já vi que a Teresinha é que decide quem tem perspectivas de vir a ter uma vida ou de quem tem vida.Ninguém, nem os profissionais de saúde, podem ser envolvidos nessa questão da eutanásia. Porquê o suicídio assistido?
É caso para referir: "deixai que os mortos enterrem seus mortos. Segue-me".
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De Sem Abrigo a 06.02.2017 às 18:23

"Já vi que a Teresinha é que decide..." Não, ela não decide, ela tem uma opinião e mostra-a somente.
Pena que não tenha opinião sobre as taxas moderadoras, única coisa que me interessa.
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De Vento a 06.02.2017 às 21:07

Bem, a opinião implica decisão. No caso em apreço não se preocupe com as taxas moderadoras. Deixe isso para os herdeiros.

Sou capaz de compreender alguém que se suicida. Já me custa aceitar que alguém que o deseje tenha que arrastar outros nessa decisão.
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De Sem Abrigo a 06.02.2017 às 22:01

Para os herdeiros? Ouvi dizer que no caso da Eutanásia exigiriam pagamento adiantado.
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De Teresa Ribeiro a 07.02.2017 às 18:47

Tem dificuldade em entender alguém que arraste os outros nessa decisão, porque não lhe interessa considerar um aspecto que é fulcral nesta discussão: o da impossibilidade física de a pessoa fazê-lo sozinha.
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De Vento a 07.02.2017 às 21:57

Minha cara Teresa,

o que é fundamental perceber é que existem dois tipos de leis: uma natural e a outra social.
A questão da eutanásia, por muito compassivo que eu possa ser para quem se encontra em estado debilitante, não pode adulterar as leis supra.
Há quem mate para sobreviver. Sob um ponto de vista legal tem uma atenuante, mas a atenuante não invalida o crime.

Na perspectiva médica o foco direcciona para o cuidado e nunca para a eliminação.
Uma vez que aborda a questão sob o prisma da impossibilidade, uma vida no ventre materno também está impossibilitada de se defender perante a morte infligida pelo aborto.
https://www.youtube.com/watch?v=ijHEuKOFd2Y
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De Einstürzende Neubauten a 07.02.2017 às 22:09

E há quem morra para que outros vivam. A morte, sendo ela voluntária, ou não (quando o próprio não pode decidir - tem a possibilidade do testamento vital), pode ser também uma acto de libertação do próprio, mas também dos outros.
Imagine-se Vento, deitado numa cama, sem saber o seu nome, o dia, as letras, os números. Os livros. Cristo (sei que é crente). Sem razão. Sem emoção. A baba que lhe ensopa a almofada. Incontinente e com fraldas. Só com a sua nudez.... Só. Sem o prazer da leitura, da musica, da paisagem, do Sol...da companhia. Vento, fazendo um juízo superficial, pois não o conheço, posso inferir que estará de acordo que essa vida não é vida. É existir, como um móvel. Uma cadeira. Não é justo semelhante castigo.
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De Vento a 07.02.2017 às 22:50

Começo pelo fim. O meu caro tem pena de si numa situação dessas, e eu também não gostaria desse papel. E até agora eu tenho desenvolvido o tema sob um prisma da ciência. Não compete à ciência definir o que é vida e o que não é nos termos em apreço. A ciência médica apresenta-se como cuidadora e não como juíz.
O testamento vital diz respeito a uma suposta vida em estado vegetativo por suporte técnico, isto é, é a máquina que faz a função. Que é algo diametralmente oposto ao que se discute. Uma qualquer doença hoje incapacitante, amanhã poderá não sê-lo com a evolução da ciência.
Não se pode desmantelar o sentido da solidariedade social pela opção do mais fácil.
O sofrimento também é um estado da vida, importa descobrir-lhe o significado e o sentido. Sendo também isto válido para mim. Mas o sofrimento tem de nos mostrar, aos que não sofrem essa condição, que está aí para nos elevar; acolhendo e sofrendo com quem sofre. Um móvel existe, mas não sofre. Escrevemos sobre Pessoas. Essa imagem fere e insulta a dignidade da Pessoa qualquer que seja sua condição.
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De Teresa Ribeiro a 06.02.2017 às 18:45

Ventinho,
O pior cego é o que não quer ver...
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De Vento a 06.02.2017 às 20:43

Sim, é verdade. Por isso andam a pedir a eutanásia.

Existem um sem número de doenças que incapacitam a pessoa, para as quais a ciência não dá resposta para além dos paliativos.
A Teresinha confunde compaixão com acto médico. O acto médico deve ser compassivo na utilização dos recursos técnicos e humanos que disponibiliza ao doente. Mas daí à eutanásia quase que sou obrigado a pensar que professa a eugenia (os bem nascidos) ontológica onde se demarcam os aptos e os menos aptos a viver esse conceito de vida isento de sofrimento.
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De Teresa Ribeiro a 07.02.2017 às 18:53

Chamar a eugenia para aqui não é sério. Típico de quem quer desviar a discussão da sua essência.
A Medicina não pode tudo e os médicos sabem isso melhor que ninguém e em muitos casos não é suficiente para reduzir o sofrimento para níveis suportáveis. Nesse caso, acabar com a tortura abreviando uma vida que só promete sofrimento é um acto de compaixão.
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De Vento a 07.02.2017 às 22:10

Sabe o que é a eugenia?

O facto da medicina não saber tudo, não significa que valha tudo. O sofrimento suportável não é mensurável.
Compaixão significa sofrer com, e não matar quem sofre.
Já ouviu falar em coma induzido? O coma induzido não significa coma permanente. Pode induzir-se de tempos a tempos, conforme a necessidade.
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De Teresa Ribeiro a 09.02.2017 às 14:43

Sabe o que é soberba, Vento? Cuidado, olhe que é - na terminologia católica - um pecado mortal...
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De Vento a 15.02.2017 às 12:57

Sim, Teresinha, sei o que é a soberba. É a palavra acusadora exaustivamente usada quando a razão e a fundamentação deixam de existir no oponente.

Por esta soberba que me atribui garanto-lhe que permanecerei em pecado mortal, segundo a terminologia que você atribui à ICAR.

Sabe o que é a soberba? É pretender ser como Deus. Poder decidir quem deve viver e morrer. O contrário da soberba é ser húmus, in terris, isto é, humilde. E sabe o que é ser húmus ou humilde? É colocar-se sob a acção do Divino, é ligar-se a Ele.
Se alguém lhe disser que destronar a pseudo-sabedoria da dita ciência é ser soberbo, não se preocupe. Não se preocupe porque "os humildes serão exaltados". São precisamente os pobres de espírito, isto é, aqueles abertos à inspiração Divina que acolherão o Reino.
Portanto, para atravessar a Porta estreita é necessário fazer-se uma cura da obesidade. São precisamente os que se deixam emagrecer dessa ciência da treta de que se enchem e incham que estarão em condições para ser húmus, in terris, e receber o Sopro da Vida.
É esta a via da minha soberba, e também confrontar os soberbos, os que o são mesmo, com a sua sabedoria da treta, que julgam funcional.

Já há muito tempo, entre outras, você acusou os católicos de nada perceberem sobre a Bíblia. Eu ainda continuo, soberbamente, à espera de suas consistentes réplicas e/ou tréplicas.
Mas mantenho por si a amizade possível. Sei que é virtual, mas é amizade.
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De PiErre a 06.02.2017 às 15:56

Sim, concordo. Obrigado.
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De Einzeturzende Neubaten a 07.02.2017 às 23:21

Vento não existe nenhuma ideia universal sobre a vida. Ou sobre a morte. Tem o harakiri . Tem o suicídio voluntário dos velhos mestres yogus , que persentindo o fim se embrenham na floresta. A única propriedade verdadeira e intransmissível é o nosso corpo. A nossa vida. E quanto aos avanços científicos eles não surgem aos saltos. Demoram décadas até novas abordagens terapêuticas serem autorizadas. Falamos nos de hoje. Prefiro o suicídio a uma vida humilhante. Acredito na eternidade da vida em si - os meu corpo decompor-se-á em elementos químicos que servirão para outras vidas - mas não acredito em juízos finais, nem na eternidade do indivíduo. Isso soa - me a paganismo. E como pode ser Deus justo se ele próprio faz um esforço por não castigar injustamente. Leia o Antigo testamento. Humano, demasiado humano
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De Vento a 08.02.2017 às 00:40

É você que busca a religião para dar credibilidade a seus argumentos. Mas o meu caro Einze confunde a liberdade com o acto religioso. O antigo Testamento também é uma história de Deus na vida do Homem e não a do Homem na vida de Deus, com todas as grandezas e fragilidades deste último, o Homem. Portanto, o Antigo Testamento, com todos os seus estilos (profético, histórico..., sendo que 40% do AT é narrativo) pretende traduzir o caminho do Homem à perfeição. Perfeição essa que se consuma no Novo Testamento, isto é, revoga a antiga Aliança pela Nova e Eterna Aliança.
Fixar o olhar no AT sem a continuidade que aperfeiçoa o caminho é manter perpétuo o que está errado. "Aplainai o caminho do Senhor", não obstante a Revelação, é uma constante em todas as gerações. Por isto mesmo a Aliança é Nova e Eterna, é um eterno presente a oferta do sacrifício pela Salvação do Mundo.
Mais ainda, Foi o próprio Jesus que nos disse: «O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordar-vos-á tudo quanto vos tenho dito». Vem isto demonstrar que é esta abertura ao Espírito que tornará mais vivo e concreto os ensinamentos de Jesus. Concluindo este capítulo, o missionário deixou-nos o "Instrumento" para que a missão prossiga. Essa missão é a transfiguração do Homem a essa Imagem criadora e recriadora. Em concreto não lhe posso dizer o que é o Espírito Santo, porque Este não se mostra pelo que é mas pelo que transforma no Ser.

O juízo final é aquele que revela em seu comentário. Logo, existe um juízo final, a sua maneira.
O juízo final é aquele que se regista na consciência de cada um. É na consciência do Homem que Deus se faz escutar.

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