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Facto internacional de 2018

por Pedro Correia, em 04.01.19

MeToo-Article-201810261923[1].jpg

 

 

MOVIMENTO #METOO

 

A repercussão, praticamente à escala planetária, do movimento feminista #MeToo, iniciado no final de 2017 mas com particular visibilidade só no início do ano passado,  mereceu do DELITO DE OPINIÃO a escolha como Facto Internacional de 2018. Houve oito votos nesta opção, atendendo sobretudo ao profundo impacto deste movimento no circuito intelectual e artístico dos Estados Unidos - sem esquecermos os ecos que produziu também na Europa, onde (por exemplo) em 2018 não se atribuiu o Prémio Nobel da Literatura devido às alegações de que o marido de um dos membros da academia, o dramaturgo e fotógrafo francês Jean-Claude Arnault, terá assediado sexualmente algumas mulheres - o que foi desmentido pelo visado.

Em Portugal, ao contrário do que tem sucedido noutros países, o movimento parece tardar em implantar-se: ainda não foram conhecidas, por cá, denúncias de supostas agressões sexuais a figuras mediáticas, designadamente do espectáculo, do teatro, da televisão, dos meios empresariais ou da política.

 

Em segundo lugar, com cinco votos, ficou aquilo que denominámos de revolta dos pagantes, abrangendo nomeadamente o movimento dos chamados "coletes amarelos" que despontou em Novembro em França e parece ter perdido força nas semanas mais recentes.

Outro acontecimento em destaque, com quatro votos: a brutal crise na Venezuela, que já levou ao êxodo de cerca de três milhões de pessoas, enquanto o país se afunda na depressão económica, na mega-inflação e na repressão política, às ordens do ditador Nicolás Maduro, reeleito em Maio de 2018 entre acusações quase unânimes de fraude eleitoral num escrutínio de que foram afastados, logo à partida, os principais opositores.

 

Houve dois votos na formação de um Governo populista em Itália, onde a Liga xenófoba e o movimento pós-ideológico Cinco Estrelas formaram uma coligação com efeito práticos a partir de Junho, desafiando as regras impostas por Bruxelas num dos Estados fundadores da União Europeia e naquela que é hoje a terceira maior economia do espaço comunitário.

Outros dois votos recaíram na inédita cimeira EUA-Coreia do Norte, ocorrida em Abril em Singapura, reunindo o inquilino da Casa Branca, Donald Trump, e o ditador de Pyongyang, Kim Jong-un, com vista à desnuclearização da península coreana, que alberga a fronteira mais perigosa do planeta, vigorando ali o estado de guerra desde 1950.

 

Registaram-se ainda votos isolados na dissolução definitiva da ETA no País Basco espanhol, na invasão comercial da Europa pela China, que vem comprando à peça infra-estruturas basilares do Velho Continente (o porto do Pireu, em Atenas, é um exemplo entre muitos) e ainda na chamada consciência ambiental, com esta justificação que ficou lavrada em acta: «Desde o plástico, passando pelas alterações climáticas (que receberam finalmente uma necessária dose de realidade - outros chamaram-lhe alarmismo), seguindo pela água e acabando (nesta sequência) nas extinções. Nunca o ambiente recebeu tanta atenção da população.»

 

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados

Facto internacional de 2016: Brexit

Facto internacional de 2017: crise separatista na Catalunha


21 comentários

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De Vorph Valknut a 04.01.2019 às 13:21

"inédita cimeira EUA-Coreia do Norte"


Aquilo deu no quê?
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De Vorph Valknut a 04.01.2019 às 21:11

Kim Jong Il greets South Korean President Kim Dae Jung (2000)

절세의 애국자 김정일장군 10 우리 겨레에게 통일된 조국을 안겨주시려

https://www.youtube.com/watch?v=7Kbfl2fIqlg
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De Pedro Correia a 04.01.2019 às 23:31

Daí Kim Dae Jung ter recebido o Prémio Nobel da Paz:
https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2000/dae-jung/symposia/

Inédito, neste caso, foi mesmo o facto de um Presidente dos EUA se ter deslocado ao Extremo Oriente para o mesmo efeito.
Algo que nenhum dos antecessores de Trump - de Truman a Obama - ousou fazer nestes 68 anos de Estado de guerra real ou larvar na perigosa península coreana.
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De Vorph Valknut a 04.01.2019 às 23:36

Obrigado, Pedro, pelo acervo documental
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De Pedro Correia a 04.01.2019 às 23:51

Obrigado eu, meu caro, pela sua participação sempre atenta e pertinente.
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De Vorph Valknut a 05.01.2019 às 09:13

Obrigado e parabéns pelo décimo aniversário do DO!
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De António a 04.01.2019 às 13:39

O #MeToo parece-me sem dúvida importante, mas circunscrito ao ocidente democrático, e com pouca ou nenhuma expressão em regimes onde as mulheres são de facto maltratadas a um ponto que as ocidentais não fazem idéia.
Da parte má do movimento, julgamentos e condenações na praça pública nunca foram bons para a justiça. Recorde-se que o movimento inicialmente providenciava meios a quem tinha provas. Não foi bem isso que vi em 2018. Acho que é um ponto a rever, antes que a credibilidade do movimento desapareça e seja mais um trend passageiro.
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De Pedro Correia a 04.01.2019 às 16:23

Não posso estar mais de acordo.
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De Anonimus a 04.01.2019 às 18:58

Com uma "agravante", a de uma das faces do movimento ser ela própria acusada de assédio.

Em pt, já se sabe que tudo tem um provincianismo bacoco. Como se lidou com Cr7@nalgate e o Serena Affair foram tudo menos úteis à credibilidade.
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De Pedro Correia a 04.01.2019 às 23:32

Verdade. Uma das principais mentoras do movimento está a ser alvo de um processo judicial por alegada agressão sexual.
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De lucklucky a 04.01.2019 às 19:09

# MeToo é simplesmente pouco mais que "causa" para obter poder, neste caso até se verifica que é mais uma guerra pelo poder dentro da própria Esquerda.

Northern California Women's March canceled for being 'overwhelmingly white'

https://www.sfchronicle.com/politics/article/humboldt-eureka-womens-march-canceled-13498669.php


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De Pedro Correia a 04.01.2019 às 23:32

Será o marxismo-islamismo?
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De lucklucky a 06.01.2019 às 18:21

Também é:

https://www.algemeiner.com/2018/11/07/actress-alyssa-milano-refuses-to-support-womens-march-until-organizers-denounce-louis-farrakhan-over-antisemitism/
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De Pedro Correia a 04.01.2019 às 23:33

Nós, no DELITO, somos sempre democratas: tudo é decido por voto.
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De Anónimo a 04.01.2019 às 19:09

Facto Internacional do ano:

#Metoo, de certeza não foi para os muçulmanos...

A.Vieira
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De Pedro Correia a 04.01.2019 às 23:33

De certeza que não.
Aí foi talvez o facto de as mulheres sauditas estarem enfim autorizadas a guiar um carro.
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De jpt a 05.01.2019 às 00:30

A supertaça de Itália, "alugada" às arábias - as mulheres não podem assistir se não estiverem acompanhadas e mesmo estando-o só poderão estar numa zona delimitada. Inacreditável comportamento dos clubes italianos

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