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Uma questão de (falta de) fé

por Pedro Correia, em 28.03.14

 

«Sair em direcção aos outros para chegar às periferias humanas não significa correr pelo mundo sem direcção nem sentido.»

Papa Francisco, na exortação apostólica A Alegria do Evangelho

 

Barack Obama, de visita ao Vaticano, pede ao mundo para "ouvir a voz do Papa". É um apelo desnecessário: o mundo escuta a voz de Francisco. O mundo católico, o mundo agnóstico, até o mundo ateu.

"O Bispo de Roma, que os cardeais encontraram no fim do mundo, verifica que a situação dos povos que se mantiveram mais ou menos ligados ao seu ministério não lhe deixa esquecer a que enfrentou na maior parte da sua vida de sacerdote", destaca Adriano Moreira.

O socialista Pedro Silva Pereira, também católico assumido, não esconde a sua admiração pelo argentino que "já logrou uma proeza notável: fez renascer a esperança na renovação da Igreja Católica".

Mário Soares, que nunca foi católico, confessa ter como "ídolo" o chefe da Igreja Católica.

Francisco Louçã, descrente em matéria religiosa, elogia a "clareza do discurso" do Sumo Pontífice e não tem dúvidas pelo menos nisto: "É um Papa alegre e não encontramos nele outro calculismo que não seja o da sinceridade."

Até a inabalável esquerda.net adverte: "Seria um erro que as forças progressistas ignorassem as mudanças no Vaticano."

 

Perante tudo isto, surpreende-me ainda hoje que em Março de 2013, quando a Assembleia da República aprovou um voto de saudação pela eleição do primeiro Papa não-europeu em 1200 anos, três forças políticas tenham recusado associar-se a esta congratulação: BE, PCP e Verdes. Uma recusa partilhada por seis deputados do PS, o que ainda mais me surpreende.

Foram 30 parlamentares no total -- alguns deles revelando mais intolerância pelo representante máximo da religião com maior número de fiéis do globo do que pelo ditador da Coreia do Norte.

Tanto mais surpreendente quanto o inócuo texto que recusaram aprovar se limitava a isto: "A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, saúda o Estado do Vaticano, a Igreja Católica e todos os que professam a sua fé, pela eleição do novo sumo pontífice."

 

Todo o mundo é composto de mudança. Interrogo-me quantos de entre eles não estarão hoje arrependidos de não terem votado de outra maneira. Francisco -- o líder mundial mais procurado no Google e mais presente no Twitter, a mais influente personalidade do planeta segundo a Fortune, eleito Pessoa do Ano pela Time -- ensina que "os valores tendem sempre a reaparecer sob novas formas, e na realidade o ser humano renasceu muitas vezes de situações que pareciam irreversíveis".

Interrogo-me quantos deles não diriam hoje, como disse Obama no momento em que se avistaram: "É maravilhoso conhecê-lo. É uma grande honra. Sou um grande admirador seu. Muito obrigado por receber-me."

 

Foto: Saul Loeb

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6 comentários

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De gty a 28.03.2014 às 20:12

Esperemos, para bem do mundo e do Santo Padre, que estas admirações durem pouco.
Admiração tão mais de estranhar quanto muitos deles são confrades e confreiras de organizações que os Papas muitas vezes condenaram (a última das vezes bem recentemente).
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De Pedro Correia a 28.03.2014 às 23:23

E ainda assim houve seis deputados socialistas incapazes de aprovar este inócuo voto de saudação na Assembleia da República: António Serrano, Elza Pais, Isabel Moreira, Mário Ruivo, Miguel Coelho, Pedro Delgado Alves.
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De Luis Moreira a 28.03.2014 às 22:42

O que se pode esperar de quem sente simpatia pela Coreia do Norte?
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De Vento a 29.03.2014 às 11:44

Pedro, nem calcula a alegria que me deu pela publicação da "Alegria do Evangelho". Em tom provocador (incentivador, animador...) quero deixar expresso neste seu post que desconhecer o Evangelho (Boa Nova) manterá o ser humano numa eterna ignorância.

Obama deu-se conta que 90% (números correctos) da população norte-americana apoia o Papa Francisco, e apesar das lutas que se travam, usando a ONU e outros departamentos internacionais, no sentido de descredibilizar o cristianismo os valores da Boa Notícia prevalecerão sobre o erro e as portas do Inferno jamais dominarão sobre a Igreja (Povo de Deus) de Cristo.
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De Pedro Correia a 29.03.2014 às 13:04

De facto, caro Vento, esta audiência no Vaticano - apetece-me qualificá-la de histórica mas não o faço porque este adjectivo foi-se banalizando em excesso nos dias que correm - aconteceu num momento em que a popularidade do Papa é muito superior à de Obama nos Estados Unidos, onde apenas 25% da população é católica. O Instituto Gallup, em Fevereiro, indicou que 76% dos norte-americanos gostam de Francisco enquanto as mais recentes sondagens junto da população norte-americana revelam que Obama recolhe apenas 46% de opiniões favoráveis.

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