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Excerto (8)

por Patrícia Reis, em 26.08.14

"Todos nascemos filhos de mil pais e de mais mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo.
Como se os nossos mil pais e mais as nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós."

O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe

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5 comentários

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De Miguel a 26.08.2014 às 00:38

Filosofia de trazer por casa tipo auto-ajuda de Paulo Coelho...
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De Patrícia Reis a 26.08.2014 às 18:18

Miguel, folgo em saber que o Paulo Coelho está na sua estante, acredite. Não tenho qualquer preconceito, porém dito isto, o livro Valter Hugo Mãe ou da Maria Teresa Horta estão na super-liga dos campões, coisa que o senhor Coelho, não me parece ter atingido. Ser-se culto, sensível, ter coisas para dizer não é para quem é rico, é para quem tem cultura geral. O livro da Maria Teresa é uma ficção misturada com a História de Portugal. O livro do Valter Hugo Mãe é uma pérola de sensibilidade, não conheço ninguém que não o tenha apreciado, aliás ganhou justos prémios e vai na oitava edição (a Marquesa vai da sétima edição). Diria que a sua sensibilidade e gosto literário é, claramente, distinto do meu. Não tem qualquer importância, contudo é preciso sublinhar que os excertos - como outras citações de entrevistas, para dar um exemplo comum - valem o que valem, não reflectem (nem têm pretensão) a obra no seu todo. Com isto, se não se importa, dou a nossa conversa por terminada, decerto que terá outras coisas a dizer sobre os eventuais excertos de obras de autores portugueses ou estrangeiros que eu venha a publicar neste blogue. Assim tenha tempo e cabeça, faço questão de responder a todos, por princípio, educação e respeito e gosto, como o Miguel referiu, de uma boa discussão. Não posso discutir um livro, seja qual for, a partir de um texto e, se achar que as suas afirmações são injustas, como escreveu, é irrelevante. O que lhe posso dizer é que, por vezes, vale mesmo a pena ler o livro na íntegra. O meu objectivo com esta série de Excertos é apenas o de chamar a atenção para autores diversos. Mais nada. Felizmente estou de férias, o que significa que estou a ler a Siri Husvedt que, para o Miguel, talvez seja uma deusa do Olimpo ou prima da Maya, nunca se sabe. Digo isto a brincar, não me leve a mal. O humor por escrito, por falta de tom, é muitas vezes mal-entendido e eu gosto pouco de mal-entendidos. Boa semana :)
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De Miguel a 27.08.2014 às 02:04

Ora, Patrícia, não acha mesmo que eu tenha Paulo Coelho nas minhas estantes, pois não?

Eu não li este livro, aliás nunca li valter hugo mãe (mas ao menos respeito-o o suficiente para escrever o nome dele como ele estranhamente deseja), se bem que possua um livro dele em casa, entre os cerca de 200 que tenho para ir lendo; não é uma prioridade, confesso.

Mas pegando no que vejo deste excerto, não vejo qualquer "pérola de sensibilidade," a não ser que entenda por sensibilidade um apelo aliciante a balelas reconfortantes (daí a associação à auto-ajuda) como "Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós." Isto é digno de chavões políticos, há algo de generoso e belo e ternurento e esperançoso nisto, mas não lhe vejo qualquer verdade. Achou que este autor nunca se sentiu realmente só ou no limir do desespero se ele genuinamente acredita nesta treta de que há milhares de pessoas implicitamente dentro de nós.

Ainda pior é a definir a "solidão [como] sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo." Eu gosto bastante da solidão, os mais felizes momentos da minha não incluem pessoas, digo-o sem embaraço, a ausência da voz humana é sublime; e este tipo de discurso mais parece virado para aquelas pessoas inseguras que acham que toda a existência tem de ser uma experiência comunal, social, feita aos magotes, a vida do mundo do espectáculo e das redes sociais onde a decisão de não pertencer é visto com suspeita, como sinal de extravagância, onde a reflexão muda e íntima é submergida pelo constante actualizar do fraudulento facebook que nos assegura de que não estamos sozinhos neste mundo porque temos 200 amigos imaginários...

... volto a repetir, filosofias à Paulo Coelho. Não é de admirir que o livro já vá na oitava edição, o fácil e o aliciante vendem e satisfazem os nossos maiores medos.
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De Patrícia Reis a 27.08.2014 às 14:01

Miguel, concordamos que discordamos e o autor já não assina o seu nome em minúsculas há já um tempo. O livro não é de auto-ajuda, digo eu, a minha opinião é a minha opinião, vale o que vale. Se por mero acaso estivesse na sua estante um volume assinado Paulo Coelho, confesso, não veria qualquer problema. Como lhe disse, sou contra o preconceito. E, repito, um excerto é um excerto. Neste caso, o Miguel fica na sua e eu na minha. Como no que se refere aos livros de cozinha:) boa semana
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De Miguel a 27.08.2014 às 18:17

No tocante a livros, Patrícia, o meu único preconceito é contra falta de qualidade, por isso a ausência do autor de livros de auto-ajuda Paulo Coelho das minhas estantes.

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