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Eutanásia social

por Pedro Correia, em 29.09.20

Está em curso uma autêntica eutanásia social. O morticínio que tem acontecido nos chamados "lares de idosos" - muitos dos quais clandestinos, perante a criminosa indiferença de tantas autoridades autárquicas, de norte a sul do País - é algo que devia chocar todos os portugueses. Das quase duas mil vítimas mortais por Covid-19 oficialmente já registadas, cerca de 40% ocorreram naqueles antros. Vitimando gente indefesa, que na grande maioria dos casos nem pode sair daquelas instalações, onde na prática vigora um regime de reclusão forçada desde que foi declarada a pandemia.

Só em Reguengos de Monsaraz, como num filme de terror, morreram 18. Nunca a bela palavra lar foi tão conspurcada e pervertida.

Infelizmente este assunto, como se tornou hábito, vem sendo tratado apenas enquanto dado estatístico na generalidade dos órgãos de informação. E siga para bingo, pois tristezas não pagam dívidas e há que continuar a promover "spots da moda" e inserir publirreportagens nos telediários recomendando "passeios inesquecíveis" (com gel e máscara).

E colar mais um arco-íris na janela com a frase "vai ficar tudo bem". Num país em que mais de 12 milhões de consultas e cirurgias permanecem por fazer.


70 comentários

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De balio a 29.09.2020 às 10:28

clandestinos, perante a criminosa indiferença de tantas autoridades autárquicas

Isto não é bem assim. As autoridades autárquicas em muitos casos nada podem fazer, pois desconhecem a existência dos lares, os quais podem ser muito pequenos e ocupar um simples apartamento ou moradia unifamiliar.

Eu uma vez ia a andar por uma rua de Lisboa e fui chamdo por uma pessoa de uma janela de rés-do-chão. Pediu-me para a ajudar a fazer um trabalho em casa dela. Uma vez entrado, vi que o trabalho consistia em levantar um idoso que tinha caído da cama. Havia mais outro idoso no quarto, que era escuro e bafiento. Claramente, tratava-se de um lar de idosos. Clandestino, pois claro. A pessoa que me tinha chamado era a que cuidava dos idosos e estava sozinha naquele antro.
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De Pedro Correia a 29.09.2020 às 12:13

Se a autarquia - pequena, média ou grande - ignora a existência de "lares" clandestinos, que proliferam como cogumelos, isso é negligência grosseira. E criminosa também.
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De balio a 29.09.2020 às 10:32

este assunto vem sendo tratado apenas enquanto dado estatístico na generalidade dos órgãos de informação

Penso que nem isso. Raramente é referido pelos órgãos de informação quem são os mortos por covid-19 nem onde morreram. Os órgãos de informação raramente ou nunca divulgam que os mortos são quase todos muitíssimo idosos e que foram contaminados em lares. Os órgãos de informação participam numa gigantesca campanha de mistificação da opinião pública, na qual se pretende fazer esta acreditar que todas as pessoas podem morrer de covid-19 e portanto se procura ocultar que as pessoas que de facto morrem são quase todas muito específicas - idosos, grande parte deles em lares.
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De Pedro Correia a 29.09.2020 às 21:47

Nem todos, felizmente.
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De Marques Aarão a 29.09.2020 às 10:44

Atiradores furtivos.
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De Pedro Correia a 29.09.2020 às 22:02

Estes velhos "abatidos ao activo" nos lares da morte já cá não estarão para desfrutar do magnífico Plano de Recuperação e Resiliência hoje trombeteado pelo Governo.
https://www.publico.pt/2020/09/27/economia/noticia/plano-recuperacao-impoe-moedas-troca-portugal-1933057

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De Carlos Sousa a 29.09.2020 às 10:51

Na eutanásia a morte é sem dor, penso que isto é mais parecido com o genocídio social.
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De Pedro Correia a 29.09.2020 às 12:07

A pior dor nunca é a dor física, longe disso.
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De jo a 29.09.2020 às 10:56

Os portugueses estão chocados, mas de pouco lhes serve.

Estão a morrer muitas pessoas nos grupos que sabíamos de risco. Idosos e
pessoas que vivem com grande proximidade física de outras. A definição de um lar de idosos.

Já sabíamos isso antes de as pessoas começarem a morrer. Já toda a gente sabia que as condições em muitos desses lares são más, muito antes da pandemia. A reclusão forçada já existia antes, pessoas que não são autossuficientes não saem quando querem, e uma grande maioria não recebe visitas de ninguém.

Infelizmente tirando para o pequeno número de idosos ricos, fazer um lar com boas condições não dá dinheiro e a iniciativa privada só lhes pega se os puder fazer maus e for subsidiada. O Estado para os fazer bem teria de ter mais dinheiro e para isso aumentar impostos, mas isso é tabu.
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De Pedro Correia a 29.09.2020 às 12:11

Extraordinária tese. O Estado não socorre nem alberga os velhos desprotegidos, como é seu dever, porque há poucos impostos neste país.

O que a gente aprende nestas caixas de comentários...
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De jo a 30.09.2020 às 17:31

O Estado não é, como gosta de pensar, uma entidade que existe à parte da economia. Só pode gastar o que recebe e o que recebe vem em impostos.

Parece comungar de um pensamento mágico comum à nossa direita liberal de que é possível exigir mais pagado menos, desde que seja ao Estado. Não é.

Isto de se queixar que o Estado é caro às 2ª 4ª e 6ª e de que não faz o suficiente às 3ª 5ª e sábados é um bocadinho incoerente.

Nos apoios à velhice seguiu-se a máxima "menos Estado, melhor Estado". Já se conseguiu metade.
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De Pedro Correia a 30.09.2020 às 17:41

Pensamento mágico é esse, que concebe o estado como cobrador de fraque, espécie de vampiro insaciável, sempre a sugar a escassa riqueza produzida com mais impostos.

Justificar a forma indecente e inumana como os velhos têm sido desprezados pelas entidades públicas, no plano nacional e autárquico, porque o estado arrecada pouco em impostos no terceiro país da Europa com maior défice orçamental e segunda maior carga fiscal na proporção da riqueza produzida, é desculpa esfarrapada que só os ignorantes compram e nem o ministro das Finanças se lembraria de invocar.
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De Anonimus a 29.09.2020 às 13:18

O Montepio tem boas condições, e não fez diferença na taxa de mortalidade.
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De Bea a 29.09.2020 às 11:52

Pobres velhos que trabalharam uma vida inteira, a primeira metade no salazarismo o que significa infância e juventude sacrificiais e cortadas de tudo - salvo raras excepções, já que a classe média alta e alta não vão para estes lares desgraçados. Esta desgraça de penúltima morada, última enquanto vivos, calha a quem mais trabalhou, a quem mais sofreu nas malhas de um regime demasiado adverso aos pobres que tornou cada vez mais pobres. Depois veio-lhes um alívio com o 25 de Abril, a democracia melhorou-lhes a vida. Mas não para poderem pagar lares de luxo ou tratamento em casa. E caem nestes lugares. Porque os filhos não podem ou não querem tê-los em casa. Porque a vida familiar já não tem como lema tomar conta dos mais velhos. Tratamos mal os nossos mais velhos. Esquecemo-los no Lar, no hospital e até na morgue. Dá que pensar este quase pavor em encarar a velhice dos outros quando sabemos que, dado o avanço da medicina, nos vai bater pela porta. E ainda que não, que morramos cedo, enquanto estamos, temos na mesma o dever de zelar pelo seu bem estar.
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De Pedro Correia a 29.09.2020 às 21:45

Esquecidos do Estado, em muitos casos. Precisamente do mesmo Estado que jura a todo o momento proteger os mais frágeis e desprotegidos.
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De Francisco Almeida a 29.09.2020 às 22:52

Admiro os seus sentimentos mas discordo dos enquadramentos que faz.

As taxas de crescimento no Estado Novo foram superiores às da Democracia e a diferença entre ricos e pobres também aumentou nesta última.
No caso dos idosos, sendo já existente mas ainda incipiente a desertificação do interior com a vinda para as cidades, a situação não era tão grave porque nas aldeias, os idosos não eram abandonados.

Não defendo o salazarismo mas constato que a democracia (esta) conseguiu fazer pior em muitos campos. Compare a situação dos idosos antes de 1974 e a actual; compare a protecção de menores; se quiser e não se incomodar ( eu incomodo-me) compare o pior dos piores: os chamados "ballets rose" em que as famílias entregavam raparigas de 15-16 anos e que durou meses com o caso "Casa Pia" em que foram entregues rapazinhos de 10-11 anos que estavam à guarda do Estado e que durou anos.

No que respeita ao que deveriam ser preocupações básicas, protecção dos mais frágeis, segurança e justiça, não vejo senão carências e omissões graves.
Por isso costumo dizer que - pensando sobretudo no 25 de Abril mas não só - por muito mal que uma situação se apresente, é sempre susceptível de piorar.
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De Al. Sousa a 29.09.2020 às 23:31

" Compare a situação dos idosos antes de 1974 e a actual;"
Com esta fiquei de boca aberta. Que idade tem o Senhor Francisco? Já tinha nascido em 1974?? Os portugueses até andavam descalços e muitos nem para a escola iam. Mas iam todinhos (todinhas como agora é correcto dizer mas não digo porque elas não iam) pisar minas (sabe o que é uma mina?) para África.
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De Francisco Almeida a 29.09.2020 às 23:57

Experimente reler em enquadramento.

Em 1974 a maioria dos idosos ainda viviam na província onde não eram abandonados pelas famílias.
Actualmente a maioria vive em cidades onde os familiares não têm possibilidade de os alojar. A esta evolução, poder-se-ia responder com apoios sociais às famílias, incluindo acesso económico a habitações maiores; poder-se-ia também atribuir um direito a inclusão em lares, independentemente dos custos reais (as Misericórdias fazem um pouco isso quando aceitam idosos pelo valor das suas pensões, independentemente do valor destas).
E, com algumas excepções sem significado e quase todas de índole associativo (p.ex. Lar do Comércio, Montepio) o que se fez? Está à vista!

Se está interessado no meu possível conhecimento de minas e na minha provável idade vá a
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/dez-livros-para-comprar-na-feira-11727078?thread=95451878#t95451878
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De Al. Sousa a 30.09.2020 às 00:25

"Em 1974 a maioria dos idosos ainda viviam na província onde não eram abandonados pelas famílias." Pois, morriam de fome e muito poucos chegavam a idosos. Muitos nem electricidade tinham, quanto mais ar condicionado ou aquecimento.
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De Francisco Almeida a 30.09.2020 às 11:53

Presumo que esteja feliz e realizado com a actual situação dos idosos. Bom proveito.
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De Bea a 30.09.2020 às 07:01

É a minha opinião, mas nunca eu direi que a democracia é pior que o Estado Novo. Serei incapaz de afirmar que a miséria de hoje é igual à desse tempo. Porque não é. Não havia apenas alguns pobres sem sapatos, mal alimentados, a trabalhar de sol a sol, que é coisa que nós não sabemos a não ser das palavras. O povo era todo pobre, de uma pobreza miserável. Adoeciam e morriam sem médico, em tugúrios desprovidos de qualquer conforto, de telha vã, sem água nem electricidade, dormindo amontoados em catres a que chamavam cama, numa promiscuidade que só visto.
Se concordo que a imoralidade existe sempre (acha que o caso Casa Pia, só existiu em democracia? que os abusos de menores são coisa deste tempo apenas?) e temos de estar atentos como sociedade, porque até nisso acho melhor as democracias, apesar de tudo, os casos são descobertos e julgados.
Quanto aos velhos do Estado Novo, como é de ver tinham uma boa vida, era aliás o que os filhos e netos lhes podiam dar, boa alimentação, cuidados médicos, uma cama fofa. Mas é que nem havia Lares, onde ir ao dinheiro para pagá-los? Contudo, dou a mão à palmatória apenas num item: o povo era mais humano com os seus velhos, cujos eram bem menos - muitos morriam antes da velhice e outros mal a aguentavam sem os cuidados médicos necessários - não havia condição para o bom trato de ninguém, mas os que sobreviviam, permaneciam em casa até à morte.
Não sei qual o remédio para este mal de tanto velho, somos uma sociedade envelhecida e temo que não haja sequer gente nova suficiente para tratar-los(nos) daqui a uns anos. Admito mesmo que os novos, que são cada vez mais alheios a interessarem-se por alguém que está de partida e só estorva, não estejam para isso. Mas a velhice, digo eu, não pode depender deles. Os jovens têm de exercer o seu direito a sê-lo, a aspirar e construir o futuro. Os mais velhos têm de ser acompanhados sobretudo pela idade madura, são os filhos quem mais próximo está deles. E ao Estado cabe ajudar nesse aspecto, mas não substituir-se a eles (excepto em casos de falta). Porque o carinho e cuidado contínuo são ingredientes que fazem falta.
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De Francisco Almeida a 30.09.2020 às 12:15

Tal como já disse, admiro os seus sentimentos. E evidentemente, respeito as suas opiniões.
Mas a minha opinião é baseada em factos: as taxas de crescimento do anterior regime eram superiores às da democracia que temos. Claro que o anterior regime estava, mesmo internamente esgotado e não podia continuar. Já não vejo motivo aceitável para, passada a inevitável confusão do 2 ou 3 primeiros anos, que este regime não tenha tido taxas de crescimento iguais ou até superiores e, se as tivesse tido, a situação dos idosos seria certamente melhor.
Concordamos em que o apoio aos idosos possa ser feito via familiar (com apoio do Estado) ou directamente pelo Estado se a primeira não for possível (veja a minha resposta ao sr. Al. Sousa.).
Agora o que não desisto, é de afirmar que este regime não fez o que devia neste campo (e em alguns outros).
E, quanto ao caso "Casa Pia" ou não entendeu ou não quiz admitir. É evidente que orgias e pedofilia existiram desde sempre mas o que é grave é que neste caso as crianças estavam à guarda do Estado e não de famílias imorais ou carecidas. Por isso, sim, afecta directamente a imagem do Estado, isto é, do regime.
E, apenas para tranquilizar as hostes, que adivinho assanhadas, a alternativa a este regime não será nunca o regime anterior que está morto e enterrado.
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De Bea a 01.10.2020 às 06:25

Pelo facto de defender a democracia, não significa que a que vivemos não tenha falhas e graves, que não haja necessidade de emendar, sobretudo quando ela tende a tornar-se outra coisa. Não é o sistema perfeito, é dos imperfeitos o menos mau. Claro que casos como o Casa Pia repugnam por vários motivos e o facto de as crianças estarem à guarda do Estado não é o menor. O que quis dizer foi, e não haveria na mesma pedofilia no outro regime? Mas talvez a democracia permita que se fale e se julguem casos como este com mais abertura que no Estado Novo. Não há regimes ìmpunes, o mal faz parte do homem e todos o sabemos. Repare no Vaticano, por exemplo.
Mas se acaso tem a solução para males do género, avante. Precisamos de si.
Bom dia.
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De sampy a 29.09.2020 às 12:29

"perante a criminosa indiferença de tantas autoridades autárquicas"

Não, não: os criminosos de Reguengos, tal como em muitos outros lados, agiram com dolo e têm nome:

https://observador.pt/especiais/a-teia-do-alentejo-a-direcao-do-lar-que-so-tem-socialistas-o-ze-das-festas-e-uma-fundacao-familiar/

A verdadeira indiferença é a nossa,
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De Vento a 29.09.2020 às 12:44

Nas últimas estatíscas apresentadas pelo INE sobre a mortalidade ocorrida no período de confinamento até Agosto, estranhei que este organismo viesse fazer a tese da onda de calor no mês de Julho para justificar mortes.

Pois bem, anexo o mapa de temperaturas do mês de Julho para que se verifique as amplitudes térmicas neste mês e se constate as regiões em que ocorreram as elevadas temperaturas.
Depois de analisado este mapa, desejaria que o governo viesse explicar onde ocorreu esse excesso de mortes para se poder relacionar com as ditas temperaturas elevadas do mês de Julho.
Aqui fica:
http://www.ipma.pt/resources.www/docs/im.publicacoes/edicoes.online/20200806/QjVTABosEPrZtOOiteHA/cli_20200701_20200731_pcl_mm_co_pt.pdf

Deixo também a seguinte notícia:
https://executivedigest.sapo.pt/mortes-em-casa-e-sob-investigacao-disparam-em-portugal/

E concluo com o plano de saúde para o Outono/Inverno:
https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/plano-da-saude-para-o-outono-inverno-2020-2021-pdf.aspx

Muitos beijinhos e abraços deste ser divino que vos quer muito.
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De Robinson Kanes a 29.09.2020 às 13:09

Existem duas coisas que me têm espantado:

- a exclusão dos velhos que cada vez vão sendo mais novos. Em algumas situações, estar nos 35 já é morte anunciada.

- a forma como se fala e se encara o conceito de "lar ilegal". Hoje em dia fala-se de "lar ilegal" como uma coisa normal, banal, tranquila, como tudo esteja ok. "Morreram uns quantos num lar ilegal", "um lar ilegal com alguns casos mas está tudo controlado", "nos lares ilegais as coisas já estão melhores", tudo tranquilo, afinal um lar ilegal não é nada comparado com o facto de eu apanhar uma multa gigante se colocar publicidade na janela do meu estabelecimento comercial e não pagar a licença.
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De Anónimo a 29.09.2020 às 14:09

"Hoje em dia fala-se de "lar ilegal" como uma coisa normal, banal, tranquila, como tudo esteja ok."

É o menos mau para o regime. Os lares ilegais salvam muita gente, tal como o mercado negro salva milhões de vidas por todo o mundo.

Ainda há dias num marco histórico do socialismo que não apareceu na primeira página do jornal Publico o ordenado mínimo e pensão mínima na Venezuela 400000 bolivares foram ultrapassadas pelo preço de 1 dólar =4010000 bolívares no mercado negro.

Não espera que o Estado o faça, tem muitas comissões, entidades, observatórios, autoridades, estudantes, artistas e cultura, sindicatos, empresários .... em primeiro lugar.


lucklucky
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De António a 29.09.2020 às 13:19

No caso de Reguengos de Monsaraz o lar não era clandestino. Mas porquê tanto lar clandestino? Fuga ao Fisco, ou excesso de burocracia para legalizar?
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De Pedro Correia a 29.09.2020 às 13:34

Falência do chamado "estado social", que tanto se apregoa e tão pouco se pratica.
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De Anónimo a 29.09.2020 às 13:55

"Mas porquê tanto lar clandestino? Fuga ao Fisco, ou excesso de burocracia para legalizar?"

Só o facto de perguntar...

Porque os lares clandestinos servem uma parte do mercado: as pessoas que não podem pagar mais.

Ainda não entendeu os custos das regras úteis e inúteis?


Relacionado:
https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/fascismo-higienico-tambem-mata-7022015
este também é bom
https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/a-mansidao-dos-subditos-7026683

lucklucky

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De balio a 29.09.2020 às 14:27

porquê tanto lar clandestino?

Porque há muita procura por lares mas há poucos edifícios que tenham condições para ser lares dentro dos condicionalismos legais. E construir edifícios novos de raiz para essa função é muito caro. Portanto, o que muitas pessoas fazem é transformar em lares edifícios que não foram concebidos para esse fim nem têm condições para o serem. Por exemplo, transformam em lar uma moradia unifamiliar.

Um edifício para ser lar precisa de obedecer a uma série de condicionalismos, como sejam ter todos os corredores com uma largura mínima, ter todas as portas com uma largura mínima, ter casas de banho espaçosas, etc e tal. Muito poucos edifícios cumprem todos esses requisitos. Logo, para se ter mais lares, teriam que ser construídos de raiz mais edifícios. O que é muito caro e muito demorado.
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De Anónimo a 30.09.2020 às 10:05

Exatamente! A legalização dos edifícios é um processo tão complicado (com os srs arquiteto(a)s das autarquias/Seg. social a atrasar tudo o que n/ seja encomendado nos seus ateliers de "influência" - tb é preciso dizer) que muitos requerentes ficam-se pelo pedido de alvará...
A legislação portuguesa encoraja a fraude - como as escolas, por ex - há 1 diploma que refere que est. de ensino devem funcionar em edifícios de 1 só piso - levado à letra, fechavam quase todas...
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De marina a 29.09.2020 às 15:31

boa leitura...tem aqui os requisitos e recomendações. cumprindo-as todas nem com 2 mil euros paga o mês.

http://www.seg-social.pt/documents/10152/85041/rtes_lares_idosos/0f8cdf71-b077-4ef9-96cf-8ca8d1d99984
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De Anónimo a 29.09.2020 às 15:40

Porque os custos de gerir um lar (ou uma creche) são tais que posteriormente as mensalidades só os tornam acessíveis à classe média-alta.
Não é à toa que quem os usa são os com menos posses. Não será por quererem mal aos seus.
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De António a 30.09.2020 às 09:43

Agradeço as respostas. Nunca tive um familiar num lar. Já ouvi gente queixar-se de serem caros e maus.
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De balio a 30.09.2020 às 11:29

Nunca tive um familiar num lar.

Será difícil vir a ter. Segundo me informaram, pelo menos na região Norte do país há bichas enormes para entrar num lar. Há muito poucos lares para a imensa procura que há por eles.

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