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Europeias (3)

por Pedro Correia, em 08.05.19

 

 

 MAIS SETE

 

A SIC - em tempo parcial - e a SIC Notícias - a tempo inteiro - fizeram hoje serviço público ao trazerem a debate sete cabeças de lista de partidos e coligações que se apresentam às eleições europeias de 26 de Maio e não dispõem hoje de qualquer representante no Parlamento Europeu.

De fora ficaram não apenas os seis que já tinham participado no debate anterior, aqui comentado, mas outros quatro, que não surgirão em debate algum, em obediência a um critério editorial enunciado pelo moderador, Bento Rodrigues: dar voz às quatro forças políticas que se apresentam  agora sem ter concorrido há cinco anos (Aliança, Basta, Livre e Nós, Cidadãos) e aos três partidos que nas anteriores europeias tinham conseguido mais de 1% nas urnas embora sem elegerem eurodeputados (Livre, MRPP e PAN).

É um critério discutível, mas claro e assumido pela estação. Assim compareceram esta noite no estúdio da SIC os candidatos André Ventura (Basta), Paulo Morais (Nós, Cidadãos), Paulo Sande (Aliança), Francisco Guerreiro (PAN), Luís Júdice (MRPP), Ricardo Arroja (Iniciativa Liberal) e Rui Tavares (Livre). Os três primeiros engravatados, os outros quatro de colarinho aberto. E o representante do MRPP apenas em camisa: o casaco ficou em casa.

Bento Rodrigues, tal como no debate anterior, mostrou-se bem preparado. Mas voltou a revelar excessiva preocupação na cronometagem das intervenções, interrompendo demasiadas vezes os candidatos. Precisamente na mesma estação de televisão onde noite após noite ouvimos vários comentadores a falarem horas seguidas sobre futebol sem serem interrompidos, o que não deixa de ser irónico. E tanta pressa afinal para quê? Adivinharam: para dar lugar a um desses comentadores de bola, por sinal aquele que dispõe de mais tempo de antena na estação sem que ninguém lhe trave a ladainha.

Fica o registo sumário da prestação dos sete. Um por um.

 

ANDRÉ VENTURA (Basta)

O melhor. Aproveitou quase todas as intervenções para defender a redução da carga fiscal.

O pior. Não rejeitou o rótulo de extrema-direita.

Palavra-chave. Segurança.

Frase. «Temos que ter um controlo sério, não pode ser a bandalheira a que assistimos hoje: entra qualquer pessoa [em Portugal], de qualquer forma.»

 

FRANCISCO GUERREIRO (PAN)

O melhor. Saiu em defesa do reforço da independência energética.

O pior. Falou em «trazer os jovens para a política» sem especificar como.

Palavra-chave. Animais.

Frase. «Na questão dos refugiados temos que ter uma especial atenção com as comunidades LGBT.»

 

LUÍS JÚDICE (MRPP)

O melhor. Falou sem ambiguidades: quer ver Portugal fora da União Europeia e do euro.

O pior. Defende que não devemos pagar a dívida externa: quem nos emprestou dinheiro não receberia um tostão de volta.

Palavra-chave. Soberania.

Frase. «Um país sem moeda não é soberano.»

 

PAULO MORAIS (Nós, Cidadãos)

O melhor. Lembrou «o grande carrossel da corrupção» registado durante duas décadas em Portugal com os fundos sociais europeus, que foram parar onde não deviam.

O pior. Quem ignora o que é o Nós, Cidadãos ficou a saber o mesmo sobre este partido: nada.

Palavra-chave. Transparência.

Frase. «Ao fim de 33 anos, continuamos na cauda da Europa.»

 

PAULO SANDE (Aliança)

O melhor. Afirmou-se liberal, sem rodeios nem rodriguinhos.

O pior. Falou duas vezes em «mandato negociado», conceito que poucos terão abarcado.

Palavra-chave. Coesão.

Frase. «Temos de recuperar Bruxelas para Portugal.»

 

RICARDO ARROJA (Iniciativa Liberal)

O melhor. Falou para as novas gerações em defesa do voto electrónico e das novas tecnologias, que possibilitem «um mercado comum de serviços digitais.»

O pior. Mencionou algumas siglas europeias sem as descodificar.

Palavra-chave. Escolha.

Frase. «Os fundos europeus não devem servir para alimentar subsidiodependências.»

 

RUI TAVARES (Livre)

O melhor. Pronunciou-se sobre o combate à criminalidade organizada e advogou um plano europeu de combate à pobreza.

O pior. Sendo um dissidente do BE, deixou sem explicar em que se distingue afinal deste partido.

Palavra-chave. Democratização.

Frase. «A deputada Ana Gomes, que vai agora encerrar uma carreira brilhante no Parlamento Europeu, disse que queria que eu fosse o ponta-de-lança dela no Parlamento Europeu.»


26 comentários

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De V. a 08.05.2019 às 00:42

Um jornalista/moderador não deve trair uma posição ideológica e quase todos eles fazem isso, sem vergonha e sem consciência de como isso (ou com a consciência de que o emprego depende disso) compromete a clareza da sua profissão. No caso de Bento Rodrigues até é ligeiramente pior porque nele transparece sempre alguma soberba — porque ele claro está é da SIC, da ideologia correcta e provavelmente do Benfica. Com esse alinhamento de qualidades estratosféricas nem se percebe bem como é que caraças o gajo não é retornado.

BR até costumava apresentar as notícias ao almoço e ficava-se com a sensação de que a culpa daquilo tudo era nossa — desde migrantes a afogarem-se no Mediterrâneo, passando pelos tornados em Torres Vedras, a uma palhinha espetada no pescoço de um cavalo marinho e ao degelo dos pólos. Quando afinal toda a gente sabe que a culpa disso tudo é do Señor Trum.
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 08:56

Sempre suspeitei que Bento fosse do Benfica. Se ele se chamasse Damas, diria que era do Sporting.
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De Antonio Maria Lamas a 08.05.2019 às 07:54

Excelente resumo.
Não vi, porque não suporto a soberba do Bento ( dele e da maior parte dos outros).
Sugiro que troquem os comentadores da politica, pelos da bola.
Ficávamos todos a ganhar.
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 08:55

Se pusessem lá o Rui Santos, não havia cronometragem possível para ele. Consegue falar meia-hora sem pôr ponto final numa frase enquanto repete as palavras a olhar para o tecto.
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De Vorph Valknut a 08.05.2019 às 10:25

Não olha para o tecto, mas para o Alto
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 10:53

Dá sempre a ideia de recear que lhe tombe um lustre na moleirinha.
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De V. a 08.05.2019 às 20:08

Acho que ninguém dá conta, mas o RS repete a mesma ideia 30 vezes em cada tirada. Uma tirada em RS mede-se pelo intervalo entre os soluços do estômago que lhe sobem da pança para as venetas.

Vê lá se jantas só depois de gravar o programa, ó tanso!
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 23:08

RS é autor de expressões imortais naquelas longas perorações na pantalha sem jamais colocar pontos finais nas frases:

«Moutinho desfez o losango.»
«Isto é meio mundo contra outro meio mundo.»
«A situação conjuntural do futebol é muito difícil.»
«O problema é que é preciso mudar este paradigma.»
«O presidente do Sindicato dos Jogadores teve na mão a bomba atómica.»
«O FC Porto é claramente o único clube em Portugal que ainda pensa futebol.»
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De Luís Menezes Leitão a 08.05.2019 às 08:42

Essa do "recuperar Bruxelas para Portugal" só me faz lembrar a ironia de Eça de Queiroz sobre a forma de resolver os conflitos com a China por causa de Macau: "Mandamos para lá uma tropa de 50 homens e varremos a China".
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De Luís Lavoura a 08.05.2019 às 09:07

Era precisamente dessa forma que no tempo de Eça de Queiroz as diversas potências europeias lidavam com a China. Eça de Queiroz apenas estava a exprimir aquilo que via e ouvia. Não estava a dizer nada de mais.
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 15:48

Olhe que não, olhe que não. Estava mesmo a escrever com ironia.
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De Luís Lavoura a 08.05.2019 às 09:05

Falou para as novas gerações em defesa do voto electrónico

Eu gostaria de saber o que é essa treta do voto eletrónico.

É uma pessoa votar carregando num botão em vez de rabiscando uma cruz num papel?

Ou é uma pessoa votar pela internet, utilizando um código alfanumérico para confirmar a sua identidade?

É que, se é a primeira coisa, eu posso aceitá-la. Mas, se é a segunda, eu considero-a totalmente inaceitável.
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 09:17

Pergunte a alguém no Brasil o que é o voto electrónico. Vigora desde 2000 no quinto país mais povoado do globo.
Pode perguntar também na Índia - a maior democracia do planeta. Lá também existe voto electrónico.
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De Luís Lavoura a 08.05.2019 às 09:29

In general, two main types of e-voting can be identified:

e-voting which is physically supervised by representatives of governmental or independent electoral authorities (e.g. electronic voting machines located at polling stations);
remote e-voting via the Internet (also called i-voting) where the voter submits their votes electronically to the election authorities, from any location.

https://en.wikipedia.org/wiki/Electronic_voting
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 10:07

Perguntou aos brasileiros e eles responderam-lhe em "amaricano"?
Estranho...
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De Luís Lavoura a 08.05.2019 às 10:45

Bento Rodrigues [...] voltou a revelar excessiva preocupação na cronometagem das intervenções, interrompendo demasiadas vezes os candidatos

Eu acho que ele fez muito bem. Fiquei muito positivamente surpreendido com a forma civilizada como o debate correu, sem candidatos a falar em simultâneo. Acho que as SIC os pôs a todos em sentido. Nunca tinha visto em Portugal um debate político tão bem feito.
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De Anónimo a 08.05.2019 às 18:51

Provavelmente porque são candidatos de pequenos partidos. Não têm a escola (e falta de respeito pelo próximo) dos políticos de partidos tradicionais.
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 22:58

Alguns deles, provavelmente também, por terem pouco ou quase nada para dizer.
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De Luís Lavoura a 08.05.2019 às 11:31

Só vi metade do debate. Fiquei negativamente impressionado com Paulo Sande, que parecia olhar para os adversários com altivez, desdém, arrogância e escárnio. E ainda por cima, ocasionalmente pôs-se a falar por cima deles, um hábito dos debates políticos portugueses que considero detestável.
Tinha ouvido dizer que Paulo Sande é uma pessoa muito conhecedora e reputada, mas fiquei com bastante má impressão dele.
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 23:09

Era razão suficiente para ter mudado de canal?
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De Luís Lavoura a 09.05.2019 às 09:32

Não mudei de canal. Só comecei a ver o debate a partir do seu meio.
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De Pedro Correia a 31.05.2019 às 10:43

Muito bem. No meio é que está a virtude.
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De Alexandre Guerra a 08.05.2019 às 12:08

Excelente análise, Pedro.
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De Pedro Correia a 08.05.2019 às 15:48

Obrigado, Alexandre. Um abraço.

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