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Europeias (25)

por Pedro Correia, em 28.05.19

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O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DOS ELEITORES

 

Anda por aí um irado clamor contra a «gigantesca abstenção», acompanhado pelas habituais ladainhas que recomendam a punição contra «os portugueses», que são incapazes de cumprirem elementares «deveres cívicos». Acontece que, como há muito venho escrevendo, os índices oficiais de abstenção não correspondem à abstenção real. Alguém acredita que um país com 10,3 milhões de residentes tenha 10,7 milhões de eleitores inscritos, mesmo com mais um milhão automaticamente descarregados nos cadernos eleitorais enquanto residentes fora do território nacional?

Esta desproporção de números - que pelas anteriores regras já fixava em 9.696.481 o número de recenseados nas europeias de 2014 - deriva do facto de não haver efectiva limpeza dos cadernos eleitorais, que vão perpetuando nomes de mortos de escrutínio em escrutínio, agigantando assim o número de portugueses em idade adulta. O que parece invalidar a tese do "inverno demográfico". Parece, mas não invalida. Não pode haver cada vez mais "eleitores" quando a população é cada vez mais escassa.

Estamos perante um caso grosseiro de "abstenção técnica", eufemismo utilizado pelos burocratas de turno e pelo jornalismo preguiçoso para justificar o injustificável. Somos poucos a votar, é certo. Mas não tão poucos como se diz.


18 comentários

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De marina a 28.05.2019 às 12:08

em 2017 a população residente em Portugal do 0 aos 19 anos era 1 990 104 pessoas... descontando os estrangeiros e os indivíduos com 18 anos dá pelo menos milhão e meio. Teremos de somar ainda os incapazes maiores de 18, como deficientes mentais, idosos senis e tal. dá uma ideia?
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De Pedro Correia a 28.05.2019 às 22:18

Dá uma ideia, sim. No Estado em geral, e no Governo em particular, há quem não saiba fazer contas elementares de aritmética.
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De Luís Lavoura a 28.05.2019 às 12:37

Tem o Pedro Correia toda a razão.
De qualquer forma, eu acho que a abstenção não interessa para nada. Só interessam os votos que são depositados em urna. Quem não vota lá sabe porque o faz, e ninguém tem nada que se preocupar com isso.
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De Pedro Correia a 28.05.2019 às 22:12

Sugestão de leitura: um artigo publicado no DN algumas horas depois do postal que aqui publiquei esta manhã sobre o mesmo tema.~
https://www.dn.pt/poder/interior/abstencao-de-facto-o-numero-de-votantes-aumentou-10945856.html


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De Anónimo a 28.05.2019 às 12:43

Já estamos na era do telemóvel. Quando o voto for expresso através do telemóvel deixará de haver abstenção. Ao enviar para o n.º 3838 uma mensagem com a data de nascimento do cidadão mais o número do BIdentidade ou do CCidadão individualiza-se absolutamente o cidadão eleitor e obtém-se a informação necessária par votar. Também podia acrescentar-se a este número a função voto totalmente individualizável e irrepetível.

Com a data de nascimento do cidadão mais o número do BIdentidade ou do CCidadão individualiza-se absolutamente o cidadão eleitor. Para quê tantos rituais para votar, quando tudo podia ser tão eficaz quanto simples ? O progresso tecnológico não para de avançar, às vezes pretende-se que seja lento.
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De Luís Lavoura a 28.05.2019 às 13:38

Tem razão anónimo. Empreste-me aí o seu telemóvel que eu voto por si, isso ainda lhe facilita mais as coisas. Se quiser também voto pela sua irmã, pela sua mãe, pelo seu pai, e pelos seus avós já falecidos mas que ainda estão nos cadernos eleitorais. Para si é só facilidade em votar, anónimo, eu faço tudo por si e até pago eu os SMSs.
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De Anónimo a 28.05.2019 às 15:50

Por essa Europa fora, os eleitores votantes subiram,na Dinamarca e Bélgica chegaram aos 80%,acha que estes eleitores precisaram de tlm? Onde votei,varias pessoas de idade já avançada, alguns ajudados por familiares, foram votar,saíram de casa. Jovens,nem 1 para amostra. Está tudo dito.
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De Pedro Correia a 28.05.2019 às 15:55

Na Bélgica, o voto é obrigatório.
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De Gonçalo Correia a 28.05.2019 às 14:26

Há muita gente no círculo do poder, político e comunicacional, que vive de eufemismos e outros malabarismos. Estratégia: com papas e bolos se enganam os tolos. Só que nem todos são tolos!
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De Gonçalo Correia a 28.05.2019 às 22:08

Depois de ver várias reportagens na TVI esta noite, reforço: nem todos são tolos. Certo, caro Pedro?
Nota: após vários anos sem escrever neste espaço de liberdade ("delito") de opinião, agora sem quadras e sem pseudónimos, Manuel Brás/Amêijoa fresca, que o saudoso João Carvalho tanto apreciava, retomo a vontade de participar activamente e de escrever sem respeitar o (des)Acordo Ortográfico, obviamente.
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De jj.amarante a 28.05.2019 às 15:32

Isto já acontece há tanto tempo que já só com humor: a culpa é dos mortos que se recusam de forma obstinada a fazer o requerimento devido para serem retirados dos cadernos eleitorais.
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De Pedro Correia a 28.05.2019 às 22:15

Acabo de ouvir Freitas do Amaral, na RTP 3, sugerindo a limpeza drástica dos cadernos eleitorais logo após as legislativas, a partir de Janeiro. Para eliminar mortos e emigrantes que neles se amontam há vários anos.
Pena que isso só possa ser feito, ao que parece, após o próximo escrutínio. Em Outubro, portanto, lá teremos de novo as ladainhas contra os portugueses que «viram costas às urnas».
A verdade é que acabam por ir quase todos às urnas. Uns, às urnas de voto. Outros, às urnas funerárias.
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De sampy a 28.05.2019 às 15:34

O Pedro Correia teria toda a razão se não estivesse a esquecer-se de um pequeno pormenor: em Portugal, os mortos também votam.
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De Pedro Correia a 28.05.2019 às 15:52

É, na verdade, uma velha tradição. Não direi que é também saudável pois não consta que algum deles tenha ressuscitado depois de votar.
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De Luís Lavoura a 28.05.2019 às 16:45

É realmente extraordinário que, na era da informática e do Simplex, em que deveria bastar um médico emitir uma certidão de óbito e ela ser introduzida num computador para imediatamente todos os organismos públicos saberem que uma pessoa faleceu, ainda seja necessária uma deliberada intervenção humana para que um falecido seja retirado dos cadernos eleitorais. Ou da Segurança Social.
Quando convem aos portugueses, o Simplex mantem-se Complicadex.
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De Anónimo a 29.05.2019 às 18:48

Em relação á abstenção não devemos esquecer que muita dela resulta do facto de que quem vota num projecto depois vê tudo virado ao contrário como se comprova facilmente nos últimos 20 anos em Portugal desde o discurso da tanga ao discurso da reposição dos rendimentos.
Obviamente que as pessoas não estão para pactuar com este regime baseado na mentira pois (pelo menos para mim) é inconcebível que quem se apresenta a eleições não conheça os dossiers e depois aponte sempre a culpa aos antecessores nos cargos, é como fazer parte do condomínio, candidatar-se a dizer que não o vai subir apesar de saber que o elevador não funciona vai para alguns anos.

WW
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De Anónimo a 29.05.2019 às 18:55

Enquanto o voto não for obrigatório, opto por não votar, sempre, sempre, com a maioria. O povo não confia nesta gente.
Entretanto mais quatro dentro.

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