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Este século começou em Setembro

por Pedro Correia, em 12.09.19

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Estava de folga, espreitei ao fim da manhã a TV - e já não consegui desgrudar os olhos do ecrã.

Mal engoli o almoço, rumei ao jornal como voluntário - à semelhança de muitos colegas que estavam desmobilizados naquele dia.

Passei catorze horas seguidas a trabalhar.

Saí do edifício da Avenida da Liberdade ia alta a madrugada de 12 de Setembro de 2001, quatro edições depois. Sabia que venderíamos largas dezenas de milhar de exemplares do diário no conjunto das bancas do País - breve e derradeiro apogeu da imprensa escrita.

A caminho de casa, afundei-me no banco traseiro de um táxi, esgotado e transido. Com a nítida sensação de aquela ter sido a dramática e definitiva despedida do século XX.

Um novo mundo acabara de ser inaugurado. Demasiado parecido com o pior do mundo velho.


38 comentários

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De Bea a 12.09.2019 às 01:07

É mesmo outro mundo. A decência em que acreditávamos tornava esse mundo impensável há umas décadas. A minha questão é que ainda não decidi se vale a pena armar-me para ele.
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 10:24

Ainda há quem faça graçolas imbecis a propósito desses repugnantes atentados terroristas que provocaram cerca de três mil vítimas mortais, oriundas de 90 países. Mais de 200 vítimas, em desespero, saltaram para a morte das janelas dos edifícios.
Mas as vítimas do 11 de Setembro não foram apenas as que morreram naquela manhã fatídica. Centenas de pessoas que estiveram em contacto com as poeiras e os resíduos tóxicos das torres destruídas - incluindo membros das inúmeras equipas de salvamento - têm morrido ao longo destes anos de doenças relacionadas com os atentados.
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De Anonimus a 12.09.2019 às 11:41

Os que fazem graçolas com as equipas de resposta são os congressistas dos EUA. Diariamente.
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 14:32

"Os" congressistas? São todos? Refere-se a quem, concretamente?
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De Anonimus a 12.09.2019 às 19:39

Os que vetam leis, faltam às audições...
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De Luís Lavoura a 12.09.2019 às 09:22

Quer dizer, trabalhou catorze horas seguidas "como voluntário" (ou seja, à borla) para o jornal e, para cúmulo, ainda teve que pagar táxi para voltar para casa (porque os transportes coletivos já não funcionavam)!

Acho mal, muito mal. O jornal, se queria quem trabalhasse para ele, deveria pagar. Como horas extraordinárias, obviamente.
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De Luís Lavoura a 12.09.2019 às 09:23

já não consegui desgrudar os olhos do ecrã

De facto, parecia um filme de Hollywood. Uma montagem, uma produção cheia de efeitos especiais.
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De V. a 12.09.2019 às 18:09

E fãs a torcer pelos bandidos como no Natural Born Killers. Os brutos e os invejosos vibram muito com essas coisas.
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De Vorph Valknut a 12.09.2019 às 09:24

É verdade, Pedro. Como disse, mais abaixo, os ataques a Nova Iorque representaram a tomada da nossa Constantinopla. A passagem de uma época.
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 10:18

Uma linha de fronteira. Daquelas que traçam a marca do irreversível. E do irrecuperável.
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De Pedro Neves a 12.09.2019 às 10:24

Pedro,
tento imaginar o desafio, numa redação, de tentar dar algum sentido a um evento desta magnitude em poucas horas. Acredito que, apesar de terrível, tenha ficado como um daqueles eventos que marcam uma carreira. Título certeiro, já agora.
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 10:31

Foi tudo vivido com imensa intensidade, Pedro.
Um daqueles dias que confirmaram a conhecida máxima deste ofício: um jornalista nunca está verdadeiramente de folga.
O instinto profissional impeliu-nos a rumar sem demora à redacção. Nesse dia foram produzidas quatro edições, cada qual despachada para diferentes parcelas do país - começando pelas mais distantes - à medida que iam sendo actualizados os números, apurados novos dados e recolhidos novos depoimentos.
A última, se bem recordo, fechou por volta das quatro da manhã.

P. S. - A arte de titular é um requisito indispensável, seja qual for o suporte tecnológico.
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De Miguel a 12.09.2019 às 10:56

Não foi o ataque terrorista de 11/9 que mudou o mundo. Foram os "norte-americanos" que, no seu seguimento, decidiram mudar o mundo utilizando a força militar mas também, e muito especialmente, a propaganda. Não é evidente em qual delas são eles mais fortes.

O ataque foi abominável, como são todos os actos de violência indiscriminada. É absurdo dizer que os "norte-americanos" o mereciam, a não ser que se oblitere a identidade dos indivíduos e se os identifique automaticamente com o Estado, o que é um reflexo totalitário.

No próprio dia ouvi in loco vários universitários norte-americanos bem informados dizendo coisas como « pois, com tudo o que fazemos por esse mundo, não é de admirar o que está a acontecer, somos nós que espalhamos as sementes. » ou « é preciso lembrar que a nossa política externa não é, nem de longe, coerente com qualquer noção de justiça nem com os valores democráticos de que tanto nos orgulhamos »
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De Vorph Valknut a 12.09.2019 às 13:13

Infelizmente, nesses países, enfeitiçados pelo ouro negro, a opção é muitas vezes entre o nosso fantoche controlável e uma fantochada.

Embargos económicos? De pouco servem se outros países, com governos democráticos de fachada, os violarem, além de que o peso dos embargos reflectem - se mais na população miserável, do que nos governantes das misérias.

Seguindo a história dos impérios e a lógica do Poder vemos duas opções. Um mundo governado pelos EUA, Grã Bretanha, e vá lá a UE, e outro pela China e a Rússia. Não sou idealista ao ponto de pensar que, a bem da humanidade, uma super potência abdique da sua Força . Ao fazê - lo apenas vai inclinar o prato do Poder para um outro lado.
O Trump é temporário, mas intemporal a influência americana, e a mentalidade da filosofia do Poder. Porquê intemporal o Poder americano? Porque quando ele finar esperar-nos-á a última guerra.

Interrogo - me quais serão os efeitos do fim da Rússia, uma economia condenada, a prazo, com a mudança do paradigma energético. Um império suportado por um modelo económico terceiro mundista, baseado em recursos energéticos fósseis. Um país que tem apostado apenas na indústria militar (bem diferente da China) . Uma Rússia que tresanda a URSS e acabará como ela, falida, mas com mais estrondo.
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De Anónimo a 12.09.2019 às 11:21

Bom dia Pedro Correia
Por razões profissionais tenho alguma sensibilidade para os assuntos belicosos por esse mundo fora.
Para lá do conhecimento concreto de informação altamente classificada, designadamente durante o período 1998-2001 quando em serviço nos EUA, a noção concreta (que andava "anunciada" nos documentos) de que algo de muito trágico estava para acontecer, tive-a em Julho de 2001, em Londres, quando do aeroporto nos preparávamos para ir para o metro, e esperámos horas para o poder fazer: tinha sido desmontada mais uma tentativa terrorista.
Em 28 de Agosto de 2001 estava/ estive junto do WTC; regressei definitivamente a Lisboa a 31 desse mês. Assisti à tragédia na aldeia de Monsanto, desde um pouco antes do 2º avião embater na torre.
António Cabral
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 14:40

Houve vários prenúncios, caro António Cabral.
Desde logo este:
https://en.wikipedia.org/wiki/1993_World_Trade_Center_bombing

Faltava somar os pontos.
Em 11 de Setembro de 2001 já não foi preciso mais aviso algum.
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De Anonimus a 12.09.2019 às 11:39

Mudou muito, e não mudou grande coisa.
Alguma "indiferença" perante este atentado deve-se a alguns países estarem habituados a conviver com terrorismo e violência. Pese a proporção, é complicado pedir a quem convive diariamente com o IRA que fique tão chocado quanto um novaiorquino que só vê terroristas quando visiona o die hard.
Relembro que a 12 de setembro o mundo se unia contra o terror, as offshores por onde passava o financiamento destes grupos iam acabar, o comércio de armas ia ser controlado ao detalhe, etc, etc.
Ficámos com umas guerras no médio oriente e mais câmaras de vigilância nas ruas. E a impossibilidade de cortar as unhas no avião. Parecido.
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 14:38

A partir de Setembro de 2001 tudo mudou. Nas viagens, nos costumes, na segurança, na liberdade de movimentos, nos filmes e nas séries, na própria linguagem.
Uma autêntica linha fronteiriça.
Comparar isto com o terrorismo da Irlanda do Norte (ou o basco, ou o das FARC, ou o da Fatah) é comparar o incomparável.
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De Anónimo a 12.09.2019 às 14:52

Mudaram hábitos, mas as políticas nem por isso.
Reforço, iam acabar-se com as offshores, os governos iriam unir-se contra o terrorismo, aí por diante. Temos vigilância.
Ressalvei a proporção, claro que há diferenças (se bem que quem sofre um atentado na pele está-se borrifando se morreram 2 ou 2000), mas os EUA "acordaram" para a questão terrorista, como se fosse uma novidade mundial. Uma metáfora, lembra aqueles bloggers que descobriram esse fenómeno da corrida. Outros países, e pessoas, lidavam com o terrorismo diariamente. Ser-lhes-ia mais difícil entrar numa erupção de indignação.

PS: gostei da referência aos filmes. Mas aí entra algo de moda. Os maus já foram os índios, os russos, as grandes organizações empresariais, passaram a ser os árabes, os imigrantes, so on.

PSII: aqueles minutos, entre os dois embates, em que se discutia se fora acidente ou atentado...
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 17:59

Os maus são outra vez os russos, nos dias que correm. Acabo de ver duas séries televisivas - uma americana, outra finlandesa - com enredos similares. Sempre tendo os russos como maus, ou mesmo péssimos, com um primarismo quase chocante.
Refiro-me a 'Berlin Station' (temporada 3) e 'Inimigos Secretos' ('Arto Ratamo').
São séries de uma qualidade acima da média, apesar de tudo, e só por isso as menciono aqui.
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De Vorph Valknut a 12.09.2019 às 16:40

Pedro, mas não deixa de ser verdade, o que o caríssimo anónimo referiu. Sabe - se que as offshores são paraísos para dinheiro sujo de sangue, e nesse quesito as coisas pouco mudaram. E depois houve aquela fantochada do Iraque, mais as provas, apresentadas por Collin Powell, sobre a existência das Armas de Destruição Maciça. Sim, o Saddam não era flor que se cheirasse, mas durante muito tempo foi o "nosso filho da puta" - usando a famosa expressão de Franklin D. Roosevelt sobre Somoza.

E aquilo do Afeganistão, também, foi um pouco para "americano" ver. Aliás, a política adoptada pelos EUA, após o 11 de Setembro, foi um fracasso, culminando com o surgimento do ISIS.

https://youtu.be/hHIlJLxw7qw

Não sei até que ponto o 11 de Setembro não foi usado como uma justificação perante a opinião pública americana para uma política energética, expansionista, já há anos prevista no PNAC.

https://www.google.com/amp/s/m.huffpost.com/us/entry/107940/amp

Não, não crítico os states. Não, não defendo os muçulmanos.
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 18:37

O que aconteceu depois é outra história.
Muita coisa costuma acontecer quando surge um novo século.

Entre as novidades deste século inclui-se o facto de os EUA terem praticamente alcançado a independência energética. Um marco da administração Obama, concretizado sobretudo no segundo mandato. Vale a pena, aliás, lembrar o discurso proferido pelo ex-presidente na noite da reeleição.
«US had begun freeing ourselves from foreign oil.»
https://www.nytimes.com/2012/11/07/us/politics/transcript-of-president-obamas-election-night-speech.html

Ficava para trás uma longa dependência externa. Basta lembrar que há 40 anos os EUA importavam 47% das suas fontes energéticas. Tornando-se dependentes de países como a Arábia Saudita, o Iraque e até mesmo a Venezuela.

A política de Obama, neste domínio, tem sido prosseguida por Donald Trump.
https://www.washingtonpost.com/gdpr-consent/?destination=%2fnews%2fthe-fix%2fwp%2f2017%2f05%2f30%2fthis-white-house-statement-on-trumps-positive-energy-reads-like-a-parody%2f%3f

Em 2018, os EUA tornaram-se novamente exportadores de petróleo em bruto, não-refinado, algo que não acontecia desde 1943.

Mas isto já é uma longa volta desde o ponto inicial, Setembro de 2001. É aqui que tenciono centrar-me por hoje.
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De João Pedro Pimenta a 12.09.2019 às 12:23

É verdade, Pedro. Da mesma maneira, muitos historiadores são da opinião que o séc. XX começou naquele dia de 1914 em Sarajevo. E durante os anos anteriores ao terrível 11/09 vivia-se um ambiente de descontração, optimismo e confiança. Muito mudou, desde aí, e francamente não acho que o legado até agora do Séc. XXI tenha sido positivo.
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 14:35

De facto, João Pedro, a história repete-se.
Vivíamos em 2001 também tempos de aparentes "vacas gordas".
Agora o mais que há, de longe a longe, são "vacas voadoras" - as da propaganda governamental.
Mas não aterram. Nem no aeroporto de Beja, entregue às moscas.
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De Pedro Correia a 13.09.2019 às 11:17

Aliás verifico que nesta campanha, sobretudo da parte do PS, há promessas sem-fim a apontar para datas como 2025 e 2030.
Assim dificilmente poderão ser cobradas daqui a quatro anos.
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De Maria Dulce Fernandes a 12.09.2019 às 16:05

Viva Delito e todos os Delituosos.
Ainda em sabática para dar apoio familiar ao novo membro da família, o meu neto Xavier, nascido a 4 de Setembro às 7:18h, não pude deixar de ler o Delito como sempre faço e desta vez deixar duas palavrinhas de aquiescência a esta publicação do Pedro.
O mundo regrediu bastante em temos de segurança, humanidade, entendimento e paz depois do 11 de Setembro.
Vi em directo. Na Sky News ou na Fox . À hora de almoço. Em férias em Alvor, como de costume.
Ao princípio a notícia não teve grande impacto pois ninguém soube explicar verdadeiramente o que se passava. O grande impacto chegou com o segundo. Instalou-se o pânico. Ninguém precisava que se explicasse aquilo que vimos. Porque vimos algo que só pensámos vir a ver no reino da ficção.
Infelizmente a realidade é bem pior do que a ficção. É em alturas em que, com uma criança nos braços nos perguntamos como irá ser o seu futuro, qual o nosso legado a este futuro quando formos passado, que não encontramos resposta que faça sequer sentido.
O século XXI durou apenas 9 meses e 10 dias.
Ninguém deu as boas vindas ao século - XXI, mas faço votos que haja muito mundo para nova transição.

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De Vorph Valknut a 12.09.2019 às 17:00

Parabéns Maria Dulce e restante família
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De Anónimo a 12.09.2019 às 21:59

Obrigada, Pedro.
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De jpt a 12.09.2019 às 17:45

Vem aí um belo século para o Xavier que terá 25 anos em 2044
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De Anónimo a 12.09.2019 às 22:01

Será supostamente o boom da singularidade tecnológica, jpt. Quero ser optimista.
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De jpt a 13.09.2019 às 09:48

Todas as épocas parecem anunciar a escatologia. Em 1919 o que se sentiria? Terá bem o que aí vem.
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De Pedro Correia a 12.09.2019 às 17:54

Muitos parabéns ao rebento e aos pais e aos avós - e em especial à Avó - do rebento.
Tudo de bom. Para ele e para vós.
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De Anónimo a 12.09.2019 às 22:02

Obrigada Pedro. Será seguramente um futuro leitor assíduo do Delito de Opinião.
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De Pedro Correia a 13.09.2019 às 11:14

Eheheh. Não tenho dúvida.
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De Anónimo a 12.09.2019 às 19:32

Muitos parabéns pelo seu Xavier.
Votos de um futuro radioso para ele e toda a família.

(uma provocaçãozita: neste tempo em que os Santos deixaram de ser oráculos de sabedoria e usamos motores de busca, registo que o seu neto nasceu no aniversário da fundação da Google, há 21 anos ;)

Isabel
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De Anónimo a 12.09.2019 às 22:06

Um dia, em googlando o nome, o Xavier seguramente encontrará menção à efeméride. Não deixa de ter a sua graça...
Obrigada, Isabel, um beijinho.

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