Estas coisas têm de ficar escritas
Para se respeitar alguém não é necessário partilhar as mesmas ideias.
Quando alguém com o percurso político, profissional e partidário de Henrique Neto se apresenta como candidato presidencial está no seu legítimo direito. As candidaturas presidenciais são candidaturas individuais e independentes dos partidos e estes têm sido os primeiros a aguardar, com ou sem manobras de bastidores, que os candidatos avancem para depois se posicionarem. Por que razão teria ele de receber a bênção do PS? Por que razão estaria impedido de apresentar a sua candidatura? Gente com a frontalidade e a seriedade de Henrique Neto escasseia em Portugal, mais ainda na política, e o facto da candidatura ser politicamente inoportuna para a direcção do seu partido não autoriza ninguém a tratá-lo com a insolência com que alguns merdosos que sempre viveram à sombra do partido e dos compadrios políticos e empresariais criados à sua sombra a ele se referiram.
Não conheço Henrique Neto de lado nenhum. E não faço à partida tenção de apoiá-lo porque aos setenta e oito anos já não se devia eleger ninguém para cargos tão exigentes como uma Presidência da República (não é o exemplo do actual titular ter transformado o cargo numa espécie de secretariado de uma junta de freguesia mais pomposa que lhe retira dignidade). Mas tenho pena que não apareça por aí um outro Henrique Neto, republicano, com menos quinze anos, socialista e de uma seriedade à prova de bala, e podem ter a certeza que eu votaria nele. Com ou sem a bênção do partido.

