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Estado da Arte orçamental

por Diogo Noivo, em 30.01.16

O homem quer, o homem sonha, a austeridade morre. É esta a convicção do Governo e dos partidos de esquerda que o apoiam. O problema é que, com excepção da aliança frentista, ninguém acredita neste aforismo.

As agências de rating não estão convencidas com o esboço de Orçamento de Estado para 2016. Mas deixemos as agências de rating. São pérfidas, a face mais visível do grande capital especulativo que oprime os trabalhadores e o povo.

Os bancos, entre os quais o Commerzbank, tão pouco estão convencidos com as intenções oníricas do Executivo nacional. Mas deixemos os bancos. São geridos de forma irresponsável. São os sicários que estiveram na origem da crise internacional.

A Comissão Europeia une-se ao coro de receios. Teve a ousadia de, por carta, questionar o Governo socialista e, pasme-se, alerta para o incumprimento de metas com as quais o Estado português se comprometeu. Mas deixemos a Comissão. Todos sabem que Bruxelas é parte integrante de um pacto mefistofélico com bancos, com as agências de rating e, pior, com o anti-cristo que dá pelo nome de Angela Merkel.

O Conselho de Finanças Públicas, já em terras lusas, também suspeita das contas apresentadas no esboço de Orçamento. Mas deixemos o Conselho de Finanças Públicas. Na sua maioria, são cinzentões académicos, destituídos de uma noção real das coisas.

Por último, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) não só questiona as contas do Governo, como afirma que contribuem “para melhorar artificialmente o esforço orçamental, interferindo com a medição da variação do saldo estrutural conforme estabelecido no Pacto de Estabilidade e Crescimento e reflectido na Lei de Enquadramento Orçamental”. Em bom português, as contas estão marteladas. Mas deixemos a UTAO. De acordo com o deputado Paulo Trigo Pereira, em declarações proferidas há dias na RTP, a unidade técnica pecou na forma como se pronunciou e está a fazer o jogo da direita.

No meio de tudo isto, o que é real? A realidade é a pátria soberana, diz-nos José Pacheco Pereira. E essa quem a define é o Governo.


9 comentários

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De cristof a 30.01.2016 às 18:35

Devia ser lido pelos que votaram nos partidos da geringonsa e acreditam no painatal
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De JSP a 30.01.2016 às 18:49

Resumindo : uma tropa - fandanga de pedintes reles e incompetentes, espelho exacto do "povo" que diz representar...
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De JgMenos a 30.01.2016 às 19:10

Sim, a hora é da Pátria, definida por uma geringonça que em 80% diz o que ela seja e que tem os outros 20% à conta do Manhatma Costa, com uma visão que em breve vai avassalar a Europa pela sua força inspiradora.

Pátria generosa que, além da prosperidade que se anuncia inevitável, apela a que lhe atribuam refugiados para acolher, tantos quanto os necessários para justificar o défice e a ignorância de regras e tratados.
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De Vento a 30.01.2016 às 21:11

Estou em crer que a sua análise vai inquinada pelo sentimento típico de quem pretende justificar um rotundo falhanço com a expectativa de que outro semelhante ocorra.

Para vincar o anterior propósito também se socorre de agências de rating que nada, nada mesmo, de objectivo referem quanto à questão orçamental. Baseiam sua opinião numa simplicíssima equação condicional. Vamos lá entender o que nos dizem:
"O que implica que SE o crescimento económico tiver um desempenho abaixo do previsto pelo governo, serão necessárias medidas de redução do défice adicionais, para cumprir o objectivo".

Em materia condicional também eu posso dizer que se a minha vizinha tivesse rodas era um autocarro.
Mas continuemos.

A banca não acrescenta absolutamente nada ao seu discurso desgatado. O que eles vêm dizer, neste caso o Commerzbank, é algo tão simples quanto isto: Os outros tipos não se importavam de estourar com o país para mostrar que eram gajos porreiros para connosco. Estes são mais duros e nós temos de incutir o terror e o temor público para que nossas normas se mantenham.

Mais ainda, o Commerzbank não nos apresenta números. É blá blá blá sem um único parágrafo que apresente uma fracção numérica. Até em matéria de custos do trabalho se esqueceu de incluir, por exemplo, a fórmula que anula o aumento do rendimento decretado.
Parece-me que o problema do Commerzbank é o facto das empresas alemãs, e outras, não poderem aceder, como pretendiam na Grécia, aos sectores públicos a privatizar. Eles dão o nome de liberalismo ao concentracionismo da economia nas mãos de fundos e outros mais.

Corrobora também o anteriormente referido o facto de ter introduzido a seguinte afirmação: "A Comissão Europeia une-se ao coro de RECEIOS". O discurso do medo e do terror é a arma dos fracos e desesperados.
O que eles dizem é isto: "Ainda assim destacou que não se trata de uma rejeição: "Estamos agora a levar a cabo a nossa avaliação do esboço de plano orçamental. É demasiado cedo para nos pronunciarmos sobre a substância do plano nesta fase".

Porém, a Comissão refere que o que está em causa é o seguinte: "Na carta, a comissão esclarece que tem duas semanas para se pronunciar sobre o esboço de orçamento, mas antes de o fazer, não pode deixar de questionar o governo "sobre as razões pelas quais Portugal planeia uma redução défice estrutural em 2016 muito abaixo do recomendado pelo Conselho [Europeu] em julho".
Ora bem, em matéria de défice estrutural convém anexar as reflexões neste link: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/esboco-de-orcamento-para-enganar-8183785#comentarios


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De Sem Norte a 31.01.2016 às 01:48

Os seus comentários parecem as redacções das seitas religiosas, toda a gente diz o contrário mas eu é que sei a verdade, vou já escrever 50 linhas para assim ficar contente comigo mesmo.
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De Vento a 31.01.2016 às 11:44

O seu comentário ao meu rebate possui tal pobreza e revela tal cegueira que não me surpreende que ande mesmo sem norte.

Não escreva as tais 50 linhas que promete, porque o seu contentamento será a tristeza e o suplício de muitos.

No entanto fico muito contente com o sentimento que subjaz em seu comentário, pois verifico que o meu acertou no alvo.
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De JgMenos a 31.01.2016 às 13:15

Sem dúvida o Vento produz uma arrasadora argumentação!
Ao retirar aos argumentos o sentido pretendido pelos seus autores resulta deles, senão o contrário, pelo menos uma total inconsequência - um brilhante método de há muito em uso nessa reputada Escola de Treteiros de Esquerda.

No entanto o mantra do apetite dos Alemães pelas nossas miseráveis empresas públicas é uma nota de exagero evidente. Os alemães conhecem-nos bem, entendem-se bem com os nossos trabalhadores, mas sabem bem qual a qualidade dos políticos abrilescos que nos pastoreiam.
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De do norte e do país a 31.01.2016 às 16:45

Caro JgMenos,

sempre foi, é e será assim. Se não fosse, a esquerda desaparecia.
É preciso acreditar. E nunca assumem a culpa.
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De Vento a 31.01.2016 às 17:18

Passou-lhe um pormenor, os alemães, a banca, também usam os fundos como veículos para seus investimentos. E os fundos são apátridas.
Na realidade aos treteiros, de um e outro lado da barricada, interna e externa, é necessário retirar-lhes o blábláblá usando os argumentos que não possuem.

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