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Espanha e os seus inimigos

por Pedro Correia, em 22.01.18

O tenebroso e "repressor" poder político espanhol permitiu que os seus inimigos jurados se constituíssem em listas eleitorais e convocou por sua iniciativa uma eleição a que esses inimigos concorreram. Permitiu que um contumaz, acoitado na capital de um país estrangeiro e que faz proclamações diárias de ódio contra Espanha, encabeçasse uma dessas listas eleitorais. Permitiu que outro relapso, neste momento detido à ordem do tribunal por incitar e promover uma rebelião contra o Estado, encabeçasse uma lista eleitoral alternativa. Vai permitir a formação de um Governo autonómico apoiado por essas duas forças políticas, embora nenhuma delas tenha vencido o escrutínio entretanto realizado. E permite naturalmente que o acusem de mil atentados à liberdade a todas as horas de todos os dias.

Isto no ano em que se completam quatro décadas do maior período de paz, prosperidade e respeito pelos direitos fundamentais alguma vez registado em meio milénio da história de Espanha.

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36 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 22.01.2018 às 17:53

"maior período de paz?"

Pergunto-me, diante desta nossa paz. Alguma vez haverá paz que se obtenha impunemente?
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De Pedro Correia a 22.01.2018 às 22:05

Pergunte isso a um sírio ou a um nigeriano ou a um afegão.
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De Vlad, o Emborcador a 22.01.2018 às 22:33

É isso, Pedro! A paz de uns acha-se na guerra de outros
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De Justiniano a 23.01.2018 às 10:26

Caríssimos, o caro Naves tem, ali acima, um apontamento muito interessante!!
A indisfarçável simpatia que a media de referencia nutre por algumas causas explica algum do espanto com que vejo a verdade ser tão mal tratada!! É, contudo, cada vez menor, o meu espanto!
O Público, então, há muito que deambula entre a teoria crítica, o pensamento mágico e o empiricamente errado, e sempre errado!!
Os românticos da catalunha. Os tenebrosos racistas do leste. O ignominioso Trump. A cupidez dos que acumulam riqueza. O enredo costumeiro!!
Não sei de que laboratório saiu esta gente, mas cheira-me que a este ritmo não haverá paz!
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De Vlad, o Emborcador a 23.01.2018 às 10:47

Justiniano, é a favor de uma maior integridade global - Governo Mundial-Instituições Supranacionais - ou da manutenção dos nacionalismos /proteccionismos que só nos deram guerras?


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De Justiniano a 23.01.2018 às 14:21

Vlad, meu caro!! A sua pergunta pretende estabelecer um antagonismo maniqueu que, para além de historicamente errado, não existe. Pretendo, sobretudo, negá-la como questão ou hipótese política!! Ceder à patranha globalismo versus nacionalismo é um mundo que não me assiste!
Por outro lado, reduzir as correntes nacionalistas e proteccionistas do sec XIX e o seu contributo histórico (na consolidação dos sistemas nacionais e na industrialização) ao simples opróbrio da guerra é quase grotesco.
O meu caro está possesso por outro tipo qualquer, não é, certamente, o Vlad arguto e crítico que costumo ler por aqui!!
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De Vlad, o Emborcador a 23.01.2018 às 16:30

Justiniano nada é absoluto. São tendências. E a mim parece-me que surgem mais benefícios numa maior integração/ interdependências entre os países, que o contrário.

A relutância de conflito aberto e as forças antagónicas a esses conflitos serão mais intensas em virtude da tal crescente interdependência - se notar bem, todo o organismo social ou biológico , desenvolver-se-á, em complexidade, no sentido de uma maior resiliência ao erro/dano , quanto maior, quer a especialização das suas partes (especialização das economias; especialização de órgãos) quer a coordenação das mesmas ( Instituições Internacionais; centralização )- Simbiose Política, Económica e Social .

Esta maior integração conduz a um Altruísmo egoísta, na minha óptica, muito de acordo com a natureza humana.

O Protecionismo/ Nacionalismo apenas conduziu a guerras "comerciais"/raciais , e intolerâncias do pior tipo. Os regionalismos / luta entre as partes - antagonismos - resultam apenas em sistemas primitivos de tempos já idos.

Sugestão :

Os Anjos Bons da Nossa Natureza, Steven Pinker

As notícias incessantes sobre guerra, crime e terrorismo criam a ideia de um mundo cada vez mais ensanguentado. Mas neste importante livro Steven Pinter mostra-nos que a violência, pelo contrário, tem decrescido nos últimos períodos da história. Mas como aconteceu isso?

Pinker examina os demónios interiores que nos conduzem à violência, e os anjos que dela nos afastam, mostrando-nos como certas alterações nas nossas ideias e acções permitiram aos anjos do bem triunfar. Ao mesmo tempo, o autor quebra vários mitos sobre violência, apresentando uma nova defesa do modernismo e do Iluminismo.

Este livro dá seguimento à exploração de Pinker sobre a natureza humana, misturando psicologia com história e criando um retrato fascinante do nosso gradual domínio sobre a violência.

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De Shadows a 22.01.2018 às 17:56

Texto perfeito.
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De jo a 22.01.2018 às 17:58

Parece um caso gritante de falta de bolas.
Ou não há razão para a perseguição ou não se devia ter deixado os acusados concorrer.

Quanto aos 40 anos de paz não foram decerto mérito do Rajoy 155 e apaniguados.
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De Pedro Correia a 22.01.2018 às 22:10

Não me parece que haja por lá falta de bolas.
Espanha integra o 'top ten' do futebol mundial, como atesta o 'ranking' da FIFA.
https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/sem-mudancas-no-top-10-ranking-da-fifa-tem-croacia-e-islandia-superando-gigantes.ghtml
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De Anónimo a 22.01.2018 às 18:38

Não seria despiciendo ( palavra cara...) alguns dos doutos comentadores passarem os olhos pelos escritos de (D.) Arturo Pérez-Reverte no que toca à História, e às histórias,da chamada "pele do touro(aportuguesamento deste vosso criado).
Essa pouco recomendável personagem tem uma coluna no "El Semanal", publicada "on line" ás segundas feiras , onde trata , com escassa , ou nenhuma , caridade cristã estes, e outros momentosos temas.
Também tem livros, claro...

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De Vlad, o Emborcador a 22.01.2018 às 19:52

Agora a sério :

É Ás ou Às de Copas?
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De Pedro Correia a 22.01.2018 às 22:11

Reverte é um ás. Literário.
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De Maria Dulce Fernandes a 22.01.2018 às 22:34

Opiniões à parte, e note o Sr. Anónimo que muitas delas são pertinentes e acertadíssimas apesar de contundentes, o Señor de Pérez-Reverte é um escritor fantástico. Já lhe li quase todos os livros com muito agrado.
A lógica não tem muito a ver com caridade cristã.
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De Pedro Correia a 22.01.2018 às 23:24

Gosto muito dos livros de Reverte. Nunca é de mais chamar a atenção para eles.
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De Anónimo a 22.01.2018 às 19:19

Parece que por cá é que tem de se cumprir a constituição, segundo os interesses de cada um.
Bom, por cá, ainda falta cumprir o direito ao pão e à habitação.
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De Vlad, o Emborcador a 22.01.2018 às 19:59

Santa Casa e Bairro Camarário ?

Ou tem que ser de brioche a moradia?
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De Pedro Correia a 22.01.2018 às 22:14

Como diria o outro, bioche é brom.
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De Pedro Correia a 22.01.2018 às 22:13

Falta também cumprir a liberdade de expressão, ao que parece. A julgar por aqueles que ainda receiam assumir opiniões em nome próprio como se tivessem medo de ser presos pela Pide.
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De Rão Arques a 22.01.2018 às 19:35

Há quem goste mais do arbítrio e aragens de outras paragens.
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De Vlad, o Emborcador a 22.01.2018 às 19:56

Rao essa nova indumentária é uma homenagem ao Baden Powell? Gostava mais de o ver em armadura. Fazia-o mais novo.
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De Pedro Correia a 22.01.2018 às 23:27

Será homenagem ao Tintin em Bruxelas?
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De Rão Arques a 23.01.2018 às 07:54

Mineiros de Santa Bárbara.
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De Rão Arques a 23.01.2018 às 08:10




En el pozo María Luisa,
tranlaralará, tranlará.
murieron cuatro mineros.
Mira, mira Maruxina mira,
mira como vengo yo.
traigo la camisa roja
tranlaralará, tranlará.
de sangre de un compañero.
Mira, mira Maruxina mira,
mira como vengo yo.
traigo la cabeza rota,
tranlaralará, tranlará.
que me la rompió un barreno.
Mira, mira Maruxina mira,
mira como vengo yo.
mañana son los entierros,
tranlaralará, tranlará,
de esos pobres compañeros.
Mira, mira Maruxina mira,
mira como vengo yo.
santa bárbara bendita,
tranlaralará, tranlará.
patrona de los mineros.
Mira, mira Maruxina mira,
mira como vengo yo.
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De Pedro Correia a 22.01.2018 às 23:27

Há gostos para tudo. Não falta até quem aprecie o tirano de Caracas, senhor absoluto das prateleiras vazias.
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De Maria Dulce Fernandes a 22.01.2018 às 22:15

Muito bem dito e muito bem escrito, Pedro. Não são precisas muitas palavras para se entender tudo bem, quando a explicação é excelente.

"Isto no ano em que se completam quatro décadas do maior período de paz, prosperidade e respeito pelos direitos fundamentais alguma vez registado em meio milénio da história de Espanha." Em cheio.


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De Pedro Correia a 22.01.2018 às 22:31

Será uma das efemérides mais em foco neste ano, Dulce. Os 40 anos que se cumprem, em Dezembro, da entrada em vigor da actual Constituição espanhola.
Um oásis na turbulenta e sangrenta história de Espanha. Um oásis que também nos beneficia em Portugal. Nada temos a ganhar com uma Espanha dividida, fragmentada, em guerra com ela própria. Desde logo porque o país vizinho é o nosso principal parceiro económico, tanto em importações como em exportações.
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De Anónimo a 22.01.2018 às 23:17

D. Maria Dulce Fernandes, por vezes não se devem tomar os adjectivos literalmente...
E perdoe-me esta fraqueza exibicionista (gabarola?) : li, e tenho "emprateleirados" todos os livros de Reverte , "Eva" incluído.
Cpmts.

JSP
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De Maria Dulce Fernandes a 23.01.2018 às 00:12

O seu comparativo foi bastante superlativo e a superioridade analítica, saiu bastante sintética, mas como nem tudo pode ser absoluto, relativizo o comentário.
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De Luís Menezes Leitão a 23.01.2018 às 10:03

Um país maravilhoso. Os independentistas podem concorrer às eleições mas não podem executar o seu programa pois, se os fizerem, resta-lhes a prisão ou o exílio. Mas, mesmo presos ou exilados, podem concorrer e até ganhar as eleições mas nunca podem tomar posse do cargo a que foram eleitos, pois serão presos se o tentarem fazer. Graças a Deus que em 1640 nos livrámos de um país assim. Os outros que fiquem com ele.
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De Pedro Correia a 23.01.2018 às 10:20

Podem violar a lei, a Constituição, o próprio Estatuto da Catalunha que votaram, o próprio regimento parlamentar que aprovaram.
Podem desrespeitar todas as sentenças judiciais.
Podem rasgar os acórdãos do Tribunal Constitucional.
Podem perder eleições e proclamar que as venceram.
Podem tudo isto enquanto dão entrevistas diárias onde proclamam a todo o passo o seu imenso nojo pelos "espanhóis" e o seu insaciável ódio ao Estado espanhol.
Fazendo da causa independentista um interminável 'reality show' com epicentro em Bruxelas.

Felizmente em 1640 não tínhamos um Puigdemont. Se o tivéssemos, eles ainda estavam cá.
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De Luís Menezes Leitão a 23.01.2018 às 10:42

Nesse último ponto tens razão. Na altura não andámos com paninhos quentes como o Puigdemont tem andado. A Duquesa de Mântua e o Miguel de Vasconcelos que o digam.
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De Pedro Correia a 23.01.2018 às 10:53

Diferença fundamental. Um foi defenestrado. O outro defenestrou-se.

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