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«Não conheço nenhum escritor de nomeada que seja favorável a este acordo.»

Manuel Alegre

 

Acredito que os portugueses ainda se pronunciarão em referendo sobre o chamado "acordo ortográfico" de 1990, vigente desde 2011 no país oficial mas votado ao desprezo pelo país real. A esmagadora maioria dos portugueses não sabe escrever em acordês nem está interessada nisso.

Enquanto o referendo não se realiza, a opinião sobre o AO90 é emitida pelos nossos escritores - os mais qualificados utentes do idioma de Camões, Vieira, Camilo, Aquilino e Nemésio. Na sua esmagadora maioria, recusam exterminar as supostas consoantes mudas, recusando a ortografia acordística.

Interrogo-me: como é possível impor regras ortográficas que os escritores rejeitam em número tão expressivo?

São autores de várias gerações, diferentes tendências políticas e diversos estilos literários. Mas com este ponto em comum.

Aqui deixo os nomes deles, por ordem alfabética, prometendo alargar a lista à medida que alguém me for assinalando omissões - o que agradeço desde já:

 

Abel Barros Baptista

Abel Neves

Adília Lopes

Adolfo Luxúria Canibal

Afonso Cruz

Afonso Reis Cabral

Agustina Bessa-Luís

Alexandra Lucas Coelho

Alexandre Andrade

Alexandre Borges

Alice Brito

Almeida Faria

A. M. Pires Cabral

Ana Barradas

Ana Casaca

Ana Cássia Rebelo

Ana Cristina Silva

Ana Isabel Buescu

Ana Luísa Amaral

Ana Margarida Carvalho

Ana Marques Gastão

Ana Paula Inácio

Ana Sofia Fonseca

Ana Teresa Pereira

Ana Vidal

Ana Zanatti

André Gago

Anselmo Borges

António Araújo

António Carlos Cortez

António Barahona da Fonseca

António Barreto

António Borges Coelho

António Cabrita

António Costa Santos

António de Macedo

António Emiliano

António Feijó

António Guerreiro

António Lobo Antunes

António Louçã

António Manuel Venda

António Modesto Navarro

António Oliveira e Castro

António Pedro Ribeiro

António Salvado

António Tavares

António Victorino d' Almeida

Armando Silva Carvalho

Arnaldo Saraiva

Artur Anselmo

Artur Portela

Artur Ribeiro

Baptista-Bastos

Beatriz Hierro Lopes

Bernardo Pires de Lima

Bruno Vieira Amaral

Carla Hilário Quevedo

Carlos Campaniço

Carlos Fiolhais

Carlos Loures

Carlos Querido

Casimiro de Brito

Célia Correia Loureiro

César Alexandre Afonso

Clara Pinto Correia

Cláudia R. Sampaio

Cristina Boavida

Cristina Carvalho

Cristina Drios

Daniel Jonas

David Machado

David Marçal

David Soares

Deana Barroqueiro

Desidério Murcho

Diogo Freitas do Amaral

Diogo Ramada Curto

Dulce Garcia

Dulce Maria Cardoso

Eduardo Cintra Torres

Eduardo Lourenço

Eduardo Paz Ferreira

Eduardo Pitta

Ernesto Rodrigues

Eugénia de Vasconcellos

Eugénio Lisboa

Fausta Cardoso Pereira

Fernando Alves

Fernando Alvim

Fernando Correia

Fernando Dacosta

Fernando Echevarria

Fernando Esteves Pinto

Fernando Paulo Baptista

Fernando Pinto do Amaral

Fernando Ribeiro

Fernando Venâncio

Filipa Leal

Filipe Nunes Vicente

Filipe Verde

Francisco Moita Flores

Francisca Prieto

Francisco Salgueiro

Frederico Duarte Carvalho

Frederico Lourenço

Frederico Pedreira

Gabriela Ruivo Trindade

Galopim de Carvalho

Gastão Cruz

Gonçalo Cadilhe

Gonçalo M. Tavares

Helder Guégués

Helder Moura Pereira

Helena Carvalhão Buescu

Helena Malheiro

Helena Sacadura Cabral

Henrique Manuel Bento Fialho

Hélia Correia

Inês Botelho

Inês Dias

Inês Fonseca Santos

Inês Lourenço

Inês Pedrosa

Irene Flunser Pimentel

Isabel A. Ferreira

Isabel da Nóbrega

Isabel Machado

Isabel Pires de Lima

Isabel Valadão

Ivone Mendes da Silva

Jaime Nogueira Pinto

Jaime Oliveira Martins

Jaime Rocha

Joana Stichini Vilela

João Barreiros

João Barrento

João Céu e Silva

João David Pinto Correia

João de Melo

João Lobo Antunes

João Luís Barreto Guimarães

João Miguel Fernandes Jorge

João Morgado

João Paulo Borges Coelho

João Paulo Sousa

João Pedro George

João Pedro Mésseder

João Pedro Marques

João Pereira Coutinho

João Rasteiro

João Reis

João Ricardo Pedro

João Távora

João Tordo

Joaquim Letria

Joaquim Magalhães de Castro

Joaquim Pessoa

Joel Neto 

Jorge Araújo

Jorge Buescu

Jorge Morais Barbosa

Jorge Sousa Braga

José-Alberto Marques

José Alfredo Neto

José António Almeida

José António Barreiros

José Augusto França

José Barata Moura

José do Carmo Francisco

José Fanha

José Gil

José Jorge Letria

José Manuel Mendes

José Manuel Saraiva

José Mário Silva

José Miguel Silva

José Navarro de Andrade

José Pacheco Pereira

José Rentes de Carvalho

José Riço Direitinho

José Viale Moutinho

Júlio Machado Vaz

Laurinda Alves

Lídia Fernandes

Lídia Jorge

Lourenço Pereira Coutinho

Luís Amorim de Sousa

Luís Carmelo

Luís Filipe Borges

Luís Filipe Castro Mendes

Luís Filipe Silva

Luís Manuel Mateus

Luís Naves

Luís Osório

Luís Quintais

Luísa Costa Gomes

Luísa Ferreira Nunes

Luiz Fagundes Duarte

Manuel Alegre

Manuel Arouca

Manuel da Silva Ramos

Manuel de Freitas

Manuel Gusmão

Manuel Jorge Marmelo

Manuel Marcelino

Manuel Tomás

Manuel Villaverde Cabral

Manuela Bacelar

Marcello Duarte Mathias

Marco Neves

Margarida Acciaiuoli

Margarida de Magalhães Ramalho

Margarida Fonseca Santos

Margarida Palma

Margarida Rebelo Pinto

Maria Alzira Seixo

Maria de Fátima Bonifácio

Maria do Carmo Vieira

Maria do Rosário Pedreira

Maria Elisa Domingues

Maria Filomena Molder

Maria Filomena Mónica

Maria Helena Serôdio

Maria João Avillez

Maria João Lopo de Carvalho

Maria Manuel Viana

Maria Saraiva de Menezes

Maria Teresa Horta

Maria Velho da Costa

Maria Vitalina Leal de Matos

Mariana Inverno

Mário Cláudio

Mário de Carvalho

Mário Zambujal

Marlene Ferraz

Miguel Cardoso

Miguel Esteves Cardoso

Miguel Gullander

Miguel Real

Miguel Sousa Tavares

Miguel Tamen

Nádia Carnide Pimenta

Nuno Amado

Nuno Camarneiro

Nuno Costa Santos

Nuno Júdice

Nuno Lobo Antunes

Nuno Markl

Nuno Rogeiro

Octávio dos Santos

Orlando Leite

Patrícia Baltazar

Patrícia Reis

Paula Morão

Paula Veiga

Paulo Assim

Paulo Castilho

Paulo da Costa Domingos

Paulo Guinote

Paulo Moreiras

Paulo Tunhas

Pedro Almeida Vieira

Pedro Barroso

Pedro Braga Falcão

Pedro Chagas Freitas

Pedro Correia

Pedro Eiras

Pedro Guilherme-Moreira

Pedro Lains

Pedro Marta Santos

Pedro Medina Ribeiro

Pedro Mexia

Pedro Paixão

Pedro Rolo Duarte

Pedro Sena-Lino

Pedro Tamen

Porfírio Silva

Possidónio Cachapa

Rafael Augusto

Raquel Nobre Guerra

Raquel Ochoa

Renata Portas

Ricardo Adolfo

Ricardo António Alves

Ricardo Araújo Pereira

Ricardo Paes Mamede

Rita Ferro

Rodrigo Guedes de Carvalho

Rosa Alice Branco

Rosa Maria Martelo

Rosa Oliveira

Rui Ângelo Araújo

Rui Cardoso Martins

Rui Cóias

Rui Herbon

Rui Manuel Amaral

Rui Miguel Duarte

Rui Pires Cabral

Rui Ramos

Rui Vieira Nery

Rute Silva Correia

Ruy Ventura

Sarah Adamopoulos

Sérgio Godinho

Soledade Martinho Costa

Susana Gaião Mota

Sylvia Beirute

Tatiana Faia

Teolinda Gersão

Teresa Salema Cadete

Teresa Veiga

Tiago Cavaco

Tiago Patrício

Tiago Rebelo

Tiago Salazar

Valério Romão

Valter Hugo Mãe

Viriato Teles

Vasco Gato

Vasco Luís Curado

Vasco Pulido Valente

Vítor Aguiar e Silva

Vítor Oliveira Jorge

Yvette Centeno

 

Texto originalmente publicado a 7 de Maio de 2016.

A lista foi muito ampliada, mencionando agora 325 nomes


98 comentários

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De Manuel Silva a 10.02.2017 às 11:29

Caro Pedro:
Eu, sinceramente lhe confesso, não tenho nem esperança no referendo nem que o Acordo Heterográfico (este é que é o nome que corresponde ao efeitos que ele produziu na escrita da Língua Portuguesa, apregoando que queria unificar grafias mas desunificando-as) seja revertido por um acto de coragem e bom senso dos responsáveis políticos.
Afinal, vivemos um tempo de irracionalidade sem limites, por que carga de água a racionalidade apareceria a propósito deste assunto?
----------------
P. S. Roubei o nome Acordo Heterográfico a um artigo do Henrique Monteiro, ontem no Expresso-Diário. Ele, que é um defensor acrisolado do dito, defesa que faz da forma mais irracional e teimosa que se possa imaginar (é a favor porque é bom, ponto), haveria de o rebaptizar com o nome mais apropriado possível.
As voltas que o mundo dá.
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 15:00

1) Se a etimologia fosse um valor a preservar a todo o custo, não haveria sequer lugar a reformas ortográficas, como as de 1911 e 1945, em que se verificou, tanto numa como noutra, uma aproximação tendencial entre grafia e fonia (ainda deveríamos escrever “philosophia", "addição" ou "auctor", etc., se este critério fosse levado à risca);

2) A ortografia, ou forma correta de escrever, é um esforço para encontrar uma norma, o menos ambígua possível, de registar graficamente os sons da fala; como tal, implica convencionalidade e até um certo grau de arbitrariedade. Ora, parece-me ser desejável uma relação tão clara e inequívoca quanto possível entre a(s) letra(s) e os sons que pretendem transcrever, e penso que no caso da supressão das consoantes mudas se faz um avanço nesse sentido

3) A análise de algumas palavras que são por certas pessoas articuladas com “c” ou “p” (e por outras não: ex.: característica vs. caraterística, sectorial vs. setorial, corrupção vs. corrução) mostra que estamos perante uma mudança linguística (fonética) ainda em curso, que tem vindo a ocorrer provavelmente desde o princípio do século XX. A nova norma trazida pelo AO dá conta dessa mudança, que não é ainda completa, pelo que admite, com as desvantagens referidas, a possibilidade de uma dupla grafia (em muito poucos casos, diga-se, e com tendência a desaparecer).

4) O argumento de que a ausência de consoante "c" ou "p" para abrir a vogal precedente não colhe. Quem apresenta este argumento, cita habitualmente palavras como setor, receção, aspeto, porque poderão vir a ser confundidas, respetivamente com s´tor (abreviatura de Sr. Dr.), recessão e espeto (o substantivo, não o verbo). E não sabe que este argumento não é totalmente fiável (por exemplo, nas palavras tactear ou exactidão o c não abre a vogal).

Helena Topa, professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
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De V. a 10.02.2017 às 17:19

"1) Se a etimologia fosse um valor a preservar a todo o custo, não haveria sequer lugar a reformas ortográficas, como as de 1911 e 1945, em que se verificou, tanto numa como noutra, uma aproximação tendencial entre grafia e fonia (ainda deveríamos escrever “philosophia", "addição" ou "auctor", etc., se este critério fosse levado à risca);"

Exactamente, era assim que devia ser. O erro começou em 1911. Aliás, em 1910 (quod erat demonstrandum)
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De Pedro Correia a 10.02.2017 às 15:10

Caro Manuel: essa designação constitui uma enorme contradição do Henrique Monteiro, feroz adversário das "consoantes mudas". Não há consoante mais muda do que o h. Por isso deveria designar-se Acordo Eterográfico (de éter).
E o Henrique deveria passar a chamar-se Enrique. Agá para quê?
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De Luís Lavoura a 10.02.2017 às 17:05

Tem toda a razão. H para quê? Não é utilizado em italiano, a mais bela das línguas latinas. Parece que não lhes faz falta. E não consta que a Itália seja propriamente um país primitivo e inculto...
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 18:45

Ou Enrique, em castelhano
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De Joao Braga a 12.02.2017 às 00:10

E que tal "Enriqe" no lugar de "Enrique"?
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De Pedro Correia a 12.02.2017 às 00:46

Cada vez melhor. Perfeito.
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De V. a 13.02.2017 às 10:29

E para quê o último E? Que falta de economia, cavalheiros.
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De Pedro Correia a 13.02.2017 às 22:08

Ora pois. Não faz falta.
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De José Manuel Faria a 10.02.2017 às 12:03

Deveriam abrir um abaixo/assinado.
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De Pedro Correia a 10.02.2017 às 15:09

Já aqui fica, José Manuel.
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De V. a 10.02.2017 às 12:04

Honestamente, dou mais valor às 250.000 assinaturas de um abaixo-assinado que a assembleia nacional (com letra minúscula) ignorou. Por oposição ao facto de não ter ignorado as pouco mais de 300 contra o piropo dos homens das obras, a maior evidência da fractura entre a política e a sociedade. Espero que "os escritores de nomeada" estejam também entre os que assinaram o maior abaixo-assinado de sempre a que o parlamento não quis ligar.
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 22:20

V, se reparar na lista que Pedro Correia publicitou estão lá os nomes desses grandes escritores Pedro Chagas Freitas, herdeiro da veia camoniana, e Margarida Rebelo Pinto, discípula de Jane Austen. Pergunto-me se Alexandra Solnado terá assinado também o dito manifesto?
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De V. a 11.02.2017 às 10:17

Não sei quem é a Alexandra Solnado mas aposto que é do Benfica e tem uma colecção de mochos.
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De Einstürzende Neubauten a 11.02.2017 às 14:26

O que Jesus me ensinou. 15º ano com Jesus. Neste seu mais recente livro, Alexandra Solnado sintetiza tudo o que aprendeu com Jesus ao longo de 15 anos de conexão espiritual. Desde os 7 grandes ensinamentos em que se baseia o projeto que Jesus lhe pediu que criasse e desenvolvesse - o Projeto Terapia da Alma - até uma diversificada série de 50 lições de espiritualidade, que abrangem todas as áreas da nossa vida diária. Os 7 grandes ensinamentos destes 15 anos de conexão de Alexandra Solnado com Jesus são:

• Criança Interior
• Saudades de Mim - Essência
• Vidas Passadas
• Karma
• Limpeza Espiritual e Cura
• Eu Superior
• O Futuro Ideal

Ou seja, tudo foi contemplado e resumido para que todas as pessoas, independentemente do seu grau de compromisso, possam entender, acompanhar e evoluir. As 50 lições de espiritualidade diversificam-se por temas do quotidiano, em que tudo, mesmo tudo, é explicado pela lógica do céu. Um autêntico manual espiritual, escrito numa linguagem acessível, recheado de histórias ilustrativas
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De Pedro Correia a 11.02.2017 às 14:59

Você é agente literário da Alexandra Solnado?
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De Einstürzende Neubauten a 11.02.2017 às 18:49

Não sou decerto o seu intermediário.
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De xico a 11.02.2017 às 23:45

Ainda bem que lê Alexandra Solnado em vez de um jesuíta horroroso que fazia juramentos escabrosos como o Padre António Vieira!
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De Einstürzende Neubauten a 12.02.2017 às 16:55

Engana-se. Adoro Padre Vieira. Sobretudo a parábola dos Achigãs e das Percas.
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De Anónimo a 10.02.2017 às 12:05

Não sou escritor.
Mas lecionei português durante 40 anos redondos no 2º e 3º ciclos.
De forma empenhada e refletida.
Preparei a última aula com o mesmo entusiasmo e abertura de espírito com que preparei a primeira.
Participo assiduamente em espaços especializados como, por exemplo, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.
Apesar disso, ou talvez por causa disso, não consigo livrar-me da convicção de que a guerra por causa do AO, como qualquer guerra, é muito mais um choque de paixões do que uma troca de argumentos inteligentes.
Por exemplo, um dos pontos mais atacados pelos detratores é a questão das novas palavras homógrafas... mas como é possível tal assanho, se palavras homógrafas sempre existiram sem a oposição de ninguém?!
A minha posição continua a ser esta: o AO, linguisticamente falando, repito, linguisticamente falando, não justifica nem tanta tinta nem tanta saliva.
Como professor, fui obrigado a adotá-lo.
Como cidadão escrevente, adotei-o, sem reservas, porque, tendo a língua sido, durante tantos anos, simultaneamente instrumento e objeto da minha função, a grafia, para mim, resulta mais fácil, porque mais económica e mais adequada à fonética.
João de Brito
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 12:28

Caro, João! E salivam passados já quase 20 anos?! Isso é que me espanta. O que fizeram os opositores durante estes quase 20 anos, agora que já o ensinam na escola??

Gostava de saber a sua opinião sobre os programas de português que hoje são lecionados aos miúdos do secundário..

Cumprimentos,


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De Manuel Silva a 10.02.2017 às 13:28

Caro Einstürzende Neubauten:
Só o grande desconhecimento sobre o Acordo Heterográfico o leva a só ver saliva da parte dos opositores.
E a dos apoiantes?
O que quer que se faça senão protestar contra tamanha aberração?
Foi apresentado como unificador das grafias, desunificou mais do que havia anteriormente.
Qualquer alteração desta dimensão devia ser coerente, revela uma incoerência gritante.
Que quer mais?
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 15:21

Manuel qualquer mudança, "revolução" implica resistências, sobretudo dos que se habituaram (como eu) ao velho mundo.
Existem nomes respeitadíssimos que embora não concordem, totalmente, com o AO o defendem.

Mas quais as mudanças sociais, etc, que foram "impostas" por unanimidade?
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De Manuel Silva a 10.02.2017 às 19:05

Caro Einstürzende Neubauten:
Lá porque todo o mundo é composto de mudança, como dizia o grande Camões, não temos de engolir toda a mudança que nos querem enfiar pelas goelas abaixo.
E, ainda por cima, ficar caladinhos e agradecidos.
Tanto mais que nos prometeram que o AO era para unificar a grafia mas revelou-se um verdadeiro AH (Acordo Heterográfico), desuniu mais do que já existia.
E é incoerente no sua aplicação: trata de maneira diferente casos semelhantes.
Estes dois aspectos tanto me bastaram para, à medida que fui conhecendo o que propunha, me ter tornado um feroz opositor deste verdadeiro Aborto Ortográfico.
Se reparar, nenhum dos grandes mentores ou defensores já o defende às claras com muita convicção: só os peões de brega ainda terçam armas por aquilo.
E os poderes políticos também, devido aos compromissos que assumiram.
Por onde anda o Malaca Casteleiro, o seu grande mentor, progenitor, parteiro e babysitter?
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De Anónimo a 10.02.2017 às 20:52

Muito boa tarde!
Teria muito a dizer sobre o assunto proposto por Vossa Excelência.
Talvez o faça, se e quando ele for aqui postado expressamente.
Entretanto, sempre vou adiantando que, por exemplo, o Funcionamento da Língua (Gramática) dos referidos programas foi também decretado pelo Dicionário Terminológico, que ninguém questiona, nem os professores, mas que, esse sim, é um verdadeiro atentado à nossa inteligência.
Só a título de exemplo:
“ (…)
E o assunto desembocou, em forma de lei (como se o raciocínio se decretasse!), nesta obra-prima do já famoso Dicionário Terminológico, onde é definido assim o nome predicativo do sujeito: «Função sintática desempenhada pelo constituinte que ocorre em frases com verbo(s) copulativo(s)...» Definição de verbo copulativo: «Verbo que ocorre numa frase em que existe um constituinte com a função sintática (...) de predicativo do sujeito.» A isto chama-se círculo vicioso!” (Extrato de um texto meu, publicado no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa)
Mas há muito mais e pior!
Ao lado disto, o AO é um menino de coro.
No entanto…
João de Brito
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 22:15

Obrigado, João de Brito, pela resposta!
Bom fim de semana
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De JSC a 10.02.2017 às 14:20

Bom comentário.
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De JSC a 10.02.2017 às 14:24

Caro João,

Estas são as "mesmas" pessoas que diziam que o José Saramago escrevia mal, antes de José Saramago ganhar o prémio nobel.

O AO apesar de obrigatório em documentos oficiais, para os escritores não o é, portanto é um pouco estranho que seja esta classe a mais revoltada.
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De Pedro Correia a 10.02.2017 às 15:08

Que "estranho" praticamente nenhum escritor ter "adotado" o desacordo ortográfico, bem acolhido por marceneiros, canalizadores, subsecretários de Estado e técnicos oficiais de contas!
Porque será?
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 15:26

Curioso referir Lobo Antunes. O que pensarão os linguistas sobre a sua fraseologia?
Ou da de Saramago? Escreve mal, querem ver...
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De V. a 10.02.2017 às 17:26

Não. É simplesmente uma xaropada bestial com estilística de casa de banho. Escreve "cheiro a merda" e fica logo tudo mais contemporâneo. Enfim... mais um retornado. Produzem muito. Gente mesmo excepcional é assim.
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De JSC a 10.02.2017 às 15:28

...professores, médicos, engenheiros, cientistas, contabilistas...
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De Anónimo a 10.02.2017 às 16:27

Eu continuo a achar que o Saramago escreve mal. Embora agora hesite depois de meia dúzia de gajos (que sabem mais de português do que eu) lá na Suécia tirem dito que ele era bom.
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De Pedro Correia a 10.02.2017 às 16:42

O achismo tornou-se um passatempo nacional. Praticado por tudólogos.
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De JSC a 10.02.2017 às 17:08

Está no seu direito e no meu de discordar de si.
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De Pedro Correia a 10.02.2017 às 22:59

O anónimo afinal era você?
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De JSC a 11.02.2017 às 18:39

Não, a minha resposta era a esse comentário por lapso terei carregado em responder ao seu pelos vistos. Acho que Saramago conseguiu algo que poucos conseguiram, que foi passar a língua falada para a língua escrita de uma forma exímia.

No entanto, isso não era bem visto pelos seus colegas e hoje em dia é poucas vezes recordado.
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De Luís Lavoura a 10.02.2017 às 14:58

adotei-o sem reservas porque a grafia resulta mais fácil, porque mais económica e mais adequada à fonética

Exatamente. É também a minha posição!
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De V. a 10.02.2017 às 17:31

É "... resulta mais facilitada". Folgo muito que já não ande a ensinar os erros que andou a ensinar este tempo todo.
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De Camara Lima a 10.02.2017 às 12:08

...
Não direi o mesmo das modificações ortográficas, que não estou disposto a adoptar, continuando a escrever como me ensinaram, embora a minha prosa apareça nêste jornal mascarada com a ortografia que repudio, com todas as silabas de acento grave às três pancadas ou com o guarda-chuva do circunflexo, e vítima do racionamento de consoantes, que agora são tabeladas. Meus amigos, sou do tempo do Amigo Banana, que, como se sabe,
escrevia Cartaxo com x
e chouriço com c cedilhado
e não estou disposto a que me aconteça o que sucedeu há um ano a um velho como eu, que teimava em escrever à moderna, e levantando o nariz do papel, disse a um colega:
- Esta história das consoantes dobradas umas vezes e singelas outras, põe-me a cabeça em água. Olhe lá, burro escreve-se com dois rr ou com um?
E o outro, com ar de lastima:
- Coitado, nem já sabe fazer a assinatura!...

ABC 16 de dezembro de 1920
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 12:20

Como é que ainda se fala num assunto (AO) que foi decidido há quase 20 anos, e que há um par de anos já se ensina nas escolas?

Deixem-se disso e discutam, hoje, a "mastondice" que são os programas de português adoptados nas Escolas Secundárias, inclusive na Área das Ciências. Uma autêntica aberração. Meio caminho andado para os miúdos fazerem do português uma das suas disciplinas de "ódio de estimação", ultrapassando, aquela, já a matemática.

Tudo isto é caricato! Só vejo incompetência em ambas as partes - defensores e proponentes do AO
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De Pedro Correia a 13.02.2017 às 08:38

Foi decidido? Por quem?
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De J. L. a 10.02.2017 às 12:23

Atenção. O Acordo foi feito para que os estrangeiros aprendessem mais facilmente. Os estrangeiros, é sabido, são pouco inteligentes e ficavam baralhados com os acentos e não conseguiam aprender. Mas agora só se encontra gente a falar português quando vamos para fora. "Para para descansar" é muito melhor do que "pára para descansar". Então os ingleses e americanos quando viam o risquinho por cima do a e pára desistiam imediatamente da língua.
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De Zugui a 10.02.2017 às 12:49

Tumba! Mesmo na pássara!
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De André Miguel a 10.02.2017 às 13:15

Quando os políticos se metem onde não devem dá nisto (asneira da grossa), como se fosse possível mudar a língua por decreto...
Pior: manter o AO é deixar um precedente perigosíssimo, pois se daqui amanhã vierem com uma novilingua à la 1984 depois não se queixem.
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De Anónimo a 10.02.2017 às 15:36

A língua não se muda por decreto, mas a escrita sim. Prova: isso já foi feito várias vezes e em várias línguas.
Até no chinês: em 19 e quarenta e tal simplificaram extraordinariamente muitos caracteres. Claro que também houve resistência (atentado à cultura chinesa, etc. e tal). Em Macau, Hong Kong e Singapura recusaram-se a adoptar a mudança. Na China adoptaram.
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De André Miguel a 10.02.2017 às 18:49

Os chineses façam o que quiserem com a língua deles. Eles também comem cão, gato e outras cenas maradas, vamos nessa?!
Não suporto esta idiotice de fazer porque os outros fazem... Que falta de auto-estima e amor pelo que é nosso.
E como se fosse possível dissociar a escrita da língua! É com cada disparate com que uma pessoa se topa...
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De Anónimo a 10.02.2017 às 22:41

Não se trata de fazer porque os outros fazem mas sim de mostrar que a escrita se pode mudar por decreto.
Os alemães também o fizeram não há muito tempo. Os franceses idem. O turco até mudou de alfabeto e há mais exemplos.
Isto mostra que se pode mudar mas é claro que não demonstra que nós tenhamos de mudar.
A propósito: já estive dezenas de vezes na China a acho (e longe de ser o único) a comida deles excelente incluindo coisas maradas. E é possível dissociar a escrita da língua. Possível é mas não temos que o fazer.
Por vezes raciocinar em vez de chamar nomes resulta.
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De André Miguel a 11.02.2017 às 10:45

Entre o poder e o dever vai uma enorme distância. Faço uma declaração de intenções: como liberal gostaria que os políticos mantivessem as suas mãozinhas longe daquilo que não lhes compete (como o AO).
Chamar nomes?? Você é anónimo, como é que lhe vou chamar nomes?? E continuo a acreditar que é uma idiotice a tentativa de justificação só porque os outros o fazem.
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De Pedro Correia a 11.02.2017 às 10:56

Acho sempre imensa graça aos anónimos que se indignam por lhes "chamarem nomes".
Pensando bem, até tem alguma lógica.
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De Anónimo a 11.02.2017 às 18:01

Para acabar com a conversa: chamo-me António Santos Anónimo.
Conheço alentejanos com sobrenomes piores.
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De António Santos Anónimo a 12.02.2017 às 12:08

Disse a verdade, calei a boca a todos.
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De Einstürzende Neubauten a 12.02.2017 às 16:57

Com esse nome penso que ficaram abertas!
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De Pedro Correia a 13.02.2017 às 08:41

Se é alentejano devia ser Anónime e não Anónimo, pela mesma lógica (ou falta dela) que leva agora todo o careta a escrever "cante" em vez de canto.
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De lucklucky a 10.02.2017 às 19:20

Ena tanto Socialista nessa lista que se farta de clamar que o Estado tenha muito Poder .... Agora queixa-se do Poder que o Estado tem...

Aprenderam alguma coisa? Claro que não.
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De Einstürzende Neubauten a 10.02.2017 às 22:27

Luck, cá para nós, que ninguém nos ouve a escrita e o alfabeto são invenções socialistas. Com a letra escrita vieram os contratos comerciais (c/origem na Mesopotâmia), mas também a burocracia, que mantinha a estabilidade e a homogeneidade das cidades-estado, através das estelas - veja-se o código de Hamurabi.

Com a escrita veio também uma assimetria do poder. Entre os que sabiam e os qua não sabiam escrever/ler. Esquematicamente; Controlo da informação - uso da informação - Mentira/ocultação - subjugação - Sozialismo!

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De lucklucky a 11.02.2017 às 19:28

E.N. è o grau de poder para criar Estado Social que permite um colossal poder sobre a língua.
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De Einstürzende Neubauten a 12.02.2017 às 16:59

Pela sua lógica um bom Cunilíngus deriva de um forte Estado Social?
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De Antónia Cunha a 13.02.2017 às 18:58

O lucklucky é especialista em Cunilingus. Eu que o diga.

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