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Esboço de orçamento para enganar papalvos

por José António Abreu, em 29.01.16

trafulhice não surpreende: imagem de marca dos governos socialistas recentes, só confirma as suspeitas sobre a falta de seriedade intelectual de Costa e de Centeno. Mas classificar como extraordinárias medidas que obviamente representam despesa corrente constitui tamanho insulto à inteligência alheia que ainda incomoda ligeiramente - e acima de tudo envergonha, por recuperar o lugar-comum do português que utiliza todos os expedientes para tentar evitar o que tem de fazer. Depois disto, será lícito esperar respeito por parte de técnicos e ministros das finanças europeus? Há um ano, Varoufakis perdeu a consideração dos colegas por arrogância (faça-se-lhe a justiça: claramente assumida); Centeno, com o sorriso cada vez mais parecido com o de um vendedor de carros usados (as minhas sinceras desculpas aos vendedores de carros usados), irá perdê-la por esperteza saloia.

Mas enfim, sejamos positivos: pelo menos como espectáculo para consumo de pipocas, a coisa promete. Vai ser divertido assistir ao braço de ferro entre governo, comissão europeia, bloco de esquerda e partido comunista. E pode ser que entretanto a DBRS resolva juntar-se à festa. Nesse caso, os tempos ficarão mesmo muito, muito interessantes.

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30 comentários

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De Vento a 29.01.2016 às 11:03

Gostei muito de o ler apelando à inteligência. E como lhe referi que a situação resolve-se com inteligência e não com obediência, inteligência essa que a anterior coligação não revelou, permita que lhe link um artigo de 2012 para que compreenda o que é isto do défice estrutural e dos cálculos para o mesmo:

http://www.maisfutebol.iol.pt/pacto-orcamental/02-03-2012/formula-de-calculo-do-defice-estrutural-e-idiota
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De Anónimo a 29.01.2016 às 13:25

Inteligentes mesmo só Passos Coelho e Miguel Relvas (JAA dixit)
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De José António Abreu a 29.01.2016 às 14:21

"(JAA dixit)"

Onde?
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De lucklucky a 29.01.2016 às 13:31

E vem o Vento lançar poeira para os olhos a falar de défice estrutural quando não interessa para coisa alguma.
Ou há dinheiro para pagar ou não há e vai-se aos mercados vender uns papelinhos que dizem Dívida Portuguesa para arranjar o dinheiro que falta.

Essa tem sido a história do pós 25 de Abril, sempre com défice e logo mais e mais dívida só possível diga-se por causa da da baixa dívida que veio da Ditadura.
E vem com um link Socialista a condizer. Como se o "potencial" da economia tivesse alguma coisa que ver com a realidade e o calculo do Défice estrutural interessa-se para alguma coisa.

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De Vento a 29.01.2016 às 15:11

Você continuar a ler nos textos o que vai no seu pensamento viciado e não o que está escrito.
Défice estrutural é a matéria do texto do JAA, cujo link corrobora:
http://observador.pt/2016/01/28/utao-defice-estrutural-aumenta-as-medidas-forem-contabilizadas-corretamente/

interferindo com a medição da variação do saldo estrutural conforme estabelecido no Pacto de Estabilidade e Crescimento e refletido na Lei de Enquadramento Orçamental”, repito, conforme estabelecido no pacto estrutural.
O pacto estrutural só tem revelado, através de seus cálculos, uma desestruturação.
Mais ainda: "Os técnicos de que trabalham junto do Parlamento dizem que este tipo de contabilização está feito até para o cálculo do défice estrutural do ano passado, que terá, segundo o Governo, descido para 1,3% do PIB potencial. No entanto, corrigindo estas contas com a contabilização adequada, o défice estrutural teria aumentado no ano passado de 1,6% para 1,7%, e aumentaria novamente para os 2,1% este ano".

Há gente para tudo em matéria de inteligência.

Por último, a dívida portuguesa está aí também para garantir a rentabilidade dos ditos mercados. Só os juros a pagar representam, seguindo o exemplo dos anteriores bons rapazes e raparigas, o pagamento da dívida mais os juros vincendos, sem que haja amortização do empréstimo.

O negócio dos mercados é este. Portanto, os inteligentes sabem o que fazer e os outros andam a fazer o que não sabem. Ser inteligente é um suplício. Não sei até quando aguentarei esta cruz.
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De José António Abreu a 29.01.2016 às 17:03

"Ser inteligente é um suplício. Não sei até quando aguentarei esta cruz."

Eu não sei é até quando nós, os não-inteligentes (que, ainda assim, há um ano viram logo o que se iria passar na Grécia), aguentaremos a sua cruz.
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De Vento a 29.01.2016 às 22:21

JAA, a minha inteligência só é a meu favor. Não é contra alguém.
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De Vento a 29.01.2016 às 22:26

Grécia:
http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-01-03-Tsipras-garante-Grecia-nao-vai-ceder-a-exigencias-irracionais-e-injustas-dos-credores

http://economico.sapo.pt/noticias/tsipras-recusa-ceder-a-exigencias-absurdas-dos-credores-sobre-reforma-de-pensoes_238732.html

http://economico.sapo.pt/noticias/grecia-mantem-custos-no-regresso-aos-mercados_238924.html

Tem mais notícias sobre a Grécia?
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De José António Abreu a 29.01.2016 às 14:28

É despesa corrente? É. Discutir semântica (e, concretamente, a expressão "medidas extraordinárias") pertence ao domínio do ridículo. Que, por um lado, o governo de Passos não tenha querido assustar os funcionários públicos e, por outro, tenha procurado deixar espaço às fantasias do juízes do Palácio Ratton não altera a realidade. O corte de salários não é uma medida extraordinária no que respeita ao orçamento. Para este, equivale exactamente a um corte definitivo, sendo acrescentada uma promessa política de efectuar aumentos tão cedo quanto possível, de modo a - pelo menos - repor a situação de partida.
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De Vento a 29.01.2016 às 15:20

Parece que os rapazes e raparigas disseram em Bruxelas que os cortes eram definitivos. E o que cortaram criou uma recessão tremenda. Não vejo que se possa crescer quando o PIB potencial não tem potência alguma e o tendencial nunca bate certo.
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De lucklucky a 29.01.2016 às 16:58

"E o que cortaram criou uma recessão tremenda."

Essa é fantástica. Só pode vir mesmo de alguém instruído de esquerda.
É o mesmo que dizer que a doença começa quando se toma medicamentos.

Ou então entra se em recessão quando se deixa de viver a crédito.

Nós já estamos em recessão há quase vinte anos.

Ainda não percebeste que gastar 8% do PIB para crescer 2% do PIB não é crescimento?
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De Vento a 29.01.2016 às 22:31

Há medicamentos que na mão de ignorantes provocam doenças. Mas quem lê a bula e não entende o que vai dito nela também não é menos ignorante quando defende a toma.
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De lucklucky a 30.01.2016 às 12:54

Ou seja escolhes ignorar como uma avestruz o problema Português (e não só) do crescimento quando a fruta madura do crescimento - obras publicas, habitação, primeiras necessidades estão cumpridas.

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De Vento a 01.02.2016 às 21:03

Vá tratar por tu a sua avozinha ou quem você quiser. Eu não tenho pachorra para mudar fraldas borradas.
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De jj.amarante a 29.01.2016 às 16:47

É a honestidade intelectual no seu esplendor: "Que, por um lado, o governo de Passos não tenha querido assustar os funcionários públicos..." e por isso lhes mentiu (suponho que muito honestamente) dizendo-lhes que se tratavam de cortes temporários.
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De José António Abreu a 29.01.2016 às 17:06

Meu caro, chame-lhe o que quiser (notícia de última hora: os políticos tendem a dourar a pílula) mas, em termos de orçamento, salários não são medidas extraordinárias.
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De jo a 29.01.2016 às 20:45

Só os políticos que gostamos é que douram a pílula.

Os outros mentem.
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De José António Abreu a 30.01.2016 às 10:45

"Só os políticos que gostamos é que douram a pílula.

Os outros mentem."

Tem alguma razão. Mas acho menos mau mentir para justificar contas credíveis a mentir enquanto se esconde despesa debaixo do tapete.
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De Vento a 30.01.2016 às 12:46

Mostre-nos as contas que estão debaixo do tapete.

Será que se refere à devolução da sobretaxa? Será que se refere ao aumento da dívida? Será que se refere ao desemprego colocado debaixo do tapete? Será que se refere ao tal aumento das exportações? Será que se refere aos cerca de 30% de pobres gerados?

Eu sei que só às divindades, como eu, é que se lhes atribui inteligência, mas não faça dos não-inteligentes pessoas mais destituídas do que revela.

O meu caro JAA entende que a mentira é a virtude dos incompetentes; e eu considero a Verdade a benesse dos inteligentes. Só mente quem não possui capacidade e também idoneidade.
E para si, o que brada aos céus, o rigor revela-se na mentira, a até é menos má.

Eu sou capaz de desculpar uma mentira, mas naqueles que mentem para evitar morrer à fome. A mentira para fazer obesos por nomeação ou por garantia de posições que nunca deviam assumir não entra nos meus critérios de compaixão.
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De jo a 29.01.2016 às 12:45

Não deixa de ser interessante comparar as preocupações da UE com este orçamento, com as que teve com os orçamentos dos anos da troika que tinham orçamentos extraordinários de três em três meses. E sempre para mais longe dos objetivos.
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De José António Abreu a 29.01.2016 às 14:36

Há várias diferenças mas fiquemos por uma: esforços honestos com alguma sustentação em cenários partilhados por entidades nacionais (a UTAO nunca foi tão dura como este ano) e internacionais versus tentativas de aldrabice que - obviamente - ninguém valida.
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De jo a 29.01.2016 às 18:20

Bem se vamos para a classificação de honestidade do esforço para ter duas bitolas que tal esta:

Se o orçamento for aldrabado por um governo e uma troika é um esforço honesto. Mesmo que não atinga os objetivos, que haja um aumento desmesurado do desemprego, que não se diminua a dívida, que haja um brutal aumento de impostos, que o ministro das finanças se demita, que se escondam as falências de bancos, etc.

Se não gostarmos do governo que apresenta o orçamento, este é desonesto e está tudo dito-
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De Manuel a 29.01.2016 às 16:05

A esta altura estão os investidores esfregando as mãos enquanto aguardam para investir em dívida portuguesa altamente rentável.
Afinal quem é que é amigo dos compradores/investidores dos mercados?
Agora digam todos: A esquerda portuguesa!!
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De José António Abreu a 29.01.2016 às 17:10

Ora, só se formos tão fracos como o Tsipras e nos acobardarmos...

(Desconfio que algumas pessoas não perceberão a ironia na frase acima.)
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De Manuel a 29.01.2016 às 21:10

Anda por aí um monte de gente cheia de termos técnicos e de conhecimentos científicos capazes de não servirem para nada mais do que lixar a vida e a conta bancária do parceiro.
Eu fico de queixo caído com os sofistas populistas da esquerda:
a) Passam o tempo todo a contratar empréstimos com juros e condições de pagamento que se comprometem a cumprir.
b) Sabem que quanto mais empréstimos contraírem mais sobe o risco de entrarem em incumprimento e logo fica mais difícil de atrair interessados em lhes emprestar dinheiro.
c) Sabem que para atrair interessados em emprestar a quem tem grau de risco de incumprimento elevado é preciso oferecer melhores prémios(yieldes).
d) Sabem que isso significa ter contrair empréstimos a pagar juros mais altos.
e) Ouvem avisos de todos os quadrantes, mas rebatem-nos com agressividade e com os argumentos de que estão defendendo a Constituição, o povo, a nação, a soberania e finalmente com a pérola de que são a maioria e é que mandam.
1 - Quem é que pede um empréstimo e depois diz que não o paga?
2 - Quem se atreve a não cumprir aquilo que assinou e depois ainda tem o descaramento de exigir mais emprestado?
3 - Que tipo de defesa dos direitos sociais, da Constituição e da Soberania é essa, que entala e amarra um povo a tantos compromissos que o deixa só com com o espaço necessário para viver neste ciclo vicioso de divida sobre divida?

- Isso é que é ser de esquerda?
- Isso é que é ser esperto e inteligente?
- Isso é que é ser o bom da fita?

ps: O défice estrutural é querer viver a querer ter e manter coisas, ou modos de vida, sem meios nem recursos para tal.
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De João de Brito a 29.01.2016 às 17:00

A impressão que tenho é a de que a malta que defende que não há outro remédio senão pagar e não bufar está formatada pelo liberalismo absoluto.
Raciocinam dentro desse sistema e, como sempre acontece nesse caso, entram em curto circuito e daí não saem.
É preciso sair e ganhar perspetiva, para descobrir que foi a lógica desse sistema que fez com que 1% da população mundial tenha tanto como os restantes 99%!!!
E... está tudo dito.
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De José António Abreu a 29.01.2016 às 17:29

Desde que se consiga raciocinar simultaneamente fora da caixa e sem dinheiro no bolso, acho que tem toda a razão. A mim, basta-me olhar para a Venezuela (cuja situação económica, evidentemente, decorre do euro e do tratado orçamental) para chegar à conclusão de que essa é uma "perspectiva" que não me entusiasma.

E não está tudo dito. Você continua a insistir na questão do 1%. As políticas da esquerda, de injecção de dinheiro, levam precisamente a isso. O dinheiro "inventado" vai quase todo parar a essas pessoas porque (1) são as únicas com recursos para justificar projectos de investimento (nem que seja nos mercados financeiros ou em projectos de viabilidade duvidosa) e (2) há muitos bancos que não as podem deixar cair porque vão atrás (um exemplo: os produtores de gás de xisto norte-americanos, para quem o petróleo a 30 ou 40 dólares é uma catástrofe, estão a ser aguentados por bancos de investimento que, pelo menos em parte, sobrevivem à custa das políticas dos bancos centrais).
Se quiser, a inflação está nos mercados financeiros e em projectos de valor discutível. Isto também significa que a riqueza dessa gente é em grande medida contabilística - basta os activos desvalorizarem e parte da riqueza delas esfuma-se. O que - ironias - vai ser péssimo para os 99%.
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De Fernando S a 29.01.2016 às 17:19

"Estrutural" não é equivalente a "definitivo" e incompativel com o "temporário".
"Estruturalmente" a economia portuguesa não tem o "potencial" para sustentar um Estado com o custo que o nosso representa.
Por isso é que o nosso orçamento é "estruturalmente" negativo (independentemente da conjuntura envolvente mais ou menos favorável).
Por isso é que, na falta de melhor, o corte no custo com o funcionalismo e o aumento das taxas (via escalões) de IRS foram e são medidas "estruturantes".
Dito isto, a situação pode evoluir e as coisas podem mudar.
Nada obsta a que, caso o "potencial" da economia aumente e as contas públicas globais sejam "estruturalmente" consolidadas, a despesa com o funcionalismo possa aumentar e as taxas de IRS possam descer.
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De Anónimo a 29.01.2016 às 19:37

Trafulhas foram os que estiveram antes que passaram a vida a enganar-nos, a tirar e expropriar. Como é que ousa dizer que Costa e Centeno têm falta de seriedade intelectual, quando o governo anterior mentiu em campanha eleitora sobre a sobretaxa e não só... É pena que não tenha olhado para a esperteza saloia de Maria Luís, essa sim, saloia provinciana que se colocou ao lado dos poderosos que se estavam borrifando para ela e para nós e o que soube fazer foi, seguir aquilo que Victor Gaspar disse estar errado e por isso se demitiu.

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De JS a 30.01.2016 às 10:49

!... Há um ano, Varoufakis perdeu a consideração dos colegas por arrogância (faça-se-lhe a justiça: claramente assumida)... ".

Insuspeitos discípulos da "Tsipras Political Handbook" e do "Varoufakis School of Economics" a passos (no pun intended) de passarem uma noite em tertúlia com Ângela Merke e Wolfgang Schäuble.

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